Notas iniciais
E aí povo??? Gente, só to conseguindo postar a noite e a essa hora eu já to com sono! Então abafem qualquer errinho tosco haha. Obrigada sempre pelos comentários, me motivam a continuar postando! Boa leitura

Clara estava olhando para o seu prato, espalhando os ovos mexidos com o garfo.

“Você vai contar pra gente o que aconteceu, Fernandes? O que fez você ir embora do nada ontem à noite?” Perguntou Corina.

As três meninas estavam tomando café da manhã há 20 minutos e Clara ainda não tinha comido nada. Depois do ‘incidente’ com Marina noite passada, Clara ficou sentada no banco por 15 minutos tentando organizar seus pensamentos. Voltou para boate, e a apesar dos protestos de Corina e Bia, voltou sozinha para o hotel. Desde o desejo súbito de Clara de ir para o quarto na noite anterior, as amigas tentavam de tudo para arrancar dela o que tinha acontecido.

“Não foi nada, eu só não estava mais no clima”. Murmurou Clara, desistindo de seu café da manhã e empurrando seu prato para longe.

“Você parecia bem animada enquanto dançava com aquela loira”. Afirmou Corina piscando para a amiga.

Clara parou por um momento, sentiu-se culpada por ter esquecido completamente de Amanda depois do que aconteceu com Marina. Ela havia dito para a loira que iria tomar um ar fresco, mas que estaria de volta em cinco minutos... No entanto, não voltou.

Clara limpou a garganta, “Hmm, é... não gostei tanto assim dela”.

“Ela era linda” Protestou Bia. “Achou alguém melhor ou algo do tipo?”

Clara parou de prestar atenção nas amigas quando viu Marina entrar no restaurante. A estudante de fotografia parou ao vê-la e as duas ficaram se encarando. Clara sentiu seu coração acelerar dramaticamente enquanto elas se olhavam, até que Marina desviou o olhar e continuou andando em direção às suas amigas que estavam sentadas do outro lado.

“EI! Terra para Clara”. Bia estalou seus dedos na frente do rosto da morena.

A carioca chacoalhou a cabeça e voltou a atenção para amiga. “Desculpa, o que foi?”. Ela pegou seu suco de laranja e tomou um gole.

“Tudo bem, você precisa nos dizer agora mesmo o que está acontecendo”. Suspirou Corina.

Clara revirou os olhos, começando a se sentir irritada, “Não é nada, eu já disse! Só estou um pouco cansada”.

Bia e Corina continuaram a conversar enquanto Clara voltou sua atenção para o outro lado, pegando Marina olhando para ela. As duas se atreveram a continuar se encarando, ambas com uma expressão indecifrável no rosto. A carioca continuou olhando enquanto Marina mordeu o lábio inferior e fechou os olhos com força, antes de se virar para as amigas novamente.

Clara continuou olhando enquanto Marina dizia algo para as amigas. Ela observou quando a estudante de fotografia se levantou da mesa, dando uma última olhada para clara antes de encarar o chão e sair do restaurante.

“CLARA!” Bia gritou enquanto a morena virava rapidamente a cabeça para ela, “Em que mundo você está hoje?”.

“Eu, hmm...” Clara se levantou da mesa, “Eu tenho que ir”.

Ela ignorou os protestos das amigas, que olhavam para ela sem entender nada, enquanto Clara simplesmente levantou correndo da mesa e sumiu do restaurante logo atrás de Marina. Ela olhou para o final do corredor e viu a menina entrando no elevador. Clara saiu correndo e colocou a mão entre as portas um segundo antes delas se fecharem, entrando junto com Marina.

Marina olhou para a morena com os olhos arregalados, confusão e raiva evidentes em seu rosto, “Que diabos você pensa que está fazendo?”

Clara apontou com sua mão para as duas, “Nós precisamos conversar”

As portas se fecharam, apenas as duas meninas no elevador, enquanto ele começou a subir.

“Não temos não! Você tem 5 segundos até que as portas se abram novamente”. Afirmou Marina enquanto cruzava os braços em seu peito, olhando para qualquer lugar, menos para menina à sua frente.

Clara rolou seus olhos, virando-se e apertando o botão de parada de emergência, fazendo com que o elevador parasse de repente. “Ah, mas nós vamos conversar sim.”

“Que merda é essa? Qual o seu problema?” Marina gritou com raiva.

“Por que você fez aquilo?” Clara perguntou calmamente.

Marina soltou o ar que estava prendendo. “Fiz o que?”

“Ah eu não sei... talvez eu esteja me referindo a você me beijando ontem a noite bem em frente da balada” Clara falou ironicamente.

“Eu estava bêbada... Bêbada e chateada, eu não estava pensando no que estava fazendo”. Marina falou firmemente. “Nem comece a ter ideias de que eu talvez esteja afim de você ou algo do gênero”.

Clara colocou as mãos no peito e fingiu uma cara triste, “Sério? Quer dizer então que você não me ama? Como vou sobreviver a isso?”. Ela dizia cheia de sarcasmo.

"Existe alguma necessidade para isso?". Marina perguntou com os dentes cerrados.

“Bom, já que você é hetero”, Clara começou fazendo sinal de aspas com as mãos ao proferir a última palavra, “Por que você me beijaria por estar chateada? Eu não me lembro de sair beijando homens por aí a última vez que fiquei triste”.

Marina olhou para o chão, seus braços ainda cruzados em seu peito enquanto ela tentava pensar em algo para dizer. “Eu... não sei o que te dizer”.

“A verdade talvez seja um bom começo”. Clara disse secamente.

Marina continuou olhando para baixo. “Você vai se meter em encrenca por apertar o botão de emergência sem necessidade”.

Clara respirou fundo, tentando ignorar o comentário que acabou de ouvir, “Não me importa porque você fez isso, Marina. Mas eu acho que mereço uma explicação”.

Marina fechou seus olhos, respirando fundo e abrindo a boca para falar. Ela percebeu que não havia pensado numa resposta, então a fechou novamente. Respirou mais uma vez e abriu os olhos, desviando devagar seu olhar do chão para encarar Clara. Ela esperava encontrar uma expressão de raiva e ressentimento no rosto de Clara, mas ficou um pouco chocada quando encontrou paciência e compreensão.

“Eu... eu não sei porque eu fiz aquilo”, Murmurou Marina, ficando frustrada consigo mesma por não conseguir colocar o que sentia em palavras. “Você estava... tão perto e eu estava me sentindo tão ferida e sozinha, então você apareceu e... fez tudo ficar melhor”.

Clara assentiu e sorriu “Fico feliz por ter feito você se sentir melhor”.

“Eu também”. Marina sussurrou, dando um sorriso fraco de volta. “E eu acho que porque você estava lá e fez com que eu me sentisse bem de novo... Eu realmente não sei o que aconteceu, Clara, eu queria poder te falar alguma coisa, mas não posso. Isso está virando minha cabeça”.

Clara suspirou. “A sua não é a única”.

“Eu não queria bagunçar sua cabeça”. Murmurou Marina dando um sorriso travesso.

“E eu não queria ser tão irresistível ao ponto de você não conseguir se controlar” Clara brincou enquanto um sorriso se formava em seus lábios.

Ficaram em silencio por alguns segundos, até que Marina perguntou, “Você não vai... contar para ninguém, né?”

Clara riu, “Por mais que eu queria que você prove do seu próprio veneno... Não, eu não vou dizer nada”.

“Promete?”

“Prometo” A carioca riu

Marina levantou sua mão e estendeu um dedo para que elas selassem a promessa. Clara rolou os olhos, mas repetiu o gesto da morena e elas cruzaram os dedos mindinhos.

“Obrigada”, Marina deu um sorriso sincero.

“Você está livre para ir agora”. Clara riu, apertando novamente o botão de emergência. Seu sorriso sumiu assim que ela percebeu que o elevador não se moveu. “Ok... Não fique brava mas...”

Marina olhou para Clara sem conseguir acreditar, “Não me diga que estamos presas de novo?”

"Errm ...ok, eu não vou te dizer” Murmurou Clara, apertando o botão mais algumas vezes antes de desistir. Ela olhou para Marina, que parecia irritada. “Ahh, qual é, da um sorriso aí... Isso é culpa sua se a gente parar para pensar”.

Marina ergueu a sobrancelha. “Minha? Foi você quem apertou aquele botão idiota”.

“Se você tivesse concordado em falar comigo, eu não teria feito isso” Afirmou Clara.

“Se você não tivesse me parado numa hora ruim, eu talvez tivesse falado com você”. Contrapôs Marina, apoiando as costas numa das paredes do elevador.

Clara sorriu, “Se você não tivesse me beijado, eu não ia querer falar com você”.

Marina levantou sua mão e abriu sua boca para falar, mas então percebeu que não tinha nada para dizer que contrariasse o comentário da outra e fechou a boca novamente, encarando a carioca com os olhos semicerrados.

“Entããão...” Começou Clara, imitando a posição de Marina e encostando contra a parede. “Eu beijo bem?”

“Ai meu deus” murmurou Marina, “Eu não vou responder isso”.

“O rubor no seu rosto sugere que eu beijo”. Provocou Clara.

Marina desviou o olhar para o lado. “é que ta calor aqui”.

“Ta bom, não vamos mais falar sobre isso” Afirmou Clara, o sorriso ainda firme em seu rosto.

“Melhor assim”. Marina olhou novamente para Clara.

“Então... se nós não vamos falar sobre aquilo... O que vamos fazer?”

Marina deu de ombros “Falar sobre alguma outra coisa?”

“Ta bem.. Sobre o que você quer falar?”

Marina colocou as mãos no bolso “hmm, que tal um jogo?”

“Pode ser” Clara assentiu. “Tem alguma ideia?”

“Ele se chama...” Marina deu um passo em direção à Clara e cutucou ela no ombro. “Quem nos prendeu no elevador é um gordão perdedor”.

Clara riu, colocando a mão sobre seu obro, “Ei, calma aí, desse jeito você vai me deixar complexada com o meu peso”.

“Deixa de ser besta, não tem nada errado com o seu corpo”. Murmurou Marina.

“Em todo caso... Eu achei que havíamos concordado que a culpa era sua por estarmos presas aqui”. Clara sorriu, dando um passo em direção à outra menina, pronta para cutucar Marina, mas foi impedida quando ela segurou seu dedo com força. Clara franziu a testa “Ai, solta meu dedo!!”

Marina sorriu e apertou com mais força “Não até você admitir que a culpa é sua por estarmos presas aqui”.

“Nunca”. Clara olhou para o lado e fazia o seu melhor para Marina não ver a careta de dor em seu rosto. A estudante de fotografia agora prendia o braço de Clara em suas costas.

“É só admitir Fernandes, que eu te solto” Provocou Marina, prendendo o lábio inferior entre os dentes enquanto Clara soltou um gemido baixo de dor.

“A culpa é sua”. Clara falou mais uma vez.

Marina apertou seu braço com mais força .

“Ai ai ai ai, ta bom ta bom” Clara gritou. “A culpa foi minha”. Falou escondendo a mão livre.

Marina sorriu, sentindo-se satisfeita consigo mesma e soltando o braço da morena. Seu sorriso desapareceu quando Clara mostrou a mão que estava escondendo.

“Eu estava com os dedos cruzados, branquela” Clara sorriu vitoriosa.

Marina ia dar um tapa de brincadeira na morena, mas a menina foi mais rápida e segurou seu pulso.

“Calma aí, sem necessidade de violência”

Marina tentou lutar, mas ao perceber que não ia conseguir o braço de volta, soltou um suspiro de derrota “Desculpa”.

Clara sorriu sem soltar o pulso da estudante de fotografia. “Você está ficando boa em se desculpar”

“Da pra largar meu braço agora?”

Clara fingiu pensar por alguns segundos, batendo com seus próprios dedos em seu queixo “Não sei... você vai se comportar?”

Maria revirou os olhos “Eu estou pedindo educadamente, Fernandes. Eu conseguiria me soltar por conta própria se quisesse”.

“É mesmo?” Desafiou Clara enquanto Marina assentia. “Vai lá então”.

Marina franziu a testa, seu plano de blefar com Clara havia falhado e agora ela não sabia o que fazer. O sorriso vitorioso no rosto da carioca estava a deixando irritada e ela se recusava a deixar Clara vencer.

“Eu sabia que você não ia conseguir” Clara riu enquanto Marina apenas a encarava.

“Você se acha muito esperta, não é?” Afirmou Marina enquanto olhava diretamente para os olhos da outra.

Clara sorriu, “Eu não acho, eu sou! Agora... você quer seu braço de volta ou ainda acha que pode recuperá-lo por conta própria?”

“Eu consigo” Marina sorriu.

Clara arqueou a sobrancelha “Acho que já foi provado que você não conse...”

Clara foi interrompida. Marina pressionou seu corpo contra o dela com força, as costas da estudante de jornalismo colidiram na parede do elevador. Marina se aproximou ainda mais, seu olhar alternando dos lábios de Clara para seus olhos.

“Me devolve Fernandes” Marina sussurrou enquanto roçava seu nariz no de Clara, se inclinando para mais perto.

Clara engoliu seco, incapaz de formar uma frase coerente devido a proximidade das duas. Ela apenas balançou a cabeça negativamente.

Marina começou a correr seu nariz pela bochecha esquerda de Clara “Por favor”.

Clara podia sentir a respiração da morena em seus lábios, o perfume intoxicante de Marina fazia com que ela perdesse o sentido. Ela não conseguia compreender porque essa proximidade das duas estava fazendo com que ela se sentisse desse jeito. Se alguém tivesse dito a ela alguns dias atrás que ela se sentiria assim na presença de marina, ela provavelmente teria rido na cara da pessoa. Mas agora...

“hmm, eu...” A voz de Clara estava rouca, ela passou a língua por seus lábios desesperada para conseguir um pouco de umidade em sua boca. “Creio que eu não possa fazer isso”.

Marina mordeu seu lábio inferior, fazendo com que as borboletas voltassem a se agitar no estômago de Clara.

“Por que não?” sussurrou Marina. Os lábios das meninas estavam agora separados por um centímetro.

Clara segurou com mais força o braço da outra, ignorando a voz da razão em sua cabeça que mandava ela se afastar. Ela puxou Marina para mais perto e os lábios se colidiram num beijo quente.

Esse beijo não era nem um pouco parecido com o da noite anterior. Era apressado, forte, nenhuma das duas tentou ser gentil. Marina segurava o rosto de Clara, trazendo-o para mais perto enquanto os lábios se moviam em sincronia. Clara desencostou da parede e começou a empurrar Marina para outra ponta do elevador, fazendo com que a estudante de fotografia ficasse encurralada entre ela e a parede.

“O que nós estamos fazendo?” Clara murmurou contra os lábios de Marina, enquanto ela finalmente soltou seu braço. Com os braços livres, ela rapidamente colocou-os em volta do pescoço de Clara.

Marina balançou a cabeça e sorriu durante o beijo “Não sei... não pensa sobre isso”.

Elas colidiram os lábios novamente e Marina correu lentamente sua língua pelo lábio inferior de Clara, pedindo entrada. Clara se sentiu surpresa com a atitude de Marina, mas decidiu que não era hora de questionar nada, concedendo o pedido de bom grado.

Quando as línguas se encontraram pela primeira vez, o coração de Clara saltou. Marina não conseguiu se controlar e um gemido de satisfação escapou de seus lábios.

Clara descansou suas mãos na cintura de marina, seus dedos acariciando o pedaço de pele exposto.

As duas meninas abriram os olhos, seus lábios ainda colados, quando o elevador voltou a subir.

Seja porque as duas se sentiram um pouco constrangidas, ou seja porque elas não sabiam como agir, se separaram e caíram na gargalhada.

“Me desculpa por beijar você... de novo” . Marina riu, mordendo seu lábio.

“Eu aceito levar a culpa dessa vez” Clara sorria.

As portas do elevador se abriram e elas deram de cara com Vanessa e Flavinha, que olharam Clara com desgosto.

“Você ficou presa com ela?... De novo?” Vanessa perguntou para Marina, franzindo a testa.

Clara se aproximou, colocando seu braço ao redor do ombro de Marina e dando seu sorriso mais sarcástico para a ruiva. “Eu acho que ela é uma menina de sorte, de muita sorte”.

Marina olhou para ela e deixou uma risadinha escapar, antes de se recompor e se afastar de Clara. “Não se iluda Fernandes”.

Clara revirou os olhos. “Nos vemos por aí branquela”

Marina a seguiu com o olhar enquanto Clara andava em direção do seu quarto, hipnotizada por cada movimento da morena à sua frente e perplexa por não saber explicar o que estava acontecendo com ela recentemente. Quando a perdeu de vista, voltou sua atenção para Vanessa e Flavinha. “Então... o que vamos fazer hoje?”

Notas finais
E aí? continuo? Não deixem de comentar!! Bjjjs e amanha tem mais :D