Notas iniciais
Saudades! Então, mais um capítulo pra vocês, em que as coisas começam a ficar piores kkkkkk Enfim, estou sentindo falta de recomendações hein, tem muito tempo que não recebo uma! Boa leitura!

POV Hermione

Draco esperava por esse dia a semanas, o dia em que visitaria seu pai em Azkaban. Eu sempre deixei claro que era uma péssima ideia, provavelmente Lucio estaria num estado deplorável e Draco se desesperaria em vê-lo assim, mas ele insistia.

Como ele não poderia ir com sua mãe, já que ela estava escondida e ainda estava sendo procurada, ele me pedira para ir com ele, e eu recusei das primeiras vezes, mas depois dele implorar eu aceitei desanimada. Acordei aquele dia totalmente indisposta, sabendo que em algumas horas eu estaria num lugar onde qualquer felicidade era inexistente. Desci para tomar café e Draco já estava na mesa, comendo calado e quieto.

— Tenho que cuidar da loja do George, podiam me fazer companhia – disse Rony se referindo a mim e Harry.

— Eu animo – Harry sorriu – Vou chamar Gina!

— Ah! Por Merlin, – Rony suspirou – desgrudem um pouco! – mas Harry já havia saído do salão – Hermione?

— Não posso, visitar Lucio. – eu disse desanimada.

— Boa sorte – resmungou.

— Vou precisar – eu disse levantando e indo até Draco.

Draco parecia estar em outro mundo, quando cheguei do seu lado ele não me viu nem ouviu, tive que cutucá-lo. Eu me sentei do seu lado, não me importando com os olhares feios e cochichos dos alunos da sonserina, que não gostaram nada da minha presença em sua mesa.

— Pronto?

— Sim — ele disse ainda olhando pro prato –, acho que sim.

— Vai dar tudo certo – forcei um sorriso –, vou estar do seu lado.

Eu peguei sua mão e fomos até a sala de McGonagall, que já sabia da visita e nos esperava para nos mandar para Azkaban.

— Preparados?

— Sim – dissemos em couro.

— Olhem – ela se aproximou – mantenham suas lembranças boas em mente, isso ajuda a manter a calma lá, o que vão presenciar agora não é bom – ela disse nos fitando.

— Tudo bem – eu disse –, obrigada professora.

Quando eu disse minha ultima palavra, ela estendeu a varinha e fez um feitiço silencioso, então minha visão mudou, ficando escura, mas não voltando a ficar clara.

O lugar era muito escuro, onde havia um barulho alto das ondas batendo e o chão tremia cada vez que o barulho aparecia. Um homem com uma capa marrom parado em frente a uma porta enorme de ferro estendeu as mãos, pronunciando meu nome e o de Draco, nos chamando para passar pelo portão.

— Estava esperando por vocês – ele disse baixo – Lucio Malfoy os aguarda.

Quando passamos pela porta um enorme frio envolveu meu corpo, minhas mãos começaram a tremer quando um enorme medo e desespero me ocorreu. Meu coração batia forte e minha boca se contraiu, a preocupação de antes, o conforto da presença de Draco haviam sumido, a única coisa que eu sentia era uma enorme vontade de me ajoelhar e chorar, desesperadamente.

— Mas que merda é essa? – sussurrou Draco.

— Sei como se sente – murmurei.

Nós andamos de mãos dadas, sendo guiados pelo homem de capa, que andava sombriamente, virando os corredores. O corredor não tinha nada, era apenas parede, teto e chão, todos negros. Apenas a luz do lampião do homem iluminava o caminho. Mesmo não vendo nada, nós ouvíamos gritos, que pareciam muito longe, mas assustadores.

Nós subimos várias escadas, em que nos meus cálculos estávamos no sétimo andar. A cada andar haviam celas, muitas vazias. O que me fazia imaginar se o motivo de estarem vazias eram porquê haviam poucos cometendo crimes, ou se já estavam todos mortos, o que não ajudou com o embrulho em meu estômago e a vontade de chorar. Já as que tinham alguém, foram assustadoras. Eu vira um homem totalmente agarrado a uma grade, a mordendo como um osso de cachorro, outros apenas gritavam ou conversavam sozinhos, mas não chegavam a ser piores do que os que apenas ficavam calados sentados no chão, sombriamente.

— Draco Malfoy e Hermione Granger, aqui é a cela de Lucio Malfoy – parou o homem, próximo a uma cela.

As celas de Azkaban não eram muito diferentes das celas dos trouxas, tinham grades de metal mas dentro era construída a partir de pedra, portanto eram frias, úmidas e sombrias não contendo nada além de uma privada.

— Por favor, entreguem suas varinhas – ele estendeu a mão – para passar no campo de defesa.

— Campo de defesa? – perguntou Draco

— Sim – pronunciou o homem – nenhuma varinha ou feitiço passa pelo campo de defesa.

Eu já havia lido um livro falando sobre Azkaban, e me lembrava sobre falar do campo de defesa, e curiosa sobre ele, li outros livros na seção reservada, que explicava que apenas um feitiço o anulava, e eu me lembrava dele. Pesquisei muito sobre isso depois de Sirius, tínhamos medo dele ser capturado novamente.

Sem contestar entreguei minha varinha, assim como Draco. Nós dois estávamos a alguns metros da cela escura de Lucio, que ainda não se pronunciara ao ouvir nossa voz. Depois demos três passos, passamos por algo que parecia um lençol invisível que depois desapareceu no terceiro passo, o campo de defesa.

— Pai? – disse Draco num sussurro.

— Não vai abrir a cela? – eu olhei pra trás, mas o homem não estava mais ali.

Quando voltei, ninguém se pronunciou, Draco procurava em meio a escuridão dentro da cela, seus olhos percorriam tudo.

— Lucio? – sussurrei.

— Ciça? – era a voz de Lucio.

Na mesma hora seu rosto apareceu entre as grades, fazendo eu e Draco darmos um pulo pra trás. O cabelo de Lucio estava maior, em meio ao loiro haviam vários fios brancos e seu cabelo estava oleoso como o de Snape. Seu olhos eram doentios e arregalados, seu rosto sem cor e os lábios ressecados.

— Não pai, sou eu, Draco – disse Draco com a voz trêmula.

— Onde está Ciça? – ele dizia desesperado.

— Está em casa, pai – Draco falou próximo a Lucio, muito baixo.

— Não! – berrou – Rodolfo ainda a visita?

— Acho que sim, porquê?

— Foi ele – disse Lucio dando voltas pela cela – ele vai...

Lucio estava fora do normal, muito agitado e parecia não estar nesse mundo. Ele andava rápido, pensativo, apenas murmurando algumas palavras.

— Pai, o que foi? – disse Draco pela quinta vez

— Foi ele! – berrou – Estou aqui por causa dele!

— Como assim? O que aconteceu?

Lucio num movimento rápido agarrou duas grades e colocou seu rosto entre elas, olhando Draco desesperado.

— Tem que tirar minha mulher da mansão, tem que tirar Ciça de lá! – ele falou baixo – Rodolfo me traiu, ele quer consertar as coisas com o ministério entregando os foragidos – continuou – Ciça não pode vir para Azkaban.

Ele voltou a andar, pensativo, repetindo "ela não sobreviveria", "ela não pode vir". Draco estava em choque, olhava para o pai incrédulo sem piscar. Minha cabeça estava a mil, tínhamos que ir para a mansão, impedir que Narcisa seja levada.

— Ela está lá a muito tempo – comentei pensativa –, não acha que ele já teria a traído?

— Não! – voltou Lucio pra mim – ele me traiu ontem, já deve estar a caminho para pegar Ciça.

Eu o olhei, confusa, sussurrando "ontem?"

— Ontem eu vim para Azkaban, ela deve aparecer aqui a qualquer minuto.

Eu não sabia mais o que falar, Lucio estava surtado, achando que tinha vindo ontem para Azkaban e Draco em choque, eu apenas o balancei, então ele olhou para Lucio e falou como se falasse com uma criança.

— Pai, – falou – o que Rofolfo fez?

— Ele... – Lucio parecia tentar lembrar – o ministério havia chegado, estávamos numa casa, em busca de um comensal, mas Rodolfo pegou minha varinha e me jogou um feitiço desconhecido e depois desaparatou – ele começou a chorar – eu não havia entendido porquê ele fizera aquilo, mas eu me preocupei em fugir, ainda me perguntando como o ministério havia nos descoberto – ele continuou, falando rápido demais – então eu fui desaparatar, mas não consegui, tentei várias vezes, o feitiço que Rodolfo jogou em mim não me deixava desaparatar, então depois fui impedido de tentar por um feitiço de um auror que me apagou. E acordei aqui.

— Lucio — falei num suspiro – eu não sei porque Rodolfo fez isso, mas você está aí a quase um mês, Narcisa está bem, ela ainda escreve pro Draco.

— Vocês tem que salvá-la – ele suplicou e depois olhou para Draco, confuso – você? Você é...?

— O tempo acabou. – chegou o Homem com a capa, com sua voz ecoando o corredor.

Eu e Draco não nos movemos, continuamos a olhar para Lucio, confusos, então o homem se pronunciou mais uma vez, nos convidando a sair do corredor. Eu me virei, sai do campo e disse para Draco "Draco, vamos até sua mãe"

— Draco? – disse Lucio – Draco! Draco meu filho! Me tire daqui, por favor!

Na mesma hora Draco despertou e procurou algo nas vestes, se virando depois para o homem com a capa do meu lado, que segurava duas varinhas na mão. Eu sem tempo para impedi-lo, assisti ele pulando no pescoço do homem, arrancando a varinha de sua mão.

Eu assustada olhava para a cena, com a mão na boca, que um pouco depois do homem falar uma palavra estranha, foi jogado do outro lado da sala por Draco.

— Draco! – gritei – Não faça isso!

Ele apontou para a cela, mas o feitiço pronunciado foi sugado pelo campo de defesa, então desesperado fez mais quatro feitiços, depois olhou para trás, vendo vários dementadores vindo pelo corredor.

— Hermione! – ele me olhou – você sabe como desfazer isso? Você sabe? – ele respirava rápido.

Nessa hora muitas coisas passavam pela minha cabeça, como eu pude deixar ele vir aqui, era obvio que ele se descontrolaria ao ver o pai assim, ainda mais com uma notícia dessas. Como eu pude ser tão irresponsável?

— Eu...eu – meu coração estava acelerado – Draco, vamos atrás da sua mãe, não faça isso!

— Hermione! – ele gritou – Por favor, eu te imploro!

Eu o olhei desesperada, mas logo depois ele foi pego pelo pescoço por um dementador, que começou a sugá-lo. Eu praguejei e depois peguei minha varinha no chão e pronunciei o feitiço que destruía o campo, logo ele quebrou como vidro e depois destruí a cela de Lucio. Lucio saiu de lá cambaleando, e eu olhei para Draco, mas quando fui pronunciar o feitiço, dois dementadores pararam na minha frente e eu cai de joelhos.

O que eu senti foi inexplicável, eu apenas ouvi meus gritos quando fui torturada, e estava ficando sonolenta. Eu não me lembrava de nada bom, era como se minha vida tivesse sido só tortura, choro, tristeza e desespero. Eu sabia que havia algo errado, eu tinha algo bom em minhas lembranças, mas não me lembrava de nada. Então um pouco antes de eu apagar, ouvi a voz de Draco chamando meu nome desesperado, sem saber se era sonho ou realidade.

Notas finais
Sejam sinceros, o que acharam do capítulo? COMENTEM E RECOMENDEM! Beijos