My New Everything - Dramione
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Notas iniciais
POV Hermione
Acordei cedo naquele dia, levantei e fui fazer minha higiene matinal, assustando com minhas olheiras no espelho. Eu havia dormido muito mal. Me vesti com uma roupa confortável, peguei uma mochila e coloquei algumas roupas, dinheiro e tudo o que eu precisaria para alguns dias caso não pudesse voltar rápido.
Hogwarts estava em clima de despedida, o ano letivo terminara. Eu sabia que nesse dia todos se despediriam e teriam um ultimo momento juntos e eu não poderia fazer isso, e estava tirando esse direito de Harry e Ron. Sabia que seria um momento especial, do ultimo dia com todos juntos ali dentro. Mas eu não podia me dar ao luxo em ficar lamentando por isso, eu tinha coisas mais sérias á resolver.
— Não consigo contar nos dedos quantas vezes você teve que sair esse ano pra resolver algo pro Malfoy. — disse Gina descendo o dormitório comigo.
— O que aconteceu com o "Draco"?
— Eu estou com raiva dele, portando, Malfoy.
Eu apenas sorri, sabia que ela também estava brava em não poder ir, sei como Gina é ansiosa e não consegue ficar parada aqui esperando saber o que vai acontecer. E isso a aborrecia. Fomos direto para a sala de Minerva, onde provavelmente Harry e Ron também estariam.
— Bom dia. — disse Harry quando entramos, abraçando Gina.
— Bom dia. — eu disse, provavelmente com a mesma cara horrível que Ron.
Eu por algum motivo, esperava que Draco estivesse me esperando lá também para despedir, mas estava enganada. E isso me deixava mais mau humorada ainda.
— Acabei de saber por uma coruja que Krum está indo para o ministério, não sei porquê, mas tudo aponta que é para denunciar Draco. — disse Minerva.
— Ok — eu disse engolindo seco — então vamos nos apressar. Pelo menos o caminho será mais curto.
— Não façam nada imprudente, — disse Minerva se levantando de sua cadeira — apenas conversem com ele, e caso ele denunciar, teremos que pensar nisso depois.
Ficamos parados um do lado do outro, eu no meio, Harry á minha direita e Ron á esquerda. Então Minerva apontou a varinha e aparecemos fora da área de proteção de Hogwarts. Assim que percebemos onde estávamos, nos entreolhamos, demos as mãos e eu desaparatei para o ministério.
O local estava cheio e agitado como sempre, e fiquei sem graça ao perceber o quanto estava mal vestida para estar ali.
— Onde ele pode estar? — perguntou Ron.
— Departamento de Execução das Leis da Magia. — eu disse indo direto para o elevador.
Em todo nosso trajeto, pessoas olhavam, apontavam e conversavam quando nos viam, ouvi até um dizer "devem ter se metido em alguma encrenca", e eu não o culpo, já que todas as vezes que estivemos ali não foi por boa causa. Com isso eu comecei a pensar em tudo o que passamos, e estar sozinha com os dois me da uma certa felicidade e saudade, passamos por muita coisa juntos e eles nunca saíram do meu lado. Quando chegamos, não tive sinal de Krum, procurei ele por toda parte naquele nível, assim como Harry e Ron. Depois de procurar em tudo, nos sentamos em algumas cadeiras e esperamos.
— Se ele denunciar, — era Ron, ele falava baixo — o que acontece?
Eles me olharam, curiosos.
— Bom, — tentei sorrir — acho que ele seria procurado.
— Você entendeu a pergunta! — disse Ron impaciente.
— Sinceramente?
Eles concordaram com a cabeça.
— Eu vou embora, com ele. — eu disse devagar e os fitei, esperando suas reações.
— Eu não permitiria isso — disse Ron bravo, porém não estava surpreso.
— Eu sei, — olhei para meus pés — mas eu faria mesmo assim.
— Hermione, e nós? E seus pais? — disse Harry, com um tom triste na voz.
— Vocês ficariam bem — forcei um sorriso, tentando controlar as lágrimas — sei que ficariam, e eu amo todos vocês, muito. Mas não posso deixar que isso aconteça com ele.
Eles ficaram calados.
O tempo passou e nada de Krum, então eu decidi procura-lo na entrada do ministério, e eles vieram comigo. Quando entrei no elevador para ir para o salão principal do ministério, o elevador parou no nível 7, e um senhor desceu nele, e quando olhei pra frente, vi Krum num corredor mais longe e meu coração palpitou. Ron gritou "olha ele ali", e nós tampamos a boca dele rapidamente. Antes de reagir, o elevador desceu, então tivemos que esperar ele descer até o salão, e depois voltar para o nível 7. Assim que entramos, ele já não estavam mais no mesmo lugar, então nos separamos para procura-lo, eu caminhava em tudo e reparava que o lugar era cheio de posteres de quadribol tortos nas paredes, tirando todo o tom sério do nível, parecendo mais que eu estava numa loja de artigos de quadribol. Entrei em diversos corredores, o procurando por mais de meia hora por todo aquele local, até ouvir o sotaque búlgaro dele.
Krum estava saindo de uma sala, conversando distraidamente com um homem alto e barbudo. Esperei que ele terminasse sua conversa e me escondi em um corredor pequeno que cruzava com o corredor em que ele estava. Quando ele se despediu, eu me escondi e esperei que ele passasse, o puxando pelas vestes assim que ele passou pelo corredor.
— Herrmione? — ele me olhou confuso — O que faz aqui?
— Precisamos conversar Viktor. — soltei sua roupa, já que ele estava muito próximo a mim, meu rosto estava quase colado no seu peito e eu podia sentir sua respiração.
— Clarro, algum prroblema? — ele parecia confuso, o que me confundiu também.
— Eu queria te pedir, — fechei os olhos — não, eu realmente imploro que não faça o que está pretendendo fazer.
Ele continuou calado, me fitando.
— Não denuncie Draco, por favor. — olhei para o chão, e quando voltei o olhar, ele estava sorrindo.
— Ah — sorriu torto — é isso. — ele olhou nos meus olhos — Que situação hein Herrmione, vir implorrar que eu não denuncie seu namorado por cometer um crime.
Eu fiquei calada, estava brava e preocupada.
— Você merrece coisa muito melhor, — ele pegou no meu rosto, e eu me virei — não entendo porrque se meteu com gente desse tipo.
— Olha Viktor, eu estou aqui apenas para resolver isso, por favor.
— Hermione, eu não o denuncio, — eu o olhei esperançosa — se você me der uma chance.
Nessa hora uma fúria me ocorreu. Como ele podia fazer uma coisa dessas comigo? Eu o olhei furiosa, mas seu olhar não mudou, ele estava firme.
— Viktor, isso não é uma brincadeira. — eu me afastei — Eu estou falando sério!
— Eu também. — ele virou pra mim e encostou na parede.
Eu não sabia nem o que falar. Não era possível que ele pensava que eu do nada largaria tudo pra ficar com ele, mesmo que seja pela liberdade de Draco.
— Krum — respirei fundo — para de insistir em algo que não existe mais. Eu não sinto mais nada por você, e você deve ser cheio de meninas loucas por você, que seriam recíprocas.
— Você não sente porquê está cega Hermione! Você não me deixou aproximar de você em Hogwarts, não me deixou te reconquistar. Além do mais, não existem meninas como você.
— É porquê eu amo o Draco! Eu estou noiva dele, nós vamos nos casar! — eu disse aumentando o tom de voz — E ele não pode ser preso Krum, ele teve seus problemas no passado, mas ele mudou, ele é uma pessoa boa e não merece isso.
— Uma pessoa boa não sai jogando feitiço das trevas nos outros!
— Nem estopora alguém e a tranca no armário todo machucado! — eu disse o empurrando de leve.
— Um feitiço das trevas é bem diferente!
— Não é diferente! Draco só é mais... — parei para pensar em uma palavra — temperamental. — o que o fez revirar os olhos.
— Hermione, eu posso te dar tudo o que você quiser. — ele se aproximou — Eu posso te dar uma vida tranquila, uma boa casa, uma boa família. Seus amigos gostam de mim, você teria tudo o que quisesse!
Como eu iria explicar pra ele que eu não queria nada disso? Que a única coisa que eu queria era Draco, apenas ele e eu. Eu não podia fazer mais nada, se ele denunciasse Draco, nós teríamos que fugir e viver uma vida de fugitivos. Eu fiquei calada e Krum esperava, me olhando curioso. Então ele respirou fundo e falou:
— Hermione? — disse ele pegando em minha mão, que soltei com raiva.
— Krum, não posso. Apenas não o denuncie, por favor.
— Tudo bem. — olhou para o chão e esperou um tempo — Sinto muito Herrmione.
Ele saiu, e eu fiquei ali enquanto as lágrimas escorriam. Era a primeira vez que alguém insistia tanto em mim, mas eu não sentia nada por ele. Se fosse olhar entre Draco, Krum e Rony, Krum seria o melhor marido, a melhor pessoa para ter a vida que eu sonhava tanto enquanto estava em Hogwarts. Mas é estranho como as coisas são, eu não sinto nada por ele, ou por qualquer outra pessoa, minha vida era Draco. E ele seria condenado.
Eu fiquei um tempo ali encostada no corredor chorando, até que ouvi Harry me chamando e vindo em minha direção.
— O que foi? — ele dizia preocupado — Ron! — ele disse chamando Rony que estava procurando em uma sala próxima a nós, que veio logo que ele chamou.
— Eu o encontrei, ele vai condena-lo. — eu disse baixo.
Harry ficou calado, abaixou a cabeça e ouvi ele engolindo seco. Rony limpou minha lágrima com o dedo e ficou um tempo me olhando.
— Vamos para outro lugar. — disse Rony, me olhando com uma pena enorme.
Harry segurou minha mão até a saída do ministério. Eu não sabia o que fazer, eu sabia que se Krum denunciasse, qualquer justificativa ou tentativa seria inútil, eu não queria voltar para Hogwarts com uma notícia dessas, eu não queria voltar para lá, não queria ir para lugar nenhum, eu queria morrer. Assim que saímos do ministério eu desabei.
— Eu tentei de tudo, — eu dizia aos prantos, chorando no meio da rua — eu fiz tudo o que podia. Eu achei que ele nunca mais usaria magia das trevas, e eu nem sequer o culpo, ele não tem culpa de nada.
— Hermione, calma! — Rony me abraçou — Nada está decidido ainda, respira.
— Vamos para algum hotel aqui perto, ela precisa descansar um pouco.
Eu não conseguia parar de pensar na situação, em Draco em Azkaban, com frio, com medo, destruído. Não conseguia pensar em mim morando sozinha, sem ele, sabendo onde ele estaria, e muito menos visita-lo como se isso adiantasse alguma coisa quando alguém entra naquele lugar. Eu simplesmente preferia morrer do que passar por algo assim, do que ele passar. Quando dei por mim, estávamos na recepção de um pequeno e simples hotel. Harry e Rony subiram comigo por varias escadas, abriram uma porta e me sentaram na cama, sentando ambos também. Eu tampava meu rosto com as mãos.
— Me desculpem — eu tentava respirar — não queria que me vissem assim.
— Você não precisa ser tão durona sempre Hermione — era Harry, e ele falava baixo.
— O que podemos fazer para você ficar melhor? — me matem, pensei.
— Apenas me deixem sozinha um pouco, vou ficar bem.
Eles saíram, e eu passei a tarde e a noite naquele lugar. Como eu daria essa notícia para Draco? Como eu olharia em seus olhos, sabendo que teria pouco tempo olhando para aqueles olhos acinzentados, como eu o beijaria sabendo que teria pouco tempo beijando aqueles lábios gélidos. Como eu sequer olharia pra ele, sabendo que depois pouco tempo, ele não seria mais meu Draco, mas uma pessoa morta-viva, louca, vivendo naquele lugar. E por isso que eu sabia que não deixaria isso acontecer nunca, eu fugiria com ele para qualquer lugar, por pior que seja.
Finalmente eu consegui dormir depois de chorar durante horas e acordei com algum barulho do corredor, me assustando com o quarto escuro, já que havia anoitecido. Me sentei na cama e ouvi de novo um barulho, o que chamou minha atenção. Parecia que a madeira estava rangindo devagar, como se alguém estivesse andando naquele corredor bem devagar, não querendo ser ouvido. Procurei minha varinha em minhas vestes. Ouvi o passo mais uma, duas, três vezes, ficando cada vez mais próximo. Até se calar por longos segundos. Então ouvi baixinho, quase inaudível um "alohomora", o que me fez pular da cama e apontar a varinha para a porta, sem enxergar nada. Eu não conseguia ver quem chegara, eu estava praticamente cega, até que dei um gritinho quando alguém me abraçou, e pelo cheiro e pelo frio, era ele.
— Draco? — eu disse baixinho, até sentir sua boca gelada na minha.
Comecei a chorar na mesma hora, sem soltar seus lábios. Envolvi meu braço em sua cintura e a outra mão foi em seu cabelo macio. Meus olhos fechados deixavam escapar diversas lágrimas, em que alguma delas invadiam nosso beijo, meu beijo era desesperado, eu o apertava contra mim como se minha vida dependesse disso, e minha vontade era gritar, era aperta-lo e nunca mais soltar. Ele me beijava da mesma forma, suas duas mãos estavam entre meu cabelo, onde seus dedos fechavam o segurando. Até que paramos devagar e ficamos com as testas coladas.
— Vai ficar tudo bem. — sussurrou.
Mas eu sabia que não ia, de uma forma ou de outra, não teríamos o que sonhamos, uma vida de verdade juntos. Ele me soltou e acendeu a luz, vindo até mim novamente e se sentando na cama, me puxando junto a ele e limpando minhas lágrimas.
— Achou mesmo que eu ficaria em Hogwarts?
— O que vamos fazer? — eu disse já chorando de novo.
— Não "vamos" fazer nada minha linda. — ele sorria com a boca fechada, olhando para meu cabelo, para meu rosto, para meus lábios.
— Você não vai fugir sozinho! — eu o olhei aborrecida.
— Não vamos fugir.
— Se não fugirmos, você vai ser preso!
Ele não falou nada, apenas olhou para minha mão e ficou brincando com o anel prateado com uma pedra verde nela, respirando devagar, parecendo segurar ou tentar controlar sua respiração.
— Você não tá dizendo que...
— Sim. — ele disse baixo.
— Tá louco? — tirei minha mão da sua.
— Vou arcar com as consequências sozinho.
— E você acha que eu não fugir com você vai me fazer melhor do que "viver" a minha vida sabendo que você está nesse lugar? — o olhei nos olhos — Você acha que eu sequer viveria?
Ele ficou calado, parecia pensar em o que eu dizia, então respirou fundo e finalmente disse algo.
— Hermione, tente entender. Por favor.
— Draco, eu não consigo viver sem vo...
— Eu te amo — ele tocou meu rosto — vou sentir falta de você, mais do que respirar, mais do que viver. Você é tudo pra mim.
Ele parecia querer se despedir, e antes que eu dissesse alguma coisa ele já estava chorando.
— Hermione, olha pra mim! — eu olhei, e seus olhos estavam cheios de lágrimas. — Você acha que vai aguentar olhar pra esse mesmo rosto daqui uns anos, fugitiva, vivendo uma vida medíocre, sem sentir nojo? Eu já mal consigo me olhar no espelho, se eu fizer isso com você, se eu fizer você largar tudo por mim, eu não me suportaria.
— Draco, você não está fazendo nada! Eu quero, eu quero você custe o que custar.
Ele riu, e disse baixo "o custo é alto demais para ficarmos juntos".
— Estou disposta a pagar o preço.
— Mas eu não, — ele me abraçou — você merece tudo de melhor nesse mundo.
Então quando eu fui dizer algo, eu ouvi ele sussurrar, dizendo "obliviate", e antes que eu pudesse reagir, tudo ficou escuro.
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