My Sugar Daddy

4 Lorenzo, Érico e Oliver


Me aproximei do balcão e perguntei para a única atendente que se encontrava dentro do restaurante aquela hora da manhã se eu poderia falar com o gerente.

Olhando a pasta com meu currículo e documentos na minha mão, ela perguntou:

— É você que veio fazer entrevista para garçonete?

— É... sou eu. — Respondi extremamente tímida.

— Quem faz as entrevistas e contrata é o Lorenzo, mas ele não veio hoje.

Deixando transparecer minha tristeza pelas minhas expressões faciais, conclui:

—Ah tá, que pena. Combinaram comigo para vir hoje, mas eu espero ou volto amanhã. Tem como você me passar o telefone dele ou deixar algum recado de que eu estou aqui?

— Espere um pouco, vou ver se o Oliver atende você.

— Tudo bem então.

Poucos minutos depois a atendente voltou e me conduziu para o escritório. O que na fachada e dentro do restaurante tudo era maravilhosamente organizado, nos fundos do Panini a bagunça era total.

A jovem me deixou dentro do escritório e em seguida se retirou fechando a porta e foi então que vi o Oliver pela primeira vez. Ele não era do tipo galã e muito menos do tipo de um dia eu sonhava em ficar junto, mas havia algo oculto nele que me fez ficar curiosa, a ponto de ficar longos e longos minutos olhando cada detalhe de seu rosto para tentar decifrar o que exatamente ele estava despertando em mim.

Oliver era alto, magro de pele clara. No rosto ele deixava a barba por fazer, e isso combinava perfeitamente com seus olhos cor de âmbar. Um detalhe interessante era a calvície que Oliver possuía. Tão novo e já sem um fio de cabelo na cabeça. E isso era um problema? Certamente que não. A calvície combinava com ele, com o rosto, com o estilo, com a personalidade, enfim... com tudo. Mas até os pequenos detalhes eram compensados por suas belas e grossas sobrancelhas e seus maravilhosos lábios carnudos.

Sentei diante dele retirando meu currículo da pasta e estendendo o papel na direção de sua mão. Com um breve sinal negativo de cabeça, Oliver se negou em ver o papel e com uma das mãos apoiando o rosto de modo a transparecer que estava pensativo, ficou me olhando fixamente. A única coisa que o diferenciava de uma estátua é que Oliver respirava.

Achei que meu nariz estivesse sujo, e disfarçadamente passei a ponta dos dedos para tirar qualquer tipo de melequinha, mas não havia nada de estranho no meu rosto e Oliver continuou com os olhos em mim. Quando comecei ficar incomodada com a situação, ele disse repentinamente:

— Está contratada.

— Mas você nem me entrevistou!

— E é necessário te entrevistar?

— É você que tem que saber disso mais do que eu, você é o dono do restaurante!

— Tudo bem, então... qual o seu nome? O primeiro nome.

— Anna Letícia.

— Ótimo senhora...

— Senhorita.

— Ok, senhorita Anna Letícia. A senhorita está contratada.

— Eu trouxe o meu currículo, nem isso você vai ver?

— Esse não seria o seu primeiro emprego?

— Sim.

— Então porque eu tenho que ver um papel onde não está escrito nada?

Ele me deixou sem palavras.

Oliver se levantou da cadeira, abriu a porta para que eu pudesse sair do escritório e pediu para que eu retornasse ao Panini no dia seguinte com os restos dos meus documentos para que Lorenzo registrasse a minha carteira de trabalho. No meio do caminho topamos com Érico que conduzia o entregador de pão até a dispensa do restaurante.

— Oliver, é a garota da entrevista?

— Ela mesma.

— Lorenzo a contratou?

— Eu contratei. Lorenzo não veio hoje. Aliás Ana Letícia -disse virando-se para mim- você começa essa semana mesmo.

De lá de dentro da dispensa, Érico gritou:

— Prazer em te conhecer!

— O prazer foi meu! — Gritei de volta.

O português dos dois com aquele sotaque carregado de italiano era a coisa mais gostosa do mundo de escutar.