Notas iniciais
Não vou nem comentar da manutenção do Nyah né, se não escrevo uma página inteira só xingando hahahah Então, senti MUITA falta de vocês! Não deixem de comentar ok? Boa leitura!

POV Hermione

Depois que eu e Draco ficamos abraçados no banho, me levantei e sai, me secando e colocando a roupa de Narcisa.

Depois Draco saiu do box, pegando a toalha que usei e prendendo em sua cintura, indo em direção ao quarto, de mãos dadas comigo. Quando chegamos, ele trocou de roupa na minha frente, sem vergonha alguma, e eu senti minhas bochechas ficando quentes.

Após ele se trocar, Narcisa bateu na porta e disse que a comida estava na mesa. Antes de sairmos, Draco me abraçou e me deu um longo selinho, descendo de mãos dadas comigo até o cômodo do andar de baixo.

Neste cômodo havia uma mesa enorme, cheia de velas em candelabros dourados e algumas flores murchas, haviam pratos e talheres chiques, com taças junto de cada um. Rodolfo já estava sentado lá, e fiz questão de sentar o mais longe possível dele, sentando em sua frente, sendo separada pela mesa e Draco sentou do meu lado.

Não havia nada de especial na janta, acredito que eram apenas algumas coisas que Narcisa havia achado. Mas além de simples era boa, comi e matei minha fome, que estava grande.

— Então essa é a amiguinha sabe-tudo do Potter? – disse Rodolfo me encarando sem medo algum.

— Sim – respondeu Draco por mim.

— Bom, bom, bom... Um Black Malfoy namorando uma sangue-ruim é meio diferente, não? – disse ele abrindo um sorriso torto.

— Não vejo problema nisso, Rodolfo – disse Draco o encarando e largando os talheres no prato.

— Calma Draco, só acho que se sua tia estivesse aqui, ela torturaria essa menina de novo e você depois, por causa dessa traição de sangue.

Nessa mesma Draco se levantou da mesa subitamente e apontou a varinha para a cara de Rodolfo, dizendo "repete o que você disse!".

— Agora trairá os seus familiares também? – disse Rodolfo olhando para a varinha quase encostando na ponta do seu nariz.

Antes que a discussão continuasse, eu me levantei, sem me conter. Draco, Rodolfo e Narcisa me olharam, curiosos. E sai do cômodos sem cerimônia alguma, apenas sai e subi as escadas indo em direção a biblioteca, para procurar o feitiço e sumir daquela casa o mais rápido possível.

Peguei o mesmo livro de antes que estava aberto onde deixei, e voltei a lê-lo. Passou uma, duas horas e nada. Até que para um grande alívio, achei um capítulo com menos de uma página, escrito "Feitiços amaldiçoados que revertem maldições imperdoáveis", meu coração bateu forte e minha respiração parou. Li com toda atenção do mundo, até chegar ao terceiro feitiço, o nome era "cordura", que se eu não me enganava, significava "sanidade" em espanhol. Me levantei num pulo e fui até o quarto em que estava Lucio deitado. Narcisa estava ao seu lado, chorando.

Quando ela me viu, limpou os olhos e se colocou numa postura rígida e forte. Como se não tivesse chorado, e estivesse o tempo todo ali, séria e indiferente.

— Acho que encontrei algo que possa ajudar – eu disse baixo, olhando para o livro.

— MESMO? – disse ela levantando num pulo, esquecendo-se da postura séria. Ela veio em minha direção rapidamente.

— É este – apontei para a escrita "cordura" no livro, o carregando com dificuldade.

Ela tirou a varinha e apontou para Lucio, sem hesitar ou esperar qualquer explicação. Lucio estava do mesmo jeito que eu havia visto na casa perto do lago, olhava para o teto, sem piscar, calado.

— Cordura – disse narcisa com a voz trêmula.

— Narcisa, não! Precisamos estudar melhor sobre as consequências do feitiço! – eu disse quando a vi pronunciando o feitiço.

Uma fumaça de cor escura saiu da varinha, indo em direção a Lucio e entrando em suas narinas. Quando toda a fumaça entrou, ele não se levantou, ou sorriu, ou falou, apenas fechou os olhos e pareceu adormecer.

— LUCIO! – gritou Narcisa indo em direção a ele.

Ela o sacudiu e sem resposta colocou a cabeça em seu peito, depois dedo embaixo do nariz dele. Se acalmando em seguida.

— Está respirando – ela disse num suspiro.

Fiquei olhando assustada para aquilo, e sem coragem de ler os efeitos do feitiço no livro, já estava feito, não tinha mais saída.

Aquele quarto era obviamente do casal, pois era o maior quarto da mansão. Com uma enorme cama de casal com cortinas brancas, ao lado dela haviam dois criados mudos, um de cada lado com abajures. No teto prendia um enorme lustre preto, e na parede tinha uma grande penteadeira, que provavelmente era de Narcisa. Também tinham quadros maravilhosos, alguns deles se moviam, mas todo o quarto era escuro, todos os móveis ou enfeites ou eram pretos ou marrons, o que deixava o clima tenso e sombrio.

— Hermione? – entrou Draco no quarto.

— Oi?

— Você está bem? – ele veio na minha direção – eu te procurei para todo lado, achei que tinha ido embora.

— Eu estava na biblioteca.

— Ah – ele colocou a mão na testa – como posso ter me esquecido de procurar lá?

Ele se sentou no braço da poltrona e colocou a mão no meu ombro, o massageando, e ficamos em silêncio alguns minutos.

— Ciça? – Perguntou uma voz fraca vindo da cama.

Na mesma hora eu e Draco levantamos num pulo, e Narcisa olhou com os olhos arregalados.

— Ah, graças a Merlin! Como está se sentindo? Se lembra de mim, se lembra de tudo? – dizia ela com a voz trêmula.

— Me lembro apenas de ter desmaiado – ele engoliu seco – depois que estava sendo alvo da maldição, e de ter pesadelos terríveis. – Ele a olhou e viu sua preocupação nos olhos – Estou sentindo dores pelo corpo, mas estou bem – ele se esforçava para falar.

— Pai? – disse Draco indo em direção a ele devagar – é um milagre, como...?

— Hermione achou o feitiço. – disse Narcisa o interrompendo.

Ele me olhou e seus olhos brilharam, sorriu e veio em minha direção, me dando um longo selinho, nesse beijo me esqueci de tudo em volta, tinha apenas nós dois ali.

POV Draco

O que seria de mim sem a Hermione? Eu provavelmente estaria morto e meus pais também, é a segunda vez que ela nos salva. Ela era incrível, mas cada segundo ao seu lado eu sentia que estava errado, como se fosse um erro que ela ficasse comigo, eu nunca seria suficiente.

Eu a beijei, sem me importar com a minha mãe ou meu pai, Hermione havia o salvado e nada mais me importava.

Enquanto eu a beijava, ouvi meu pai falando "que merda é ess..." e depois minha mãe o interrompeu, dizendo "shhh". Quando terminei de beijá-la, voltei para meu pai, abraçando-o. Ele forçou um sorriso pra mim e minha mãe conjurou água pra ele, e ele bebeu. Logo depois ela trouxe comida e um pouco de cor estava voltando em seu rosto.

— O que aconteceu? – ele perguntou depois de juntar forças.

Nós explicamos tudo a ele, desde a hora que cheguei na casa, até a hora que minha mãe fez o feitiço. Constrangido olhava para Hermione às vezes, e abaixava os olhos. Hermione estava sentada na poltrona, prestando atenção na conversa, calada.

— Agradeço por isso, Hermione – disse meu pai depois de ouvir toda a explicação.

Ela ficou calada, apenas balançou a cabeça consentindo e permaneceu calada. Parecia que ela estava assustada e apertava o livro em suas mãos com força, as pontas dos dedos quase brancas.

Deixamos meu pai descansar e levei Hermione para o meu quarto, quando chegamos lá ela se sentou na cama e parecia agitada. Peguei um cobertor para cobri-la, e o balancei para tirar a poeira. Coloquei em cima dela, tirando seu sapato logo depois.

— Draco, isso não está certo.

Eu a olhei, sem entender o que ela queria dizer.

— O seu pai não está curado, o feitiço que foi usado não é um feitiço de cura, é como se fosse dar algo para tirar outra coisa em troca. É magia negra.

— Hermione, eu sei que para você isso é assustador. Mas aqui, para nós, a magia negra é algo mais comum, já usamos e não tiveram tantas consequências assim.

— E você não acha que o fato dessa mansão luxuosa estar abandonada, sua família quase destruída e seu pai quase morto há uma hora não são consequências de tudo isso?

Era como se eu tivesse levado um soco no estômago.

Estávamos acostumados em, muitas vezes, resolver as coisas com o lado mais sombrio da magia. Acostumados em termos tudo o que desejávamos ou acreditarmos ser o certo. E, olhando por esse lado, realmente, perdemos tudo. A dignidade, parte da fortuna, a bela aparência dos meus pais, a união familiar, a segurança, a autoestima. Estava tudo destruído. Éramos como essa mansão, vínhamos de uma ideia de riqueza, mas agora éramos antigos, abandonados e empoeirados.

Eu não a respondi, apenas deitei na cama e puxei Hermione para que ela deitasse no meu peito. Ela se aconchegou e senti aos poucos sua respiração ansiosa ficar leve e lenta, ela adormeceu. Mas eu não conseguia parar de pensar nas inúmeras consequências que já tínhamos enfrentado depois de tantas escolhas ruins. Eu já tinha perdido tanto, mas ter ela nos meus braços fazia parecer que qualquer perda fosse pequena. Se um dia Hermione fosse embora eu estaria completamente morto.

Notas finais
C-O-M-E-N-T-E-M