Mystery, Dear Mystery
17 Mystery 6 – O Ciclo 2/3
Notas iniciais
Narração por: Lucy Winners
Eu não sabia ao certo onde estava quando acordei, só sabia que havia sido sequestrada, e diversos fatores me ajudaram a chegar àquela conclusão. O primeiro é que quando tudo escurece em um canto e clareia em outro é porque você desmaiou. O segundo é que eu estou em um galpão, e não há galpões na DM. E o terceiro e mais óbvio: James Lerman usava seus olhos azuis esverdeados e incrivelmente tempestuosos para me encarar de perto, perto demais.
– Bom dia, Winners-Gostosa. Quer dizer, boa noite. – acrescentou, apontando para a parede atrás de mim.
Eu estava sentada no chão mesmo, amarrada com cordas, as pernas e as mãos juntas como uma bola. Com dificuldade, ergui a cabeça e vi que bem acima, quase no teto, havia um buraco na parede que não podia ser chamada de janela, mas deixava a luz do luar entrar.
– O que Diamont e você querem? E não me chame de gostosa.
Ele deu um sorriso ao ouvir minha observação.
– Sabe, hoje é o dia d’O Ciclo. Mas O Ciclo também vale para a Máfia. Diamont recebeu um desafio para capturar um dos membros da DM e é aqui que estamos.
Revirei os olhos, bufando irritada. James fala como se merecesse um prêmio por saber o que estava acontecendo do outro lado, como esse cara é irritante!
– Como foi que eu disse mesmo? Ah, é. Nervosinha.
Respire, Lucinda, respire. Guarde a morte dele para depois.
– Não estou nervosa, Lerman.
– Então por que seus dentes estão trincados?
– Porque eu gosto.
– Por que você está tentando me matar com o olhar?
– Para brincar com você de quem mais fica sem piscar.
– E por que você está vermelha?
– Estamos fazendo uma versão da Chapeuzinho Vermelho?
– Estamos?
– Está parecendo.
– Hahahahaha, eu sou o lobo mau, vem chapeuzinho, deixa eu te comer!
– SAI PRA LÁ!
A ideia de Lerman e eu em um conto da Chapeuzinho Vermelho quase me matou de nojo. É tão nojento quanto rever uma pessoa cujo nome prefiro não mencionar.
– Você me dá nojo, Lerman. – fiz uma careta e ele se aproximou de mim.
– Vai nervosinha, admita, não seria incrível passar uma noite com o deus supremo da pegação? – revirei meus olhos. – Tá vendo só, você só revira os olhos. Daqui a pouco vão cair das órbitas.
– E com motivo. Ah, e só para constar. Você não é o deus supremo da pegação. Apolo é o deus supremo da pegação. Você é James Lerman. O deus supremo do clube dos idiotas americanos.
– Green Day, American Idiot.
Prova de que James Lerman é o deus supremo do clube dos idiotas americanos: chamei-o de idiota americano e ele citou uma música. Tipo, WTF?!
Segurei-me para não girar os meus olhos. Tive medo dele ter razão, vai que meus olhos caem? Em vez disso, bufei.
– Um dia, vou dar um jeito de criar um prêmio para os idiotas e te premiar. Sua idiotice extrema merece.
Ele sorriu sarcástico.
– E eu vou criar um prêmio para o nervosismo. Calma, Lucy, stress dá espinhas! E eu detestaria ver espinhas grandes e horríveis em sua pele de porcelana.
– Assim que eu puder sair daqui, vou arrebentar a sua cara.
– Se você sair viva daqui. Não podemos esquecer esse detalhe. – ele falava como quem fala do clima! – COMO ESTÃO OS NEGÓCIOS, DIAMONT?!
Diamont Hale entrou no galpão com aquela posse de killer, ela vestia um casaco preto, com certeza a calibre 50 dela estaria em algum lugar dele, calça preta também, ela sabe ser discreta.
– Não grite. – então ela olhou para mim. – Está tudo indo muito bem. Logo, logo, você sai daqui e eu começo a acompanhar vocês como membra da DM e IK.
Quase tive um enfarte.
– O QUE?!
Não, aquilo não podia estar acontecendo. Diamont Hale simplesmente não podia estar entrando para a Dear Mystery! Não podia!
– Achou que queríamos o que em troca de você? Dinheiro? – Diamont riu sarcástica, como sempre. – Não precisamos de dinheiro, Winners. – ela começou a andar em círculos. – Foi fácil conseguir uma vaga. Seus amigos estavam desesperados para tirar você daqui com vida. Stones até já me garantiu uma vaga no alto escalão!
Riley, seu idiota!
– Não... Eu quero falar com eles! – exclamei do modo mais decidido que pude. – Ou eu falo com eles, ou nada feito!
– Você não pode opinar em nada...
– Você é quem não pode me impedir de opinar, sua vaca.
Diamont me olhou como se eu tivesse acabado de pronunciar minhas últimas palavras, mas querem saber de uma coisa? Eu não estava com nem um pingo de medo!
– Você não pode me matar. – falei em tom desafiador. – Riley, Megan e Nick me querem viva. Se me matar, como entra para a DM? Causaria a ruína da IK com o simples ato de puxar o gatilho. É necessário ser esperto para viver neste mundo hostil, Diamont. – opa, espera aí... Eu filosofei? O mundo vai acabar, sério.
Ela sorriu com escárnio e colocou o revólver na minha cabeça, ela não pareceu se abalar nem um pouquinho com as minhas palavras.
– Acho que você ainda não sacou – fez uma pausa – que posso estraçalhar a sua cabeça e a de seus amiguinhos assim que entrar na DM. Não fale de uma coisa que você não tem Lucinda.
– Vai me deixar ligar ou não vai?
Ela deu de ombros, tirando a arma da minha cabeça e jogando um telefone em meu colo.
– Faça o que quiser. Duvido que eles vão mudar de ideia.
Olhei do telefone para James, que soltou um suspiro. Discou um número que reconheci ser o do celular de Riley e segurou o telefone em meu ouvido.
– Alo? – atendeu, nervoso.
– RILEY STONES! VOCÊ... PIROU?!
– Lucy! – exclamou, aliviado. – Que bom que...
– COMO ASSIM DIAMONT NA DM?!
– Era a única forma de...
– Por que se importaram comigo?! – perguntei, e logo percebi o quanto aquelas poucas semanas me mudaram. Agora que estava saindo em missão com Megan, Riley e Nick, que tínhamos uma equipe, mesmo que ainda sem nome, percebi que estava mais nobre. Já não me importava comigo, e sim com a DM. Me importava com eles três mais do que com minha própria vida. Imaginei se era assim que Donna se sentiu pouco antes de morrer. Será que ela daria a própria vida para proteger seus irmãos mais velhos que amava? Acho que sim. Era assim que estava me sentindo. Daria minha vida para protegê-los e é assim que me sinto agora. – Riley, eu prefiro que vocês me deixassem morrer aqui a colocar Diamont vinte e quatro horas no pé de vocês!
– Era nossa única opção, Lucy. – Megan disse, e presumi que o celular estivesse no viva-voz. – O risco ou a sua vida.
Franzi os lábios, o que resultou em uma linha tensa.
– Vai dar tudo certo. – me garantiu ela. – Ela não pode nos matar. Simplesmente não pode.
– Desculpe cortar o seu barato Min, mas ela pode sim. – cortei o barato da Min, mas era verdade, essa assassina não brinca em serviço.
Megan ficou em silêncio por alguns momentos.
– Vou tirar do viva-voz e passar para o Nick, ele quer falar com você.
Alguns sons inteligíveis se seguiram, prosseguidos pela voz do Nick.
– E aí? Como tá?
– Você consegue ser mais criativo.
Ele ignorou meu comentário sobre sua criatividade limitada.
– Olha, escuta. Min tem razão. Vai dar tudo certo. Ela não pode simplesmente nos matar! Temos Donna, lembra?
Tentei dar a razão a Nick. Realmente tentei. Mas não consegui, e não me restava nada a não ser fingir que dei a razão a ele.
– Então é só...
– Já falou demais! – disse James, tirando o telefone do meu ouvido.
– Mas... – era tarde, ele desligara.
– Cuide dela por enquanto, James. Vou ali preparar a surpresa dela.
Diamont saiu e me virei para James.
– Estou ferrada?
– Não exatamente. – ouvi um som bem alto de barriga roncando. – Droga, estou com fome. Já volto, gostosa.
Gemi desgostosa (olha só a ironia do destino). Era tudo o que eu mais precisava. Falando sério.
Fiquei olhando para a parede. Era cinza e descascada. Totalmente sem graça. O teto era de vidro. Até que era bonitinho.
De repente, senti alguma coisa pousando em meu colo. Fiquei como medo de ser uma barata – morro de nojo e medo – mas era tudo o que eu menos esperava. Uma fita de cabelo. Era dourada e chique, como aquelas que usavam antigamente, e escrito em ouro em pó, havia:“Donna Mystery”.
– Obrigado, Donna.
Senti alguma coisa invisível tirando a fita das minhas mãos e colocando-a no bolso. Naquele momento, Diamont abriu a porta, trazendo um homem sendo segurado pelo pescoço, logo eu o reconheci, ele era o meu primo, eu e ele somos como irmãos, mas ainda assim era o meu primo, eu me lembrava que foi com ele que eu tive uns dos momentos mais felizes da minha vida, fiquei em choque por um segundo, ele indagou:
– Lucy?! O que você está fazendo aqui?- foi ai que o meu coração parou, senti as lágrimas escorrendo pelo o meu rosto, não! Porque ele? Porque não eu? Ah eu me esqueci que estamos falando de Dimoant Hale a assassina mais sangue-frio da face da Terra.
– Solta ele!- eu falei desesperada tentando afrouxar as cordas, a expressão estava indiferente, como se o desespero de uma pessoa fosse só um grão de arroz a mais no mundo! Qual é a dela?!
– Não, isso que eu vou fazer aqui é só uma prova para você saber que assim que colocar os pés na sede de araque da DM eu posso fazer qualquer coisa.- ela o prendeu na parede, ignorando todos os meus protestos, ela sacou uma faca e abriu um corte bem fundo no pito dele, o lado do coração, sem esperar ela colocou a mão lá dentro e arrancou o coração fora eu nunca fiquei tão horrorizada em toda minha vida.
[][][]
Não sabia o que me atordoava mais. Se era a minha situação, se era o fato de James estar me encarando, se era a fome que sentia ou se era o corpo do meu primo a minha frente, eu tinha esgotado meu estoque de lágrimas, sei que, apesar de não causar consequências muito boas, queria sair dali. Queria voltar ao conforto dos meus amigos.
– Que droga. – acabei deixando escapar.
– O que lhe atormenta, Lucinda? – perguntou James, tentando bancar (de novo) o galanteador.
– IK já não é resposta suficiente para você?
Ele franziu a testa confuso. Ah. Meu. Deus. James não sabia sobre a IK.
– Espera... Você não sabe sobre a IK? Sobre a Diamond? Sobre Donna? Sobre nada?!
Ele negou.
– Achei que a máfia que oprimisse a DM.
– Ah meu Deus! A Máfia é nossa menor preocupação agora! Como você pode confiar nela?!
Naquele mesmo momento, Diamont entrou. James a encarou e eu também.
Acho que finalmente consegui algo que a oprimisse.
Fale com o autor