My New Everything - Dramione
46 Not intentional
Notas iniciais
POV Hermione
A primeira coisa que eu fiz foi pegar naquela coisa estranha que estava na minha cabeça, mas ok, era uma faixa. Eu não conseguia enxergar direito, tentava abrir os olhos mas eles doíam muito quando eram abertos, assim como a minha cabeça e assim como meus ouvidos que martelavam de dor. Eu não conseguia ver nada direito nem ouvir, eu ouvia apenas ruídos.
Recapitulando, eu me lembrava de tudo. E eu deveria estar deitada no sofá de Krum ou voltado para o hotel. Cadê George? Se ele estiver perto, está tudo bem. Na verdade estou até surpresa de estar viva, naquele hora eu achei que iria morrer, com aquela dor e aquela sensação louca de estar perdendo todos os sentidos do meu corpo.
— Sta Granger? — era uma voz desconhecida de uma mulher, ela falava formalmente comigo. — Consegue me ouvir?
— Sim? — eu disse, bom, eu acho que disse, já que não conseguia ouvir minha própria voz direito.
— Gostaria de fazer alguns testes com você agora, ok? — sua voz parecia longe.
— Onde? — parecia que cada letra de cada palavra era difícil de dizer — Quem?
— Eu sou medibruxa, meu nome é Mariann e você está no St Mungus.
O QUE? Eu não estou na Bulgária? Cade George, eu precisava dele, precisava que ele achasse Draco pra mim.
— George? — gemi.
— Ele não está aqui, está na sala de espera. Eu preciso fazer alguns exames com você, assim que fizer eu te explico tudo.
Eu fiquei calada, mas ela entendeu que eu concordei. Ela disse que olharia meus olhos então eu senti ela os tocando e uma luz forte atingiu, e minha cabeça doeu mais.
— Quantos dedos você vê? — ela perguntou e eu tentei abrir mais os olhos, mas eu não via dedos, não via mão, não via nada, apenas alguns borrões.
— Não vejo dedo nenhum, — eu dizia com dificuldade — não vejo nada.
Aquilo era inútil, era obvio que eu não conseguia ver, nem ouvir direito nem falar. Mas eu não estava nem aí, eu precisava resolver tudo o que estava pendente, eu precisava levantar daquela cama e foi isso que eu fiz, mas ela me segurou e disse alguma coisa que eu não ouvi, e eu continuei tentando sair mas aquela idiota era forte e me segurava com força, então eu comecei a chorar, gritar e empurra-la, foi então quando ouvi ela pronunciando algo e eu apaguei.
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— Você acha que isso pode ter adiantado? — era a voz de Harry.
— Pode ter melhorado — era a voz daquela mulher. — Ela acordou.
Eu ouvia bem melhor, mas quando abri os olhos minha visão não estava tão boa quanto minha audição, mas eu conseguia vê-los melhor, era como se eu estivesse sem óculos, mas também como se eu precisasse de muitos graus. Quem sabe se Harry não emprestasse seus óculos não adiantaria?
— Oi Mione. — ele disse com uma voz fraternal.
— Não vem com Mione, — eu disse tentando me levantar — cadê o George?
— Aqui. — disse ele á minha direita, com a voz parecendo que estava rindo.
— Eu não estou enxergando nada, Harry, me empresta seus óculos.
— Infelizmente isso não ajudará — era a medibruxa — você está com os sentidos danificados.
Ok, que lindo, sentidos danificados. Vou virar uma vegetal agora.
— Mas é temporariamente, não se preocupe.
Eu perdi a vontade de falar com qualquer pessoa, era obvio que eu não conseguiria fazer nada do que precisava e estava totalmente incapacitada, não tinha como ficar pior, tinha?
— George, o que aconteceu? — Eu senti ele se aproximando, e sua mão tocou meu rosto e ele chegou pertinho do meu ouvido para dizer.
— Você passou muito, muito mal quando se lembrou — ele dizia devagar — primeiro você caiu no chão, depois ficou repetindo coisas como se estivesse se lembrando, e seus olhos perderam a cor castanha, as iris dos seus olhos ficaram brancas. Foi bem — pigarreou — assustador. Então depois começou a sair sangue das suas orelhas, você começou a chamar pelo Krum, ele ficou assustado igual uma garotinha — gargalhou um pouco.
— Você também pareceu bem assustado. — eu disse rindo, apenas amando ouvir sua voz no meu ouvido mas também assustada com o que ele contava.
— Continuando! — ele disse irritado de forma brincalhona — Assim que falou o que queria para Krum, você apagou, e acordou ontem.
— Ontem? Quantos dias estou dormindo? — eu disse com dificuldade.
— Acho que ontem fizeram seis dias. — ele disse pensativo.
— SEIS DIAS? — eu disse me levantando e abrindo os olhos, enxergando um pouco melhor do que antes. — Eu preciso falar com ele, preciso...
— Hermione — George me segurou — tudo vai se resolver, você não pode fazer nada agora.
— George, você não entende, ele...
Eu fiquei calada, Draco, eu precisava vê-lo, abraça-lo e bater nele.
— Você lembra de tudo?
Tentei recapitular todas as memórias que estavam na minha mente em um pequeno milésimo de segundo, e parecia não faltar nada, era como se eu tivesse realmente voltado.
— Tudo — eu disse depois de um tempo.
— Isso vai sair nos jornais. — era Rony, ele também estava no quarto?
— Merlin, quem mais tá aqui? — eu disse tentando olhar em volta.
— Olha! — era Gina — a cor castanha está voltando!
— Sim, — era a médica — essa poção vai funcionar, foi difícil acha-la.
Merlin, do que eles estavam falando? Eu precisava saber DELE. Eu estava a minutos acordada mas estava irritada, eu precisava enxergar, ouvir e me mover direito, eu precisava saber o que aconteceu com ele.
— Eu preciso saber dele. — eu disse rapidamente, já ouvindo minha voz.
— Você precisa se recuperar primeiro — disse Gina.
— Cala a boca Gina, e para de ser tão mandona! — eu estava com raiva dela, de Harry, de Ron, de Krum e de Draco, eu odiava todos eles. — Eu-preciso-saber-do-Draco!
— Krum está resolvendo. — era George.
— Krum está resolvendo? Resolvendo o que?
— Bom — George falava calmamente — depois que ele viu como você ficou, ele foi para o ministério para conversar com eles sobre a denúncia. Parece que ele a retirou.
Krum retirou a denúncia, isso significa que Draco está livre?
— Hoje teve uma audiência no ministério, mas não sei bem o que resolveram.
— Pra que audiência se ele retirou o que disse?
— Eu não sei — ele disse pensativo — acho que não é só tirar o que disse e ficar tudo por isso mesmo, o povo do ministério deve precisar de explicações, não sei.
Apenas concordei mentalmente e comecei a me concentrar na cor laranja dos cabelos de George, que eram a coisa mais nítida que eu conseguia ver.
— Vou ter que pedir que saiam, ela precisa descansar. — era a medibruxa — A poção é muito forte e ela precisa estar forte para a absorver direito, acredito que ela acordará ótima.
Não consegui ouvir bem as respostas, mas senti um beijo de George na minha bochecha, bem próximo ao canto da minha boca enquanto diversas mãos apertavam a minha enquanto saíam, eu contei três, provavelmente Gina, Rony e Harry. Assim que eles saíram eu senti uma sonolência incomum e adormeci, acordando com o sol batendo em meu rosto, me fazendo abrir os olhos. Eu estava num quarto do St Mungus, era bem parecido com quartos de hospitais trouxas, com cores neutras e janelas grandes para ventilar, haviam dois vasos de flores pousados na escrivaninha ao lado, fazendo com que o vento que entrasse na janela, batesse nas flores e perfumasse o quarto. Eu estava enxergando bem melhor, me sentei na cama segurando a cabeça que doía, eu não podia perder mais tempo ali, eu precisava saber como ele estava.
— Bom dia Sta Granger. — era a medibruxa, ela tinha cabelos pretos e olhos roxos, seria uma metamorfomaga? — Acredito que esteja descansada, você dormiu mais dois dias.
Eu apenas fechei os olhos fortemente tentando me controlar, mais dois dias, o que aconteceu nesses dois dias?
— Você receberá alta hoje, só que precisará ficar o dia em observação, até lá poderá receber visitas — ela sorriu — que já estão na sala de esperas.
Eu apenas consenti com a cabeça e ela saiu, voltando depois com Rony e Harry, que sorriam para mim radiantes. Assim que chegaram, eles se sentaram nas cadeiras ao lado da cama e Harry pegou minha mão, me olhando de forma arrependida.
— Me desculpa por tudo Mione, não sabíamos o que fazer — ele olhava em meus olhos, desesperado por perdão — vejo agora como estávamos errados em esconder tudo, mas estávamos tentando fazer com que você não sofresse, era tudo muito confuso e muito perigoso.
— Eu entendo, está tudo bem. — apertei sua mão de volta — Enquanto ainda estava confusa era difícil entender o porquê de me esconderem algo, mas agora que eu me lembro de tudo, eu entendo perfeitamente.
Ele sorriu, então eu fui direito ao ponto e perguntei "E Draco?".
— Ele está livre, — sua expressão ficou séria — e ele está aqui para te ver.
Na hora meu coração veio parar na minha boca, Draco estava livre e aqui? Eu precisava vê-lo, nem que fosse para gritar o tanto que estava preso em meu peito, nem que fosse para esmurra-lo, ou abraça-lo apertado. Eles viram meu desespero e se levantaram, saindo da sala provavelmente para dar lugar para Draco, que entrou em alguns minutos depois, com o semblante provavelmente pior que o meu.
Ele entrou e olhou em meus olhos, aqueles olhos cinzentos que sonhei todos esses dias. Ele veio em minha direção, como sempre com uma postura confiante, mas eu o conhecia, e ele parecia devastado. Como ele teve coragem? Draco veio até minha direção sem tirar os olhos de mim, então se sentou na cadeira ao meu lado e abaixou a cabeça, olhando para o chão enquanto eu o fitava sentada na cama do hospital, quando seus olhos voltaram para mim, estavam cheios de lágrimas. Aparentemente ele parecia ter emagrecido muito, parecia doente, seus olhos estavam fundos e o rosto mais magro que o normal. A sensação de estar na presença dele, de estar do seu lado, com ele salvo e vivo, era inexplicável, eu queria abraça-lo, mas eu não conseguia. Assim que eu finalmente consegui voz, para dizer alguma coisa, a porta abriu bruscamente e George entrou no quarto ofegante e vermelho.
— O que ele está fazendo aqui?
Antes que eu respondesse, George foi até Draco e o puxou pela blusa, fazendo com que ele ficasse em pé em frente dele, e eles se encarassem. George é um pouco mais alto que Draco, mas isso não parecia intimida-lo.
— O que você está fazendo aqui? — Eu nunca havia visto George tão nervoso antes.
Draco não respondeu, apenas se soltou das mãos de George e colocou as mãos nos bolsos o ignorando, me olhando de novo. Foi quando nossos olhares se encontraram de novo que eu me perdi em meus pensamentos, era como se tivéssemos uma ligação direta e única, em que bastava ele me olhar que conseguíamos ter uma conversa mental. Ele estava sem palavras, assim como eu, e isso me fez sentir frio, será que depois disso nós nunca mais conseguiremos ficar juntos de novo? Será que tudo esfriou, será que eu algum dia vou conseguir superar o que ele fez comigo?
— Hermione — quando ele disse meu nome, eu me senti bamba e minha garganta ficou seca, eu o amava, eu o amava mais que tudo nesse mundo — foi tudo para te proteger — ele dizia baixo, como se George não estivesse ali — de mais sofrimento.
Eu não tinha palavras, se eu abrisse minha boca eu sabia que só sairia choro, eu o amava, mas eu também o odiava.
— Você só piorou tudo Malfoy, — George estava mais calmo, mas o olhava com nojo — ainda não é hora de você vir dar as caras como se nada tivesse acontecido e pedir que ela volte para os seus braços!
— Eu não espero que ela volte, — ele encarou George — não sou idiota o bastante.
— Mas é idiota para oblivia-la, né? — George rosnava — Você não sabe como ela ficou, você não tem noção do que fez com ela. Por isso você nunca vai entender, só o fato de estar aqui já é idiotice.
— Os amigos dela pediram, quase me obrigaram, e eu não podia deixar de me explicar! — era Draco e ele estava se explicando para George, eu nunca havia visto Draco realmente dar satisfações para alguém.
Meu Deus, como em alguns dias eu senti um vazio tão enorme e agora esse vazio está na minha frente, era a falta dele, todo aquele vazio, aquele sofrimento. Foi naquela hora que comecei a chorar, me lembrando daquela dor enorme, daquele buraco negro em meu peito que foi causado por ele. As lagrimas escorreram pelos meus olhos e aos poucos o ruído na minha garganta apareceu, então um choro silencioso virou um choro desesperado, fazendo com que eu levasse minhas mãos até meu rosto, desabando e liberando tudo o que estava preso finalmente.
— Hermione! — disseram os dois em couro, então eu senti sua mão gelada em volta de mim, e eu nunca me senti tão aliviada na minha vida, o abraçando de volta e chorando mais, soltando tudo e descarregando toda dor que sua ausência causou. Chorei durante muito tempo, e durante todo esse tempo ele não me largou, eu podia sentir seu cheiro, seu toque, seu corpo. Podia sentir sua energia, imaginar o que ele estava pensando, toda essa ligação que temos é unica, é o amor que sinto por ele não me deixou nem sequer esquece-lo totalmente. Então quando acalmei e parei de chorar, ele limpou meus olhos com seus dedos cumpridos e gelados, e eu pude olhar para o seu rosto tão próximo ao meu.
— Eu te amo tanto, — ele disse baixo, como se dissesse para si mesmo — e eu sei que dessa vez eu estraguei tudo.
Eu apenas continuei fitando seus olhos cheios de lagrimas, que não paravam de penetrar os meus.
— Mas eu não aguentava mais te fazer sofrer por mim, se eu fosse preso, queria que você vivesse feliz, em paz. — ele acariciou meu rosto — E isso era a unica coisa que me importava, quando eu fiz o feitiço, eu assinei o meu atestado de óbito Hermione, eu estava pronto pra morrer.
As lágrimas voltaram a escapar dos meus olhos, eu quase podia sentir a ponta do seu nariz no meu, estávamos muitos próximos.
— Eu não sabia que você passaria por isso, pra mim você iria esquecer de tudo e conseguiria seguir em frente e ser feliz. Eu te amo Hermione Granger, e você é a única coisa que me importa. Enquanto eu aguardava o julgamento, eu estava em paz imaginando você em paz, mas eu queria morrer por que não há vida pra mim sem você.
Eu entendia, me colocando no lugar dele, sim. Mas seria difícil perdoa-lo, era como se eu não o conhecesse mais, mas o conhecesse inteiramente. O tempo que vivi sem ele, o que ele fez comigo, parece ter criado uma nova Hermione, que ainda estava ali quando minha memória voltou. Eu amo Draco, e vi como minha dependência e minha obsessão eram, o obliviate não funcionou direito, como isso pôde acontecer? E graças a Merlin aconteceu, já que era para eu estar sem minhas memórias, violada, presa em memórias que não eram minhas.
— O que te fez achar que estava no direito de mudar toda a minha vida? De arrancar as minhas memórias, as nossas memórias?
Ele arregalou os olhos e ficou calado, sem palavras, engolindo seco logo depois. Vi que George não estava mais ali no quarto, provavelmente para nos dar privacidade. Eu não sabia o que seria daqui pra frente, mas tudo isso serviu para bagunçar todas as minhas ideias, meus sonhos e meu futuro, agora eu sabia que estava tudo comprometido, e agora eu estava mais confusa do que nunca.
POV Draco
— O Juiz está pronto para falar com você. — disse o secretário, fazendo com que eu encaminhasse pra sala do Juiz.
Assim que entrei, me sentei na cadeira em frente a sua mesa e esperei que ele parasse o que estava fazendo e me falasse o porquê de me encher o saco antes da maldita audiência. Já havia semanas que eu esperava tudo isso acabar, e além da demora para uma simples audiência para apenas me condenarem a Azkaban, me chamam aqui em plena manhã para falar não sei o quê.
— Bom dia Sr Malfoy. — péssimo dia — Te chamei aqui porquê a audiência mudou seu curso esta manhã, o Sr Krum veio aqui e retirou todas as acusações contra o Senhor, tem algo a dizer sobre isso?
Na hora eu nem estava olhando para a cara do velho, mas assim que ele disse as ultimas palavras não pude deixar de olha-lo para conferir se não era gozação. Tirou todas as acusações? Não é possível, ele estava muito confiante em me foder a um mês atras! Foi então quando reparei que o Juiz estava me analisando, então despistei a cara surpresa e me mantive sério, o olhando.
— Não, não me surpreende. — cruzei as pernas — Já que não fiz nada demais com ele.
— Bom, essa questão é discutível, já que quem usou uma magia das trevas não queria fazer "nada demais" — ele disse pegando os papéis em cima da mesa — Uma nova audiência será marcada para semana que vem para concluir o caso, preciso que você esteja aqui ás 9:00. Mandarei uma coruja.
Concordei com a cabeça e ele me dispensou, então voltei para a Mansão. Então quer dizer que o Krum tirou TODAS as acusações? Isso significa que talvez eu seja livre? Coisa que eu havia desistido desde que obliviei Hermione, mas livre? Livre pra quê? Ela já está obliviada, não tenho mais nada para fazer aqui. Assim que cheguei eu me deitei na cama e fiquei o resto do dia, pensando nela. Diferente do que imaginei, achei que não conseguiria pensar nela sem querer me matar, mas a verdade é que nossas lembranças tem sido a única coisa que têm me mantido vivo, são e acordado, mesmo que o fato de ela não ter mais essas lembranças me faziam ter vontade de me enforcar novamente. Acho que eu não sou corajoso nem para me matar, sempre fui essa mesma merda, esse mesmo covarde e fracassado que sempre estive destinado a ser, mas pelo menos havia tirado ela do me caminho, agora quem sabe ela seria feliz. Mas eu precisava pelo menos entender o porquê de Krum ter tirado as acusações, e mesmo que eu seja livre, eu não quero mais viver, não sem ela. Eu estraguei tudo, de novo. Então como todos os dias, desde a ultima vez que conversei com ela, me empanturrei de álcool, para pelo menos conseguir dormir aquela noite.
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Mesmo com a bebida e os remédios, eu não consegui dormir nada naquela semana, já que tudo estava prestes a mudar naquela manhã, eu nunca ficara tão ansioso na minha vida. Então eu apenas tentava me acalmar, me lembrando das vezes que visitei Hermione escondido na Toca, só para ve-la alguns segundos e matar a vontade de pelo menos ter sua presença. Mesmo que todas aquelas rápidas visitas tenham me perturbado, ao ver Hermione morando lá de novo, sem ir trabalhar ou procurar algo pra fazer, e pior, sempre ao lado daquele clone ruivo, que me faziam querer esquecer tudo e partir em cima dele na frente dela. Acabei afastando aqueles pensamentos, que estavam piorando tudo, então minha atenção foi chamada para o Sr Victor Atrasado Krum, que entrou na sala de audiência com uma cara assustada e ansiosa, se sentando rapidamente.
Tudo foi mais rápido que eu esperava, eles questionaram bastante o porquê da retirada das acusações de Krum, e ele se intitulava mentiroso, dizendo que realmente não fora nada demais, e que fora tudo fruto de uma vingança por eu namorar "Hermione Granger", um nome que me fez arrepiar. Eles me fizeram poucas perguntas e eu fui sincero, já que não me importava mais ir ou não para Azkaban, e por fim disseram que enviariam uma carta no dia seguinte com a sentença. Portanto me levantei e fui embora, e assim que saí da sala e caminhava para fora do ministério, Krum me parou no meio do caminho.
— Preciso falarr com você. — ele parecia preocupado.
Eu apenas o olhei, acredito que ele seja a primeira pessoa que eu converso que não seja funcionário desse ministério e que eu conheça á cerca de um mês, depois dela.
— Como você pode obliviarr Hermione? — ele segurava meu braço ainda, desde que me puxou para um canto — Você é louco, doente, um verrdadeiro comensal da morte!
Como ele sabe? Ele tem a visto?
— Você tem visto ela? — eu disse baixo, ignorando todo o resto que ele disse, querendo tirar palavras dele, mais um correndo atras dela? Eles não esperam mesmo.
— Eu a vi essa semana! Ela foi até minha casa perrguntando sobre você, e depois passou mal e quase morreu, seu idiota desgraçado! — ele rosnava — Retirei as acusações por que ela pediu, por que na verdade eu gostarria de te ver apodrecendo em Azkaban!
Hermione pediu para retirar as acusações? Ela perguntou de mim? Não tem como isso acontecer, por Merlin, era pra ela se lembrar apenas de nós dois nos tempos de Hogwarts, era para ela me odiar de novo, será que eu errei no feitiço? Krum foi saindo e me deixando sozinho, mas eu o segurei desesperado.
— Ela se lembra de mim? — eu disse baixo, quase inaldível.
— Por que não vai perrguntar a ela? — ele parecia que queria me bater — Ela está no St Mungus, correndo risco de vida! — disse saindo quase correndo, e eu não pude mais segura-lo.
Foi então quando meu chão desabou, o que eu fiz? O que eu fiz? Hermione está correndo risco de vida? Mas o que o obliviate tem a ver com isso? Ela se lembra de mim, então ela sabe o que eu fiz com ela, ela deve me odiar agora. E pior, não odeia o antigo Draco, agora ela odeia o novo também. Eu perdi Hermione, de todas as formas possíveis, e ainda tenho chance de não ir pra Azkaban e continuar vivo nessa merda de mundo, de vida. Sem pensar duas vezes então, desaparatei para A Toca.
Eu estava bambo, e desaparatar piorou isso ainda mais, antes de andar em direção a porta da casa, tive que me apoiar no chão por uns segundos, então fui até a porta caminhando, mas parando no caminho.
— Seu filho da puta! — era o cenoura, ele estava no jardim e vinha correndo até mim com o punho fechado, que veio direto na minha cara, mas eu segurei antes que me acertasse. — Não vou nem tirar a varinha dessa vez! — ele dizia tentando me acertar de novo, e de novo, mas consegui desviar todas as vezes, até tropeçar num anão de jardim.
Quando caí, ele subiu em cima de mim e foi com a mão direto para o meu pescoço, mas eu não o impedi, deixei que ele fizesse o que queria. Mas essa atitude o surpreendeu, e ele não conseguiu apertar meu pescoço mais que dois segundos, soltou e me olhou confuso, levantando depois.
— Cade ela?
— Você ainda tem coragem de perguntar dela? — ele se enfureceu de novo, e dessa vez seu soco acertou meu maxilar em cheio. Porra, essa doeu!
— O que está acontecendo? — era Gina abrindo a porta da casa — Malfoy?
— Esse imbecil teve a cara de pau de vir parar aqui na nossa porta, o que você quer seu merda?
— Quero saber o que aconteceu? Por que ela está no St Mungus?
Gina correu até mim e deu três tapas no meu braço, gritando com sua vozinha aguda logo depois.
— Por que você fez aquilo? Você tem noção de como tem sido manter ela num mundo que ela não se lembra? Você acabou com a Hermione Draco, você acabou com ela!
Merlin, aquelas palavras pareciam facadas no meu peito, não era essa intenção, Merlin, não era essa a minha intenção.
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