My Old Summer Love
1 Capítulo 1
Estar exatamente a frente de "A Casa Amarela" de Vicent Van Gogh é uma experiência única, os detalhes, a cor, o brilho, sem dúvida tudo isso me fascinava. Van Gogh é um de meus pintores favoritos, e temos algo em comum, a paixão por cores quentes. Olhei mais uma vez para o panfleto que servia de guia do museu. "Os Comedores de Batatas", outra obra esplêndida, não perecia que tinha sido pintada por ele, uma tela absurdamente escura, iluminada apenas pela luz de uma vela suspensa, algo bem realista.
Faziam-se poucas semanas que estava aqui, Amsterdã é maravilhosa, minhas férias de verão seria, certamente inesquecíveis. Sai do museu encatada, peguei minha bicicleta e fui em direção a casa de meus tios, os quais disponibilizaram a casa para que eu pudesse ficar durante as férias, foi muito gentil da parte deles. Tia Margarida tinha mãos de fada e fazia a melhor torta de amoras de todas. Tio Jeff, esse era o tio mais palhaço de todos. E tinha Peter, meu primo, insuportável, que com certeza levaria sua banda insuportavelmente insuportável para tocar no porão, e estaria com o William, o seu baixista irritante e também insuportável, que rouba minhas batatas quando estou assistindo aos documentários da History Chanel. Mas tenho de aturá-los, afinal estou lá de favor.
O vento alisava meu rosto, e a sensação era meravilhosa, o tempo aqui é perfeito, eu tinha vontade de simplesmente sai pedalando sem rumo e abrir meus braços, porque naquele momento não sentia nada além do que liberade. Encostei na calçada da casa de meus tios e como era se esperar, Peter estava em farra. Adentrei a casa, pus meu casaco atrás da porta e fui para a cozinha.
– Como foi o passeio, Cecile? — tia Margarida perguntou-me tirando o frango que seria servido no jantar do forno.
– Ah, foi ótimo conhecer o Museu de Van Gogh, a senhora deveria ter ido comigo tia.
– E eu iria adorar, querida, mas alguém tinha que colocar ordem na casa já que seu tio está trabalhando. — claro com a algazarra de Peter e Cia, era necessário alguém com cabeça no comando
– Entendo.
Vozes se aproximavam, pareciam ptos sendo esganados por um caçador psicopata.
– Cara você viu aquela loira gostosa ontem? Meu Deus o Joe deu sorte de ter fisgado aquela gata. — Peter, certamente.
– Óbvio! Quem resistiria ao meu charme? — disse Joe, o batetista da banda. Ele era o menos mal esducado.
– Se eu estalasse os dedos ela ficaria comigo, tô te falando... — Peter, o inconveniente.
– Engraçado como eles são idiotas, não? — meu Deus! Dei um pulo.
– William! — coloquei a mão no peito.
– Tá assustadinha hoje hein?
– Sai daqui seu miserável, vai bater papo com seus amigos cabeça oca e me deixa em paz! — falei me levantando e indo até as escadas.
– Boa noite pra você também Cecile! — disse Joe. — Boa noite Joe — Peter me repreendeu com o olhar — e Peter.
A cada passo que dava na escada, sentia que estava sendo seguida. O motivo? Não sei. Entrei em meu quarto e fui para a varanda. As estrelas estavam brilhando como nunca, o céu estava perfeito. Encostei-me no parapeito e comecei a pensar em como seria a minha vida se eu morasse aqui. Mamãe e Papai iriam adorar, sem buzinas, sem trânsito, tranquilidade, paz, ar puro, tudo o que um ser humano precisa.
Despertei de meus devaneios quando sinto duas mãos em minha cintura, era incrível o toque, uma corrente elétrica percorreu todo o meu corpo, mas a corrente não queria sair permaneceu ali, eu estava entrando em curto circuito, estava presa entre dois pontos iguais, a corrente não queria avançar. Mas também, eu não queria avançar. Quem seria o dono destas mãos alojadas em minha cintura? Uma de suas mãos foi parar na maçã de meu rosto e ela acariciou, logo após seus dedos alisaram meus lábios e pus minha mão sobre a dele. Sua respiração contra o meu pescoço me fazia arrepiar. Eu conhecia aquele perfume, era o de... eu ia falar seu nome mas, o mesmo me interrompeu.
– Faz tempo que eu desejava fazer isso, faz tempo que eu gostaria de dizer que, desde quando a gente se conheceu, há cinco anos na festa de natal da sua família, que eu te desejo, que eu te amo, foi amor a primeira vista. — eu ainda da não podia acreditar, e não tive aportunidade de olhar em seus olhos. — tudo em você é perfeito, seus olhos, sua boca, seu corpo, sua risada, tudo, até o que você odeia em si é perfeito. Eu nunca te odiei Cecile, muito pelo contrário, sempre te amei... — as lágrimas escorriam, nunca ninguém tinha falado algo tão bonito para mim.
Virei-me para ele, seus olhos marejados, eram lágrimas de felicidade, os meus também se encontravam no mesmo estado. — William eu...
– Shiii! Não fala nada só escuta. — ele encostou minha cabeça em seu peito, e o seu coração estava acelerado, um coração que batia por mim, que batia pelos meu defeitos e qualidades. — Eu te amo Cecile. Ele me beijou. Foi o meu primeiro beijo, com o cara que talvez fosse o certo pra mim, o primeiro que me amou como uma mulher. Mas eu não o amava, não gostava o suficiente dele para o amar. Eu sentia tudo o que uma pessoa que está apaixonada pode sentir, mas o meu coração não clamava por seu nome. E eu não queria magoa-lo, eu não poderia simplesmente me deixar levar pelo calor do momento sem saber que consequências estariam por vir se eu seguisse com isso.
– Não! — me separei dele, o beijo foi perfeito, se eu engoli borboletas? Sim, mas não o suficiente. — eu não posso, me desculpe — e eu chorava, chorava muito, e ele também.
– Você não pode fazer isso Cecile, eu te amo! Eu não sou o suficiente pra você? — seus olhos estavam vermelhos agora, e ele se aproximava cada vez mais.
– Não é isso William, eu não sou o suficiente para você — sentei na cama. — tente entender, não quero que você sofra, ficando com alguém que não te ama, que gosta de você mas não te ama.
– Você pode aprender a me amar... — Não, não é assim, eu não posso William, por favor não insista, vá embora. — eu não queria mais olhar seu rosto, seria insuportável ver sua dor. Ele me abraçou e beijou-me mais uma vez, com mais fervor e voracidade, depois encostou sua testa na minha.
– Um dia Cecile, você irá me amar, e eu estarei lhe esperando. — Levantou-se e passou pela porta de meu quarto.
Foi a última vez que o vi, as outras duas semanas que se passaram de minhas férias, em nenhum dia ele apareceu para ensaiar com Peter. E todos esses dias eu me culpava, eu o machuquei e sai machucada. Eu era um monstro. Senti falta dele e de suas implicâncias, do seu sorriso, do seu cheiro, do seu toque, do seu beijo. Sim, agora eu o amava, mas era tarde demais, eu já estava chegando em Nova York. O verão foi embora e levou meu coração junto.
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