My New Everything - Dramione
41 Amnesia
Notas iniciais
POV Hermione
Aquela dor de cabeça terrível me acordou, num quarto pequeno e simples, onde eu estava? Foi a dor de cabeça que me acordou, ou foi... a voz na porta daquele quarto?
– Hermione? — acho que era a voz de Harry.
– Oi? — eu disse me sentando e colocando a mão na cabeça, ela estava estourando.
– Tudo bem? — Disse entrando.
– Eu bebi ontem, ou algo do tipo? — acho que eu estava com algum tipo de amnésia.
Toda vez que eu fechava o olho, eu via algo cinza no fundo da minha mente, que eu não sabia distinguir exatamente o que era.
– Não que eu saiba — Harry olhou para Ron, que o olhou confuso também.
– Hermione, — Harry caminhou até minha cama e se sentou, pegou minha mão, olhou em meus olhos — ele já está sendo procurado, mas pelo menos é para julgamento.
– Vimos nos jornais hoje de manhã. — era Rony, sem conseguir olhar pra mim.
Será que estavam falando de algum comensal perdido, de alguém que eu sinceramente não me lembrava?
– Quem? — minha cabeça doía de uma forma que eu mal conseguia pensar.
– Draco? — Harry me olhava como se eu fosse um alienígena.
– Draco Malfoy? — eu olhei com as sobrancelhas franzidas, e de uma certa forma esse nome aumentou minha dor de cabeça — A família dele não tinha sido inocentada?
– O que? — era Ron — Você bebeu mesmo ontem?
– Draco, Hermione — Harry me olhou confuso — está sendo procurado, para julgamento.
– E...? — eu queria saber o porquê de estarem me contando isso, eu não via Draco desde a guerra em Hogwarts.
– Ron — Harry olhou pra ele e ficou de costas pra mim, e começou a cochichar, até eu ver Ron arregalar os olhos e me olhar, e eles saíram ás pressas do quarto.
Eu ignorei a atitude dos bobões, me levantei e fui até a pia lavar meu rosto. Tentava recapitular minha mente, bom, pelo o que eu lembro, estamos em um motel próximo ao ministério. E viemos aqui para...para, hum, para conversar com Krum! Mas pra que? Bom, Krum, quadribol, deve ter sido para falar sobre Gina, para ele ajudar na influência dela no mundo do quadribol... Sera que era isso? Alguma coisa estava faltando, alguma coisa importante. Que fome!
– Hermione! Pra que viemos aqui? — era Harry, e ele não estava num estado muito normal.
– Hum, foi pra, falar de Gina — fechei os olhos — pro Krum? — o olhei esperançosa.
– Isso, — ele sorriu forçado — já volto.
Fui até minha mochila e peguei uma roupa, levando até o banheiro e me trocando. Tinha algo me incomodando muito, algo MUITO importante faltando. Mas como eu poderia esquecer algo tão importante assim? Deve ser coisa da minha cabeça.
– Vamos embora? — eu disse pegando minha mochila e os encontrando conversando assustados no corredor.
– Va-vamos! — Rony ainda mantinha os olhos arregalados.
– O que foi? — revirei os olhos — Falem logo!
– Na-nada! Vamos embora pelo amor de Merlin! — Rony desceu as escadas.
Assim que estávamos voltando, fomos para um portal que nos levaria próximos aos arredores de Hogwarts, dentro do ministério. Aquele sentimento de algo faltando não saia de mim, eu mal mal conseguia me concentrar, e a dor de cabeça não ajudava.
– Gente, será que eu esqueci algo?
– Você só trouxe sua mochila Mione. — Harry.
– Mas eu sinto que esqueci algo, importante! — então olhei em minhas vestes, mas minha varinha estava ali.
Eles se olharam e continuaram andando, sem falar nada. Aquilo estava me irritando. Quando passamos pelo portal dentro do ministério, chegamos nos arredores de Hogwarts e Harry mandou um patrono para Minerva, que desaparatou do nosso lado e nos levou para sua sala rapidamente, em questão de segundos.
– Draco sumiu ontem, — Minerva parecia preocupada, e assim que ela disse "Draco" minha cabeça deu uma fincada — vocês viram os jornais? — ela disse entregando o jornal para mim.
Antes que eu pegasse, Harry o tomou da mão de Minerva e olhou pra ela, então ela o olhou de volta sem entender. Mas vira que tinha algo estranho com eles, o que eu estava tentando entender desde que acordei.
– Hermione, posso conversar com a Minerva a sós? — eu concordei e saí — Mas Hermione! — voltei — Espere no corredor. — pediu Harry.
O que esses meninos estavam tramando? Estavam estranhos desde que acordei, não queriam conversar direito e agora essa com a Minerva? O que estava acontecendo, o que eu perdi? Ainda mais esse ano parado da forma que foi, eu apenas estudei, estudei e estudei, o que eu poderia ter perdido, justamente no ultimo dia em Hogwarts?
POV Harry
– Como ele pode ter feito isso? As pessoas irão perguntar dele o tempo todo, ela vai saber que parte da memória foi apagada, não tem como! — eu queria quebrar algo.
– Malfoy foi irresponsável mais uma vez, — Minerva andava de um lado para o outro, nunca havia visto ela dessa forma — mas ele sabia que assim ela sofreria menos.
– Será que ele vai se entregar? — Ron disse finalmente.
– Eu não sei — ela se sentou na cadeira, praticamente se jogando — eu achava que o namoro deles seria uma inspiração, e por um lado até foi — ela parecia querer chorar, o que estava me deixando sem graça — mas a vida da garota foi destruída.
– Eu não penso dessa forma — respondeu Rony depois de segundos de silêncio. — Ele deu uma segunda chance pra ela, se ele não fizesse isso, ela o procuraria até morrer.
– Não é fácil assim Rony. — eu queria chorar, não acreditava que as coisas pra ela só estavam piorando — As pessoas irão perguntar dele, estará tudo estampado nos jornais, ela vai saber que algo está errado!
– Vamos jogar um obliviate coletivo no mundo inteiro pra esquecerem dele então! — eu o olhei, e não soube realmente se ele estava brincando ou falando sério, sorte que Minerva o ignorou.
– Vocês terão que cuidar dela, ajuda-la a seguir em frente. — Minerva dizia devagar — Eu sinceramente não sei o que será agora.
Uma fúria me ocorreu naquela hora. Como eu pude deixar tudo isso acontecer? Eu devia ter cuidado dela melhor, eu devia ter prestado atenção nela, devia ter procurado Malfoy aquela noite para resolvermos as coisas de uma forma melhor. Eu precisava ve-la. Corri para a porta e antes de sair disse para Rony "Você vai ter que passar umas horas com ela, eu vou tentar explicar a situação para o máximo de pessoas em Hogwarts" e fui até o corredor, mas ela não estava lá, e meu coração palpitou. Se alguém a visse iria perguntar de Draco, ela perceberia assim que mais uma pessoa perguntasse dele.
– Hermione? — gritei correndo pelos corredores.
– Aqui! — ela estava num corredor que cortava o corredor da sala de Minerva.
– Ah Merlin, não faça isso de novo! — eu disse ponto a mão no peito.
– Isso o que? — ela me olhou como se eu fosse um louco.
– Nada! Rony está te chamando. — eu disse e ela voltou para a sala de Minerva, então fui correndo para a sala comunal.
Assim que entrei, vi os cabelos lisos e ruivos de Gina, ela estava sentada numa poltrona. Fui direto até ela, a abraçando apertado, eu não sabia o que fazer e ela me ajudaria.
– Oi am...- ela me olhou — O que foi Harry?
– Não sei por onde começar. — eu dizia tampando o rosto.
– Eu sei sobre Draco, Minerva me falou. — ela disse pegando minha mão.
– Aconteceu algo pior.
– O que? — ela ficara preocupada.
– Acredito que Draco tenha visitado Hermione enquanto ela estava no quarto do hotel, e bom, — respirei — ele a enfeitiçou com obliviate.
– O que? — Gina se levantou e estava ficando da cor do cabelo — Como ele pode?
– Mas Gina, imagina ele foge e a deixa pra tras? Ou é preso? Ela perderia a vida o procurando ou sofrendo. Eu entendo o lado dele.
– Mas Harry, pra ela esse ano, esses dias, tudo foi diferente! Como as histórias vão bater?
– Eu não sei, precisamos inventar alguma mentira, ou contar toda a verdade. Ou apenas deixar que ela venha até nós nos perguntar.
– Nós não sabemos nem desde quando ela se lembra, desde quando na mente dela tiveram acontecimentos verdadeiros. — Gina andava por toda a sala.
– Provavelmente desde o começo do ano, que foi quando ela o reviu — comecei a pensar em como deve ter sido o ano na mente dela — sorte que hoje é o ultimo dia em Hogwarts, temos que ir logo para o trem e prende-la dentro de uma cabine.
– O trem sai daqui umas quatro horas, vamos trazer ela pra cá!
POV Hermione
Minerva estava estranhamente me dando dicas para quando eu fosse no ministério fazer minha entrevista, me explicando como eu devo falar as coisas e como devo lidar com Kingsley, Rony estava sentado do meu lado calado e me olhava estranhamente as vezes. Então a porta bateu, e Harry e Gina entraram e me chamaram para voltar para a sala para arrumar minhas malas.
Enquanto eu arrumava minha mala, eu sentia aquele sentimento de ter esquecido ou perdido algo, por isso eu estava arrumando tudo com muito cuidado para que não esquecesse nada. Foi nessa hora que quando peguei algumas roupas, vi uma marca clara em meu dedo na mão direita, como se tivesse um anel ali que não deixara aquela parte do dedo tomar sol, e veio na minha mente a lembrança de um anel verde, ou era uma pedra verde? Então nessa hora minha cabeça doeu muito e eu tive que por a mão nela e apertar para controlar a dor, eu havia ficado tonta e mal conseguia pensar, então esperei ela passar devagar até meus olhos conseguirem ser abertos.
– Hermione? — Gina correu até mim — Tudo bem? — ela pegou em minha cabeça e tirou minha mão.
– Sim, — eu disse com dificuldade — mas estou tendo umas dores estranhas de cabeça.
– Vamos arrumar suas malas, depois te levo na enfermaria.
Gina me ajudou a arrumar tudo e em uma hora já estava tudo pronto. Quando terminamos, ela não me deixou ir almoçar no salão principal, por isso ela trouxe comida pra mim e insistia que eu ficasse de repouso na cama, mesmo eu dizendo que a dor de cabeça já tinha passado. Harry vinha de 10 em 10 minutos ver se estava "tudo bem", e me olhava de uma forma estranha. Tudo isso por causa de uma dor de cabeça?
O resto do dia passou rápido e deu a hora de irmos, era nosso ultimo dia em Hogwarts e finalmente havíamos conseguido. Nos formamos e agora iriamos seguir nossas profissões e começar uma vida de adultos de verdade, mesmo que por algum motivo nada disso estivesse me animando muito. No caminho de volta, deitei em toda uma poltrona de uma cabine, caindo no sono. Eu esperava descansar, mas aquela coisa cinza no fundo da minha cabeça estava começando a se formar em meio a escuridão, estava tudo escuro, mas algo cinza, como uma memória começava a aparecer, e eu sentia minha cabeça doer ao forçar aquilo, que aos poucos pedaços estavam se juntando, até formarem algo redondo, como órbitas cinzas. Foi aí que eu vi que era um par de olhos cinzas, e nessa hora minha cabeça zuniu e eu acordei na mesma hora. Parecia que tinha algo prensando de dentro para fora na minha cabeça, e ela iria explodir a qualquer momento. Meu olhos mantinham fechados, minha mão estava na minha cabeça e eu não sabia bem se estava gritando muito alto ou gemendo, mas eu ouvia pequenos ruídos chamando meu nome, bem distante. Fui mantendo aquela posição, até que a dor passara devagar, e quando abri os olhos, Harry, Gina, Rony, Neville, Simas, Dino e acredito que todo o resto da turma da grifinória estavam me olhando, dentro da cabine. Acho que não foram gemidos. Por um tempo ficaram todos me perguntando o que tinha acontecido, se eu havia melhorado e se eu estava bem, mas depois foram saindo aos poucos e só ficamos eu, Gina, Rony e Harry.
O resto da viagem foi tranquilo, a não ser pelo fato de que Harry, Gina e Rony ficaram me encarando o tempo todo, sem me deixar dormir. Assim que desci com as minhas malas, eu esperava encontrar meus pais, que haviam sido curados pela mãe do Malfoy, em compensação de termos os ajudado no tribunal. Os procurei no lugar que sempre me esperavam, mas eles não estavam ali. Será que não se lembravam onde era?
– Pedi minha mãe que procurasse seus pais — era Gina percebendo que eu os procurava — eles virão para A'Toca essa semana, enquanto isso você vem pra nossa casa! — Gina sorria.
Eu não entendi o porquê dela fazer isso, mas eu não perguntei pois não queria ser grosseira. Mas não era meio obvio que eu estava praticamente louca para ver meus pais? Mas apenas ignorei e fui cumprimentar os pais Weasley.
– Oi Molly — a abracei — Oi Arthur! — o abracei também.
– Não esqueceu de alguém? — era George, então o abracei forte.
A'Toca não mudara nada, era a mesma casa enorme e simples, porém fantástica. Rony subiu com as minhas malas para o quarto de Gina, e Molly me levou as pressas para a mesa para comer, ela dizia que eu estava muito magra e com uma cara de doente. O tempo todo eu mal conseguia concentrar em nada, o tempo todo eu sentia uma sensação estranha, como se algo estivesse errado, como se tudo aquilo fosse uma realidade paradoxa e aquela não fosse minha vida, eu estava me sentindo completamente vazia.
POV Draco
Eu simplesmente não conseguia nem chorar de tão desesperado que eu estava, não pelo fato de estar sendo procurado ou por estar todo ferrado, mas só de pensar que ela não deve nem sequer lembrar de mim, era como se o meu coração estivesse sendo arrancado á força do meu peito. Era o certo a fazer, eu sabia que era. Se eu fosse preso, ela nunca seria feliz, eu conheço a Hermione e ela é uma das pessoas mais intensas que existe, ela não seguiria em frente. E se eu fugisse, ela me procuraria até morrer, ou até achar que eu não gostava dela e desistir, ficando decepcionada comigo para sempre. E eu não sabia qual desses era pior, e acima de tudo eu queria que ela fosse feliz, e depois de tudo isso, eu não conseguiria faze-la feliz ou dar o que ela merece. Ela merecia uma segunda chance sem mim.
É estranho como ela pode ter sido a melhor coisa que já me aconteceu nessa vida, sem dúvida. E eu ter sido a pior que aconteceu na dela. Eu não sabia como eu conseguiria viver sem ela, como viveria fugindo para sempre. Depois que deixei Hermione no hotel, aparatei para a mansão e fui pegar alguns pertences, depois fui para uma cidade próxima para ficar alguns dias, um pequeno hotel escondido no meio do nada. Eu ainda estava indecidido entre fugir ou encarar toda a situação, mas eu estava cogitando em simplesmente deixar que eu seja preso, e deixar que as consequências caíssem sobre mim. Eu não tinha mais nada a perder.
Eu não dormia a dois dias, não conseguia comer e mal mal conseguia pensar em algo além disso, ou nem querer tentava. Eu tinha jogado tudo no lixo, Hermione, a profissão que havia conseguido conquistar, um futuro, meus sonhos, tudo. Eu era nesse momento só a carne, os ossos, a pele, meu interior estava totalmente destruído. Não havia restado nada que me fizesse querer viver.
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