Mystery, Dear Mystery
12 Mystery 4 – Almas Do Passado 3/3
Notas iniciais

Narração por: Riley Stones.
Eu me sentia morto, porém vivo. Parecia que eu estava sonhando acordado. Sabia que tudo estava escuro, mas havia uma imagem em minha mente.
Era a sala de reuniões da DM. Sabia que nós quatro estávamos dentro de uma lagoa de sangue, com muito vidro ao redor. Prontos para deitar na mesa de autópsia. Sentadas sobre a mesa de reuniões, estavam duas pessoas que eu tinha certeza absoluta de que estavam mortas. Primeiro porque eu já conhecia uma delas, a garota morta que apareceu para mim. Ela conversava com um cara que devia ser uns dez anos, se não mais, mais velho que ela.
– Quero vê-la morrer, apesar de já estar morta, quero reduzi-la a pó... – dizia a garota, fulminando de raiva.
– Acalme-se. – mandou o cara. – Temos que concentrar-nos em devolve-lhes a vida.
– Cale-se. Estou irritada. Riley é um completo teimoso!
Hey!
– Já prestou atenção nele? Tenho que dizer-lhe para parar com a teimosia ou acabará morto novamente. – ela respirou. – Certo. Faça o que tiver que fazer.
O cara sorriu e, quando vi, já estava inteiro no meio da sala de reuniões, porém com aquela sensação de déjà-vu. Porém, entendi o motivo rapidamente.
– SAIAM DEBAIXO DO LUSTRE! – gritei, nós saímos e, um segundo depois, o lustre caiu.
– Como você... – começou Nick. – Foi a garota?
– Mais ou menos isso.
– Que garota? – perguntou Megan.
– Riley consegue se comunicar com um fantasma.
Megan olhou para mim como se eu fosse doido.
– Riley, fantasmas não exis... – mas ela parou. – Ai meu Deus!
Ela apontou para o chão e eu vi que, com vidro, estava escrito: “Existem!”. Por algum motivo, comecei a rir.
– Ela disse que pode nos ajudar. Mas não sei como. Agora a pergunta é outra. Como o lustre caiu sobre as nossas cabeças?
Megan olhou para os cacos de vidro com a sua usual expressão pensativa e aquele brilho no olhar que diz: “Calem a boca, estou pensando, não me interrompam”. Confesso que queria saber de onde ela tira tanta inteligência. Nós três ficamos com aquela incômoda sensação de suspense, até que, após alguns minutos pensando, ela finalmente respondeu a pergunta:
– Foi cortado, disso eu tenho certeza. A pergunta é: Quem o cortou? – ela olhou para o teto. – Mas se não há vãos no teto... – ela olhou para baixo. – Continuem trabalhando no caso do bungee jump. Eu resolvo isso.
Ela pareceu tão segura de si que acreditamos.
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Nos juntamos em silêncio no laboratório da DM e começamos a trabalhar como nunca havíamos trabalhado antes. Lucy fazia exames minuciosos na corda de bungee jump e Nick analisava as fotos da cena do crime enquanto eu fazia as pesquisas no banco de dados. Eu estava me sentindo um inútil, de verdade. E eu não estava acostumado a sentir essa sensação, mas posso dizer que é horrível. Nick e Lucy tinham progresso a todo estante, mas eu estava parado no nada. Estava tentando pesquisar sobre a vítima, porém algum – se me permite o termo – filho da puta deu um jeito de bloquear os acessos aos bancos de dados da CIA. E, graças a isso, é provável que jamais encontremos o assassino.
– GENTE! – gritou Nick, do nada, sobressaltando a Lucy e eu.
– Vá matar outro do coração!
Nick ignorou Lucy.
– Encontrei uma caverna.
Nós dois abandonamos nossas funções e nos aproximamos de Nick. Era verdade. Escondida entre as árvores havia a entrada de uma caverna.
– Só eu que tenho a impressão de que ele vai nos mandar ir para lá? – perguntou Nick a Lucy.
– Não ia, mas é uma boa ideia, obrigado, Nick.
Na verdade eu ia sim.
– O quê?! – guinchou.
Já estava saindo do laboratório quando percebi que eles estavam parados. Lancei-lhes um olhar de: “Vocês não vêm?”. Nick e Lucy trocaram olhares idênticos e eu percebi o porquê do receio: eles estavam com medo e eu não pude deixar de caçoar.
– Vocês estão com medo?!– perguntei. – É só uma caverna! Que perigos uma caverna pode nos oferecer? Certo, vamos fazer assim. Vou pegar três rifles na balística.
E, antes que eles pudessem se opor (na verdade era impossível se oporem, estavam estáticos...), fui em direção à balística.
A balística da Dear Mystery tinha um estoque que era um paraíso para qualquer maníaco por armas. Armas potentes, armas brancas, armas federais, todo tipo de arma tinha ali. Fui até o canto mais extremo da parede, onde guardavam os rifles. Peguei três rifles federais e comecei a carregá-los com balas calibre 50. Depois vazei logo dali antes que eu encontre “pessoas indesejadas” das quais prefiro não citar nomes. Entreguei um rifle para cada um e os obriguei com o olhar a me seguir.
A entrada da caverna era quase imperceptível. Até mesmo quando chegamos perto, achamos que era apenas uma grande rocha fundida no solo e escondida por ramos de plantas. Porém conseguimos entrar com facilidade, retirando apenas o fato que ficamos igual naqueles filmes em que os mocinhos ficam cheios de galhos na cabeça. O interior da caverna era extremamente escuro e cheio de sons fantasmagóricos. Liguei As Lanternas (com L maiúsculo, pois eram as melhores que a DM podia oferecer.), que iluminaram uns quinze metros à nossa frente, e entrei primeiro. Ouvi um suspiro baixo de Lucy e Nick atrás de mim e logo após o som de seus passos nervosos ecoando na caverna.
– Por que estamos aqui mesmo? – perguntou Lucy.
– Porque isso pode ter a ver com o caso. Pode nos levar ao assassino. – respondi, tranquilo.
Os dois continuaram suando frio atrás de mim.
– Tu tens certeza de que queres continuar? – era a voz da garota.
– Absoluta. – respondi.
– Ele está falando com a garota. – explicou Nick para Lucy, entusiasmado.
– Tomem cuidado. – alertou, e então não ouvi mais a voz dela.
– Ela mandou tomarmos cuidado. – avisei para os dois medrosos atrás de mim. – E é melhor que a escutem.
Seguimos andando, eu na frente, Lucy na minha cola tremendo de medo, e Nick lá atrás, andando mais devagar que uma lesma. As pedras no chão da caverna começaram a ficar mais íngremes, e logo estávamos em uma rampa. Pouco depois o chão oscilava, como se fosse... Ceder aos nossos pés.
Achei que fosse por isso que a garota nos mandou tomar cuidado. Eu estava terrivelmente errado.
Os ruídos do solo foram ficando cada vez mais altos. Mas o som que se seguiu foi muito pior que os que saíam do solo. Um grito agudo e cheio de medo e horror, seguido do som do chão atrás de mim se quebrando.
– LUCY! – me virei rapidamente e a salvei de uma morte lenta e dolorosa, a julgar pelo buraco no chão. Estávamos sobre uma cadeia de pedras em um rio(!). – Vamos, temos que ir rápido...
– Que... Grito... Foi... Aquele? – perguntou Lucy, entre arfadas.
– Da Megan. – respondi. – Eu o reconheceria em qualquer lugar. Você está bem?
Ela balançou a cabeça em afirmação.
– Cuidado onde pisa. Vamos rápido!
Geralmente correríamos, porém correr ali seria assinar a sentença de morte. Andamos com cautela, porém o mais rápido que podíamos. Eu não sabia o que havia ali, apenas torcia para que Megan ainda estivesse viva. Ouvi aquele grito há anos e para mim já havia sido o suficiente.
Chegamos a um ponto mais estreito da caverna em que tivemos que nos espremer, porém já podíamos andar mais rápido. Rapidamente chegamos ao fim da caverna, uma área circular e mal iluminada em que ocorria uma cena que me deu horríveis calafrios.
Uma pessoa totalmente vestida de preto, inclusive com máscara, tinha um brilho assassino no olhar. Então aquela é The Killer. Lerman a olhava apreensivo, mas o que mais me assustou foi o fato de eles estarem para matar Megan, e que o fantasma que estava lá não era a garota baixinha que aparecia para mim. Era mais alta, loira também, porém o cheiro de morte ali era mais forte, como se ela já tivesse matado muito. Seu vestido branco era impecável, porém praticamente gritava que estava encharcado de sangue. Ela olhou para mim e deu uma risada diabólica, que de algum modo The Killer ouviu e também olhou para mim, fazendo com que Megan e James seguissem seu olhar.
– Olhe só quem está aqui... Riley Stones, o queridinho da DM.
Ela tirou uma faca de detrás das costas e atirou em minha direção. Mas, diferente dela, a faca perfurava. Com uma sorte anormal, desviei a tempo. E a cena seguinte foi surpreendente. A loira do bem atravessou The Killer e tirou o colar. Apesar de estar morta, ela de alguma forma conseguia segurá-lo.
– Lembra disto, maninha?
Ah, meu Deus, elas são irmãs?
A loira do mal rangeu os dentes.
– Me. Devolva.
A loira do bem sorriu.
– Venha pegar.
E quando eu vi, as duas estavam lutando. A loira do bem lutava como se aquilo fosse uma vingança. A do mal lutava como se fosse rotina. Porém, lutas de fantasmas são estranhas. Eles não lutam fisicamente e sim de uma forma indescritível, se atacam psicologicamente. A loira do mal já não parecia tão moderna e sim tão antiquada quanto a do bem. Todos olhávamos confusos, e então Megan pareceu perceber onde a loira do bem queria chegar. Ela se levantou de onde estava sentada, sorrateiramente, e veio até nós. E eu entendi também.
A loira queria que fugíssemos.
Nós quatro saímos dali. Nunca descobri o que aconteceu depois. Ninguém reparou nossa saída até que já tivéssemos passado por todo o campo quebradiço.
– O que viram? – perguntei.
– Nada. – respondeu Megan. – Apenas uns sons estranhos.
Reparei que Megan tinha certa dificuldade para andar.
– Você está bem?
– Estou, meu tornozelo está só doendo... RILEY! – Coloquei Megan no colo e segui assim. – Riley Stones, me põe no chão!
– Não.
Megan ficou fazendo objeções, mas por fim cedeu.
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– Então não há como fechar o caso? – perguntou Nick.
Todos estávamos sentados nas escadas de pedra na porta da sede. Nem tão na porta, já que é secreta, mas próximos.
– Não. Jamais descobriremos quem matou a ex-agente com os bancos de dados da CIA bloqueados. – Megan soltou um suspiro.
– É ela. – avisei aos outros quando vi a loirinha do bem.
– Vós fostes geniais. – elogiou.
– Obrigado. Falo por todos nós. O que aconteceu depois da luta?
– Tu nunca entenderás. – respondeu.
– Vai me dizer o seu nome?
– Donna. Chame-me apenas de Donna. Vemos-nos.
– Espere! – pedi. – Como mais você pode nos ajudar?
Ela olhou para Megan. Manteve o olhar fixo nos olhos dela, que olhava para Donna, porém sem realmente vê-la.
– Já paraste para pensar como Megan sobreviveu? Pense nisto.
E desapareceu.
Bip! E era o celular da Megan.
– Adivinhem quem veio para o jantar? The Killer.
– Ele está aqui? – perguntou Nick.
– É um modo de dizer. Você é burro, hein?
Nos juntamos para ler a mensagem.
Vocês escaparam, mas por pouco tempo. Duvido que algum dia poderão me colocar atrás das grades. Matar uma agente da CIA não é nada para mim.
TK
– Resolvendo casos nesse ritmo – começou Nick, que já dava o caso por encerrado. –, vou me aposentar aos trinta. E comprar uma casa com piscina. Yeah...
– Sonhar faz bem, Nick. – disse Lucy.
Os dois começaram a discutir.
Os agentes não estão sozinhos e não estamos falando de E.T.’s. Porém The Killer também não e, pela primeira vez, as perguntas são outras. Quem é Donna? Qual o seu passado? O que ela tem a ver com a DM?
No próximo caso...
“ – Vocês não vão acreditar.Acho que descobri quem é Donna.”
“ – Como é que é?!”
“ – E tem mais.”
“ – O quê?! Desembucha!”
“ – Estamos próximos da verdadeira identidade de The Killer.”
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