My New Everything - Dramione
44 Searching
Notas iniciais
POV Hermione
— Uau, — dizia George apagando a última luz da entrada da loja com a varinha — não imaginei que teria clientes tão cedo.
Eu apenas sorri e concordei com a cabeça, eu não conseguia parar de pensar naquilo. O que havia de errado comigo? Eu me lembrava de algo que nem sequer aconteceu? A não ser que Draco Malfoy tenha ido apenas para o baile, mesmo não estudando em Hogwarts e aquilo aconteceu. Mas como eu não lembrava antes? Como só lembrei depois que li a notícia no jornal?
— George? — o chamei baixo enquanto ele trancava a loja.
— Sim?
— Você foi no baile do último ano?
Ele sorriu de lado e franziu as sobrancelhas, confuso.
— Como eu teria ido e você não saberia? — ele pegou minha mão — Não, não fui.
— Hum. — eu disse olhando para o chão. — Foi lá que o Malfoy estuporou Krum?
— Eu não sei Hermione — ele me olhava curioso — desculpa. Por que não pergunta a Gina, ou aos meninos?
Eu nem sequer respondi, apenas neguei com a cabeça devagar, sem tirar os olhos do chão. Eu não tinha ninguém que me pudesse ajudar a entender.
— O que você acha de esquecer tudo hoje? — ele puxou meu rosto — Vamos sair, jantar, sei lá?
Eu apenas sorri meio desanimada, quase dizendo que estava cansada demais pra isso. Mas ele previu.
— Não ligo que esteja cansada, você vai jantar comigo.
Ele disse pegando minhas duas mãos e antes que eu respondesse, já não estava no mesmo lugar. Depois de sentir um "puxão", estávamos na porta de um pequeno restaurante bruxo, com um tom rústico e antigo. O restaurante era pouco iluminado, tinha um pequeno abajur de teto em cada mesa que iluminava suavemente. Haviam mesas encostadas na janela que podiam ver a rua, onde pousavam em cada uma apenas uma toalha de cor rosa seco, uma rosa da mesma cor dentro de uma garrafa de vidro e o cardápio. Ele me guiou até uma dessas mesas, em que podíamos ver a rua e tomar o ar fresco que vinha dela. Então assim que parei de admirar o lugar, eu vi que ele me olhava.
— O que foi? — eu disse rindo.
— Nada — ele riu e pegou o cardápio pousado em cima da mesa. — Posso pedir para nós dois? Conheço um prato délicieux daqui. — disse fazendo um sotaque francês forçado, o que me fez rir.
— A vontade!
Observei George chamando o garçom e imaginei com quem ele deveria ter vindo nesse restaurante antes de mim. Será que fora alguma garota, e se sim, quem seria? Não consigo imaginar alguém que seja o bastante para George ou Fred, e eu estava começando a sentir algo parecido com ciúmes, mas afastei aquilo da cabeça. Ele chamou o garçom e assim que chegou, era um homem com aproximadamente cinquenta anos, cabelos grisalhos e postura ereta, parecia muito simpático e foi anotando os pedidos. Mas sem antes sair, ele fez um comentário.
— Você é Hermione Granger?
— Sim. — eu disse baixo sorrindo.
— Você é um cara de sorte! — ele disse olhando para George e sorrindo, saindo logo depois.
Eu devo ter ficado da cor de um tomate, mas isso antes de olhar a cara de George, que sorria de orelha a orelha me olhando. Nessa hora eu devia ter ficado da cor do inferno. Então eu perguntei irritada e sorrindo do que ele tanto ria.
— Fico lisonjeado de pensarem que eu teria essa capacidade.
— Que capacidade? — eu disse revirando os olhos.
— De — sorriu — ter você. — disse baixo.
Eu continuei fitando seus olhos, não era possível que ele realmente pensava isso. Mas ele não retirava, ele me fitava de volta. Então eu apenas sorri e eu não sei o que aquilo realmente significou, mas eu me senti como se pudesse ser feliz de novo por alguns segundos. Senti uma vontade enorme de realmente ser dele, o que estava acontecendo?
George e Fred sempre tiveram a enorme habilidade de deixarem um ambiente sempre agradável e divertido, e mesmo sem Fred, George conseguia fazer isso. Nós conversávamos de tudo um pouco, comíamos e tomávamos cerveja, ele me fazia muito bem. Quando a noite terminou, levantei e me despedi daquele restaurante lindo com um último olhar e fomos para a Toca. Quando estávamos na porta, antes de entrar ele me segurou pelo braço e ficou me fitando, parados ali ele parecia pensar em o que fazer, ou falar.
— O que foi? — eu disse baixinho, olhando em seus olhos.
— Eu queria te agradecer, — ele estava muito próximo a mim — pelo o que está fazendo por mim.
— Não é nada George, — sorri — você está fazendo o mesmo por mim.
— Não sei não.- ele disse olhando para o céu estrelado, respirando fundo.
— Por quê? — eu disse confusa.
— Eu, — olhou para o chão, deixando de falar o que iria falar — não posso.
— O que? Não pode o que? — eu estava ansiosa para saber do que ele estava falando.
— Te dizer. — ele não conseguia me olhar.
— Não pode me dizer o que? — eu estava me desesperando.
Então ele me olhou, e seus olhos olhavam no fundo da minha alma. O que ele não podia me dizer? Estava um pouco escuro, mas eu via seu rosto nitidamente, olhei de volta em seus olhos e pude reparar que em volta deles tinham uma cor folha seca, mas por dentro era um pouco amarelo. Seus olhos eram quentes, penetrantes. Então de repente ao mesmo tempo que aqueles olhos se fecharam, sua boca tocou a minha, ela tinha uma temperatura como a minha, assim como sua língua. Minha mão foi até seu cabelo liso e macio, e enquanto eu era guiada naquele beijo devagar porém desesperado, pensei na cor de seus cabelos alaranjados, pensei em como sua pele era macia, em como ele era alto e em como eu amava isso. Assim como pensei em como aquele beijo estava bom, em como eu sentia que ele me completava e em como eu não queria parar de jeito nenhum de beija-lo, foi então que pensei em Draco Malfoy e em como eu me lembrava de algo parecido com um beijo, um beijo gelado. Como eu me lembrava dos lábios de alguém que nunca beijei? Mas em questão de segundos eu estava sozinha na porta, e George entrava na Toca ás pressas.
— George? — eu disse depois de despertar, correndo atrás dele.
Ele continuava andando e ia direto para as escadas. E eu fui atrás dele, mas ele fechou a porta do seu quarto e eu fiquei do lado de fora. Levantei a mão para abrir a porta, mas se ele fechou ela, era porquê não me queria ali dentro. Por que ele não me queria ali dentro? Meus olhos encheram de lágrimas, Merlin, ele também está diferente. Eu saí dali correndo e chorando, saí sem rumo da Toca. Eu chorava e mal via onde estava indo, até tropeçar em um anão de jardim e cair no chão, sem sair dali eu continuei chorando. O QUE ESTAVA ACONTECENDO? Eu estava completamente sozinha, como eles podiam fazer isso comigo? Isso não era proteção, era tortura. Eu não podia ficar nem mais um segundo ali, eu precisava ir embora, eu precisava conversar com a única pessoa que sobrara. Draco Malfoy. Foi então logo depois de decidir isso, me levantei limpando as lágrimas e fui para o quarto de Gina para pegar meus pertences.
— Você precisa contar pra ela Ginevra! — era George, sua voz parecia nervosa de uma forma que eu nunca ouvira, ele estava dentro do quarto de Gina.
— Harry e Ron não querem! — ela disse baixo — E eu também acho melhor assim, ela vai ficar bem. É só uma questão de tempo para resolvermos tudo.
— Bem? — ele quase gritou — Ela tá cada vez pior, o obliviate não funcionou totalmente, ela parece se lembrar de algumas coisas.
— Isso não existe George, são só alguns efeitos colaterais do feitiço.
— Que porra de efeito colateral! Ninguém tem lembranças depois desse feitiço! Eu não sei o que é, mas não é normal, ela se lembra de algumas coisas e tá sofrendo por isso.
Gina ficou calada.
— Vocês já foram amigos melhores. — ele disse baixo, e Gina também ficou calada — Se eu soubesse, contaria tudo pra ela.
— E daí? O que vai mudar? — ela pareceu levantar, já que a cama fez barulho — Krum ainda teria o entregado e tudo estaria fodido do mesmo jeito!
— Por causa de vocês eu não posso nem... — sua voz falhou, parecia que ia chorar — nem mostrar o que eu sinto por ela.
Então tudo ficou quieto, até eu me assustar com a porta abrindo bruscamente na minha cara, era George e ele estava vermelho como Ron ficava quando estava nervoso, e arregalou os olhos quando me viu. Então eu me virei e saí correndo, eu precisava descobrir o que aconteceu. Será que Krum jogou obliviate em mim? O que Krum fez que deixou tudo "fodido"? Eu não iria perguntar mais nada pra eles, eu descobriria sozinha.
— Hermione! — gritou George, e ele começou a correr atrás de mim.
Então eu parei ali no corredor, eu não precisava correr, era só desaparatar. E assim que parei, fechei os olhos e imaginei aquele lugar, mas milésimos antes de desaparatar George encostou em mim e veio junto, para a Bulgária.
x
— Vai embora! — eu dizia andando em meio ás ruas escuras com a chuva caindo na minha cabeça, estava tarde e eu nem sequer sabia pra onde ir.
— Hermione, me escuta! — ele me segurou. — Desculpa não ter falado antes, sobre o feitiço e tudo mais, mas é que eu nem sei o que aconteceu exatamente, eu estive longe esse ano e além do mais, eles são seus amigos, como eu iria te contar algo que eles não queriam?
— Você podia ter falado! Já passou um mês e você escondeu tudo de mim, igual eles.
— Me entenda por favor, — ele segurou meu rosto — eu acreditei que poderia fazer com você o que estava fazendo comigo, acreditei que poderia te ajudar.
— Você estava me ajudando George, mas me ajudando a passar por algo que não era pra eu passar.
— Hermione, eu nunca fui nada seu além de colega! Como eu iria simplesmente intrometer na sua vida e fazer uma escolha contrária das pessoas que sempre estiveram com você? Não cabia a mim decidir.
Tudo fazia sentido (mais ou menos) agora pra mim. Minhas lembranças foram apagadas, por isso eu sentia estranha o tempo todo, incompleta e esquecida. E também por isso todos estavam estranhos, todos sabiam a verdade e estavam me escondendo, me "protegendo". Eu estava vivendo com lembranças que não eram minhas, estava totalmente perdida num mundo que eu nunca vivi, e agora eu iria descobrir tudo. Eu precisava saber de tudo. George falava comigo desesperado mas eu nem sequer ouvia, eu precisava achar Krum e saber porquê ele jogou obliviate em mim, e quem sabe até tortura-lo.
— George! — o olhei, ele estava nervoso e triste, eu senti vontade de beijar suas bochechas vermelhas, de abraça-lo, eu não queria que ele ficasse assim — Você não vai me impedir de nada, eu preciso descobrir tudo ok? Vai embora.
— Não. — ele acalmou — Eu não vou te impedir, quero te ajudar e ficar do seu lado.
Eu o olhei assustada, tinha certeza de que ele estava aqui pra isso. Mas não, ele estava mantendo sua promessa, de ficar do meu lado, então sem querer eu sorri. E ele me abraçou.
— Eu não consigo ficar longe de você mais, eu preciso de você. — ele disse baixo, mas aquilo parecia doer. — Mas agora precisamos achar um lugar pra ficar ok? Tá muito tarde, aliás, onde estamos?
"Bulgária" eu disse baixo, e ele arregalou os olhos e consentiu com a cabeça, olhando em volta e visualizando um hotel no fim da rua e me puxando pela mão.
x
— Amanhã você conversa com Krum, — ele disse na porta do seu quarto do hotel que era do lado do meu, antes de entrar — eu vou com você. — disse decidido.
Quando entrei, eu fui direto para o chuveiro. Eu não me lembrava de estar tão cansada. Meu corpo todo doía e eu precisava de um banho, então com dificuldade tomei um banho quente pra relaxar e depois fui direto para a cama, sem antes jogar um feitiço na roupa suja para limpa-la e deitar apenas de blusa e roupas íntimas. Quando fechei meus olhos eu pude visualizar nitidamente um certo desespero, eu me lembrava de estar num hotel e estar desesperada, era aquele hotel, o hotel que acordei depois de ficar tão confusa. Foi ali, ali que aconteceu. Eu tive medo de abrir os olhos e perder aquela lembrança, mas eu havia ficado agitada com aquilo, eu precisava me lembrar mais. Porém a porta do meu quarto abriu e logo depois meus olhos também, e eu vi George entrando no quarto. Estava escuro, mas a luz da rua iluminava o quarto um pouco, então eu vi ele vindo até mim devagar, portanto eu sentei e ele se sentou na minha frente, colocando a mão no meu rosto.
— Desculpa ter saído daquele jeito depois do beijo.
Como ele conseguia falar essas coisas tão facilmente? Do beijo, ou quando falou sobre a capacidade de me ter no restaurante. Ele não tinha vergonha, era direto, o que me fazia ficar sem graça.
— Eu só acho errado fazer isso com... — ele olhou para baixo — bom, com a sua memória estando apagada.
— Tudo bem — eu disse sussurrando, olhando em seus olhos. Mas dessa vez fui eu que o beijei.
George era tudo o que eu tinha nesse momento, minha única certeza. Talvez eu estava confundindo as coisas, confundindo uma boa amizade com um sentimento a mais, mas por algum motivo eu quis beija-lo de novo, e sentir a sensação de felicidade mesmo que por alguns segundos, que a tanto tempo eu não tinha.
Ele me beijava nem tão rápido nem tão devagar, minha língua encostava na sua de forma carinhosa e eu adorava seu gosto. Durante o beijo nos aproximávamos cada vez mais e eu começara a ficar com calor, e eu via que ele também. Minha mão estava em seu cabelo e eu o apertava com força, enquanto sua mão descia pelas minhas costas e ele me puxava para próximo a ele. George era alto, tinha as mãos grandes e era forte, ele me apertava e eu sentia vontade de que ele apertasse cada vez mais. Sua mão que estava nas minhas costas foi para o fim da minha blusa e começou a puxar, bem devagar, ela pra cima. Sua mão deslizava nas minhas costas e me fazia arrepiar, eu o queria, queria muito. Mas foi naquela hora que me lembrei de estar numa cama, fazendo coisas parecidas, mas com outra pessoa. Era Draco Malfoy de novo, eu estava me lembrando de um momento assim com ele, e me lembrava da sensação que ele deixava quando sua pele gelada encostava em mim. Ao mesmo tempo que eu aproveitava aquele momento com George, me lembrava de Draco, por isso eu não podia parar.
Ele havia me deitado e eu estava apenas de roupas íntimas, eu ainda não havia aberto os olhos e nem queria. Eu queria apenas senti-lo e tinha medo de abrir os olhos e me arrepender, assim como tinha medo esquecer daquela lembrança de Draco. Era como se algo estivesse surgindo na minha mente, como se eu tivesse em dois lugares ao mesmo tempo e eu me lembrava nitidamente, de já feito amor com Draco Malfoy numa cama, e me lembrava da sensação. Tudo o que havia sido apagado, tinha a ver com ele. Como, porquê, quando, onde? Meu coração batia forte e eu mal mal respirava. Então George deixou meus lábios e eu abri os olhos, perdendo a linha da lembrança. Ele largou meus lábios e foi direto para o meu pescoço, George estava em cima de mim ainda vestido, eu podia sentir o cheiro do seu pescoço e sentia um desejo enorme, assim como sentia o volume da sua calça contra mim. Minha mão foi rapidamente até sua blusa e eu comecei a puxar, e então tirei, sentindo sua barriga contra a minha. Ele não deixava meu pescoço, mordia, beijava e ia subindo até embaixo da minha orelha. Merlin, o que eu estava fazendo?
Isso era certo? Eu tinha medo de me arrepender, de amanhã nós nos olharmos e nos perguntamos porquê fizemos aquilo. Então eu puxei sua cabeça devagar e fiz com que ele ficasse com o rosto em frente o meu e ele me olhava confuso. Porra, aqueles olhos, aquele rosto, como eu aguentaria? Eu nunca imaginei que aconteceria uma coisa dessas entre mim e um dos gêmeos, eles sempre foram tão mais maduros, mais velhos, mais espertos e sempre um passo a frente.
— George...- eu disse baixo — eu não sei se...
Ele sorriu triste de lado, sem mostrar os dentes, então me deu um selinho demorado, percorreu sua mão em minha cintura e a apertou, então soltou meus lábios e jogou seu corpo para o lado, ficando deitado de barrida pra cima, olhando para o teto assim como eu. Nós dois respirávamos rápido.
— Desculpa — ele disse baixo, com pouco fôlego.
— Eu que comecei — eu disse uns segundos depois, olhando para o teto envergonhada. — É só que...
— Não — ele me olhou — você está certa. Me desculpa, a culpa ainda é minha, eu deveria me segurar, pelo menos enquanto você não descobre tudo o que precisa.
Eu apenas sorri de lado, ele era tão compreensivo, calmo e carinhoso. Eu começara a sentir algo diferente por ele, não era possível que na altura do campeonato eu estava me apaixonado por George. Mas aquele pensamento foi sendo deixado de lado, eu precisava pensar naquilo, nele como sempre, em Draco. Como seria possível eu ter tido algo com ele? Com um Malfoy? Isso não tinha sentido nenhum, e as únicas lembranças que eu tinha, eram ligadas a ele.
Fale com o autor