My New Everything - Dramione
17 Away
Notas iniciais
POV Hermione
Cara Hermione,
Tenho algo para te contar, mas não se precipite em nenhuma decisão de sair Hogwarts quando eu lhe contar isso. Eu fui até seus pais, e usei o feitiço que os curava da memória. Como Draco havia me contado sobre sua história com eles, eu os tranquilizei e respondi a maioria das perguntas. Eles disseram que te escreveriam logo, entendendo perfeitamente sua decisão, e pediram para que você ficasse ai em Hogwarts, para terminar seu ano com sucesso. Ah, também disseram que te amam.
Você deve estar se perguntando porquê eu fiz isso, bom, é simples. Claro, pelo fato de ter salvado minha família e Lúcio logo depois, mas também como um pedido para que cuide de Draco, pois ele provavelmente receberá a notícia do seu pai e ficará arrasado, então por favor, o ajude por mim. Obrigada Hermione.
Não se preocupe com os efeitos de ter usado o feitiço em seus pais, as consequências virão para mim, não para eles. Era a única forma que eu poderia lhe retribuir.
Narcisa
Quando terminei de ler meu coração palpitava, eu estava incrédula e queria poder gritar, mas eu apenas corri para uma escrivaninha do quarto e procurei desesperada por um pergaminho e alguma pena. Achei ambos, bem velhos e comecei a escrever, a agradecendo Narcisa, mas preocupada com o que poderia acontecer e dando meus pêsames por Lucio, também a encorajando a se esconder o máximo possível, para não ser pega também. Quando terminei, guardei a carta e voltei para a cama, abracei Draco e dormi junto com ele, sonhando com meus pais.
xx
O que mudou em algumas semanas? Nada. Draco estava muito mal, e eu continuei tentando animá-lo, mas nada adiantava. A ligação dele com o pai era muito forte.
Sua crise de depressão estava grave. Eu entendia que Lucio sempre fora seu herói, ele o amava muito e estava extremamente preocupado e sem esperanças. Mas eu não via porque Draco não melhorava, ou se conformava, isso estava me preocupando muito.
A única coisa que me animou nessas semanas foram as cartas dos meu pais, que continham páginas e páginas, e as minhas cartas continham quase capítulos. Eu não via a hora de vê-los, que infelizmente só seria quando as aulas acabassem, e ainda faltava um tempo. Mas só de saber que eles se lembravam de mim novamente era indescritível.
As provas finalmente tinham passado e estávamos numa semana mais tranquila, sem trabalhos, apenas deveres. Eu estava voltando a andar com Gina, Harry e Rony, já que Draco preferia ficar sozinho e em seu dormitório. Muitas vezes ele sumia e eu só o via nas aulas, mas eu não forçava a barra, ele estava triste e eu entendia isso, apesar de me chatear, pelo fato de que eu queria cuidar dele, já que eu era sua noiva, mas ele não parecia se lembrar disso.
Infelizmente a forma como estávamos antes da prisão de Lúcio tinha acabado completamente. Nos víamos pouco, Draco estava inconsolável. Mas na maioria do tempo eu afastava esses pensamentos, para não ficar com raiva, já que sabia que ele estava passando por um momento difícil. Era tudo como um luto.
E foi assim que as coisas ficaram ruins, o tempo passou e Draco não mudava, continuava sombrio e sumido, e eu estava totalmente confusa, pois às vezes eu não via tristeza em seus olhos mais, ele parecia assustado, assombrado, e isso eu percebi quando o vi diversas vezes andando pelos corredores com pilhas de livros na mão, olhando para todos os lados vigiando quem o olhava, isso me deixou bem curiosa.
Naquela tarde eu estava lendo um livro trouxa na sala comunal, chamado "Orgulho e Preconceito", apenas para passar o tempo
— Vamos na biblioteca comigo? Acabei de voltar de lá e não achei o livro que eu queria, talvez você ache – Disse Gina me cutucando.
— Tudo bem – eu disse me levantando do sofá da sala comunal.
Era pleno sábado, e estávamos todos na sala comunal, será porquê? Porque todo mundo estava atrasado com os deveres por causa do campeonato de quadribol, o que não foi falta de aviso meu.
Eu e Gina fomos em direção a biblioteca e quando chegamos lá, ela estava bem cheia. Parecia que não era só povo da grifinória que estava atrasado.
— É de Herbologia, sobre aquelas flores irritantes, faladeiras.
— Hubre?
— Isso! – exclamou Gina.
Enquanto eu procurava o livro na sessão de Herbologia, um livro rosa com folhas estampadas na capa, vi Draco na estante do lado procurando concentradíssimo um livro. Quando o olhei quase fui em sua direção, mas ele já estava saindo de lá sem me ver, com dificuldade de carregar os livros, eu o observei curiosa. Ele andou até a porta olhando para os lados, vigiando, até trombar num garoto da corvinal.
— Olha por onde anda! – ele xingou catando os livros no chão.
Depois de pegar tudo, ele continuou, saindo da biblioteca. Fiquei um tempo observando, triste, decepcionada. Até avistar um livro preto, no canto, um livro que caíra da mão de Draco, mas ele não viu, e deixou pra trás. Corri até lá e o peguei, voltando para Gina e achando seu livro, indo em seguida para a sala comunal.
— Draco está ruim mesmo né? – comentou Gina.
— É. – respondi distraída, olhando para o livro preto.
— Como você está?
— Mal – admiti – queria poder fazer alguma coisa para a dor dele passar, mas parece que ele não me vê aqui, parece que se esqueceu de nós, de tudo. Eu sei que o que sentimos um pelo outro poderia passar por cima disso tudo. – aquilo fora como um enorme desabafo.
Quando chegamos na sala comunal, corri para o dormitório ignorando Harry e Rony me chamando para ajudá-los nos deveres. Quando cheguei, sentei na minha cama e abri o livro. Eu nunca havia visto aquele livro, o que me deu uma pontada de raiva, eu conhecia todos os livros!
Quando o abri e comecei a ler, de primeira já vi que era uma magia estranha, não era um livro de escola, no livro falava sobre portais que levavam para o lugar que queria, mas precisava ser usada magia negra. Tinha uma aparência muito velha, além do cheiro e algumas páginas descoladas. De primeira eu não entendi, o que Draco queria com um portal? Até que comecei a relacionar o fato de Lucio estar em Azkaban, mas meus pensamentos foram impedidos por uma Gina toda agitada.
— Hermione! O que você está fazendo aí nessa cama? Vai se arrumar, é a festa do George!
— Que festa do George?
— Não esta sabendo? Festa de inauguração da loja dele, aqui em Hogsmeade.
— Sério?
— Sim, anda! Vai arrumar! – disse ela já indo direto para o banheiro.
De primeira eu neguei, mas ela insistiu, então eu fui me arrumar junto com ela, uma festa até que não faria mal.
— Eu só vou chamar o Draco, e a gente se encontra na porta do castelo! – eu disse saindo correndo do dormitório.
De primeira eu fui no jardim, mas não o achei lá, apenas Josh, que me disse que ele estava na biblioteca. Corri até lá e o encontrei sentado numa mesa, lendo um dos livros em meio a pilha de outros.
— Oi. – eu disse ofegante.
— Oi – disse ele forçando um sorriso e fechando o livro que estava lendo.
— O que está lendo?
— Onde você vai arrumada assim? – disse ele olhando pra minha roupa.
— Então, eu iria te chamar para ir numa festa comigo.
Ele ficou me olhando, fitando minha roupa e meu rosto, me decifrando. Logo depois juntou seus livros, sem dizer nada e chegou do meu lado, dando um beijo em meu rosto.
— Não dá, tenho trabalho para fazer.
Ele já disse saindo, e eu me peguei em vários pensamentos, sabendo que na verdade, talvez, não era nada de trabalho. Então afastei meus pensamentos e reagi.
— Draco! Quando você vai voltar ao normal? Pelas barbas de Merlin, você precisa tentar melhorar. E você não respondeu, o que está lendo?
— Hermione, tenho trabalho pra fazer! O livro é do trabalho. – insistiu.
— Deixa eu ver! – disse eu colocando a mão em um dos livros, que logo foi afastada pela mão dele, segurando os livros em seguida. Eu o olhei incrédula e ele corou. Mesmo com raiva e confusa, os poucos toques que foram o beijo na bochecha e sua mão tocando a minha me fizeram sentir vontade de abraçá-lo, beijá-lo. Eu sentia muita falta dele, e estava aguentando até ali, mas eu não iria conseguir mais, eu precisava dele.
— Draco, por favor. O que está acontecendo?
— Hermione! É só um trabalho – disse ele se virando e indo para a porta da biblioteca.
Eu fui atras dele, furiosa e puxei seu braço, fazendo alguns livros caírem e ele ficou de frente pra mim, me olhando confuso e nervoso, seus olhos me fizeram por um segundo esquecer tudo, mas eu me recompus.
— É assim que você quer as coisas? Você saindo dando as costas pra mim? Ou você se esqueceu disso? – eu disse colocando minha mão em seu rosto, quase o tocando, mostrando o anel de noivado.
Ele não respondeu, apenas me encarou por um tempo e abaixou a cabeça, sussurrando "desculpa" depois, o que me pegou de surpresa. Ele não era de pedir desculpas, ou de não reagir, o que me deixou entre ele ter ficado mais humilde por causa do pai, ou estava tentando se "livrar" de mim.
— Não vai mesmo na festa?
— Não, pode ir, não se preocupe comigo.
— "Não se preocupe comigo" – eu o remedei revirando os olhos – caso você não tenha percebido, eu não sou esse tipo de pessoa, que não se preocupa. Poderíamos passar por isso juntos, mas você não quer minha presença, minha ajuda, simplesmente não me quer e eu estou exausta de insistir.
Eu disse já o deixando, porque era nítida a intenção dele de sair dali, então fiz esse favor.
Eu não estava nem um pouco afim de ir na festa, mas fui para distrair, tentar pensar menos em Draco.
Encontrei Gina, Harry e Rony no portão e fomos para Hogsmeade juntos.
— Não fica assim Hermione, talvez ele até apareça. – disse Gina.
— Muito difícil. Mas não se preocupe comigo, não quero estragar a noite de vocês.
— Claro que nos preocupamos! – disse Harry.
— Eu estou bem, sério!
— Sabia que esse Draco não era boa coisa. – disse Rony.
Eu nem respondi. Rony voltou a ser meu amigo de sempre, mas quando o assunto era Draco, ele era o mesmo ex-namorado ciumento de antes.
Quando chegamos na loja, que era onde seria a festa, ficamos boquiabertos. A loja não tinha comparação com a do beco, era maior em todos os ângulos, mais enfeitada e toda luxuosa. Tocava música alta e tinha várias luzes piscando, era como uma festa trouxa, eu sorri com aquilo. Alunos dançavam na pista, outros comiam no canto, onde tinha uma mesa enorme cheia de comida, e outros apenas conversavam. Lá já estava cheio, e eu só via alunos do sétimo ano, de todas as casas.
— Vamos dançar? – disse Gina com um sorriso enorme.
— Vão vocês, estou com fome.
Eu e Rony fomos comer algumas coisas, e depois ele me chamou para dançar, e eu aceitei. Estava com uma música lenta, então dançávamos colados.
— Sabe, Hermione, se você e o Draco não derem certo...
— Rony, – eu o interrompi – para.
— Tudo bem – ele sorriu. – Mas eu me preocupo com você, quero que saiba que estarei aqui quando precisar.
— Eu estou bem – insisti.
— Não, não está – ele olhou em meus olhos –, da pra ver em seus olhos.
— Eu vou ficar – desviei o olhar.
Ele então se manteve calado, e colocou minha cabeça em seu ombro, dançamos lentamente, mas ambos sabíamos que todo o carinho que sentíamos ali pelo outro era pura amizade.
xx
Já era bem tarde e as pessoas estavam indo embora. George, que estava bêbado, subiu em cima da mesa de comida e disse que queria fazer um discurso.
— Bom, eu treinei esse discurso, então vamos lá! Queria agradecer a Harry, que tornou isso desde o começo possível – ele disse olhando pra Harry e abrindo um sorriso amarelo – e queria pedir ao meu irmão Ronald Weasley – ele se calou, apertando os olhos e procurando Rony no meio das pessoas – ah, ai está você! – ele disse apontando pra Rony – queria que fosse meu sócio.
— O que? – Rony mudara a expressão na hora, assustado.
— Isso mesmo, não tenho com quem deixar essa loja, e você que está tão perto, gostaria que cuidasse dela. Confio em você Ron, e sabe, sinto falta de um irmão junto comigo no trabalho – disse ele abaixando a cabeça e começando a chorar na hora, alto.
Harry e Rony correram até ele, o acudindo. Logo depois a festa continuou, e eu e Gina estávamos conversando num canto, quando Pansy passou do meu lado.
— Então, sangue-ruim, – disse ela com cara de nojo – parece que Draco finalmente percebeu a perda de tempo que você é, não é? – ela riu – Já estava na hora, ninguém em sã consciência ficaria com alguém tão suja como você.
Quando ela disse isso, com cara de nojo, eu me lembrei de Draco na mesma hora, de quando ele era assim. Meu peito doeu, e fiquei com uma enorme vontade de chorar, um medo invadiu meu peito. Tive medo de um dia ver essa expressão em Draco de novo. Senti também raiva, pois eu não havia me esquecido de quando ela o beijou.
— Cala a boca sua filha da... – Disse Gina apontando o dedo pra Pansy.
— Respeito – interrompeu Pansy – aos seus superiores, traidora de sangue.
— Ah sua... – disse Gina já pulando em cima de Pansy e agarrando seu cabelo.
No meio da gritaria, puxei Gina de volta pela cintura, tentando separá-la da briga, ela se debatia e Pansy estava sendo segurada por Josh. Logo depois eu a acalmei, e comecei a andar em direção a porta da festa, me sentando num banco lá fora, sozinha. A festa lá dentro continuou depois que Gina se acalmou e os Weasley expulsaram Pansy da festa.
Parecia que faltava uma coisinha para eu explodir, o que foi Pansy. Eu realmente estava triste, com medo dele ter se cansado de mim, na mesma hora comecei a chorar, baixinho para que ninguém ouvisse. Draco tinha uma grande chance de estar se metendo com magia negra, estava longe e distraído, eu sentia uma falta enorme dele, era como se houvesse um enorme buraco em meu peito, um vazio que nada preenchia.
Cansada, me levantei, indo em direção ao castelo, aquela festa não mudaria nada, só piorou as coisas. No caminho, subindo as escadas, ouvi passos na escada de cima, e me inclinei curiosa, já era tarde, quem estivesse andando por aí não estava fazendo boa coisa, o que me surpreendeu, pois era Draco.
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