Notas iniciais
Olá amoras, este capítulo é inteiramente de autoria da Beatriz... Espero que gostem...
Nos vemos lá embaixo...
*_* S2 *_*

POV Vítor

Saí de cabeça quente da casa da castanha.

Comecei a andar sem rumo, até que percebi que meus pés me guiavam para o Três Vassouras.

Ao entrar no pub, sentei-me em um dos bancos do balcão e pedi a Madame Rosmerta um copo de Whiskey de fogo misturado com absinto. A mulher olhou-me por um momento como se tentasse ler meus olhos, mas logo trouxe meu pedido.

Olhei a bebida que continha uma cor interessante e dei uma grande golada sentindo o líquido descer rasgando por minha garganta.

“Por que ela não me ama? Por que ela não pode, em vez de amar aquele troglodita, me amar?... Merlin me ajude...”

Eu já deveria estar no quarto ou quinto copo e ainda me sentia como se tivesse tido a felicidade arrancada das minhas mãos e me perguntava a mesma coisa:

“Como, por Merlin, ela ainda pode amá-lo ao invés de mim? Como, se ele quis que ela desistisse das crianças sem nem ao menos pensar duas vezes, nem ao menos saber delas, enquanto eu os amo como se fossem meus desde o dia em que fiquei sabendo? Como ela pode preferir a ele que ficou tanto tempo longe, que a desprezou e nem ao menos se preocupou em saber como ela estava, enquanto eu fiquei ao lado dela todo esse tempo?”

Enquanto me afundava em pensamentos, várias moças se aproximavam de mim pedindo autógrafos, mas eu apenas as dispensava com um aceno ou uma carranca.

Olhei para o meu copo e percebi que ele estava quase vazio novamente. Desisti de ficar bêbado, já que pelo que parecia eu não iria conseguir, graças aos genes do meu pai. Resolvi voltar pra casa, afinal a castanha iria precisar de ajuda com as crianças; terminei o último gole daquele copo e prometi a Madame Rosmerta que depois eu voltaria para pagar, pois quando sai de casa esta manhã eu tinha esquecido a carteira em cima da cama.

Eu estava passando pela praça, quando notei uma garota, ela não era daqui, isso eu tinha certeza, pois o vilarejo era muito pequeno e qualquer novidade se espalhava rápido se mais alguém tivesse se mudado para lá, no entanto ela parecia confusa e perdida. Como não tinha mais ninguém por perto para ajudar, resolvi me aproximar, e também por mais que eu tivesse que voltar pra casa a castanha ainda não estaria lá e eu não queria ter muito mais tempo pra pensar no que ocorrera noite passada.

- Ahh, oi, meu nome é Anne eu preciso chegar ao castelo de Hogwarts, só que eu acho que me perdi no meio do caminho, será que você poderia me ajudar? – Assim que eu cheguei perto ela já começou a falar. – Olha moço, se você estiver ocupado é só me apontar a direção que eu tenho que ir, não precisa me acompanhar nem nada, é que eu preciso chegar lá o mais rápido possível.

Ela era baixinha e bem novinha, passaria facilmente por uma aluna. Os cabelos eram compridos, algo entre o castanho e o ruivo e seus olhos eram de um lindo verde escuro. Pelo modo dessa menina falar ela parecia ser nascida trouxa e tinha um sotaque que eu não consegui identificar, além do fato de não ter me reconhecido, afinal ultimamente eu ando aparecendo muito no profeta diário.

- Olha moço, eu não sou maluca não, viu? É que eu me mudei pra Londres há pouco tempo e preciso falar com a diretora dessa escola, é muito importante e eu não sei o caminho, eu estou aqui há mais de meia hora e não encontrei ninguém ainda.

Ela começou a falar diante do meu silêncio prolongado, e já estava prestes a continuar quando eu a interrompi.

- Calma, eu te levo até os portões do castelo. Hum, me desculpe, mas qual é o seu nome mesmo? É que eu estou meio distraído hoje...

- É Anne, Anne Schmittel e me desculpe também, mas qual é o seu? Posso saber?

-É Vítor, Vítor Krum. – eu disse, enquanto começamos a andar. – Me permita perguntar, mas por que tanta pressa para falar com a diretora?

- Como eu já disse me mudei pra Londres faz pouco tempo, e hoje foi o único dia que consegui marcar uma reunião com a diretora agora a tarde, estou procurando uma vaga na escola e queria saber se consigo uma aqui.

- Eu não sabia que a senhorita era tão jovem assim, imaginei que fosse maior de idade já que pode aparatar sozinha.

- Pode me chamar de você, e quanto à vaga, ela não é pra mim, é para o meu irmãozinho.

Depois disso fomos conversando até os portões como eu tinha prometido, descobri que ela era responsável pelo irmão apesar de só ter 22 anos, que eles ficaram órfãos alguns anos antes da guerra terminar e os assistentes sociais de seu país (eu não fazia ideia do que era isso), a Alemanha, os mandou para um orfanato trouxa pelo fato de Anne ser menor de idade e não poder cuidar de seu irmão sozinha, por isso o modo de falar. Ela tinha se mudado para Londres atrás de um emprego no profeta diário ou no ministério, ela era formada em administração trouxa e tinha noções de jornalismo, e agora precisava de uma vaga na escola para o irmão, possuía um ótimo censo de humor, pois apesar de tudo que ela me contou, sorriu o tempo todo. Quando eu a questionei sobre isso ela disse que é melhor viver sorrindo no presente do que chorando e se lamentando por coisas que ela não pode mudar.

Eu acabei lhe contando uma parte dos meus problemas e da minha vida, era bom conversar com pessoas de fora da situação, porque às vezes elas podem ter uma luz que outros que estão envolvidos não conseguem enxergam, e o melhor, quando eu disse o que eu fazia pra viver, ela não me julgou nem me olhou como a maioria das pessoas, com uma ganância e reverência nos olhos, e eu me senti como uma pessoa normal.

Depois eu descobri que ela também era rica, apesar de se vestir com simplicidade. Ela me deu bom conselho, me disse uma coisa que ninguém me disse antes, que eu tinha na Mione uma amiga muito valiosa e por medo de eu me machucar, por medo de eu tentar me envolver com pessoas falsas por causa do meu trabalho, eu estava tentado me enganar, me dizendo amar a castanha, apesar de só ver nela uma pessoa muito querida como uma irmã, uma irmã que eu acho gostosa, mas que na verdade não era mulher pra mim.

Depois disso eu precisava de um tempo pra pensar no que ela me disse e acabamos ficando em um silêncio companheiro, até finalmente chegarmos aos portões.

- Agora é só você seguir reto essa trilha, não tem erro, lá dentro é só você perguntar pra qualquer pessoa ou pra um fantasma que eles te dizem onde você pode achar a sala da Minerva.

- Muito obrigada, eu fico te devendo uma... Vítor, você me ajudou pra caramba. – e dizendo isso ela me deu um lindo sorriso.

— De nada, e eu queria te fazer uma última pergunta... Como eu posso te achar de novo? – Ela me olhou por um tempo e depois resolveu me dar o endereço dela, mas junto com a promessa de que eu iria escrever com frequência, eu prometi e antes que ela entrasse no castelo apressada, me deu um beijo rápido na bochecha dizendo simplesmente um “Tchau, Grandão”. E saiu dando um lindo sorriso que logo se transformou em uma risada e pouco a pouco foi desaparecendo.

Muito tempo depois de eu tê-la deixado no castelo, virado as costas e voltado para casa eu percebi que a maior parte do tempo que eu passei com ela, eu não a comparei com a castanha nem uma vez, como eu estava acostumado a fazer com as mulheres que eu conhecia e que de tudo que ela me falou sobre como eu vejo a castanha, por mais maluca que a sua teoria possa ter sido, ela estava começando a fazer sentido pra mim.

Acho que preciso passar mais tempo com essa Anne...

Notas finais
E ai? O que acharam??? Gostaram? Odiaram? Aguardamos reviews para sabermos de suas opiniões...
Até o próximo capítulo lindas flores...
Beijos...
*_*S2*_*