Notas iniciais
Estou adorando as reviews, por favor não parem! Se tiver bastante comentário, posto o próximo capítulo hoje ainda ou amanhã ok? Boa leitura!

POV Hermione

Quando ouvi os gritos fiquei em alerta, entrei com cuidado e com a varinha na mão, olhando para todos os cantos, mas eu não via nada.

Eu estava num cômodo parecido com uma sala, nele só tinha um sofá rasgado no canto, o chão estava sujo e cheio de folhas secas e com apenas um tapete, não havia mais nada ali. Eu não sabia dizer de onde estava vindo o grito, ele estava naquele cômodo, mas não havia nada ali. Eu olhava para todos os lados, toquei nas paredes mas não havia nada, empurrei o sofá e não havia nada atrás e nem embaixo, até que fui até o tapete e quando o tirei, havia um alçapão no chão.

O abri com cuidado e embaixo vi a cabeça de um homem que vestia uma capa, ele estava em pé no cômodo abaixo, com a varinha na mão apontada para alguém. Esse alguém gritava, era a voz de Draco, meu Merlin, Draco.

O homem não ouviu eu abrindo o alçapão, então continuou gritando "Crucio" constantemente. Apontei a varinha devagar e fiz um feitiço não-verbal, pronunciando o feitiço "Estupefaça" mentalmente. O feitiço atingiu o homem que foi jogado do outro lado da sala, desmaiado.

Pulei para dentro do alçapão e parei no chão, tendo a visão de Draco preso numa cadeira por correntes, com o lábio inchado e todo suado, e seu pai num canto, caído desacordado. Era um pequeno quarto, sem móvel algum, apenas cheio de poeira e com algumas teias de aranha.

— Draco! – apontei a varinha em sua direção e disse "Relaxo", soltando as correntes.

— Hermione – ele disse com a voz fraca –, graças a Merlin.

Eu o abracei forte, e ele me abraçou de volta, mas com muita fraqueza e com a respiração ofegante. Eu repetia pra ele "vai ficar tudo bem", até que me lembrei do comensal. Fui em direção a ele e peguei sua varinha, pegando também mais duas que estavam em seu bolso.

— O que eu faço com ele? – Eu disse olhando para Draco.

— Mate-o.

— Claro que não, Draco! – o olhei incrédula.

Olhei para o homem caído no chão, eu nunca havia o visto, não era um comensal conhecido. Não tive outra alternativa, a não ser usar aquele feitiço.

— Obliviate – pronunciei num sussurro.

Me voltei para Draco, que ainda estava na cadeira se recuperando, inclinado para frente, com ânsia de vômito.

— Draco, temos que ir para Hogwarts, lá a madame Pomfrey vai cuidar de você e do seu pai. – Eu havia visto Lucio ali, no chão, mas não tive coragem de tocá-lo. Independente de ser pai de Draco, eu o enojava, o desprezava.

— Não.

— Como não? Quer ficar aqui? Nessa casa?

— Ele não pode ser levado, Hermione, ele também está sendo procurado pelo ministério, para ser levado a Azkaban.

Eu não sabia o que fazer, se não podia levá-lo, o que eu iria fazer? Fiquei parada pensando e prestando atenção em Draco, ate que de repente, segundos depois, algo forte me jogou para o outro lado do cômodo, indo parar próxima a Lucio e batendo a cabeça forte na parede. Minha visão foi ficando escura e depois se apagou.

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— Hermione! Acorda! – Draco estava ajoelhado do meu lado, com a mão em meu rosto.

— O que aconteceu? – eu estava com uma dor latejante em minha cabeça e sentia algo escorrendo pela minha testa.

— Minha mãe, ela te estuporou, achou que era uma inimiga. – ele disse aliviado – Ela havia fugido para procurar ajuda.

— Ajuda?

— Sim, ela trouxe Rodolfo Lestrange.

Nessa mesma hora me levantei num pulo, o marido de Belatrix? Ainda com a varinha na mão apontei para o outro lado da sala, no fundo estava Rodolfo e Narcisa conversando com Lucio.

— Calma, Hermione, eles não vão fazer nada com você.

— Eles não são loucos a esse ponto. – eu ainda apontava a varinha pra eles, e eles me olharam quando Draco falou.

— Mande essa sangue-ruim abaixar a varinha pra mim. – disse Narcisa.

— Cale a boca Narcisa, eu salvei a vida do seu marido e do seu filho!

— Hermione, por favor, acalme-se. – Draco pegou na minha mão com a varinha e a abaixou. Me virou pra ele e me abraçou apertado.

— Que susto que levei, achei que minha mãe havia te matado.

Eu estava com raiva, não queria ajudar Lucio, Narcisa ou Rodolfo, queria sumir dali com Draco.

— Desculpa. – ele disse sussurrando em meu ouvido.

Fiquei calada, e ele pegou meu rosto, me dando um selinho.

— O que é isso, Draco Black Malfoy? – A mãe de Draco gritou, vindo em nossa direção.

— Mãe, Hermione me salvou e salvou meu pai, e... também é minha namorada.

Narcisa gargalhou alto e depois me olhou com nojo, e se voltou para Draco, dizendo "Resolveremos isso depois", e voltou para Lucio, que estava com o rosto mais pálido do que já é, com o olhar fixo ao chão sem pronunciar uma só palavra.

— Vamos levá-lo para a Mansão.

— Lá será mais fácil de achar vocês! – contestou Draco.

— O ministério não nos procura lá a um bom tempo e se for como esse homem diz, – ela olhou para o comensal no chão desacordado – ele é o último vivo fiel a Voldemort, matamos os outros quando vieram atrás de nós. Então estamos seguros lá.

— Tudo bem. – rendeu-se Draco pegando minha mão, e minha visão mudou.

Quando a visão voltou, vi algo que eu não gostaria de ver nunca mais. O lugar, aquele lugar, onde eu fora torturada por Belatrix. Logo apareceu do nosso lado Narcisa, Rodolfo e Lucio, sendo segurado por eles. Eu queria muito ir embora, não me sentia bem na presença deles, principalmente naquele lugar.

— Vamos levá-lo para a cama – disse Narcisa logo depois pronunciado "Mobilicorpus", e movendo Lucio para outro cômodo.

— Draco, quero ir embora – eu sussurrei no ouvido dele.

— Iremos logo, mas preciso saber como meu pai vai ficar.

Ele pegou minha mão e a apertou.

— O que você teve na cabeça em vir atrás de mim? – ele disse me olhando bravo, mas sem raiva nos olhos.

— Não podia deixar você procurar seus pais sozinho.

— Como me achou? – ele dizia colocando a mão na cabeça, com o olhar confuso.

— Me conte primeiro o que aconteceu.

— Bom, depois que te deixei no dormitório ontem fui pegar algumas coisas no meu dormitório e tomei uma porção que eu tinha, que Snape havia me ensinado, de como desaparatar para fora de Hogwarts mesmo com a proteção, não dá para ser usada para entrar. Fui até a floresta e os achei, eles estavam sendo torturados pelo comensal, duelei com ele e minha mãe escapou, mas logo ele me estuporou e quando eu acordei estava preso na cadeira, e meu pai estava sentado no canto da sala. – Ele suspirou – Não tive nem tempo para pensar no que estava acontecendo e ele foi atingido pela maldição crucio. Acabou sendo alvo dela a noite inteira. Quando amanheceu eu fui alvo da maldição, fiquei um tempo lá, mas você chegou. – ele forçou um sorriso – Você salvou minha vida.

— Devia ter pedido minha ajuda, assim não teria passado por tudo isso.

— Nunca! Te pedir ajuda para salvar as pessoas que mataram tantos amigos seus? Não dava, eu te entendo Hermione. Entendo que queira ir embora.

— Posso te fazer uma pergunta? – talvez aquele momento seria o único que eu conseguiria fazer perguntas sobre os Malfoy.

— Sim. – ele acariciava meu rosto.

— Como não foi para Azkaban já que era um comensal?

— Eu fui forçado Hermione, Voldemort ameaçou matar meus pais e a mim. Não virei por vontade própria – disse de forma seca, depois pegou minha mão logo depois – venha.

Draco havia me levado para seu quarto, quando cheguei lá era um quarto enorme, com uma cama de casal com fronha da Sonserina. O quarto era cheio de posters da Sonserina e vários objetos dourados, como ouro, uma escrivaninha mantinha vários troféus dourados, também com algumas fotos e livros. Era luxuoso como todo o resto da casa. Apesar de toda a poeira.

Draco deitou na cama e me chamou para deitar com ele, ficamos deitados de lado, olhando um para o outro.

— Você é tudo o que eu tenho Hermione. – ele disse como um desabafo, mas também senti um fundo desesperado.

Eu sorri e peguei sua mão, ele olhava em meus olhos, seus olhos demonstraram tristeza, preocupação. Não eram os mesmos olhos de ontem, sua preocupação parecia comigo.

— O que você está pensando?

— Não vejo como você pode continuar comigo, olha pra mim, minha vida, minha família. — eu nunca imaginei que ouviria isso dele.

— Nada disso importa mais, só quero ir com você para Hogwarts o mais rápido possível.

— Não sei se vou voltar a Hogwarts.

— O que? – eu me sentei na cama.

— Eu não posso, tenho que ficar com a minha mãe, com meu pai.

— Não, Draco, não faça isso! Tem que seguir sua vida, não pode ficar preso a eles, eles irão se cuidar. – eu senti vontade de chorar, não podia perdê-lo.

— Eles quase morreram, Hermione – ele continuou deitado, não mudou sua expressão quando me viu levantando, era como se ele já esperasse por isso.

— Draco! – eu aumentei o tom de voz e ele me olhou – NÃO! Não faça isso, eles estão salvos agora.

— Eu não sei.

Eu não acreditei, não queria voltar pra Hogwarts sem ele, ele também era tudo o que eu tinha. Eu precisava dele, eu queria gritar, chorar. Mas apenas me levantei e sai do cômodo, o deixando sozinho e andei pela mansão, pensando.

Eu andava em um corredor longo, até que ouvi vozes no fundo dele, eu estava perto do quarto em que Lucio estava.

— Ele precisa ser levado ao St. mungus Narcisa! Ele não irá se recuperar aqui, pelo contrário, ele piorará. – disse Rodolfo

— Não! Não posso, depois de ser curado ele iria ser levado a Azkaban, não posso.

— Prefere que ele morra aqui?

— Ele não irá morrer, eu cuidarei dele.

Eu chegara na porta do quarto e olhei rápido, Narcisa estava com a cabeça baixa, Rodolfo a fitada e Lucio estava na cama.

— Não irei me responsabilizar por isso. — Rodolfo era um homem alto, acabado e com cabelo castanho claro até o ombro, os olhos eram pretos e profundos, era um homem com expressão fria e calculista, parecia não ter sentimentos — O que fará com Draco?

— Ele precisa voltar até aquela escola, lá ele está seguro. Ele não pode ficar conosco se não será culpado por ficar com comensais.

Nessa hora senti um alívio enorme, encostei na parede e respirei fundo. E por isso não vi que Narcisa vinha em minha direção.

— O que está fazendo aqui? — disse ela parando na minha frente.

— Eu só estava andando pela casa. — eu disse num tom desafiador.

— Na verdade, que bom que está aqui, preciso conversar com você.

— Não, obrigada. — eu disse voltando para o quarto de Draco

— Por — ela engoliu seco — favor?

Me virei e olhei em seus olhos, ela estava com olhos preocupados.

— O que quer?

— Preciso que convença Draco a voltar para Hogwarts, eu o conheço, ele vai querer ficar.

— Eu tentei, só você conseguirá — eu disse sem olhar pra ela.

— Preciso também que fique aqui essa noite, sei que é difícil pra você, mas ouvi falar que é muito inteligente, preciso da sua ajuda.

— Porque eu te ajudaria?

— Porque o pai de Draco irá morrer.

— E você não acha que ele merece isso? — eu olhei em seus olhos, a desafiando.

Em um momento ela se encheu de fúria, mas depois de acalmou, sabendo que precisava de mim e tinha que se controlar.

— Sim, eu entendo que pense isso, mas eu realmente preciso de você. Peço que me ajude, pelo Draco.

Eu sabia desde o início que não iria negar, apenas consenti com a cabeça e entrei no cômodo com Rodolfo parado no canto e Lucio na cama. Entretanto, não imaginava como poderia ajudá-lo.

Notas finais
C-O-M-E-N-T-E-M