My Sugar Daddy

5 Estar maquiada para ganhar mais gorjeta


Comecei no Panini e me adaptei rápido com o trabalho e com o ambiente, fato que me deixou surpresa comigo mesma. Fazer amizade com os funcionários não foi uma tarefa difícil e logo Catarina -a moça que me levou até o Oliver na primeira vez que fui ao restaurante- ficou bem próxima de mim. Na verdade a palavra "próxima" é um modo singelo de descrever a nossa amizade. Catarina e eu nos tornamos verdadeiras melhores amigas. Talvez isso se dê pelo fato de que ela tinha apenas irmãos e eu de ser filha única. Já o convívio com meus chefes italianos tinha um pequeno detalhe: dos três, Oliver era o único que se mantinha distante. Não que ele me tratava mal, pelo contrário, quando Oliver falava comigo ele era sempre muito educado e simpático, mas eu percebia um certo receio da parte dele e ficar mais próximo de mim e esse detalhe de "ficar com o pé atrás" me incomodava, e muito! Porém, naquelas circunstâncias nem eu mesma conseguia entender o porquê de tal sentimento.

Apesar da bagunça do estoque, o Panini funcionava numa sincronia perfeita. Lorenzo era encarregado de cuidar da parte administrativa, e Érico cuidava de repor os mantimentos no estoque e de receber as entregas de bebidas. Oliver ficava com a criação de novos lanches e com a supervisão das montagens dos sanduíches que ele ensinava Catarina e mais um funcionário a fazer, e eu recebia e atendia os clientes no restaurante. Ao fim do dia todos nós limpávamos o local, e eu simplesmente amava o clima de amizade entre a gente. Aquele trabalho realmente estava me fazendo muito bem.

Conforme o tempo passava eu adquiria mais habilidade na "arte de ser garçonete". Olhando o rosto do cliente eu percebia como teria que ser o meu atendimento: rápido para clientes apressados, direto e eficiente para clientes mal-humorados e descontraído para clientes alto-astral.

Outra coisa que percebi era o fato de quando eu estava maquiada. Havia dias em que eu estava mais vaidosa e ia trabalhar bem maquiadinha e com o cabelo arrumado com algum penteado legal, e era justamente quando eu estava assim que recebia mais gorjeta, principalmente dos homens na faixa-etária dos cinquenta e setenta anos que iam comer um lanche no final da tarde depois do trabalho. Mas graças ao céu que as "cantadas" ficavam somente nas entrelinhas das altas gorjetas que eu recebia e nunca partiram para xavecos furados ou propostas indiscretas... é, eu tinha sorte.