My Old Summer Love
2 Capítulo 2
– E eles viveram felizes para sempre. — fechei o livro da Bela Adormecida.
– Tia Ceci, essa história é tão linda, será que eu conseguiria dormir por cem anos? — Lucy me perguntou.
– Não Lucy — comecei a rir, imaginação fértil dessa pequena — é apenas uma história, agora vamos aprece-se, não quero que a diretora nos dê advertência por estarmos acordadas até tarde...
– Não tia! Conta mais uma história, eu não consigo dormir — Lucy agora já estava em meu colo.
– Certo, que história a senhorita quer ouvir agora, e só para deixar claro será a última.
– Quero a da Rapunzel! Eu queria ter o cabelo igual ao dela sabia tia?
– E um dia com certeza terá, e será mais bonito que o dela, aposta quanto? — ela deu uma risadinha.
Impossível não se apaixonar por Lucy, uma menina linda de cabelos loiras, que mais parecem fios de ouro. A conheço a mais ou menos um ano, quando a vi aqui no orfanato em que trabalho, foi amor a primeira vista. Ele é garota muito meiga, adora contos de fadas e pensa em um dia encontrar um príncipe, que nem o da Branca de Neve. Lucy só tem cinco anos, ainda tem muito o que aprender com a vida, mas nessa idade é essencial sonhar com o príncipe encantado, eu por exemplo sonhei até os dezesseis, até perceber que talvez ele não existisse.
Na verdade ele pode até existir, mas deve estar setecentos anos luz de distância de mim. Eu tive um, não, eu podetia ter tido um, mas eu o lancei como uma bola de ping-pong, parti dois corações com um adeus.
– E o príncipe gritou: "Rapunzel, Rapunzel, jogue suas tranças!", e... — ela colocou sua pequenina mão sobre a página que eu estava lendo.
– Tia, eu mudei de ideia, quero ouvir a sua história e do seu príncipe. — falou com os olhos brilhando.
– Hoje não Lucy, vamos deite, vá dormir pequena. — ajeitei-a na cama e a enrrolei — boa noite, tenha bons sonhos.
– Boa noite, tia Ceci, eu te amo.
Ela fechou os seus olhinhos e dormiu, parecia mais um anjo, o meu anjinho, um sorriso involuntário preencheu meu rosto. Dei um beijo no topo e de sua cabeça e afaguei seus cabelos, analisando cada detalhe perfeito dela.
– Eu também te amo pequena.
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E a neve cobria tudo, estradas, carros, brinquedos janelas. Pequeno cobertor de neve. Pequeno não, enorme, pois cobrir Nova York inteira não é um trabalho muito fácil.
Acordei e cheiro de café e panquecas quentinhas invadiu minhas narinas. Da janela dava para ver os flocos caindo em uma sincronia perfeita. As crianças brincando de guerras de bola de neve e fazendo anjos na neve e também bonecos de neve. É impressionante quanto divertimento a neve pode nos proporcionar. Troquei-me e fui diretamente tomar o café, meu estômago só falta me assassinar.
Papai fumava seu cachimbo e lia seu jornal matinal e mamãe trazia os ovos mexidos em uma frigideira que herdara da vovó.
– Bom dia mãe, bom dia pai. — falei dando um beijo na bochecha de cada um.
– Bom dia querida — falaram em uníssono.
– Como passou a noite? — perguntou -me mamãe.
– Minhas perspectivas era de virar o novo sabor sensação de picolé. — disse dando um gole em meu café.
Os dois riram. Não vi graça, estava muito frio, poee perguntar para qualquer vizinho que eles responderão a mesma coisa, e os animais? Coitadinhos, são os mais novos "frutales". Os imagino dentro de um cubo como o esquilo da era do gelo.
– Não exagere Cecile, estava frio mas nem tanto. — papai colocou seu jornal sobre a mesa.
– Nem tanto? Tá de brincadeira né pai? O senhor só pode ser mutante. — dei um mordida em minha panqueca.
– Só você mesmo Cecile. — levantou-se da mesa — está na minha hora.
Deu um beijo em minha testa e foi pegar seu casaco.
– Tchau pai. — terminei meu café e fui assisti o noticiário.
"Nas próximas duas horas terá muita neve pela frente, então caros cidadãos, evitem sair de casa nesse periodo..." , noticiou a moça do tempo, na mesma hora mamãe veio até a sala gargalhando.
– O que foi mãe? Você está bem? — não pude deixar de rir.
– Seu... pai... — mais gargalhadas — atolou... na... neve! Vamos me ajude — nos duas fomos indo ajudá-lo.
Lá estava ele coberto até a cintura, com os lábios roxos todo se tremendo. Se eu ri? Só um pouquinho, temos de ajudar os necessistados, não podemos rir da desgraça dos outros.
Corri para o armário de toalhas, peguei umas três para aquece-lo. Seus dentes batiam uns nis outros. Uma bela gripe ele pegaria. Entramos em casa depois de desatolar ele, mamãe foi fazer um chá bem quente para ele.
– Eu ia buscar seus tios no aeroporto, mas acho que não deu muito certo. — ri pelo nariz.
Meus tios? Aeroporto? Como assim?
– Tia Margarida e Tio Jeff? Os de Amsterdã? — perguntei meio assustada,
Será que eu estaria preparada para vê-los novamente depois de todo o trabalho que dei para eles há quatro anos?
– Sim, Ceci. Você pode pega-los mais tarde?
– Oh sim, claro!
Preparada ou não eu teria de encará-los. Se bem que a pessoa mais temida não estaria lá. Ai Cecile, não cante vitória antes do tempo. Eu até gostaria de vê — lo novamente.
" — Tia, eu mudei de ideia, quero ouvir a sua história e do seu príncipe. — falou com os olhos brilhando. ", Lucy, quem sabe um dia eu não lhe conte a história do meu príncipe.
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O aeroporto estava deserto, não se via nem alma ali. Ai já tô até com medo. Avistei um cabelo ruivo, certamente era o tio Jeff, eram eles. Andei na direção deles, era como se eu estivesse sendo atraída por eles e não andando por conta própria.
Não mudaram nada, nenhum deles. Não pude deixar de dar um grito de felicidade, eu estava com muita saudade. Dei um abraço em cada um. Tio Jeff, tia Margarida... Peter meu primo insuportavelmente insuportável, até que não estava de se jogar fora, deu um jeito naquele ninho que ele chamava de cabelo.
– Cecile minha princesinha! Quanto tempo! Eu estava morrendo de saudades! — gritou tio Jeff me rodando no ar.
– Sim você faz falta naquela casa baixinha — Peter assanhou meus cabelos.
– Sai fora Peter! — dei um tapa em sua mão.
– E faz mesmo querida — tia Margarida se pronunciou.
– Bom, fico feliz pelo carinho de vocês, eu também senti saudades, mas... temis de ir, porque tem uma pessoinha doente que está sem sombra de dúvidas com mais saudades do que nós quatro — todos rimos.
Fomos em direção ao meu carro, ajudei-os a empilhar as malas no porta-malas, tia Margarida e tio Jeff já haviam ocupado seus assentos do passageiros, na mesma hora Peter agarrou meu braço antes que eu desse meu orimeiro passo em direção a parte do motorista.
– Só quero que você saiba que ele te esperou esse tempo todo, mas ele seguiu a vida dele, pois ele viu que no seu coração não havia lugar para ele. — os meus olhos já estavam marejados, mas mordi bem forte o meu lábio inferior, torcendo para que nehuma lágrima caisse.
Em todos esses anos, nunca mais tinha ouvido falar dele, e agora eu sei que nunca mais ouvirei mesmo.
– Peter precisamos ir... — mas ele me interrompeu.
– Eu ainda não terminei — franzi o cenho, ao mesmo temoo que trocou o peso de uma perna para outra — ele nunca vai te esquecer Ceci, você inevitavelmente já é uma parte dele, mas ele precisa viver...
– Nunca pedi para ele me esperar, pois ele está mais do que certo, já deveria ter feito isso a muito tempo!
Eu ia continuar, mas Peter passou por mim e sentou no baco do carona. Mas era verdade, eu nunca pedi para ele me esperar, mas no fundo eu queria. Eu queria que ele fosse só meu, porque eu já era dele, e isso ninguém iria levar, ninguém mesmo. A primeira semana sem ele foi horrível, a segunda foi menos horrivel, o terceiro ano? Eu sofri, mas nem tanto, e nesse último ano? Superável. Eu o quero hoje, amanhã e sempre, e ninguém mudará isso.
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