[...]

Acordei ouvindo vozes. Abri os olhos e bocejei. Olhei à minha volta e vejo que não estou sozinha.

– Você tem que acordá-la, Ashley! — dizia Jason.

– Mas ela está dormindo tão bem, ainda por cima deve ter chegado tarde. — dizia Ashley docemente.

– A gente chegou mais tarde que ela e estamos aqui já acordados e de banho tomado. Você quer ajuda para o casamento ou não? — Jason falou mais uma vez mas já sem paciência.

Ri deles e ambos perceberam que eu já havia acordado. Jason sorriu e aproximou-se de mim, me esticando os braços para eu me levantar. Resmunguei um pouco mas lhe dei as mãos e ele me puxou tirando da cama.

– Vê, já ninguém precisa de a acordar. — disse Jason para Ashley.

– Pois, com você a falar alto era impossível ela não ter acordado. — Ashley revirou os olhos e cruzou os braços. Sorri.

– Agora vá se despachar porque você está horrível. — disse Jason me levando para o banheiro.

– Acabei de acordar e ontem não tirei a maquiagem. Óbvio que eu estou horrível. — disse e eles riram.

Tomei banho e fui me vestir. Desci as escadas para tomar o pequeno almoço e encontrei o Jason a comer torradas. Quando me viu sorriu sem mostrar os dentes, pois ele estava a comer, e empurrou um prato com torradas para perto de mim. Aproximei-me da mesa e reparei que Jason me olhou de cima a baixo e fixou o olhar nas minhas pernas. Sentei-me fingindo não ver e comecei a comer.

O que posso dizer? São homens, eles olham tudo. Certo?

– A Ashley? — perguntei sentindo a falta dela.

– Está com dores de barriga. Ela foi se deitar um pouco. — respondeu se levantando.

– Então ela não vem com a gente?

– Parece que não. — deu de ombros e saíu da cozinha.

[...]

–-Jason--

Parei o carro na morada que a Sophie me deu e saímos do carro. Ela disse que conhecia um lugar perfeito para fazermos o copo d'água. Entramos e nos dirigimos para a rececionista. Seguimo-la e entramos num salão enorme. Olhei cada canto. Era um salão espaçoso, tinha um pequeno palco e era simples. Tal como eu queria.

– Então o que achou? — perguntou Sophie que olhava o salão também.

– Adorei. — disse. — Ficamos com ele. — disse para a rececionista que assentiu e foi buscar o dossiê para apontar a data e nomes.

– Vai ficar em que nome? — ela perguntou nos olhando. Olhei para a Sophie e encolhi os ombros. Em que nome devia ficar?

– Jason McCann. — respondeu por mim. E de seguida me olhou. — Deve sempre ficar em nome do noivo. — ela sorriu e eu retribuí.

– E quando se casam? — perguntou a rececionista. Arregalei os olhos e olhei para a Sophie que fez o mesmo, logo depois começamos a rir.

– Não, não, a gente não se vai casar. Ele é o noivo mas eu sou a irmã da noiva. — esclareceu Sophie sem graça. A rececionista corou um pouco e sorriu.

– Peço desculpa, eu não sabia. Então fica em que data?

– 3 de Setembro. — respondi.

[...]

– Onde vamos, Jason? — perguntou ela pela milésima vez.

– Eu já disse que não vou dizer. É surpresa.

– A Ashley está sozinha em casa, deviamos ir ter com ela. — ela disse.

– Já vamos, tem calma. É rápido.

Passado poucos minutos de silêncio parei o carro e a Sophie sossegou. Parecia um pouco tensa.

– Porque paramos aqui? — ela perguntou sem tirar os olhos da lagoa.

– Ontem quando estávamos a ir para os AMA's eu vi esta estradinha e vi este lugar ao longe. Decidi vir ver de perto. O que achou? Talvez traga... — antes de terminar a frase, Sophie saíu do carro e andou lentamente até à lagoa.

Observei-a e saí do carro, encostei-me ao mesmo observando a paisagem e observando Sophie. Ela olhou para o lado durante uns segundos e aproximou-se de uma árvore, pousou a mão na mesma, olhou para cima para ver a altura da árvore. Ela sorriu e se baixou, contornou algo com o dedo enquanto sorria. Ela se levantou e eu me aproximei dela. Ela olhou para mim e sorriu me abraçando de lado. Encostou a cabeça no me ombro e suspirou.

– O meu avô faleceu à 3 anos. — começou. — Ele era tudo para mim. Descobriu que tinha cancro nos intestinos. Não havia cura, apenas terapia mas isso não o ajudou, muito pelo contrário, piorou. Então ele desistiu do tratamento e decidiu fazer tudo o que queria fazer antes de partir. Uma delas era passar mais tempo com a família. Ele estava sempre a sorrir como se fosse uma coisa ótima, ele parecia feliz. Eu desde que tinha descoberto que ele estava doente, não chorava, não parecia triste, eu só sorria, sorria para ele, ajudava-o em tudo. No dia em que ele morreu, nós estávamos aqui sentados, ele olhou para mim e perguntou como eu me estava a sentir com aquela situação toda. Sorri para ele e fiquei em silêncio esperando gravar a imagem dele para sempre, e então respondia que estava me sentindo péssima, não aguentei e comecei a chorar, ao pensar que muito em breve eu não o iria ter mais por perto. Ele sorriu, me deu a mão, e disse ''Eu não sabia disso. Você é uma garota maravilhosa. Quando encontrar a pessoa certa, você saberá. Quando vir o interior dele, e ver o seu lado sensível você saberá. Não desiste dos seus sonhos. Não deixe ninguém roubar seu sorriso. Lembre-se de que para ganhar temos que perder primeiro. E antes de partir quero lhe dizer que te amo muito.'' e depois ele me abraçou e ficámos a observar a lagoa. Quando olhei novamente para ele, ele estava de olhos fechados, ele estava partindo. Os primeiros meses sem ele foram horríveis, eu só chorava, não comia, não falava. Mas foi passando e agora já não tenho nada para chorar. Ele faz parte de mim, estamos sempre juntos. Aqui. — ela pôs a mão no peito.

Olhei para a árvore e estava lá gravado ''Vovô para sempre''.