Notas iniciais
Capítulo novo em folha para vocês! Gente, muito obrigada sempre pelos comentários! Pode deixar que essa provocação das duas vai continuar pegado fogo, hahaha.

“Então, quais são as atividades de hoje?” Corina perguntou enquanto sentava na frente de Clara, roubando uma torrada da morena.

“Parece que vai ter uma caça ao tesouro”. A estudante falou olhando para amiga. Neste momento, ela percebeu três meninas entrando no refeitório e seus lábios se transformaram num sorriso quando ela viu Marina. Havia se passado um dia desde que ficaram presas no elevador e elas não haviam tocado no assunto, mas toda vez que se encontravam no hotel trocavam um sorriso malicioso.

Marina mordeu seu lábio inferior, sorrindo de volta para Clara, que achou aquilo extremamente sexy. Ao voltar a atenção para suas amigas, viu que Bia e Corina estavam com os olhos arregalados.

“O que foi aquilo?” Exigiu Corina.

“O que?” Clara tentou se fazer de desentendida.

“O olhar que você e a Meirelles acabaram de trocar”. Bia falou franzindo a testa.

Clara piscou algumas vezes. “Do que vocês estão falando? Eu estava olhando para aquela garçonete bonita bem ali”.

Bia e Corina olharam e realmente havia uma garçonete bem atraente atendendo a mesa pela qual Marina havia acabado de passar.

“Ah bom! Nossa, que susto” Murmurou Corina, mordendo um pedaço da torrada que ela havia roubado.

Clara sorriu por dentro, agradecendo a deus por sua excelente visão periférica.

“Então, iremos à caça ao tesouro?” Perguntou Bia

“Então, eu vi também que aqui no hotel tem um lugar de arco e flecha”. Comentou Clara.

“Nossa, nem pensar” Afirmou Corina

Clara deu de ombros, “Eu estava pensando em ir lá... matar algum tempo. Talvez seja divertido”.

Bia cutucou a morena, “Vai imaginar o a cara da Meirelles no alvo?”.

Clara riu e balançou a cabeça, pegando sua última torrada. “Quem sabe! Bom meninas, vou me arrumar... Nos vemos mais tarde”.

...

Clara fechou um de seus olhos, prendendo a respiração e puxando com força a corda do arco, enquanto mirava para o alvo em sua frente. O exercício estava deixando a estudante relaxada... ela precisava de um tempo longe de Bia e Corina, que decidiram ir para praia, para colocar as ideias no lugar.

“Você fica uma figura quando está concentrada”.

A voz assustou Clara, fazendo com que ela atirasse na direção errada e a flecha foi parar no chão.

Ela se virou e sorriu ao ver quem era. “Sua louca, você podia ter feito eu atirar em alguém sem querer”

“Contanto que não fosse eu”. Marina brincou, sorrindo de orelha a orelha. “O que está fazendo aqui sozinha?” Perguntou se aproximando mais da morena, agora que ela estava desarmada.

“Te pergunto a mesma coisa branquela”

“Você nunca vai parar de me chamar assim?” Marina reclamou.

“E perder essa cara que você faz? Sem chances”. Clara riu enquanto Marina fazia um bico. “E isso também não vai funcionar”.

Marina fez uma careta ao perceber que não ia conseguir com que ela parasse. Deu uma olhada ao seu redor e não viu nenhum conhecido. “Então... o que você está fazendo aqui sozinha?”

“Eu não estava muito a fim de ir à praia hoje, então resolvi vir pra cá esfriar a cabeça”. Clara deu de ombros. “E você?”

“A Vanessa e a Flavinha estão na piscina e eu decidi dar uma caminhada”. Respondeu Marina, indo um pouco mais perto de clara e apontando para o arco. “Não sei como vim parar aqui, eu não sei atirar”.

Clara riu. “Acho que você ia deixar muita gente brava por aqui se começasse a gritar para cada tiro que desse, que nem no paintball”.

Marina bateu no braço da outra, “Nem vem, eu não fui tão mal assim”.

“Colega, meu ouvido ainda ta doendo”, Clara começou a rir mais ao lembrar da cena, arrancando uma risada de Marina também.

A estudante de fotografia olhou para o chão, mexendo seus pés desconfortavelmente “Isso é estanho”.

“O que?” Clara franziu a testa, sem entender ao que ela se referia.

“isso” Marina apontou para elas duas. “Faz séculos que não somos más uma com a outra”.

“É, faz tempo mesmo”. Clara sorriu para Marina. “Sua vadia”. E caiu na gargalhada.

“EI” Marina cutucou a morena no braço, semicerrando seus olhos para ela.

Clara cutucou Marina de volta brincando “Me surpreende você achar que 24 horas são ‘séculos’”.

"É um novo recorde pessoal para nós." disse a estudante de fotografia, sorrindo antes de olhar para o arco e, em seguida, de volta para Clara: "É difícil?"

“Isso?” Questionou Clara levantando o arco e Marina assentiu, “Não muito, se você souber o que está fazendo”.

Marina ficou olhando como se quisesse dizer alguma coisa, mas com medo de pedir.

“Você quer que eu... te ensine?” Clara perguntou enquanto via o rosto de Marina se iluminar. Essa assentiu entusiasmadamente, fazendo a morena rir. “Era só você pedir”.

Marina deu de ombros, “Eu achei que você não iria”

Clara puxou uma tira de couro em torno de seu braço esquerdo, entregando-a para Marina, "Ponha isso.". Ela então apoiou o arco entre as pernas, enquanto colocou as mãos nos ombros de Marina, alinhando-a em direção ao alvo. “Você sempre tem que estar na linha de onde vai atirar... Me passa uma flecha”.

Marina se abaixou, pegou uma flecha do container e colocou nas mãos de Clara.

“ok...” Clara ficou atrás de Marina, e pegou uma de suas mãos, ajudando-a a arrumar a tudo e mostrando como ela deveria segurar as coisas. “Você coloca dedo indicador aqui, acima da flecha, e os outros dois abaixo tudo bem? ".

“Isso é muito mais complicado do que eu imaginava. Vendo você fazer parecia tão simples”. Murmurou Marina olhando para suas mãos que Clara tentava ajeitar.

“A parte difícil acabou” Clara falou mantendo suas mãos sob as da outra menina, enquanto ela a ajudava a levantar o arco na altura de seus olhos. “certo, agora você puxa a corta delicadamente e continua segurando tudo com firmeza.” Clara não pode deixar de sorrir ao ver Marina fazer tudo cuidadosamente. Ao ver que estava tudo certo, ela afastou suas mãos para que a garota pudesse atirar. “Agora respira fundo, foca no alvo e pode disparar”.

Clara colocou as mãos na cintura de Marina enquanto observava seus movimentos, esperando ela soltar a corda. Ela se perdeu enquanto monitorava o comportamento da moradora de Nova York: ela estava com a língua para fora no canto da boca enquanto se concentrava, os olhos semicerrados mirando o alvo. A futura jornalista apertou um pouco mais o quadril da outra, pressionando seus corpos firmemente enquanto ela estudava o objetivo de Marina. Ela sentiu a menina mais branca respirar profundamente contra seu corpo antes de soltar a corda, fazendo com que a flecha voasse em direção ao alvo.

Clara sorriu quando viu que Marina havia acertado o painel circular numa árvore distante.

Marina soltou um pequeno grito ao ver que tinha acertado. Ela se virou e jogou o arco no chão, colocando seus braços ao redor do pescoço de Clara, “Ai meu deus, eu consegui!!”

Clara sorriu, um pouco surpresa com a atitude de Marina. “Muito bem! Viu só, aparentemente você não é tão ruim quanto pensava”.

“Posso tentar mais uma vez?” implorou Marina com um enorme sorriso no rosto.

Clara coçou a parte de trás de seu pescoço antes de apontar para o container, “Você poderia se eu ainda tivesse alguma flecha”.

Marina franziu a testa, olhando para o container vazio e então de volta para Clara, “Você não precisava ter me da do sua última flecha! Estou me sentindo culpada agora”.

A morena sorriu, “Não tem problema”.

O rosto de Marina se transformou num sorriso, “Como vou me redimir agora?”

“Hmm, não sei” Clara chegou mais perto dela, de modo que seus corpos ficassem colados novamente. “O que você tem em mente?”

Marina abriu a boca para responder mas foi interrompida por um homem gritando para que Clara devolvesse o arco e saísse dali para dar a vez à próxima pessoa.

“Vem comigo”, Marina pegou o arco e segurou na mão de Clara, fazendo com que elas saíssem do campo. Ela entregou o arco para o homem que estava irritado e saíram correndo da área onde várias pessoas estavam atirando.

"Para onde estamos indo?" Clara perguntava enquanto Marina a puxava para um lugar isolado na perte de trás do hotel.

Marina parou de andar e empurrou Clara para parede, fazendo com que ela ficasse encurralada.

“Eu pensei em como me redimir”, Marina sussurrou, colocando suas mãos na parede, uma em cada lado da cabeça de Clara.

A carioca sorriu, “Ah é?”

Marina assentiu, mordendo seu lábio inferior antes de se inclinar para frente e colidir seus lábios contra os de Clara. O beijo foi rápido, as bocas se moveram juntas apenas por alguns segundos até que a fotógrafa se afastou um pouco, mantendo seus olhos fechados, enquanto ela mantinha sua testa encostada na de Clara.

“Eu não posso continuar fazendo isso” Sussurrou Marina.

Clara abriu os olhos, colocando sua mão no rosto da menina à sua frente, “Fazendo o que?”

“Isso”, Marina se aproximou, beijando Clara mais uma vez antes de se afastar novamente.

“Por que não?” Clara perguntou ainda sem fôlego por causa do beijo quente que havia acabado de receber.

“Porque essa não sou eu... não posso fazer isso com você... eu não sou.. gay”

Clara apoiou sua cabeça na parede, franzindo sua testa “Me desculpa Marina, mas isso não é o que parece”.

Marina se afastou e olhou para o lado, pois tinha medo de encarar a morena e não resistir novamente, “É só que... eu sinto muito”.

“Por mais que eu aprecie as desculpas que venho recebendo ultimamente, Meirelles” Clara começou, desencostando da parede e ficando de frente para ela, “Se você parasse de agir desse jeito escroto comigo, não precisaria se desculpar”.

Os olhos de Marina se arregalaram, ela estava surpresa por ver a outra tão brava, “Você está sendo dura demais comigo”.

Clara riu friamente, “Volte pros seus amigos e aproveite sua vida perfeita Marina”

“Mas que merda” Murmurou a fotógrafa, ficando irritada pelo modo que clara estava agindo, “O que você acha que foi tudo isso?”

Clara mordeu seu lábio, sem saber o que dizer porque, honestamente, ela não tinha ideia do que elas estavam fazendo, “Não foi nada... isso tudo foi só um erro”

“É isso mesmo que você acha?” Marina perguntou, erguendo sua sobrancelha enquanto Clara assentia devagar. “Ta bom então... ótimo”.

Houve um grande silencio enquanto nenhuma das duas sabia o que dizer, a tensão era evidente.

Marina finalmente limpou a garganta para falar. “Hmm.. eu vou indo então”.

“Eu também”, Clara falou olhando para baixo.

“err... eu te vejo por aí”, Murmurou Marina, hesitando um pouco antes de virar as costas para morena e caminhar para longe dela mais uma vez.

Notas finais
E aí??? Sugestões, críticas, elogios? Beijooos