My girlfriend's twin
11 Here we go... Ex and current!
Notas iniciais
Vi a loira despachar a ultima mala e logo voltou até nosso encontro. O aeroporto não estava cheio, afinal, não eram férias e nem feriado, então não tinham muita gente viajando. Não sei como, Mary Margaret e David permitiram que Neal viajasse conosco, eu ainda queria saber o que acontecera para eles perderem tanto a confiança no menino.
– Tome cuidado, não tire os olhos do seu irmão, Emma, e Regina cuida desses dois malucos. – pediu Mary abraçada ao filho.
Emma e Neal fizeram caretas.
– Mãe, eu tenho 25 anos e Neal tem 16... Fica tranquila ai. – Emma riu. – E é mais fácil eu cuidar de todos, sabe disso.
– Tanto faz, apenas tenham juízo. – ela suspirou e beijou a cabeça do filho. – Amo vocês. Boa viagem.
Nós pegamos nossas bolsas- mochila no caso dos dois Swans- e entramos na sala de embarque, logo estávamos os três bem sentados em nossas cadeiras. Neal foi ao lado da janela, eu no meio e Emma no corredor, já que ela queria ficar bem longe da janela. Não demorou a que o avião decolasse e a loira segurasse minha mão, olhando para o corredor engolindo em seco. Ri de leve e me aproximei dela.
– Sabe, o avião não nos engoliu e não estamos sendo digeridos agora. – comentei no ouvido dela.
– Mas ele ainda pode nos matar. – ela me olhou e acabou que ficamos muito próximas. – Não acredito que deixei um moleque de 16 anos me manipular. Eu sou uma agente do FBI! – ela continuou sussurrando.
Eu ri e olhei para a tela da Tv dela, peguei um fone, pondo-o para ela e para mim, então pus em uma série boa: Orange is the new black.
– Pronto. Agora você pode ficar calma e assistir o seriado.
Ela sorriu para mim e passou um braço em torno dos meus ombros, eu pus minha cabeça no ombro dela e fechei os olhos. Logo peguei no sono. Eu dormira a viagem inteira e teria dormido muito mais se Emma não tivesse me acordado informando que tínhamos chegado.
Como planejado, Neal e os amigos entraram em um carro chique e foram todos para a casa do amiguinho do rapaz, enquanto eu e Emma nos amontamos com as malas perto no ponto de táxi a espera do carro velho de minha tia.
Eu estava torcendo para que minha tia não mandasse Ashley, seria a pior coisa da vida, e a tensão seria enorme. Ashley era minha ex, uma namorada de um verão que durou... Dois verões. Mas eu terminei quando me apaixonei por Lissa, eu não contei isso a ela, mas estar voltando com a gêmea da menina que Ashley me via beijando nas fotos, talvez não seja a melhor ideia da vida.
Não demorou a ver a caminhonete caindo os pedaços chegando e, para minha total decepção, quem dirigia era Ashley. Ela parou de frente para nós e sorriu.
– Oi. – ela disse. – Regina, quando tempo, hã?
Sorri sem graça.
– O-olá, Ashley. Como vai?
– Bem, obrigada. – ela olhou para Emma. – Prazer, Ashley.
A loira ao meu lado sorriu.
– Emma Swan, a suas ordens.
Ashley riu. Nós colocamos as malas na parte de trás da caminhonete e entramos, Ashley logo puxou assunto comigo e Emma, mas a Swan falava bem mais que eu, já que eram perguntas que eu realmente não estava afim de responder- eu esperava que minha tia fosse fazer aquelas perguntas, não Ashley!
Levou quase uma hora de tortura, mas nós conseguimos chegar à fazenda da tia Cat, a qual nos esperava em pé do lado de fora, sorrindo e acenando. Tia Cat é viúva e nunca mais quis casar novamente, então apenas vive na fazenda com os funcionários e Ashley, que cuidam da colheita, dos animais- cavalos, patos, galinhas, porcos e peixes- e de algumas outras coisas que minha tia não quer fazer, como vender o que eles produzem, ela só faz o que ela quer na fazenda, às vezes é bem estranho.
Ashley parou o carro e nós todas descemos. Tia Cat logo me abraçou fortemente, dando pulinhos, já que ela é baixinha.
– Regis! – ela comemorou. – Que bom te ver, querida! Que saudades de você e, uou, como cresceu!
Corei.
– O-oi, tia Cat. – ela me soltou e olhou para Emma, sorrindo. – Oh, tia, essa é Emma Swan, a amiga que te falei.
– Muito prazer, senhora. – Emma sorriu estendendo a mão.
– Oh, querida, me chame de tia Cat. – ela sorriu e abraçou Emma, que riu. – Vamos, entrem. Ashley, peça que Leroy pegue as malas para nós, por favor.
Nós seguimos minha tia para dentro de casa enquanto Ashley foi atrás de Leroy, o funcionário mais fiel de minha tia em toda a vida dela de fazendeira.
A casa de minha tia não era sofisticada ou de luxo, não chegava a ser nem algo muito valioso. Era uma casa grande, sim, de dois andares. No segundo andar, ficavam em torno de seis quartos, pois um era de tia Cat, outro de Ashley, outro de Leroy e dois para outros dois funcionários e sobrava um para visita. No andar de baixo, por outro lado, tinha a sala de visita bem grande, um escritório, a cozinha, um banheiro social, uma sala de jantar e, se eu bem me lembro, uma porta que levava para os fundos, onde tinha o celeiro.
– Nossa! Não acredito que finalmente esse lugar recebeu visitas dignas. – tia Cat sentou no sofá da sala de visita e apontou para as poltronas, onde nós duas sentamos, cada uma, em uma. – Então... O que Emma é sua, Regis?
Corei fortemente enquanto ouvia Emma rir, bem quando vi Ashley entrar seguida por Leroy, que carregava duas malas consigo. O homem subiu as escadas após me acenar com a cabeça e me mandar um sorriso.
– É minha amiga, tia Cat! – suspirei.
– Amiga? – ela olhou para o meio de nós duas. Eu segui seu olhar e percebi que nós dávamos as mãos na divisa das duas poltronas. Corei ainda mais me separando dela. – Não parece.
– Não posso negar que não tento. – Emma riu da própria piada junto de tia Cat. Ashley sentou ao lado de minha tia rindo de leve. – Mas é complicado por enquanto.
– Ué, por quê?
– Ela namorava minha irmã... Gêmea, que morreu tem seis meses. – a loira ao meu lado deu de ombros.
As duas mulheres a nossa frente abriram a boca em um perfeito O. Eu juro, se eu tivesse uma câmera, teria tirado uma foto daquela cena. Tia Cat foi a primeira a voltar a si, ela engoliu em seco e olhou para Emma pedindo desculpas.
– Eu sinto muito.
– Está tudo bem. – a Swan sorriu sem graça. – Não vamos acabar com a felicidade desse lugar, certo?
Ashley ficou em pé e assentiu.
– Então, Dorote disse que o jantar está pronto. Vamos comer?
– Oh, Emma, vai adorar a sopa da Dorote. – animei-me olhando para a loira, que me olhou e sorriu. – É a melhor que existe! Os legumes não ficam com gosto um ruim na boca.
A Swan riu e coçou a nuca.
– Acho que minhas porcarias vão ter que esperar em Storybrooke, não é?
Assenti e a peguei pela mão, a puxando para a sala de jantar. Pude ouvir a risada gostosa de tia Cat ao fundo e ela nos seguindo. Como esperado, Dorote estava na sala de jantar nos esperando com um sorriso. Cumprimentei-a com um abraço e a apresentei à Emma, logo depois sentei fiz a loira sentar ao meu lado.
Tia Cat sentou na ponta, Ashley sentou de frente para mim, Leroy ao lado dela e Dorote sentou ao lado de Leroy. O que soube, durante o jantar, era que o outro integrante daquela casa só viria no outro dia. Comemos em meio a conversas, mas Ashley e eu ficamos em silêncio, o que era extremamente constrangedor.
– Tinha razão, Gina.
Olhei para Emma confusa.
– Como assim? – franzi as sobrancelhas, confusa.
– A sopa, Gina. – todos riram e eu sorri sem graça. – Tinha razão, é muito boa.
– Eu sei não é? – sorri.
– Pessoal... – tia Cat ficou em pé. – Eu vou me retirar, porque amanhã tenho de acordar cedo. Regis sabe onde fica o quarto que ficarão, certo? – assenti. – Bem, boa noite a todos.
– Boa noite.
Minha tia se retirou, logo depois Dorote e Leroy fizeram o mesmo e ficou apenas eu e as duas loiras. Suspirei.
– Então... – murmurei.
– Você e sua ex formavam um belo casal, Regis. – olhei para Ashley surpresa. – Digo... Eu suponho, forma um belo casal com Emma.
– Não somos um casal. – dissemos juntas e depois nos olhamos, logo desviamos os olhares para Ashley de novo.
– Mas formariam um melhor que nós. – ela riu e ficou em pé. – Bem, boa noite, meninas. Foi bom lhe rever, Regis, até amanhã.
A loira saiu da sala de jantar. Não passou nem dois segundos e Emma já me olhou confusa, apenas neguei com a cabeça.
– Nada. – fiquei em pé. – Explico no quarto, vamos.
Nós duas subimos para o segundo andar e logo vi várias portas, todas fechadas. Caminhei até a segunda à direita, o que me ajudou bastante por saber que ficaria ao lado de tia Cat e Ashley, como quando vim aqui da ultima vez. Emma e eu entramos e eu fechei a porta, jogando-me na cama enquanto Emma pegava o computador.
– Desculpe pelas perguntas de Ashley e minha tia. – a olhei vendo-a sentar ao meu lado na cama de casal.
A Swan sorriu.
– Não tem problema. Sua tia é bem legal, mas Ashley parece estranha, ela estava super legal comigo quando estávamos vindo e de repente ficou meio estranha, como se não fosse mais com a minha cara. – ela deu de ombros. – Ela disse que nós formamos um casal melhor que vocês duas... Como assim?
Suspirei e sentei na cama.
– Eu e Ashley tivemos um rolo há um tempo, eu terminei pra ficar com Lissa. – dei de ombros. – Só isso.
– Oh... É, ela deve me odiar. – ela riu e olhou para o computador, começando a mexer freneticamente.
Bufei.
– Já vai trabalhar?
– Eu preciso. – ela me olhou e me beijou na bochecha. – Por que não toma um banho enquanto isso? Ai depois eu tomo o meu e nós podemos ver um filme que tenho no computador, o que acha?
Assenti. Peguei uma roupa na minha mala e fui para o banheiro tomar meu banho. Desde que eu descobrira sobre Emma ser do FBI, toda vez que estamos no quarto ou em um horário livre, ela pega o maldito computador e começar a trabalhar. Quando não é no computador, é no celular ou andando pela cidade instalando câmeras em miniatura em lugares onde ela suspeita que possa ter um suspeito.
Contei a ela tudo o que eu sabia sobre a relação da minha mãe com Lissa, dos Jones com Lissa, de Cruella, Lilith e até mesmo um novo suspeito maldito que eu nem lembro o nome. Em todos, chegamos à conclusão de que não tinha nada que pudesse incrimina-los, apesar de que Emma deixou minha mãe como suspeita número 1, o que era compreensível, já que minha mãe não gostava de Lissa e a fixa dela não era muito limpa.
Pensei em perguntar a ela se Robin poderia ter algum envolvimento, mas, pouco depois dessa minha ideia, ela parou de mexer no computador e começou a focar na nossa vinda a São Francisco, eu não podia manda-la de volta para o trabalho.
Quando saí do banho, a loira estava tirando a blusa cinza, a jaqueta vermelha estava jogada em cima da cama junto da calça jeans e as botas estavam em um canto qualquer perto da mala dela. Ela me olhou e sorriu antes de tirar a blusa.
– Está cheirosa, sinto o cheiro daqui.
– E você cheira a sopa de legumes. – nós rimos e eu me aproximei dela. – Tem algo em você que eu com certeza jamais confundiria com qualquer pessoa no mundo, mesmo sendo sua irmã. – ela me olhou como se perguntasse o que era, e eu pus a mão na barriga dela, que era incrivelmente lisinha, muito macia, e branquinha como a neve. – Isso aqui!
– Mas é igual a de Meli.
– Não é não. – nós duas rimos. – Acredite, eu sei.
Emma fez careta.
– Não fala que você transou com minha irmã!
– Ué, por que não? – eu ri e me joguei na cama.
– Porque ela é minha irmã e você é minha... Amiga. Não é legal imaginar isso. – ela dá de ombros e vai até o banheiro com uma mudinha de roupas. – Já venho, pode por o filme ai.
Peguei o computador dela e logo procurei um filme, como não achei, desliguei o computador e pus de lado, olhando para o teto. Não demorou a que ela saísse usando suas habituais roupas de dormir. Ela me olhou confusa ao ver o computador de lado.
– Não íamos ver filme? – questionou ela se jogando na cama ao meu lado.
– Não gostei de nenhum. – ela fez biquinho. – Desculpa, mas você só tem filme de anime, desenho animado e de ação tipo Transformers.
– São ótimos filmes!
– Mas eu não gostei. – me deitei e a olhei. – Canta para mim?
– Oras, mas você nem tentou dormir ainda. – ela se ajeitou e deitou ao meu lado.
– E daí? Só quero que cante para mim. – ela riu e assentiu. – Quero escolher a música.
– Uma que eu conheça, por favor.
Assenti e pensei um pouco.
– Quero uma que se chama “So Close”, conhece? – a loira sorriu e assentiu. – Ótimo... Pode ser ela?
– A que quiser. – eu me aninhei mais perto dela e fechei meus olhos, sentindo os braços dela me deixarem mais segura ao me envolverem pela cintura. -
You're in my arms
And all the world is calm
The music playing on for only two
So close together
And when I'm with you
So close to feeling alive
A life goes by
Romantic dreams will stop
So I bid mine goodbye and never knew
So close was waiting, waiting here with you
And now forever I know
All that I wanted to hold you
So close
So close to reaching that famous happy end
Almost believing this was not pretend
Now you're beside me and look how far we've come
So far we are so close
How could I face the faceless days
If I should lose you now?
We're so close
To reaching that famous happy end
Almost believing this was not pretend
Let's go on dreaming for we know we are
So close
So close
And still so far
Eu acabei pegando no sono ouvindo a voz dela, doce como sempre, cantarolar em meu ouvido.
Minha mão firme segurava a cintura dela enquanto a outra segurava a mão dela e a guiava por toda a pista de dança. Nós duas dançávamos como se não houvesse mais amanhã, todos nos olhavam e a loira sorria feliz para mim, mas eu só tinha um sorriso fraco. Meus olhos caíram em uma loira no meio da multidão por alguns segundos, antes de girar a outra.
Foram os segundos mais demorados da minha vida, consegui ver ela perfeitamente. Usava uma das vestimentas típicas do baile, a diferença era que usava uma roupa de cavaleiro sem armadura, os cabelos louros ondulados presos em um rabo-de-cavalo, um sorriso encorajador para mim enquanto segurava uma rosa vermelha em uma das mãos e usava a outra para forrar as costas encostada à parede, o pé encostado na parede e o outro segurando o corpo. Ela estava tão linda.
– Regis? – olhei para loirinha em meus braços. Ela me sorriu compreensiva. – Sei o que significa esse olhar.
– Não é nada, Lissa. – sorri para ela de canto. – Estou bem. Continue dançando.
Lissa parou de dançar, olhou para onde eu dançava e logo vi Emma sorrir e acenar para a irmã. A loira mais próxima de mim riu e me olhou, segurando meu rosto.
– Vai atrás dela. – mandou. – Ela está aqui, eu não. Ela vai estar aqui, eu não. Acredite em mim, Regis, eu não fui e não sou feita para você.
– Não foi? Do que está falando, Lissa? – questionei e sorri divertida. – Você está aqui, meu amor, a minha frente.
Ela riu de leve e deu um paço para o lado. Eu ergui meu olhar bem a tempo de ver uma rosa vermelha solta no chão, olhei para os lados e Emma subindo as escadas do grande salão.
– É dela que você precisa, Regis.
Eu a olhei.
– Me desculpa, Lissa.
Segurei meu vestido e corri até a rosa, pegando-a, para logo depois correr atrás da outra loira. Vi-a entrar no elevador, olhei o andar e corri para escada, subindo até o terraço de escadas, dei graças por estarmos no vigésimo já. Quando cheguei, vi a loira debruçada sobre a grade de metal, que bati na altura dos seios dela. Ela me olhou e sorriu, o sorriso brilhoso e feliz que sempre me direcionava.
Aproximei-me dela com a flor e estendi a ela, sorrindo de canto.
– Era para eu te dar essa rosa, não ao contrário. – ela riu pegando a rosa e se quebrando o caule, prendendo apenas a rosinha na minha orelha direita. Ela beijou minha testa e me olhou. – Onde está Meli?
– Ela ficou no salão, já deve ter sido cortejada por outro cavalheiro. – sorri. – Eu precisava vir atrás de você.
Ela se aproximou de mim e se ajoelhou, estendendo-me a mão.
– Concede-me esta dança?
– Com prazer. – sorri.
Ela ficou em pé e levou até o meio do terraço, na parte coberta e onde se podia ouvir a música. Ela segurou minha cintura e minha mão, então começamos a dançar, ela me guiando com tanta leveza e com tanta delicadeza, parecia que eu ia quebrar a qualquer minuto. Eu a segurei pelo pescoço e a mão dela, sorrindo.
Nós logo dançávamos sozinhas, sorrindo feito bobas uma para a outra. Ela me soltou e eu girei, então ela me segurou novamente, só para me pegar pela cintura e me girar no ar, me abraçar pela cintura de novo e nós voltarmos a dançar, tudo sem tirar os olhos uma da outra. Ela me girou, me levantou, me segurou com firmeza. Nós dançamos a música inteira e então, no final, colocamos as nossas mãos esquerda e direita uma na outra e giramos delicadamente ao redor uma da outra, olhando-se, ela com a mão esquerda nas costas e eu com minha direita segurando o vestido. Nós nos separamos ao fim da música e ela se curvou, agradecendo a dança de forma cavalheira enquanto eu fiz o mesmo, segurando cada lado do vestido e me curvando um pouco.
– Bela dança. – ela disse sorrindo para mim e nós duas nos encostamos à parede. – Gina, preciso te contar algo.
– Eu sei... – ela me olhou confusa e eu sorri para ela. – E eu também te amo.
Emma sorriu para mim, segurou minha mão e beijou-a.
– Eu te amo, Gina. – ela me beijou.
– Regina? – sentei na cama assustada. Tia Cat riu e me olhou. – Querida, já são 8 horas da manhã, está atrasada. – ela se afastou de mim indo até a porta. – Apresse-se.
Passei a mão no rosto, tentando absorver o meu sonho. Sugeri a mim mesma um banho, para por a cabeça no lugar. Levantei e fui.
A água caindo por meu corpo não ajudou a fazer o sonho parar de se repetir em minha cabeça de novo, e de novo, e de novo. Não conseguia parar de pensar naquele sonho maldito, que além de ser confuso, era mentiroso. Eu não amo Emma, eu amava Lissa.
Mas eu amava Lissa, posso amar Emma?
Balancei a cabeça dispersando aqueles pensamentos. Saí do banho, vesti-me e sequei os cabelos, pondo um chapéu que eu adorava. Encarei-me no espelho e suspirei.
Amar Emma? Seria mesmo possível? Eu amei Lissa por tanto tempo que eu mal conseguia imaginar amar outra pessoa, imagine a irmã gêmea dela. Repensando de modo geral, poderia ser bem possível. Nos últimos dias, desde que ela me contara sobre ser do FBI, eu não conseguia dormir sem que ela me abraçasse e cantasse para mim- ela cantou várias e várias vezes Soldatino para mim-, eu não conseguia mais ficar sem noticias dela o dia inteiro, eu não conseguia não contar a ela como fora meu dia, mesmo ela estando lá. Eu estava sendo incapaz de não me preocupar com Emma trabalhando no FBI, mesmo ela sendo apenas minha amiga, não era para eu me preocupar como eu me preocupo. E tudo não era só por ela ser do FBI.
Esbugalhei os olhos olhando para o espelho.
– Eu estou apaixonada por Emma.
Saí do banheiro, preparada para acorda-la e contar isso a ela, quando percebi que a cama estava totalmente vazia. Olhei ao redor do quarto e nada da loira. Decidi que ela podia ter descido para tomar café com tia Cat antes de mim, então desci. Quando cheguei à cozinha, segurei-me na parede e sorri para minha tia, que me olhou confusa, mesmo rindo de leve.
– Tia, cadê Emma? – questionei, sentando à mesa e pondo um pouco de suco de laranja e passando pasta de amendoim em uma fatia de pão. – Preciso contar algo a ela.
– Ah, ela saiu. – ela deu de ombros.
Olhei para minha tia.
– E para onde?
– Oh, ela foi com Ashley ver os campos de morango. – engasguei com meu pão, tia Cat correu para me socorrer. Bebi do suco e então voltei a mim. – Querida, o que houve?
– Você deixou Emma só com Ashley, tia? – bradei ficando em pé.
– Ué, qual o problema? Você já está encrencada demais, mocinha, não tem como voltar.
– Como assim? – olhei confusa para minha tia enquanto pegava meu casaco.
– Regina, você trouxe sua atual para o território da ex. Deixe que se resolvam, não vá se meter, pode piorar ainda mais as coisas ou ainda pior... Você ter decidir entre uma amiga ou amada.
Engoli em seco e sentei na cadeira, massageando minha testa com o dedo indicador e o do meio.
– Deus, o que eu fiz?
– Vamos, vamos ver a plantação de café. Nós vamos até a plantação de morango logo depois. Elas ficaram bem até lá.
Assenti e segui minha tia até os estábulos, logo montei em um belo cavalo e segui minha tia até a plantação do café.
Eu estava nervosa, só Deus sabe o que Ashley falaria e Emma não ficaria calada, obviamente. Pedi a todos os santos, deuses, magos, qualquer força espiritual, QUALQUER COISA, que desse um jeito para elas não fazerem nada até eu chegar.
Fale com o autor