Notas iniciais
está aí um novo capítulo, espero que gostem hehhe.

Acordei subitamente com o barulho das portas sendo abertas. Olhei assustada para fora através da janela de vidro e

Constatei que ainda era de noite, provavelmente o baile ainda estava rolando. Droga. Guardei o livro em seu lugar e fui me arrastando sobre o piso gelado, até o meio entre as duas últimas instantes. O barulho de botas pesadas contra o chão era evidente, e ao ouvir passos alternados presumi que era mais de uma pessoa. Provavelmente duas? Não sei. Os passos ficavam mais altos, mas fora isso tudo estava muito silencioso. Levei minhas mãos para cobrir a minha respiração e mordi os lábios com força sem pensar, sentindo um gosto de sangue se espalhar por toda minha boca. Por mais que o meu descanso não tivesse durado tanto tempo sei que agora me sinto muito melhor principalmente pela ausência dos sapatos desconfortáveis. Mon dieu! Meus sapatos! Como eu fora tão burra de deixá-los jogados pela escada? Á essa altura alguém com certeza está ciente de minha fuga e isso pode indicar o meu caminho até então. Será que as pessoas que estão aqui me procuram? Não sinto a mínima vontade de voltar lá para baixo muito menos escutar uma bronca de meu pai.

–Uma bela coleção. — comentou uma voz masculina totalmente desconhecida por mim, a mais ou menos uma distancia de cinco fileiras.

–De fato- disse meu pai me fazendo arquejar baixinho. — Ninguém freqüenta muito a biblioteca fora Clarabelle. Não consigo entender como ela gosta de passar mais tempo lendo do que interagindo com outras pessoas. Às vezes tenho vontade de me livrar de todos eles só para que ela passe a presenciar melhor a vida real.

–Oh! Não se preocupe Majestade. — disse o outro homem que cogito ser o que eu estava espiando conversar outra hora no baile com meu pai. — Quando sua princesinha estiver nas mãos do meu filho lhe prometo que tamanhas bobagens como livros não estarão no seu alcance.

Suas palavras foram como um golpe em meu estômago. Eu na mão de seu filho? Eles estavam planejando um casamento arranjado? Será esse o acordo que haviam feito? Sinto a raiva dominar todo o meu corpo. Controlo-me para não socar o chão com força, pois os escuto se distanciando. Para minha sorte eles não parecem estar aqui à minha procura, é somente um passeio casual pelos cômodos do palácio.

–Disso eu não tenho a menor dúvida. — disse por fim o rei ao bater a porta atrás de si me deixando sozinha novamente. Amém.

Decidi não passar o resto do meu tempo ali dormindo no chão e me levantei aliviada. Segui pelo lado oposto que os dois homens acabaram de seguir e fui para a porta dianteira da biblioteca que dava para o nosso pequeno jardim. Por sorte ali tinha a distância de um andar para o baile que acontecia debaixo, o que era considerável. Deixei o vento desfazer os vestígios do penteado deixando meu cabelo castanho claro ficar solto até bem abaixo de meus ombros. Para melhorar só faltava me livrar completamente das amarras do vestido apertado, mas acabei juntando o pouquinho de sanidade que ainda me restava e decidi não fazê-lo para caso de alguém aparecer por ali. A sensação da grama verde roçando entre meus pés é boa demais e me acolhi sobre ela me jogando propositalmente de cara no chão sem me importar em sujar tudo da cabeça aos pés. Uma princesa não deve se comportar assim, pena que eu realmente não sou como as outras. Abro uma gargalhada só por pensar na situação: Eu uma legitima princesa que fugiu no meio de seu próprio baile de dezesseis anos, sujando seu vestido e rolando na grama do jardim. Acho que não culpo muito meu pai por se preocupar tanto comigo, mas, o que ele não entende é que eu não quero nada disso para mim. Eu não quero ter de governar sozinha um país e me casar com um completo desconhecido.

Encaro o céu estralado e faço um pedido para o meu aniversário: Quero ir para onde posso ser o que realmente sou. Fecho os meus olhos e concentro-me em imaginar esse pedido, desejando isso mais que tudo em minha vida. Sei que talvez eu não possa fazer nada para mudar, mas como presente isso é tudo que eu quero e não aquele bilhão de jóias e coisas inúteis que as pessoas empilham na entrada do palácio. Nunca pedi que a minha vida fosse assim.

Sento-me desvencilhando os meus olhos do céu e olho ao meu redor. Sozinha. Se o meu pai botou alguns guardas para me encontrar digo por mim mesma que eles estão fazendo um péssimo trabalho. Será que Aiden avisara que eu não queria ser incomodada aos outros? Ele sempre fora tão cuidadoso em respeitar o meu espaço. Ele era o único ali que às vezes percebia como eu era uma pessoa normal como qualquer outra. Pensando desse jeito até parece que posso nutrir algum tipo de sentimento por ele, mas tenho que negar, definitivamente não me sinto assim. Na verdade não me sinto assim por homem algum que conhecera muito menos que fora apresentado a mim por meu pai.

Despertei-me de meus devaneios quando escuto o barulho de algo correndo. Aperto meus olhos contra a escuridão, mas a princípio não vejo ninguém. Olho para a porta pela qual entrei aqui mas também está fazia. Que estranho... Eu juro que escutei. Novamente. Algo corre freneticamente pelo gramado do jardim e giro à procura do som. Nada.

–Quem está aí?- perguntei assustada com o possível invasor, mas não recebei nada como resposta. Ao invés disso voltei a escutar o mesmo barulho.

– Você está atrasada princesa, muito atrasada. – Disse um homem que eu nunca vira antes um pouco longe de mim no gramado, me encarando com os seus penetrantes olhos vermelhos? Sim, vermelhos como os de um coelho branco. Ele segurava um relógio em suas mãos e ao olhar para o seu terno pensei que talvez poderia ser convidado do baile, mas como chegara até ali.

Antes de me deixar falar qualquer coisa o homem de olhos vermelhos começou a correr para longe. Puxei ar para os meus pulmões e comecei a correr atrás. Arranquei com força os meus pés do chão e corri como nunca antes, senti meu coração quase pulando da boca mas mesmo assim não deixei de segui-lo nem por um instante. Vi o homem começar a se esconder entre as arvores mas as vezes olhando para atrás como se quisesse que eu o seguisse. O alcancei a tempo de vê-lo chegar no fim do jardim onde tinha um grande buraco de terra que eu nunca notara. Ele sempre esteve ali? Fiquei boquiaberta ao ver o homem desaparecer e pular pelo buracão, como se nunca tivesses estado ali. Me dirigi atordoada pro buraco e tentei enxergar mais além da escuridão que se estendia por ele, mas não consegui vê nada. Sem mais nem menos, assim como o homem deixei todas as perguntas que rodeavam a minha cabeça para trás enquanto pulei de uma vez para dentro do buracão. Fui caindo sem parar nunca encontrando um chão abaixo de meus pés.

Notas finais
agradecimentos especiais para : @SwenParrilla @LANAPASSIVA @inlovecl @ElectricThata @oncerlittleliar e @lanawbanana . Obg por tudo amores (e desculpa se eu me esqueci de alguém)