Notas iniciais
Fala pessoal, mais um capítulo pra vocês. Cada vez ficando mais claro. Não esqueçam de comentar o que estão achando! Desfrutem! ✨

7 de Junho de 94.
7 meses antes...


Pedalando rápido numa bicicleta surrada vermelha, eu ia quase sem fôlego ao som de "The Pretenders — Don't Get Me Wrong" no toca-fitas que eu peguei escondido do meu irmão mais velho, Hunter. Já havia perdido as contas de quantas vezes me atrasei naquela semana.
— Bom dia Luka! Atrasada de novo, como sempre! — Uma voz nada estranha soava do outro lado da rua, onde Larry, o carteiro, estava com sua bicicleta.
— Muito bom dia, Larry! quais as novas? — Perguntei, pedalado em círculos no mesmo lugar.
— Ah.. nada de novo, você sabe! — Respondeu ele indiferente.
— Não esqueci de nosso acordo! — comentei com um sorriso.
— Jornais por uma semana inteira em troca daqueles chocolates do Bank's? como eu poderia esquecer?
— Juro que ainda irei lhe pagar, se eu não perder o meu emprego hoje. — Digo seguindo meu caminho pela cidadezinha, deixando Larry para trás.
— Sempre me enrolando Luka Bennett! um dia eu me canso! — Ele seguia em direção à caixa de correio dos Hanson's.
Bank's era uma loja de conveniência/ loja de discos. Eu trabalhava lá, porque meses atrás, quebrei o toca-fitas de Hunter enquanto subia numa árvore, e o toca fitas caiu do meu bolso traseiro, se espatifando no chão. Hunter ficou uma fera, e eu prometi pagar o conserto. Arranjei um emprego temporário no Bank's até conseguir grana o suficiente para consertar o toca-fitas. Até lá eu tinha que suportar o Sr. Bank's, um senhorzinho ranzinza e chefe metido à besta que pegava no meu pé o tempo inteiro.
Após uma corrida desenfreada, chego na loja de conveniência, abandono minha bicicleta nos fundos, enfiando o toca-fitas na bolsa jeans. Entro sorrateiramente por de trás do balcão, coloco meu avental e...
— Lúcia Bennett! — um voz furiosa cochicha atrás de mim, me viro com lentidão.
— Sr... Sr. Bank's! bom dia — Ergui a cabeça lentamente.
— Sabe que horas são? Tinha que se atrasar logo no dia da visita dos sindicatos? — Ele se abaixara, provavelmente para não ser visto pelos homens.
— Bem, eu posso...
— Se houver mais um atraso, Lúcia, apenas um! não tem conversa, é rua! me entendeu bem!? fui claro o suficiente pra você? — Ele se ergue novamente, arrumando a roupa social improvisada e uma gravata borboleta horrorosa, indo em direção ao homens de terno, próximo à máquina de refrigerantes.
Eu detestava aquele lugar, cada detalhe dali, mas tinha que suportar até as aulas começarem.
Mais uma tarde tediosa se passava, com um clientes aqui e ali, organizando as prateleiras e refazendo palavras-cruzadas dos jornais que Larry me trazia. Sr. Bank's havia saíndo para fazer compras e renovar o estoque, então acho que ligar o rádio não seria problema. Vou até o balcão, me inclino para ligar o rádio velho, esquecido ali.
— Uma bela tarde ensolarada pra você! — O cara da rádio dizia.
— Só se for pra você. — Respondi, arrumando as caixas de maçãs.
— Agora vamos às mais pedidas da semana "R.E.M. — Losing My Religion".
A música começou a tocar e puta merda! como eu adorava aquela música!
Olhei em volta, não haviam clientes ali, já estava quase na hora de fechar, então não vi problema em fechar os olhos e me deixar levar naquela música.
Acredite, sua música preferida tocar na rádio nos últimos minutos de expediente é incrível pra quem teve um dia de merda. Comecei à arrumar às últimas coisas, girando algumas vezes perdida na música. Fechei os olhos lembrando-me da última festa que fui, em que dancei até não aguentar mais. Pronta para fechar o Bank's, ainda dançando de olhos fechados, me viro e bato de frente com um homem. Meu coração dispara.
— Aí meu Jesus! me perdoe! — Digo assustada. Como não ouvi o sino da porta? o rádio estava tão alto assim? estava realmente perdida em meus devaneios!
— Sem problemas! — ele diz com um sorriso — eu tentei anunciar minha presença mas não quis atrapalhar sua dança. — Era um homem de 1,80 mais ou menos, uma barba falhada e cabelos não muito grisalhos, tinha no máximo uns 27 anos. Parecia sair de uma reunião cansativa de trabalho, pois tinha a gravata folgada no pescoço e as mangas da camisa social branca estavam dobradas. Ele ainda sorria e eu queimava feito fogo de vergonha.
— Es...estamos quase fechando, posso ajuda-lo? — Me dirigi ao balcão de atendimento tentando disfarçar o momento anterior.
— Bem, só esse maço de cigarros, vocês têm fogo? — Ele abria a carteira.
— Claro — O entreguei o isqueiro enquanto ele deixava uma nota de 50 no balcão — 4,95$ — Ele abre o maço e pega um cigarro.
— Certo, fique com o troco, garota dançarina. — Ele sorria de lado indo em direção à porta. Ao notar que o homem havia saíndo, me sentei procurando fôlego, minhas pernas bambeavam. Quem era aquele homem? Porquê nunca o tinha visto? Uma cidade pequena conhece tudo, todos e mais um pouco. Estava realmente curiosa.
Minutos depois já estava trancando as portas do Bank's quando alguém lhe surpreende.
— Ora, Ora se não é a aniversáriante mais procurada da cidade! onde você se meteu? — Um Sam puto da vida carregava um embrulho nas mãos.
— Onde eu me meti? onde acha que eu me meti? estava trabalhando, oras! que história é essa de "aniversáriante"? — Pergunto sem fazer idéia do que ele dizia.
— seu aniversário, Luka! — Alguns segundos pra tudo fazer sentido, 7 de Junho. Estava tão tensa e ocupada que esqueci do meu próprio aniversário.
— Feliz 16 anos! — Sam me puxava para um abraço.
Conheci Sam no Fundamental, enquanto um garoto o afogava na privada do banheiro feminino. Me lembro bem da cara ensanguentada de Dean Carter depois que o soquei na cara, minha mão doeu por uma semana e fiquei em detenção por impedi-lo de afogar Sam na privada. Aquela escola não fazia sentido. Mas depois disso ficamos amigos.
— Vira. — Ele me pediu.
— Pra quê? — Perguntei.
— Vira logo! — Me virei e ele colocou em meu pescoço um colocar prateado, o pingente era uma flecha, quase imperceptível. — O que acha?
— Cara, ela é linda! onde arranjou grana pra isso? — Pergunto lhe dando um soco no ombro.
— Não importa. — ele erguia sua bicicleta prata do chão. — Vamos pra sua casa, não deveria dizer mas tem uma coisinha que seus tios fizeram pra você.
— Caralho! eles não aprendem mesmo. Eu odeio essas coisas. — Subo em minha bicicleta, seguida por Sam, indo em direção à minha casa que era à quatro quarteirões dali.
— Eles deram duro, não seja uma cretina e finja estar surpresa!
Assim seguimos pra casa pra minha "suposta surpresinha" de 16.

Notas finais
Bem pessoal por enquanto é isso, vou descrevendo cada personagem conforme forem aparecendo na história. Vou desenrolando aos poucos pra ficar bem claro pra vocês! Dúvidas? Só perguntar! Até breve! Beijinhos ✨