Mystery, Dear Mystery
23 Mystery 7 – O Vermelho No Branco 2/3
Notas iniciais
Narração por: Nick Trent
Todos estávamos meio em choque. Olhando para cada um, eu podia ver um pouco do que todos sentiam: Megan claramente não sabia o que fazer, acho que ela estava tentando se decidir entre chorar, gritar ou simplesmente se fingir de estátua; Ted parecia morto de preocupação; Lerman olhava tudo ainda em choque; já a Hale parecia totalmente indiferente (novidade da vida), mas ela foi a primeira a fazer alguma coisa. Ela desceu até o corpo ensanguentado da Lucy e começou a mexer nela. Tive medo de que a Hale estivesse só piorando a situação, já que isso ela faz com uma perfeição que chega a assustar. Isso pareceu dar uma reação a todo mundo, nós descemos ao encontro da Hale, e foi então que eu reparei que ela estava tentando salvar a Lucy. Riley se abaixou junto e os dois começaram a trabalhar no seu corpo inerte.
– Megan, acorda pra vida e se desculpe com ela! — A Hale mandou olhando para a Megan, que finalmente saiu de seu transe e devolveu o olhar com aquela cara de “Endoidou? Ela nem pode me escutar!”, mas a expressão da Hale estava muito séria. Em seguida, Diamont bufou irritada, como quem diz “Eu devo ter cuspido no vinho sagrado! Será possível que só eu saiba das coisas aqui?!”, e eu não duvidaria que ela estivesse pensando exatamente nessas palavras.
– Eu estou falando sério, depois ela morre e você fica com remorso pro resto da vida e não sabe o que fazer depois. Não estou com paciência para aguentar gente chorando aqui, então se desculpa logo. — ela falou tudo indiferente. Pera aí! Ela sabe o que significa sentir remorso? Ah, me esqueci, ela é uma psicopata maluca que sempre busca saber de tudo, ou seja, uma espécie de Barbie Killer aterrorizantemente aterrorizante.
Megan estava trêmula. Ela se sentou ao lado do corpo da Lucy enquanto as mãos da Hale trabalhavam no sangue e na pulsação e as do Riley no coração. Era um trabalho um tanto quanto estranho, o sangue mais saía do que entrava.
– Lucy, me desculpa! Eu não queria ter falado nada daquilo, não no sentido literal, não quero perder você nem a sua amizade, você é muito importante para mim. — a Megan falou tudo de uma forma MUITO emotiva, depois algumas poucas lágrimas desceram pelo seu rosto e Hale deu um sorriso mínimo, como sempre sarcástico. Ela parecia estar achando graça de tudo daquilo! Que tipo de pessoa acha graça disso?! Ah é, lembrei! Uma Hale.
– Consegui estancar um pouco do sangue, a pulsação aumentou e agora temos que ir para Juneau. — Hale falou e olhou para o Ted, mas depois o seu olhar se perdeu em um ponto mais além dele. Ela foi até lá e retirou uma bala, que tinha uns símbolos que reconheci como os de Hitler. Ela praguejou uma coisa que não deu para entender e guardou a bala de uma forma nada feliz, depois voltou o olhar para o Ted, Riley já tinha pegado a Lucy no colo, ele parecia muito desesperado – coloca muito nisso! –, eu estou começando a achar que o Riley vai ter um enfarte dos graves daqui a pouco. Só me falta essa: duas pessoas parando em um hospital, sabiam que a salinha de espera não é legal? O café tem gosto de limão.
– Esse é o problema, eu não sei onde fica Juneau. — Ted falou na maior cara de pau.
Hale parecia querer ter um enfarte ali mesmo, ela e todo o pessoal, inclusive eu, estávamos quase sacando as Calibre 50 e dando um tiro bem no meio da testa do Ted!
– COMO ASSIM?! VOCÊ MORA EM UM FREEZER GIGANTE E NÃO SABE ONDE FICA A CAPITAL DESSE FREEZER?! TEM CERTEZA DE QUE VOCÊ SABE ONDE FICA O OUTRO LADO DO MUNDO? NÃO PARECE! — Barbie Killer surtou ali. Deu para perceber que aquela bala a tinha deixado numa TPM adiantada. Ela respirou fundo, como se tentasse recuperar uma calma que ela nunca teve e em seguida resmungou um “Eu sou a única que sabe fazer alguma merda de coisa aqui?!”.
– Me dá um senso de direção, pelo menos. — ela cruzou os braços.
Deu para ver a testa do Ted pingando de suor. Ele estava nervoso, isso era óbvio, mas também com a vida da irmã em risco, quem não fica? Eu tenho que dizer, existem pessoas desligadas, mas o Ted pediu e se esforçou pra ganhar a medalha de ouro com direito a um chocolate em forma de coração!
– Leste, estamos a leste de Juneau, e eu tenho um helicóptero que está aqui perto. — Ted instruiu com a voz fraca.
A Barbie Killer pareceu pensar e de repente sacou a calibre 50. Todos recuamos um passo, mas nós não éramos o alvo... Ou pelo menos não o principal.
– Quem está aí? Você está na minha mira, aconselharia a sair daí, agora! — o tom dela saiu frio e imperativo, logo uma mulher muito bonita apareceu, olhos azuis, cabelos ruivos e estrutura mediana, tinha uma calibre 50, uma roupa térmica com strass rosa em alguns lugares, e uma "mini" botinha de salto alto, agora me fala que tipo de pessoa anda de salto alto em plena neve no Alasca? Enfim, ela olhava com um olhar de ódio para a Hale e esta retribuía, deu para sacar que eles estavam em um disputa de "Quem olha mais feio" ou "Quem piscar primeiro perde."
– Você tem 20 segundos pra dizer o seu nome e pra quem você trabalha. — Hale falou firme e forte.
A ruiva deu um sorrisinho de lado completamente debochado e não abaixou a calibre.
– Ou o quê? Você vai me matar? Ah, que medo da ilustre Diamont Hale. Vai colocar o meu nome na sua listinha? — a ruiva debochou. Era estranho ouvi-la debochando, a voz dela era estranhamente fina e mesquinha, e tiros soaram imediatamente, mas para a nossa total surpresa, a ruiva desviou resmungando de que o casaco preto dela ia ficar cheio de neve e ela ia ter que enxugá-lo e que por causa disso iria estragar o esmalte roxo batata dela e se escondeu de volta atrás das árvores, deixando Diamont realmente irritada. Essa mulher (seja lá quem for), não tem noção do perigo. Até porque que tipo de pessoa vai se esconder em algum lugar para se denunciar por culpa de um esmalte mesmo?
A Hale entrou no meio das árvores tão rápido quanto a ruiva mesquinha e logo depois elas estavam lutando quase que num borrão. A Barbie Killer obviamente terminou na vantagem, com uma faca apontada para a barriga da ruiva, enquanto a ruiva tinha uma faca posicionada na direção do seu coração (se é que ela tem um). Lugares fatais, um movimento e ambas poderiam estar mortas em muito pouco tempo. James estava pronto para atirar, mas alguma coisa o fez recuar, deu pra perceber que a Hale estava enrolando a ruiva.
– Fala. Agora. — Hale falou forte, como se não tivesse medo de morrer, e eu duvido que ela tenha. Posso apostar meu pijama listrado com bolinhas verdes nisso.
A ruiva bufou alto de maneira irritante.
– É bom que meu nome fique marcado de qualquer jeito. Linda. Linda Parker. — Linda Parker... Que tipo de pessoa se chama Linda mesmo? É como se eu me chamasse Horrível, não tem sentido!
A Hale pareceu pensar por um instante, como se reavaliando a situação atual. Logo, nós ouvimos alguns passos e quatro caras saíram de trás das árvores, todos armados. Nós apontamos nossas armas pra eles no mesmo instante, mas dois deles tinham armas apontadas para Linda, o que foi um alívio.
– Ah, está com problemas, Linda? — A Barbie Killer perguntou debochadamente.
Linda bufou e semicerrou os olhos azuis, com a faca ainda firme ela se inclinou para a frente e falou algo no ouvido da Hale, que apenas sorriu fraco e concordou antes de dizer algo de volta. Assim que se afastaram, a Hale olhou para o James, que olhou para ela confusamente, mas logo levantou as sobrancelhas e sorriu minimamente, enquanto eu e os outros estávamos com aquela cara de crianças assistindo a um documentário sobre Física. Não entendendo merda nenhuma do que estava acontecendo.
– Entreguem a ruiva que ninguém se machuca. — Um dos caras que tinha a arma apontada pra Megan falou.
A Barbie Killer assentiu séria, mas com um sorriso irônico na cara.
– Ela é todinha de vocês. Matem, esquartejem e guardem um pouco de sangue pra autópsia.
Diamont arrancou a faca da mão da Linda de uma forma muito rápida, mas pelo que tínhamos visto da Linda até agora, estava claro que ela tinha deixado. A Hale colocou a Linda de costas para ela e posicionou as duas facas ali, o que fez os caras abaixarem um pouco as armas e afrouxarem suas miras. No mesmo instante a Hale falou:
– Patetas.
Então Linda abaixou e ela lançou as duas facas exatamente na cabeça dos dois que apontavam as armas pra ela e o James jogou uma bomba de fumaça no meio deles que deixou os atiradores sem rumo e eles começaram a correr. Sabendo que não era para fazermos o mesmo, até porque os dois estavam atirando como loucos. Riley pegou Lucy no colo novamente e nós corremos seguindo o Ted e acabamos perto do tal avião.
Assim que a Barbie Killer abriu o helicóptero, começou a apertar todos os botões que via pela frente, até que o helicóptero subiu, turbulento que nem o meu estômago em aviões.
– Alguém sabe pilotar essa coisa? — Perguntei.
James ligou o celular que tinha lá e colocou em algum treco que eu não entendi, ele revirou os olhos em seguida.
– Passa para trás, eu assumo. — quando ele disse que assumia eu pensei que era um “Eu sei pilotar”. Só que não era, batemos em umas cinco árvores seguidas e o avião balançava de um lado para o outro. Nós gritávamos até ficarmos roucos, quase caímos e Riley bateu a cabeça da Lucy umas três vezes no vidro, até que chegamos à capital do freezer gigante, segundo a Hale. Linda foi embora assim que o helicóptero pousou sem dizer uma palavra, vamos ignorar que assim que ela desceu do avião ela tropeçou em uma pedra e caiu de cara no chão, quebrando o salto do sapato.
Tinha um hospital (para a nossa sorte) perto dali, deu para ver que era a UTI. Nós levamos a Lucy para lá, a enfermeira a levou para um quarto e mandou a gente ir para um hotel descansar. Ted ficou puto da vida, queria porque queria ficar ali com a irmã, mas a enfermeira tinha razão: estávamos uma meleca. Barbie Killer (sim, eu vou chamá-la assim de agora em diante) estava mexendo no celular, nem quero saber o que ela estava fazendo lá.
Assim que chegamos, tivemos que dividir os quartos, pois o hotel estava lotado, para a minha “sorte” acabei ficando com a Barbie Killer. Não trocamos uma palavra, mas ela estava inquieta com esse negócio da bala, dava pra notar.
– Você fez algum tipo de acordo com a Linda? — eu não aguentei e perguntei. Ela, que estava lendo um livro, levantou os olhos para mim e disse, revirando os olhos de maneira debochante:
– Claro que sim, ela me deve um favor.
Eu não fiquei chocado, claro que ela não ajudaria a salvar a vida da Linda sem um bom preço.
– Que tipo de favor? — eu perguntei me aproximando da Barbie Killer, a mesma me olhou com as sobrancelhas arqueadas.
– O tipo que eu quiser, você não tem nada melhor pra fazer, Trent? Como se matar ou algo assim? — ela perguntou casualmente, virando uma página do livro enquanto me empurrava para longe dela.
Bufei, me jogando na cama.
– Não, obrigada pela sugestão amorosa. Acha que vai esbarrar nela de novo pra cobrar o favor?
A Barbie Killer revirou os olhos irritada.
– Eu não preciso esbarrar nela imbecil. Se eu quiser mesmo o favor, eu a acho em qualquer lugar do mundo.
– E se ela não quiser te pagar o favor?
– Ela morre. — respondeu ainda fazendo pouco caso, mas dava pra ver que eu estava começando a irritá-la. Quer dizer, mais do que antes.
– Só por isso?
– Um acordo é um acordo, eu salvei a vida dela, se ela não me pagar, eu tiro a vida dela, mais do que justo.
– Mas e se...?
– Agora isso virou um interrogatório? — ela me interrompeu.
– Virou?
– É o que está parecendo.
– O que acha que ela estava fazendo lá? Eu acho que...
– Impressão sua e da sua cabecinha de acéfalo.
– Eu sou o acéfalo aqui? E você nem sabe o que eu ia dizer! Que injustiça, Barbie Killer!
– É, é sim. E eu não sei e não quero saber. Barbie Killer é a sua avó. Agora bons pesadelos, Trent, sonhe comigo enfiando uma faca no seu cérebro de amendoim. — ela jogou o livro pro lado, se deitou e apagou a luz.
– Bons pesadelos, Barbie Killer. — só senti uma travesseirada na minha cara antes de um silêncio absoluto, e acabei pegando no sono.
Narração por: Little Queen
Ted Winners não conseguia dormir e, quando finalmente conseguiu, sonhou com a sua irmã gêmea.
Eles estavam na casa de campos, tinham por volta dos 6 anos, ela sorria feliz e ele não pode deixar de sorrir e reparar no quanto o sorriso dela era bonito também.
Depois veio a lembrança de quando eles estavam sozinhos na casa deles, tinham aproximadamente 14 anos, os pais tinham saído para jantar. Assim que Lucy viu uma barata, começou a gritar. Ted deu risada e matou a barata para ela, ela sorriu, os dois ficaram meio sem jeito, até que ela decidiu ir dormir.
Depois veio a lembrança de quando ela começou a falar de como tinha sido a primeira missão de verdade dela, tinham 16 anos, ela narrava tudo tão empolgada que acabou passando a empolgação para o irmão que estava com cara de bobo ali.
Depois veio a lembrança do dia dos namorados, eles tinham 18 anos, Lucy tinha descoberto o que seu namorado na época tinha feito com ela, e ele a encontrou aos prantos na escada. Ele perguntou o que tinha acontecido e sua gêmea contou tudo sem esconder nenhuma parte. Ted sentiu ódio, muito ódio daquele rapaz. Logo Lucy estava aos prantos em seus braços, e quando ela levantou o rosto, Ted não resistiu e acabou lhe dando um beijo. Lucy se espantou com aquele ato, mas ela sabia que alguma coisa em seu íntimo se agitara, e muito, com isso. Os beijos começaram a se tornar frequentes. Lucy não podia parar de sentir os calafrios que seu irmão lhe causava ou os arrepios de quando eles se beijavam. Era tão errado, mas na hora pareceu certo e continuou parecendo por muito tempo.
Depois veio a lembrança de quando Ted teve que ir para a missão da bomba atômica, os dois tinham 20 anos. Lucy estava aos prantos, pois a missão era de alto risco, mas Ted foi lá e disse que voltaria e que tudo ficaria bem. Lucy acreditou, mas ele nunca mais voltou...
Mirella Campbell estava no Alasca em frente ao hotel onde Ted Winners se encontrava. Estava preocupada com ele, desde a última vez que ela veio vê-lo não tinha mais tido notícias. Assim que entrou, perguntou por ele na recepção, e eles informaram em que quarto ele estava. Mirella subiu a escada e bateu na porta, logo um Ted sonolento a abriu e deu um pulo de susto, mas ao mesmo tempo deu um sorriso ao ver quem estava ali.
– Mirella?!
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