My New Everything - Dramione
43 Distracted
Notas iniciais
POV Hermione
— O que você tem? — George me olhava preocupado — Está mais pensativa que o normal.
— Nada... — eu disse sorrindo e afastando o pensamento, para que ele não percebesse.
Nós caminhávamos pelo Beco Diagonal até chegar na rua em que se encontrava a loja. Mesmo que os enfeites de fora estivessem empoeirados, que tudo esteja desligado, ainda era a loja mais chamativa dali. Eu amava aquela loja, amava eles terem conquistado isso e amava o fato de estar ajudando George a reabri-la.
— Teremos muito trabalho. — ele disse suspirando.
O Beco como sempre estava agitado, pessoas iam de um lado para o outro, entrando e saindo das lojas. Então entramos dentro da loja e por um tempo limpar tudo e organizar me ajudou a esquecer da carta. Mas apenas por um tempo. Começamos a organizar algumas coisas que estavam fora do lugar, e eu vi de longe George tirando todos os espelhos da loja, todos. Enquanto tirava ele mal mal conseguia olhar através deles. Assim que terminamos a rápida arrumada dentro da loja, saímos para a frente da loja e apontamos a varinha e lançamos feitiços de limpeza para os enfeites de fora, que George conhecia basicamente todos.
— Sempre foi uma loja muito grande, — ele riu — não tinha paciência de limpar, então eu e Fred tivemos que aprender esses feitiços.
Assim que ele terminou a frase, seu semblante mudou. As vezes ele falava de Fred sem querer, mas o efeito sempre era o mesmo. Ele sempre se abatia.
— George — o peguei pela mão -, vem aqui.
O puxei para dentro da loja, e ele me seguiu com a sobrancelha franzida. Me sentei na escada e pedi que ele sentasse também. Então eu peguei sua mão e de frente para ele olhei em seus olhos.
— Olha, é inimaginável sua dor, — eu respirava devagar — e vai sim demorar muito para você superar tudo isso. Mas não faça de Fred uma lembrança ruim.
Ele abaixou a cabeça, e eu levantei pelo seu queixo.
— Eu sei que não ter ele aqui deve ser a pior coisa do mundo, mas não deixe que ele suma, fale dele, ele é uma parte de você. Falar dele, lembrar dele é bom porque significa que ele realmente esteve aqui, e agora deixou isso tudo para você cuidar.
Seus olhos encheram de lágrimas, ele não chorava realmente, elas só escapavam. Mas ele me ouvia atentamente.
— O Fred já é uma lembrança viva em você — eu sorri — vocês são idênticos — ele riu — não tem por que não lembrar dele de outras formas. Se você falar dele, lembrar dele e não ficar triste, a dor será só da saudade, entende? Mas lembrar, falar dele, isso não deveria doer.
— Você está certa — ele disse me olhando, então levou suas mãos cumpridas e brancas para o meu cabelo e tirou uma mecha do meu rosto — que bom que você tem ficado na Toca esses dias.
Nessa hora eu lembrei da carta de Gina, então minha mente foi para outro lugar, e George percebeu.
— O que foi?
— Não é nada, — eu sorri — vamos terminar de arrumar as coisas!
Passamos o dia arrumando, organizando e limpando a loja, e infelizmente não teve como abri-la naquele dia, mas estávamos ansiosos para abrir as portas das Gemialidades Weasley no dia seguinte. Já havia anoitecido e estávamos saindo da loja. Enquanto George trancava a porta, vi um jornal jogado no chão próximo a porta. Assim que peguei, na capa havia uma manchete escrita "Draco Malfoy aparece para Julgamento" e havia uma foto do seu rosto estampado. E naquela hora eu mal conseguia me lembrar o que havia acontecido, assim que olhei para a foto, vi os olhos que tenho sonhado todos os dias, os olhos acinzentados, o fundo cinza da minha mente e a provável causa da minha dor de cabeça. Foi então quando ouvi George gritar o meu nome e só me lembro de acordar na Toca com a família Weasley em volta de mim.
— Eu falei que ela não podia sair da Toca antes de decidirmos o que fazer! — era Gina sussurrando para alguém.
Então abri os olhos, e vi todos me olhando agitados.
— Graças a Merlin! — Disse Molly quando viu meus olhos se abrindo.
— Hermione, você está bem? — Era George colocando a mão em todo o meu rosto para medir minha temperatura.
Me levantei rapidamente, tonta com a dor zunindo na minha cabeça. Por que isso estava acontecendo comigo? O que havia de errado? E principalmente, o que ELE tinha a ver comigo?
— O que aconteceu?
— Você desmaiou. — Disse George.
— Você viu o porquê? — o olhei no fundo dos olhos.
Eu precisava entender o porquê de Draco Malfoy estar me afetando tanto.
— Não. — ele tinha o tom preocupado e estava vermelho, parecia ter corrido.
— Porquê Draco Malfoy está sendo julgado? — eu disse finalmente olhando para Gina, Harry e Rony que estavam em volta de mim.
Não era possível que era apenas mera coincidência estar tudo dessa forma, eles estarem estranhos, eu estar estranha e o fato de eu sonhar toda noite com alguma lembrança ou algo criado na minha mente que tenha o Malfoy ou sua família, ainda mais por eu lembrar tanto de seus olhos acinzentados. Quando fiz essa pergunta, eles se entreolharam e Rony ficou com as orelhas mais vermelhas que fogo.
— Bo-bom — era Harry — ele enfeitiçou Viktor Krum.
— Viktor Krum? — o olhei com as sobrancelhas franzidas. — Por que?
— Não sabemos. — disse Gina calma, sentando no sofá.
George então se levantou e saiu da sala, o que foi estranho, mas eu não me importei, eu tinha coisas mais confusas para resolver.
— Tem algo errado, — eu disse colocando a mão no rosto — eu desmaiei porquê...
Eu parei de falar, talvez eles sabiam e eu estava sendo tola em tentar me comunicar com eles. Já estava claro que eles estavam me escondendo algo, desde a carta de meus pais dizendo que entendem que Gina queira que eles esperem para vir me ver, já que eu precisava de proteção. Porque eu precisava de proteção? E tudo bem que era admirável eles quererem me proteger, mas mentindo e me escondendo coisas? Eu prefiro me pôr em perigo e descobrir, do que aguentar mais algum dia dessa forma. Foi então quando levantei e saí da casa, indo para o jardim, eu precisava de ar. Estava escuro e apenas as luzes da Toca iluminavam em volta, fui descendo o jardim e acendi a varinha, então me sentei debaixo da arvore que havia sentado com George e deixei a varinha do meu lado iluminando em volta, então comecei a chorar. O que Draco Malfoy tinha a ver com essa confusão? Eu estava com os olhos fechados fazendo força na minha mente, minha cabeça doía, mas eu continuava, eu precisava me lembrar de algo que eu tenha perdido, eu precisava entender.
— Hermione? — o que me fez quase pular de susto, então olhei para a pessoa brava, mas era George.
Ele se sentou do meu lado e limpou minhas lágrimas, acariciando meu rosto.
— Você pode conversar comigo se quiser.
— Esse é o problema — eu disse com raiva — eu não tenho nem o que falar, por que eu não sei, só sei que tem algo muito errado.
Ele abaixou a cabeça e me abraçou, sussurrando no meu ouvido que estava do meu lado. Então eu o abracei de volta e voltei a chorar, soltando tudo o que estava juntando a dias. Eu chorava desesperadamente, eu queria arrancar aquele sentimento horrível de confusão que eu sentia, eu não sabia de nada, mas sentia tudo. Quanto mais eu chorava, mais ele me abraçava.
— O que você está sentindo? — ele puxou meu rosto e me olhava muito preocupado.
— Eu não sei, eu só estou me sentindo vazia o tempo todo, e graças a Merlin eu tenho você se não já tinha me jogado nesse lago.
— Te digo o mesmo. — ele riu — Eu vou te ajudar a resolver tudo isso, ok?
— De verdade?
— Sim, eu estou do seu lado, já disse. — beijou minha testa — Assim como você está do meu.
Ficamos um tempo ali até eu parar de chorar, então ele me chamou para entrar na Toca.
— Eu não consigo — olhei para baixo — eu estou com raiva deles, eles estão me escondendo algo.
— Fica comigo, no meu quarto. — ele disse depois de pensar um pouco.
Então eu o olhei, aquele era um convite meio incomum. Mas eu vi que não havia malicia nenhuma em seu olhar, ele queria apenas me dar um lugar para ficar e eu concordei com a cabeça. Quando entramos não havia ninguém na sala, então fomos direto para o seu quarto e lá havia duas camas, provavelmente uma de Fred.
— Tudo bem eu dormir nela?
— Claro, por que não? — ele sorriu.
Eu sorri, e vi que de uma certa forma ele tentava não ficar chateado com a lembrança da cama de Fred, ele realmente estava tentando. Assim que sentei na cama, ele sentou na mesma do meu lado, então eu me encostei na cabeceira e começamos a conversar. Durante toda a conversa, uma hora eu citei Fred e me assustei por ter dito, mas ele sorriu e manteu o assunto, então acabamos por falar dele e das coisas que ele e Fred faziam em Hogwarts, e ele sorria e gargalhava de verdade, era a primeira vez que ele ria com sinceridade desde que voltei. Conversamos toda a madrugada, até que deitamos na cama e ficamos deitados um de frente para o outro conversando, de lado. E o meu olho começara a pesar, e acabei adormecendo ali mesmo.
Naquela noite o sonho fora mais real que qualquer um, eu estava numa casa de madeira dentro de uma floresta e ouvia gritos no porão. Assim que entrei vi um homem apontando sua varinha e gritando "crucio", enquanto a pessoa sentada na cadeira era Draco Malfoy, que berrava de dor. Naquela hora eu me desesperei, senti que eu precisava protege-lo acima de tudo, então estoporei o homem e corri até Draco, tirando as correntes que o prendiam e o abraçando apertado. Depois o sonho mudou, e eu estava dentro de um quarto grande e escuro com uma lareira acesa, estava frio e eu tinha uma foto nas mãos, foto de um garotinho loiro de olhos claros, e quando olhei para o lado, esse mesmo garoto, crescido, dormia na cama pesadamente, era Draco Malfoy.
Eu acordei soada, porém não estava assustada e a cabeça não doía tanto, mas minha respiração estava forte e quando abri os olhos, me deparei com o rosto cumprido, magro, cheio de sardas e desenhado de George, seu cabelo laranja caia em sua testa destacando a pele branca. Então ele abriu os olhos e seus olhos verdes encontraram os meus, então ele franziu as sobrancelhas e perguntou se eu estava bem já se sentando.
— Estou. — eu disse tentando controlar a respiração ainda acelerada.
— Você está soada, — ele disse pegando no meu rosto — teve algum pesadelo?
— Não, só um sonho, — sorri, então ele ia se levantar — onde vai?
— Para a minha cama — ele me olhou curioso.
— Não, — me sentei e falei baixinho — fica aqui.
Ele sorriu e se sentou de novo, na minha frente bem próximo a mim e eu fitei seu rosto, memorizando cada detalhe. Eu me sentia segura com ele, e nele eu via exatamente o que estava sentindo, era o único que eu confiava agora. Então comecei a me lembrar do sonho, era tudo tão real, e era Draco, Draco Malfoy. Por quê? E mesmo que seja ele, eu não sentia ódio ou nojo, eu só simplesmente queria entender o porquê de sonhar tanto com ele, de ser tão real e de me fazer sentir coisas que eu nem sabia que sentia por ele nos sonhos.
— Você já foi mais concentrada — ele dizia me olhando sorrindo.
— Como? — eu disse saindo do meu devaneio.
— Você ultimamente tem se distraído e parece que sai do lugar que está, — sorriu — mas eu gosto disso que você faz. — Então pigarreou e se calou, pareceu querer se conter.
Eu provavelmente fiquei muito vermelha, pois senti meu rosto ficando quente, então ele riu sem graça e parecia estar arrependido de ter falado aquilo. Então disse "vamos dormir" e me deitou, deitando também e me puxando para seu peito. Logo eu o envolvi com um dos meus braços, dormindo rapidamente e sonhando com Draco Malfoy de novo.
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Acordei aquele dia sem vontade nenhuma para levantar, viver ou respirar. A vida não fazia sentido nenhum para mim mais, e eu me sentia extremamente sozinha, mas assim que abri os olhos e vi aqueles cabelos ruivos, pude acreditar que ainda havia algo com o que eu precisava levantar. Eu precisava ajudar George a reatar sua vida, eu precisava ser a pessoa que ele necessitava, como também precisava resolver a minha vida, e com a companhia dele eu sentia que isso era possível.
— Acorda dorminhoco! — eu sussurrei em seu ouvido — Temos uma loja para abrir.
George estava deitado de costas para mim, mas eu como estava inclinada vi sua bochecha se movendo e aquilo me pareceu um sorriso que se abria. Ele deu um resmungo e se espreguiçou, virando pra mim logo depois e sorrindo com os olhos entreabertos e um pouco vermelhos de sono. Então me olhou por um longo tempo, calado.
— Uau.
— O que foi? — eu disse sorrindo.
— Você tá linda — disse baixo, me fitando.
— Até imagino! — eu disse passando a mão em meu cabelo.
— Pena que ronca. — ele disse levantando com um sorriso escondido no rosto.
— Eu não ronco! — eu disse me sentando, brava porém sorrindo também.
Ele me olhou com cara de "ronca sim", com as sobrancelhas arqueadas então estendeu a mão e me puxou da cama. Logo então ele se virou e foi direto para seu guarda-roupa, e eu fiquei ali pensando em o que eu precisava fazer, o que eu precisava resolver. Eu sinceramente não sabia por onde começar, não adiantava eu perguntar nada pra ninguém, ninguém me falava nada. E o que Draco Malfoy tinha a ver com toda essa confusão? Eu precisava procurar saber mais sobre ele.
— George, o que você sabe sobre o Malfoy? — eu disse baixo, então ele se virou e me olhou por uns instantes.
— Não muito. — ele dizia olhando para o chão e para mim. — Porquê?
— É só que — eu olhei para o chão — eu tenho sonhado muito com ele, e os meninos estão estranhos, eu estou me sentindo mal, — eu falava rapidamente — tem algo errado. E eu acredito que Draco Malfoy tenha a ver com tudo isso.
— O que acha que podemos fazer? — ele disse e eu o olhei rapidamente, quase sorrindo. Ele realmente iria me ajudar.
— Vamos para a loja, lá eu penso a respeito! — eu disse indo me arrumar.
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— Tudo certo aí? — eu disse no primeiro andar, gritando para George.
— Sim! Pode ligar? — ele gritou de volta lá de cima.
— Pode! Vou lá fora!
Assim que saí tudo ganhou luz e vida, os enfeites começaram a se mexer e as luzes da loja se acenderam. Era tudo incrível, e assim que tudo se acendeu, a loja ganhou a atenção da maioria das pessoas que passavam, algumas até sorriam, inclusive eu. E foi assim que não demorou cerca de 10 minutos e George já teve seus primeiros clientes. Ele os atendia superanimado, explicava a respeito de algumas poções, alguns encantamentos e algumas balas de sei lá o que, ele parecia feliz. Enquanto ele os atendia, eu saí da loja e fui até uma papelaria no fim da rua, eu procurava por Jornais.
— Tem algum jornal de ontem aqui? — eu disse apoiada no balcão me referindo a uma senhora que lia um livro concentradíssima.
— Os jornais de ontem acabaram, mas eu tenho o meu — ela entregou um jornal que estava no balcão — pode ficar com ele. — ela disse sorrindo, então eu agradeci e o levei, voltando para a loja.
Fui até a página que falava sobre Draco, e a notícia dizia que ele estava sendo procurado durante três semanas, exatamente o tempo que eu havia saído de Hogwarts, mas finalmente havia aparecido. Também informava que seria um julgamento por etapas, em que conversariam com Viktor Krum e procurariam por testemunhas sobre o caso, ele era acusado por usar um feitiço das trevas com "intenção de matar". Draco não estava preso, porém estava sob vigilância até o fim do julgamento. Eu lia aquilo tudo rapidamente e algo estranho acontecia na minha mente. Era como se eu estivesse passando um pano em uma sujeira e tudo ficando claro, eu tinha a exata lembrança de ver Draco Malfoy no salão principal estoporando Viktor Krum, que pousava no chão. Como eu poderia ter uma memória dessas se Draco nem estivera no baile? Se Draco nem sequer estivera em Hogwarts esse ano? O que estava acontecendo? Eu voltei correndo para a papelaria e procurei aquela mulher, eu respirava muito rápido.
— Moça, você sabe mais alguma coisa sobre o caso de Draco Malfoy com Viktor Krum?
— Eu só sei o que está escrito aí — ela me olhava curiosa — Você é Hermione Granger? Amiga de Harry Potter?
— Sim. — eu disse distraída e decepcionada, olhando para o jornal.
— É um prazer conhece-la! — disse a senhora, me olhando com um grande sorriso.
— Não tem mais nenhum jornal falando sobre isso? — eu estava sendo rude, sim, mas eu não conseguia pensar em mais nada.
— Não Srta Granger, não que eu saiba.
— Obrigada. — eu disse saindo correndo da loja e indo direto em George.
Assim que entrei ele sorriu quando me viu, a loja estava lotada! Eu não acreditei no que estava vendo, tinha pessoas nos andares de cima, no de baixo. Havia filas nos caixas e George estava feliz mas também desorientado, então eu corri para o caixa para receber os pagamentos. Eu havia deixado para depois a questão do jornal, fiquei ajudando George até o fim do dia, e nesse fim de dia estávamos quase caindo no chão de tão cansados.
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