My girlfriend's twin

2 A idiot sister


Notas iniciais
Depois respondo os comentários, problemas técnicos aqui. Ok?

Não sei quando e nem como acabei dormindo na cabine do banheiro, quando acordei sentia meu pescoço doer. Lavei meu rosto e refiz a maquiagem, encarando-me naquele largo espelho e levemente embaçado por ser malcuidado.

Aquilo não aconteceu de verdade. Foi apenas uma alucinação... , tentei enfiar na minha cabeça, mas nem eu estava acreditando em minha própria convicção.

Talvez eu tivesse tido mais uma alucinação, mas já tinha se passado três meses desde a última- que fora realmente já que humilhante a sala inteira me ver gritando e chorando do nada. Perguntei-me se o pesadelo teria ajudado em algo, ou apenas teria tido realmente uma recaída. Não tinha acontecido aquilo, era apenas uma alucinação. Provavelmente a garota era só parecida, mas eu a vi igual. Talvez, talvez, talvez.

Saí do banheiro suspirando. Eu perdera a aula da Blue e muito provavelmente levara um belo zero no trabalho dela, porém, eu estava mais preocupada se Mulan, Merida ou Ruby teria pegado meu material. Como se já não bastasse minhas alucinações, ainda tinha o fato de que no “achados e perdidos”- onde meu material, caso elas não tenho pego, tenha ido- passamos por uma série de perguntas para comprovar que o material é nosso e que eu não o perdi, apenas o esqueci em algum lugar. Eles são irritantes.

Estava caminhando pelo corredor a procura do meu celular para ligar para minhas amigas para ter a certeza de que não precisaria ir para a AP. Não fiquei preocupada em desviar das pessoas, já que elas faziam isso por si para fugir de mim, então apenas foquei em achar meu celular dentro da bolsa.

Foi então que uma mão tocou meu ombro. Quando olhei, percebi que se tratava de Belle.

Suspirei.

– Oi, Belle. – continuei procurando por meu celular, apenas ignorando a presença dela.

– As meninas me contaram sobre a aula. – ela pelo visto também resolveu ignorar algo, mas no caso foi o meu cumprimento. – Você está bem, Regs?

– Estou. – parei no meio corredor e a encarei. – Foi apenas uma alucinação. Sabe se seu pai me arranja mais daqueles remédios? Pode ser que eu ter parado e o pesadelo tenham ajudado a isso voltar...

– A... alucinação? – murmurou Belle parecendo confusa.

– Sim. – o toque soou e eu apenas dei de ombros. – Tenho de ir, Belle. Até mais.

Sai às pressas na direção da sala de calculo. Eu simplesmente não conseguia encontrar meu celular, como alguém perde o celular assim? Quero dizer, Lissa tinha a facilidade tremenda de perder qualquer coisa, sendo grande ou pequena, mas eu não.

Quando entrei na sala, fui direto para o meu lugar e sentei-me lá, debruçando-me sobre a mesa enquanto fechava os olhos. As lembranças logo me fizeram encher sentir os olhos de lágrimas e meu coração partir.

– Vai, Regi! Vai ser legal, você vai falar com meus pais, com meus irmãos... Papai e mamãe estão doidos para te conhecer! – insistia Lissa pulando da minha cama para a dela enquanto eu a encarava da mesa de estudos. – E também, papai vai pagar o jantar, o que quer dizer que não vou precisar gastar.

– Você é a pessoa mais pão-duro que já vi em toda a minha vida. – ri negando com a cabeça enquanto ela sentava na cama em um pulo. – Não sei se é uma boa ideia, Lissa. Quero dizer, estou com uma sensação ruim.

– Mentira! – cortou-me ela. – Você está é com preguiça. – ela ficou em pé e caminhou na minha direção, sentando-se na mesa de estudos e cruzando os braços. – Por favor! – ela fez aquela cara que ela sabia que eu não negaria.

Suspirei assentindo, logo em seguida a loira soltou um gritinho animado, me roubou um selinho e correu para o banheiro.

Não estava me sentindo bem desde que acordara e, apesar de Lissa insistir, não a contei que tivera um pesadelo onde ela me deixava. Apesar de o pesadelo ter sido apenas um sonho, pois eu não acreditava que Lissa fosse me trocar por qualquer outra pessoa, eu tinha esperanças de não precisar sair do dormitório hoje à noite. Porém, Lissa marcara com a família para eles me conhecerem e eu não queria passar má impressão faltando logo na primeira oportunidade.

– Eles vão te adorar! ELA vai te adorar. – senti as mãos de Lissa me abraçando pela cintura e seus lábios sussurrarem em meu ouvido. – Quer me ajudar a tomar banho?

– Não sabe mais tomar banho, senhorita? – brinquei com um sorriso brincalhão.

– Depende de quem pergunta. Se fosse minha mãe, eu diria que sei. Mas como é você... então, não. Não sei. Quer me ensinar?

Maldita hora que concordei em ir aquele jantar, onde os pais dela ligaram quando estávamos chegando. Lissa me contara que um dos irmãos dela avisara que o pai tivera de voltar, pois houvera um problema no departamento policial dele e precisavam dele, então toda a família voltou.

Ouvi a porta se abrir e fechar e um cheiro estranho invadir o local. Era uma mistura muito estranha de chocolate com marshmallow e um leve cheiro de grama molhada após uma chuva tempestuosa.

Apenas ignorei e continuei de olhos fechados. Eu estava gostando de me manter longe da realidade, pelo menos eu não precisava olhar para as pessoas me olhando torto, ou com pena, ou com o típico olhar que dizia claramente “Coitada, já se passou seis meses...”. Isso me irritava profundamente. Ao menos, de olhos fechados, eu poderia vivenciar momentos com Lissa novamente.

Estava imersa a minhas lembranças quando senti um corpo sentar-se ao meu lado. O cheiro estava claramente vindo do meu lado. Quando levantei o olhar, apenas para ver quem era, senti meu corpo inteiro enrijecer, meu coração falhou uma batida e eu tive quase que total certeza de que meu sangue parara de circular.

A pessoa me olhou e sorriu, voltando-se para a mochila e tirando lá de dentro dois cadernos, um estojo e um celular com uma capinha vermelha sangue. Ela empurrou para mim sobre a mesa e depois me encarou com um sorriso ainda maior.

– Suas coisas devem gostar bastante do chão, vivem lá. – ela riu.

– Minhas coisas! – exclamei voltando a minha posição ereta e as pegando. Mas então eu paralisei encarando-a. – Você... Você não...

– Eu não me apresentei? Olha, já fiz isso duas vezes. Não pense que terá uma terceira.

– Não, senhorita Swan! – fiz careta. – É só que... Você não é uma alucinação minha.

– Ora essa, claro que não. – ela pegou meu celular e ficou o jogando para cima e pegando com a mão, estava em tempo de cair e espatifar-se todo. – Mas posso provar que não sou, quer que eu prove, senhorita majestade? – ela sorriu de canto para mim.

– Tenha um pouco mais classe, senhorita Swan. – peguei meu celular e revirei os olhos. – Agora que já me entregou minhas coisas, saia de perto de mim.

– Não posso.

Encarei-a confusa. Ela tinha pernas, braços e eu tenho certeza de que um cérebro. Então por que ela simplesmente não levanta e vaza da minha frente? Eu estava começando a ficar agoniada com a presença dela pelo simples fato de ser ela. Não era Lissa, mas também não era alguém desconhecido. Eu só queria saber por que Lissa nunca me contou sobre a outra Swan.

– Essa é uma universidade bem estranha, não é? – ela ficou brincando de passar um lápis por entre os dedos enquanto me encarava. Com a mão livre, ela tirou um papel todo amaçado de dentro da jaqueta e estendeu-o para mim. – Eles designam alunos veteranos para acompanhar os novatos, eles sendo ou não calouros. Então, como sou novata transferida, ganhei um acompanhante também.

Meus olhos passaram pelo papel e a cada palavra escrita ali, meus olhos se arregalavam ainda mais. Dizia claramente que eu, Regina Mills, teria de acompanhar a garota Swan por toda a universidade durante longos três meses, para que ela se adaptasse. Em outras palavras, iria servir de babá e guia turística. E no final, tinha escrito em letras grandes o número do quarto dela.

Joguei o papel na cara dela e fiquei em pé.

– Você quer roubar o lugar dela?! – bradei.

– Dela... Quem? – questionou-me a loira parecendo confusa.

– De Lissa! Digo, de Melissa. – peguei o papel e a mostrei o número do quarto. – É o mesmo que o dela. E você age como se não tivesse culpa!

– Bem, nós... – ela fez um movimento como se mostrasse as duas. – somos gêmeas. E, apesar de amar muito minha irmã, jamais iria querer ser ela. Ela tinha um péssimo gosto para música.

Arqueei uma sobrancelha.

– Com licença! – bradei raivosa por ela não está respondendo minha pergunta.

– Pode passar.

Bufei, massageando uma de minhas têmporas enquanto via alguns alunos entrarem em sala seguidos pelo professor e logo a aula começou. A Swan, inexplicavelmente, sabia quase todas as respostas, o que me deixava com certo receio, já que cada vez que ela levantava a mão com aquele sorriso que dizia “eu sei”, eu via Lissa.

Aquela não era a minha Swan, aquela era uma cópia fajuta de Lissa. Lissa jamais se comportaria de tal modo sem conhecer alguém, a minha loirinha teria ficado envergonhada só por eu ter levantado a voz ou ter a chamado de “senhorita Swan”. Melissa era inteligente, estudava muito e sempre tinha notas maiores que as minhas. A loira ultrajava sempre roupas bem femininas como saias, shorts sociais, blusinhas simples e sempre tinha os cabelos com metade preso em uma traça e a outra parte solta com a franja acima dos olhos.

Ao meu lado eu via uma ogra! Era arrogante, rude e ainda por cima petulante. Ela podia até saber as respostas, mas era uma péssima aluna. Não teve um momento que ela tenha anotado uma formula sequer, além de não prestar atenção na aula, ficava desenhando no caderno. Ela ultrajava roupas totalmente o oposto de Lissa, parecia agressivo para mim, e os cabelos eram partidos ao meio e soltos. Ela não era e nunca chegaria aos pés de Lissa.

– Senhorita Mills. – olhei para o professor, percebendo que todos me encaravam. – Está tudo bem? Quer ir a enfermaria?

– Eu estou bem, obrigada. – respondi.

Era obvio que os professores iriam perceber que eu agia estranho. Papai, se duvidar, pode ter posto toda a cidade de olho em mim e, na universidade, mamãe pode ter posto cada mísero funcionário de olho para eu não pisar na bola. Zelena sempre dizia que eu era muito mimada pelos nossos pais, talvez fosse verdade, mas talvez fosse apenas superproteção.

Ao tocar, juntei minhas coisas e sai da sala em disparada. Ignorando completamente o que Swan me dissera. Eu nem tinha me apresentado a ela, como ela poderia saber quem eu era?

Eu precisava de algo que me fizesse acordar e para isso só tinha um lugar, mas para eu chegar lá, eu teria de ir primeiro a minha mãe. Em outras palavras, eu teria de ir à coordenação.

Não que tenha sido difícil chegar coordenação, difícil era conseguir entrar. E, para minha total infelicidade, mamãe tinha companhia. Zelena estava sentada a frente de mamãe enquanto a mesma me olhava surpresa.

– Por que você fez isso? – quase gritei fechando a porta e jogando minhas coisas no sofá. – Por que, mãe?

– Fiz o que?

– Está nervosinha, hein? – brincou Zelena rindo.

– Cala a boca, Zelena! – gritei. – Por que pôs ela comigo? Tinham tantos outros alunos, poderia ter posto até com a Belle, desde que Aurora se formou ela está sem colega de quarto. Ou até... Ah, não sei. Qualquer outro aluno, mas não comigo! Exijo que a tire. – mandei.

– Não.

– O que?

– Não. – repetiu Cora Mills, me encarando de forma superior. – Penso que ela poderá lhe ajudar a superar sua namoradinha morta. Já está na hora, não acha?

– Namoradinha? – murmurei.

– Oh, ouvi falar de uma garota idêntica a Melissa, Regina. É dela que estão falando? – Zelena perguntou presunçosa.

– Por que não vai simplesmente se agarrar com seu namorado nojento, hein, Zelena? – sentei-me na cadeira de frente para mamãe.

– Primeiro que ele está em aula. Segundo... Não vá se agarrar com a outra não, viu? Isso seria o ápice da encalhadisse. – ela riu.

– Zelena! – bradou mamãe, o que fez a outra fazer um X na boca com os dedos, fingindo calar-se. – Regina, eu não vou muda-la. Aceite isso e tudo ficará bem. Emma é uma garota ótima, ela pode ser meio tapada, mas é muito inteligente.

– Com tapada quer dizer idiota? – questionamos eu e Zelena juntas.

– Não, quero dizer lerda. Ela é meio lerda. – mamãe revirou os olhos.

Emma é uma garota ótima. Tudo ficará bem! Caralho nenhum, ela só vai piorar as coisas! , pensei enquanto terminava de jantar.

Não vira mais a Swan o resto do dia, o que eu estava agradecendo profundamente. Vê-la só me fazia lembrar coisas que eu não queria lembrar. Ouvi muitos rumores ao longo do dia, algumas coisas sobre ela estar tentando entrar para algum clube- coisa que temos bastante na universidade, não são apenas os cursos- e alguns comentários desnecessários, coisas óbvias como: “nossa, elas são tão parecidas”, “não lembrava Melissa ser tão linda, mas pelo visto a gêmea me fez lembrar” e um que realmente me irritou: “eu largaria tudo para saber como é por baixo daquelas roupas”.

Animais.

É isso que os seres dessa faculdade são, animais. Lissa passou longos dois anos estudando aqui e nunca tinham a notado, agora porque a irmã dela entrou, eles a percebem? Por quê? Por que ela tem peitos grandes? Por que ela tem bunda? Por que ela é bonita? Animais agindo por seus instintos animais.

Não fora só com Swan que não falara mais, as meninas eu também perdi de vista. Não estava preocupada, talvez amanhã eu falasse com elas. Sabia que tinha as deixado bem confusas, provavelmente preocupadas, então apenas mandei uma mensagem avisando que estava bem e que já tinha ido dormir.

Caminhei para os dormitórios, mas antes que pudesse entrar no meu quarto, ouvi barulhos lá dentro, então abri apenas uma fresta, para saber o que era. Swan estava batendo bola enquanto o Skype estava ligado com uma mulher de cabelos negros na tela.

– Ela deve me odiar, mãe. – disse a loira brincando com a bola de basquete. – Eu acho que ela era próxima a Meli... – ela sentou na cadeira e encarou a tela do computador. – Mas ainda é meu primeiro dia, certo?

– Isso mesmo, querida. Argh! Não entendo por que quis para ai, Emma. Já não basta não ter mais sua irmã, você ainda foi para longe? – choramingou a mulher.

– Ora, mãe, eu preciso saber quem era a garota que Meli tanto falava, eu preciso. Além do mais, Neal e papai estão aí ainda.

– É, mas vivem jogando e ignoram totalmente a única mulher que resta nessa casa. Por favor, querida, tome cuidado.

– Mãe, de Boston para Storybrooke não são nem três horas. Eu prometo ir visitar vocês, agora tenho que ir. Minha colega de quarto vai chegar. Te amo.

– Também amamos você.

– E avisa ao Neal que irei buscar meu videogame logo.

– Faça isso, pelo amor de Deus! – implorou a mulher antes de mandar um beijo e desligar.

A Swan desligou o computador e foi para o banheiro.

Então ela viera para cá apenas para conhecer a garota que a irmã tanto falava? Ela viera de Boston para cá só para me conhecer? Entrei no quarto e joguei minha bolsa em cima da cama, onde me sentei. Peguei a foto que estava guardada na gaveta do criado-mudo e acariciei o rosto dela com o polegar.

Elas eram realmente muito parecidas. A voz da Swan era levemente rouca, mas, pela quantidade de pastilhas de mentas para a garganta em cima da mesa de estudos, suspeitava que estivesse gripada. Guardei a foto rapidamente ao ouvir o chuveiro desligar e logo a Swan aparecer, com um sorriso gentil nos lábios.

– Boa noite, senhorita nervosinha. – ela riu se jogando na cama de Lissa... digo, na cama dela. – Você sumiu, tive de me virar.

– Não sou sua babá, senhorita Swan. – fui ao banheiro e voltei prendendo o cabelo. – Poderia, por favor, por uma roupa menos... Isso? – questionei vendo-a apenas de blusão velho.

Ela se olhou e então me olhou.

– Eu gosto da minha roupa.

– Mas eu não.

– Então a tire para mim. – ela sorriu brincalhona.

Grunhi entrando no banheiro para tomar banho. Não demorei tanto assim no banheiro, foi apenas o tempo de lavar os cabelos, secar, por uma roupa e sair. Mas quando sai, dei de cara com a loira dormindo. Os cabelos louros estavam espalhados pelo travesseiro, parecendo uma cascata dourada; o rosto estava sereno, como se ela tivesse tendo um sonho bom; os lábios estavam entreabertos e algo neles parecia os deixar tão atrativos.

Ela parecia tanto com Lissa. O mesmo jeito de dormir, de barriga para cima e parecendo um sapo esmagado- as pernas abertas formando um quadrado, os braços tortos e a cabeça pendida para algum lado-, o mesmo ressonar meigo e delicado, os mesmos lábios entreabertos. Tudo. Ela era exatamente como Lissa, mas por que eu não conseguia aceitar isso?

Antes que eu pudesse me parar, minhas pernas caminharam na direção dela e, quando percebi, eu já estava em cima dela. Cada braço meu estava de um lado do rosto dela, uma de minhas pernas estava entre as duas dela e a outra ao lado do quadril dela. Uma de minhas mãos acariciou o rosto dela com os nós dos dedos.

Ela sorriu.

Meus dedos recuaram um pouco, mas ela fez uma careta, como se reclamasse da quebra de contato súbito. Puxei de leve o rosto dela pelo queixo, o que a fez ficar cara a cara comigo.

Engoli em seco.

– Você nunca vai conseguir ficar cara a cara comigo sem me beijar! – zombou Lissa quando nos separamos do beijo.

– Nunca vou precisar me conter. – dei de ombros, puxando-a para mais um beijo intenso.

Era verdade. Eu nunca conseguiria me conter, mas aquela não era ela. Eu deveria me conter, eu tinha de me conter. Aquela não era a minha Lissa, mas os lábios eram tão vermelhinhos e pareciam tão atraentes.

Passei meu polegar de leve pelos lábios dela, percorrendo todo ele vagarosamente. Eram tão macios, tão... atrativos. Meu rosto foi se aproximando cada vez mais dela e, quando me dei conta, já tinha juntado nossos lábios em um selinho demorado.

Separei-me abruptamente dela ao sentir uma corrente elétrica passar pelos meus lábios e, para piorar tudo, acabei dando de cara com os olhos verdes me encarando confusa e sonolenta.

– O que faz em cima d...

– Desculpa! – pulei para fora da cama dela, logo sentindo lágrimas se formando em meus olhos. Corri para a porta, pegando meu casaco e o vestindo.

– Madame Ner...

Mas não a ouvi terminar, já fui logo abrindo a porta e saindo do quarto, correndo pelo dormitório inteiro, até conseguir sair. Quando sai, apressei o passo para a árvore que estava mais cedo, onde Elsa e Anna me encontraram. Swan nunca me acharia.

O que diabos eu tinha na cabeça? Ela não era a Lissa, ela não era a minha namorada. Ela não era nada e nunca poderia ser, porque ela não é a Lissa. Melissa me mataria se soubesse que eu beijei a irmã gêmea dela, que é totalmente o oposto dela. Aliás, que não é ela.

Encolhi-me, abraçando minhas pernas e escondendo meu rosto entre elas. Senti as lágrimas melarem minha pele e logo eu não via mais sentido em me conter, eu soluçava e chorava compulsivamente. Lissa se fora, ninguém iria a substituir, nem mesmo a irmã gêmea dela.

– Desculpe-me, Lissa... Eu te traí. – murmurei.

– Como se pode trair alguém que já não está mais aqui? – assustei-me ao ouvir aquela voz e, ao virar-me, vi Swan sentando ao meu lado. – Lissa é minha irmã, certo?

Assenti.

– Olha... Desculpa por aquilo. Eu não quis te assediar, foi apenas um ato sem pensar. Eu juro, não vai mais acontecer. Eu vou falar com a coordena...

– Regina Mills? – encarei-a confusa. Ela sorriu de canto. – Você fala de mais, madame Nervosinha.

Revirei os olhos e voltei a olhar para o nada.

– Sabia que eu viria para cá? – perguntei.

– Te vi aqui hoje mais cedo, imaginei que talvez fosse um bom lugar para começar a procurar. – ela deu de ombros. – Então, por que fez aquilo?

Corei fortemente. Eu já não tinha dito? Por que perguntar de novo?

– Desculpe. Foi um ato impensável, não irá acontecer de novo. – repeti. – E não pense que sinto algo por você só por causa daquilo, porque não sinto.

Ela riu.

– Não ia, tenha certeza disso. Mas... você vai ou não me contar qual era sua relação com a minha irmã?

Engoli em seco.

– Ela... Nós... Hã... Nós éramos... Nós estávamos namorando.

– Oh... – ela mordeu o lábio inferior, parecendo um pouco surpresa. – Então você me acha parecida com ela?

Bufei de forma esnobe.

– Sem chance. Você e ela é o oposto uma da outra. Você é rude, agressiva, petulante, terrivelmente vulgar e, a cada cinco segundos, parece que você quer transar com alguém. – ela deu de ombros, como se concordasse. – Ela era o oposto de você.

– Sempre dizem isso, mas quem liga? Foi nossa aparência física que nos pôs em tantas aventuras. – ela riu ficando em pé e olhando para o céu. – As estrelas estão brilhantes hoje, né?

Fiquei em pé e cruzei os braços, encarando o céu também.

– Elas... Parecem vivas. – murmurei. – Não seria... Não. – murmurei mais para mim mesma que para a outra Swan.

– Meli, para de dar sinais e apareça. Sua namoradinha quer te ver, sabia sua cópia fajuta?

Ri de leve, o que a fez sorrir para mim.

– Não tinha dito que ela era a mais velha? Como ela pode ser a cópia?

– Sendo ué. Ela foi a primeira a nascer, mas eu fui gerada primeiro. – ela começou a andar para os dormitórios. – Eu se fosse você, entraria logo. Vai ficar um gelo aqui e, concordemos, não é legal pegar resfriado logo agora, porque eu não quero pegar suas doenças.

Ela entrou e eu olhei novamente para o céu. Suspirei.

– Sua irmã é irritante, Lissa. – dei as costas para o céu e segui a loira.