My Name Is Luka.
3 O Caz.
Notas iniciais
Chegando no final da rua Monkeys n° 95, podíamos avistar a minha casa, que era a última da rua. Amarela, não tão grande, com um jardim e a caixa de correios meio entortada. Em frente já podíamos ver a caminhonete antiga do tio Ben estacionada.
— olha só, me deve um cigarro depois daquele dia na biblioteca. — Sam dizia com aquela cara de quem sabia algum segredo.
— Não fui em nenhuma biblioteca esta semana... — respondo indiferente.
— Exatamente! disse pro seu tio que estaria na biblioteca mas não estava, afinal de contas, onde estava? — Ele perguntou deixando sua bicicleta encostada na varanda, seguido por mim.
— Não é da sua conta, inclusive, sua mãe sabe que anda roubando os cigarros dela? — Digo em um tom de diversão.
— Ela não precisa saber.
— E agora quer roubar os meus em forma de suborno?
— Não é suborno, é um negócio. Você não conta pra minha mãe que sou um "viciado" e eu não conto que cê tá se atracando com o Mike farmacêutico, que aproposito, é anos mais velho que você, sabia disso?
— Já ouviu falar em chute no saco?
— Já ouviu falar em pedófilia? — Eu o encaro séria.
—Cretino. -Lhe entrego um cigarro — Você venceu. — Sam guarda o cigarro no bolso do casaco xadrez, com um sorriso maroto.
— Porra, tudo isso por um cigarro? daqui a pouco terei que contratar um advogado.
— Prazer, Samuel. Seu advogado! — Ele ria subindo as escadas, abrindo a porta de casa. Levou dois segundos pra uma mistura de vozes gritarem "surpresaaa".
Todos em volta de uma mesa, com bolo e velas. Não conseguia destinguir quem era em volta mas consegui reconhecer Alex bem ao lado com seus cabelos lilases, até que as luzes se acenderam.
— Faz um pedido, Luka! — Ouvi tio Fred berrar. Me aproximei da mesa e não conseguia pensar em nada de útil. Então só respirei e assoprei.
— Vocês me pagam! — declarei para os tios Bem e Fred. — Disse que não precisava disso!
— Não se faz 16 anos, todos os dias! — Tio Fred, sorria me abraçando.
— Na verdade todos os dias só se vive uma vez, tio Fred. — Sorrio num abraço.
— Mas obrigada! de verdade, vocês são uns teimosos! mas eu adorei! adorei a decoração e esse bolo, que se não estiver errada é o de chocolate belga!
— Seu favorito! — Alex gritava atrás de mim.
— Obrigada... de verdade! eu... nunca sei oque dizer nessas situações então, vamos comer pelo amor de Deus! — Todos riram e alguns amigos vieram me desejar felicidades. Não eram muitas pessoas, mas eram as essênciais.
— Gostou? — A voz de Alex, surgia atrás de mim.
— Sua traíra! sabia de tudo!
— Mas é claro, eu que organizei! o Sam não te contou nada né? — Ela disse alto o suficiente pra ele ouvir do sofá. — Se não eu...
— Não, ele não me disse nada, mas eu suspeitei. — Menti.
— Parece que alguém está procurando motivos para me matar não é? — Sam se aproximava.
— Não, você só é péssimo com segredos. — Alex me entrega um pedaço de bolo.
— Vou esperar lá fora, ok? — Sam fez um sinal pra Alex e sai de casa.
— Esperar lá fora? porque? — Pergunto.
— Saca só... tá rolando um showzinho super legal de uma banda da cidade, lá no caz, a gente podia ir! — Alex dizia super empolgada.
— Show...? No Caz...? Seria demais... se meus tios super protetores não me impedissem de ir... — Um Benjamin me olhava com severidade.
— Só se faz 16 uma vez tio Ben... — Eu o olhava com drama.
— Te quero as 12h em casa! — Em um Salto, corri e o abracei.
— aaaaaa Obrigada, obrigada, obrigada! não voltarei tarde juro, prometo! — Abracei Fred e peguei meu casaco.
— MEIA NOITE, LUKA! — Eu o ouvi gritar de dentro da casa.
— E ai? vamos? conseguiu os convencer? — Sam já estava na bicicleta.
— Por um milagre! vamos que hoje eu preciso enlouquecer. — pego minha bicicleta, seguida por Alex.
O Caz não era tão longe Dalí, era onde as pessoas se reuniam pra se divertir no "parque de diversões" ou pra se divertir bebendo. Nós íamos pra beber. Era sexta-feira então estaria lotado.
Pedalamos por cinco quadras enquanto Alex e Sam discutiam sobre os caras da banda serem ou não Gays.
— Mas é claro que são, o vocalista usa esmalte nas unhas! — Sam dizia.
— E oque isso tem a ver? você tem esse cabelo de lado horrível e ninguém te questionou ainda. — Alex debatia.
A Alex era o tipo de amiga que estava sempre afim de um debate, seja por bandas, políticos e até mesmo sabores de sorvete. Ela era a "de lua" de nós três, estava sempre mudando. Hoje por exemplo, seu cabelo está lilás, ontem ela estava ruiva, dizia se enjoar da própria cara as vezes. Não é a toa que era bissexual. Com o tempo nos acostumamos com suas mudanças repentinas.
Eu a conheço desde criança, crescemos juntas e quando tudo se complicou, a família dela estava lá comigo. Mas falaremos disso outra hora.
— Está lotado! vamos conseguir algo pra beber pq eu tô afim de dançar. — Ouvi Alex dizer, guardando a bicicleta.
— E como vamos arrumar bebidas? — Sam olha ao redor e tira seu cigarro do bolso e um isqueiro.
— Greeeeg? hey, Greg! -Ela acena pro Capitão do Time de futebol da escola.
— Tá, desde quando você fala com o Greg, Alex? — Pergunto, sem entender.
— Eai, Alex! — Ele se aproxima. — Como vai Luka? e... privada? — todos os caras com ele dão risada, esse apelido pegou pro Sam depois do acontecimento no quinto ano. Alex cochicha algo no ouvido de Greg, que sorri e vai em direção ao Pringle's, um barzinho.
— Oque você disse a ele? — Pergunto.
— Tetas em troca de umas cervejas, você sabe, esses caras são muito fáceis de se negociar. — Dou uma leve gargalhada, porque era verdade. Enquanto um dos amigos do tal Greg faziam piadas com os caras da banda que estavam tocando, dei um boa olhada ao redor do Caz, estava lindo, bem iluminado pra uma sexta feira qualquer. Haviam muitas famílias alí, casais de namorados, alguns jovens se divertindo. Tudo parecia em perfeita harmonia até que um rosto famíliar me chamou a atenção. Em um grupo de homens que estava passando vi um sujeito que havia visto mais cedo, com àquela mesma camisa, aquela mesma barba falhada e aquele mesmo cabelo grisalho. Era o homem que havia atendido no Bank's mais cedo.
Logo que ele reparou meu olhar sobre ele, desviei imediatamente. A banda estava tocando um cover de "Cry in The rain" do A-ha. Quando eles passaram por nosso grupo de adolescentes idiotas, eu voltei a olha-lo na esperança de que ele não me visse. Mas ele permanecia ali, olhando, e foi como se o tempo passasse em câmera lenta. Como se aquele momento só estivesse sendo vivido por mim e por ele e a música.
Naquele momento tudo começou.
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