Notas iniciais
Não deixem de comentar! Boa leitura.

POV Hermione

Eu acordei confusa, como fui parar ali? Foi aí que lembrei da minha conversa de madrugada com George.

Flashback on

Levantei, já que como não conseguia dormir iria comer aquele bolo maravilhoso de Molly. Desci as escadas silenciosamente para não acordar ninguém, os rangidos da madeira da Toca eram como marteladas. Assim que cheguei na cozinha e ataquei a geladeira, ouvi uma risada de longe e quando olhei por cima da porta da geladeira, George me olhava sorrindo sentado na poltrona da sala.

– Com fome?

– Sem sono. — eu disse indo até ele com um pedaço de bolo na mão.

– Entendo.

Me sentei na poltrona em frente a sua, era aproximadamente 3 horas da manhã e George estava com uma foto nas mãos, era ele e Fred com os braços no ombro do outro, sorrindo de bochecha á bochecha e eu nem sequer sabia dizer quem era quem ali. Eu não falei nada, imaginava como devia ser as pessoas perguntarem o dia inteiro como ele estava, sabendo que provavelmente estava muito mal, pior do que qualquer um pudesse imaginar. Quando olhei para o seu rosto pude ver nitidamente as olheiras fundas e escuras debaixo dos olhos, seu semblante era triste e ele não parecia a mesma pessoa, aparentava mais velho, e eu nunca imaginei que veria um dos gêmeos tão triste.

– Quantas noites você não dorme? — eu disse olhando em seus olhos.

– Algumas. — ele olhava para meus olhos também, sorrindo de lado. Seus olhos esverdeados pareciam não ter luz, ou estavam muito cansados.

– Não consigo nem sequer imaginar sua dor. — eu disse baixo, quase sussurrando.

– Obrigado — ele disse baixo, e eu o olhei confusa. — As pessoas costumam dizer "eu imagino o que está sentindo", ou me forçam a ficar bem, mas acho que é algo que ninguém conseguiria entender.

Ele parecia estar soltando um peso das suas costas. George estava desabafando comigo?

– Ninguém sabe como é se sentir totalmente incompleto — ele me olhou — como se o tempo todo eu só fosse metade, como se o tempo todo algo estivesse faltando e algo estivesse sendo esquecido.

Eu prestava atenção em cada letra de cada palavra que ele falava, e meu coração estava palpitando e minha respiração parecia querer parar.

– O tempo todo eu sinto que tem algo faltando, como se eu estivesse vazio, — ele olhou para a foto — é complicado.

Eu me levantei e sentei junto a ele, me encaixando na poltrona, então o abracei forte e ele me abraçou de volta. Eu sabia exatamente o que ele estava sentindo, só não sabia porquê, mas agora eu percebi que algo estava muito, muito errado. George não chorou, mas ficou muito tempo abraçado comigo, seus braços grandes me envolviam totalmente, e parecia mais que ele estava me abraçando, já que eu estava com a cabeça em seu peito. E estranhamente eu dormi, ali no aconchego de alguém que estava precisando do meu abraço.

Flashback off

Acordei já era tarde, eu havia sonhado que estava na casa dos Malfoy, na enorme biblioteca de lá que estranhamente eu nunca havia ido, sonhei que estava tentando ajudar os Malfoy a procurar um feitiço, um sonho muito real por sinal. Mas afastei aquele sonho estranho da minha mente e comecei a pensar na minha conversa com George. Como ele pôde descrever exatamente quase tudo o que eu tenho sentindo nesses últimos dias? Todo o tempo eu me sinto incompleta, todo tempo vazia e todo tempo parece que algo está faltando, que algo está sendo esquecido. Como eu posso sentir o mesmo sentimento de alguém que perdeu um gêmeo, de alguém que perdeu quase a outra metade como George? Eu simplesmente não conseguia decifrar aquilo, e eu mal havia acordado e já estava enlouquecendo.
Eu precisava conversar com alguém, perguntar ou esclarecer algo. Mas eu sabia que não conseguiria tirar nada de Harry ou Rony, eles estavam estranhos todos esses dias e eu sabia que podiam ter a ver com toda essa confusão, que eu nem sabia se era mesmo real.

– Bom dia! — Molly estava preparando o café da manhã.

– Bom dia Molly, — sorri — cadê a Gina?

– Foi no jardim colher algumas mexericas.

Murmurei um obrigada e fui até ela. Gina estava colhendo as frutas cantarolando, seus cabelos lisos cor de fogo caiam nos seus ombros e balançavam junto ao vento, ela parecia feliz. Eu também estaria caso voltasse pra casa formada, com meu namorado e com um futuro certo.

– Bom dia dorminhoca!

Eu apenas sorri, e ela percebeu que algo estava errado.

– Tem algo errado?

– Ah — eu olhei em volta — na verdade, nem eu sei.

O dia estava lindo, o céu estava azul e com poucas nuvens, o sol raiava mas não estava calor, já que batia um vento fresco no jardim. Gina caminhou até mim enquanto descascava uma mexerica, me entregando um gomo e comendo outro, me olhando séria esperando que eu falasse.

– Eu tenho sentindo algo — eu olhava para os lados, sem saber me explicar — tão estranho. E eu me sinto tão infeliz, e os meninos estão tão estranhos e...

Eu olhava para os meus pés e brincava com a grama debaixo deles, eu não tinha nem justificativa para a confusão que estava minha cabeça.

– Eu não sei — sorri — acho que é coisa da minha cabeça, deixa pra lá. — dei uma pequena gargalhada meio sem graça.

– Hermione — ela respirou e tentou pensar em o que dizer também — eu não sei o que está sentindo mas, como amiga eu acho que você devia seguir sua vida, seguir seus sonhos, como sua profissão — ela pegou na minha mão — porquê você não vai no ministério e conversa com Kingsley?

– Esse também é um problema, eu não sinto vontade de nada disso, eu não sinto vontade de seguir, eu não sei explicar.

Ela já não olhava em meus olhos mais, Gina também estava estranha, não era só Harry e Rony. O problema será que era eu? Talvez eu tenha virado um fardo para eles, terminei com Rony, fiquei sem meus pais, sem casa, e agora não quero nem sequer seguir minha profissão. Será que eu estava sendo um peso para eles? Eu precisava voltar para casa, para a minha família.

– Quando meus pais vêm?

– Eu não sei — ela me olhava com as sobrancelhas franzidas — assim de puderem.

– Entendi — sorri — vou ajudar Molly no café! — eu disse saindo quase correndo, querendo sair daquele clima.

– Hermione! — ela correu até mim, e eu tive uma ponta de esperança de que toda a confusão seria esclarecida naquele momento — Você sabe que essa é sua casa, não é? Bom, não tem porquê você voltar para a casa dos seus pais, você precisa ficar aqui, — ela olhou em meus olhos — com os bruxos...

– Gina, eu agradeço de verdade, e eu amo aqui, mas eu já fiquei tempo demais. Preciso procurar o meu lugar.

Ela apenas sorriu e disse baixo "tudo bem". Gina parecia preocupada, assim como Rony e Harry. Assim que entrei na casa, estavam todos tomando café, e eu sinceramente senti vontade de fugir para não ficar sendo alvo dos olhares preocupados de Harry e Ron, que mesmo que tenham diminuído, ainda aconteciam. Mas ainda sim eu fui e me sentei do lado de George que sorriu quando me viu.

– Bom dia. — ele disse num tom irônico, quase embutido um "você dormiu no meu peito ontem e eu tive que te carregar até sua cama". O que provavelmente me fez corar.

– Bom dia George. — o olhei arqueando as sobrancelhas.

– O que vai fazer hoje? — ele disse olhando pra mim e ignorando todos em volta.

– Provavelmente nada — eu disse respirando fundo — e você?

– Quem sabe não sofrer um pouco mais — ele disse sorrindo, o que era uma verdade, mas eu sorri de volta com uma grande satisfação de saber que teria uma companhia para sofrer hoje também.

– Posso sofrer com você? — eu sussurrei para ele um tempo depois.

– Seria um prazer ter você de companhia! — sussurrou de volta.

Eu e George fomos no lago próximo á Toca naquele dia, ele disse que costumava passar o dia lá para fugir das preocupações de Molly, e que ali o fazia bem. Nós levamos uma cestinha de frutas e sentamos debaixo de uma arvore, George conjurou uma toalha grande e deitamos dela, olhando para o céu.

– E então, você já decidiu o que vai fazer? — ele dizia ainda olhando para cima.

– Bom, a ideia era trabalhar no nível um, mas para isso eu preciso ir lá conversar com Kingsley.

– Entendo — ele riu — a ideia também era manter a Gemialidades Weasley, mas para isso eu preciso frequenta-la.

– Você não tem ido?

– Já tem um tempo. — ele me olhou com as sobrancelhas franzidas.

– Mas George, você vai deixar a loja?

– Eu não sei, não consigo saber nada ultimamente.

– George — me sentei — vai deixar pra lá a coisa mais importantes que você e Fred construíram?

Ele parou de me olhar assim que eu disse o nome, e continuou fitando o céu.

– Você está sofrendo, mas não pode simplesmente jogar a loja no lixo!

– A Hermione está de volta! — ele disse sorrindo. — Eu sei, mas eu não consigo ficar lá, sozinho, sem ele.

– Eu posso ir com você. — eu disse sorrindo — Estou atoa!

Ele sorriu e falou "eu adoraria" olhando pra mim de forma carinhosa, então me puxou e fez com que eu deitasse a cabeça em seu braço, olhando céu também. Ficamos um tempo daquela forma, eu podia sentir o cheiro dele de perto, que eu nunca havia sentido. Eu nunca havia ficado tão próxima de George.

x

Naqueles dias a unica pessoa que eu suportava ficar perto era George. Eu sentia que ele era o único que me entendia, mesmo que não soubesse realmente o que eu estava passando, era o único que eu ficava confortável. Passavamos os dias juntos, no lago, no jardim ou apenas no quarto dele conversando. Até que chegou o dia em que ele me acordou cedinho, fazendo um leve carinho no meu braço e chamando pelo meu nome.

– Hermione? — sussurrava bem próximo ao meu rosto.

– Oi? — eu disse devagar, quase sem voz.

– Pensei em irmos hoje na loja — ele disse baixinho, o que me despertou.

– Claro! — sorri, sentando e esfregando os olhos. — Que horas?

– Bom, — ele se levantou, já que estava abaixado para me acordar — eu pensei em irmos agora.

Eu apenas sorri e disse que iria me arrumar, então ele saiu do quarto e eu me levantei indo direto para o banho. Eu realmente estava precisando sair um pouco da Toca, já que a cada dia eu esperava ansiosa para meus pais chegarem e assim eu pudesse ir pra casa, mas eles nunca chegavam, e minha distração estava sendo George. Quando saí do banho e voltei para o quarto, tinha uma coruja parada na janela de Gina e eu a peguei. Assim que coloquei a carta no criado perto de sua cama, reconheci a letra que falava o destinatário, era a letra da minha mãe. Por que ela escreveu para Gina?

– Pronta? — George bateu na porta.

– Quase! — eu disse baixo, sem tirar os olhos da carta.

Eu me senti extremamente tentada em abrir aquela carta, o que tinha escrito ali? Porquê meus pais estavam escrevendo pra Gina e não pra mim? Eu não aguentava mais, não só o fato de estarem estranhos, mas eu me sentia estranha desde o dia que acordei naquele hotel. Eu precisava ler aquela carta, mesmo o quanto errado aquilo parecia. E bom, assim que terminei de ler, aquilo só deixou as coisas mais confusas ainda.

Notas finais
Desculpem a demora, mas com poucos comentários eu fico tipo MUITO desanimada pra escrever kkk e eu tava ocupada com a faculdade também. Mas então, tentem comentar dessa vez ok? ♥ E obrigada para as lindas que comentaram, o Cap é pra vocês.