Notas iniciais
Demorei mas postei ✨

O Caz já estava esvaziando, haviam casais e rodas de amigos aqui e ali, mas a maior parte das pessoas já tinham ido embora. Não passavam das 23h e os brinquedos e Quiosques estavam se fechando.

— Que droga! — Exclamou Sam, colocando outro cigarro na boca — Não tem mais um barzinho se quer aberto nesta porcaria de cidade?

— E você quer o quê? metade das pessoas já foram embora, só os que restam aqui são trombadinhas e pervertidos querendo trepar atrás das árvores — Disse descendo do muro em que estávamos sentados, eu, Sam e Alex. — Outro cigarro? quer morrer antes dos 30? — Tomei o cigarro das mãos de Sam e o traguei por alguns instantes.

— Alex? tá calada demais oque que cê... ah... saquei. — Alex olhava por de trás dos carros do estacionamento, onde estava Katie e sua roda de amigos.

— Você não disse que ia desencanar dessa garota? — Perguntei.

Alex e Katie namoraram à alguns meses até as duas concordarem de revelar pros pais que eram lésbicas. Alex revelou ao tio George, seu pai, que era homossexual e por mais louco que parecia ser, ele disse que já sabia. Alex cresceu com seus 5 irmãos, todos homens e sem sua mãe que faleceu de câncer no ovário quando ela tinha 6 anos. Isso à fez crescer sem influência feminina alguma, alguns achavam que era por isso que ela abandonou a maquiagem e se inscreveu no futebol da escola.

Alex sempre amou Katie e manteu-se fiel ao trato das duas de revelar quem eram de verdade para seus pais.

Katie não. Os pais de Katie eram extremamente severos e quase não a deixavam sair, ela contava. Depois que ela decidiu que tudo não passou de uma loucura e que seus desejos por Alex haviam sumido, ela quebrou o trato e nunca mais falou com a Alex.

Isso a fez chorar por semanas e desacreditar totalmente no amor, mas aparentemente ela não a tinha esquecido nem por um momento.

— Eeeeeeei, planeta terra chamando Alex! — Sam a sacudia.

— Oque é, porra? — Alex parecia irritada.

— Vamo embora, isso aqui tá um saco! — Eu disse colocando o casaco. Começava uma chuva branda em toda a cidade, molhava toda a grama ao redor e algumas pessoas começaram à correr para se abrigar. Ergui minha cabeça pra sentir as gotas e era como a sensação de estar livre.

— Podem ir, preciso fazer uma coisa — Alex descia do muro com rapidez, indo em direção ao estacionamento onde Katie estava.

— Pera ai, oque que cê vai fazer? — Perguntei sem entender.

— Uma coisa que preciso fazer à muito tempo. — Alex saiu em disparada e Sam a segurou pela blusa.

— Alex... não faz isso. Não vale a pena! Pensa um pouco e..

— Eu já pensei demais, Samuel! — Ela se soltou e continuo seu destino.

— Porra! oque ela vai fazer? não cansa de sofrer? — Sam dizia sem entender aquela cena.

— Deixa pra lá, vamos sair daqui. — Corremos até a cobertura de um quiosque que estava fechado.

— E agora? esperamos? — Sam dizia — Se ela ia foder com a nossa noite era melhor ter dito mais cedo que eu ia...

— SAMUEL MYERS! Tá fazendo oque aqui? mamãe sabe que ta aqui? — Melanie, irmã mais velha do Sam, se aproximava com o namorado Billy.

— E ela sabe que está aqui? com ele? — Sam a desafiou.

— Vai se foder, não é da sua conta! agora vem, Billy vai levar a gente pra casa!

— Oi pra você também Melanie! — Acenei forçadamente pra ela, que me ignorou.

— Anda Sam, vai com eles e eu espero a Alex — Sugeri.

— Luka, vem com a gente, cê nem sabe se ela volta pra casa. — Ele disse num tom de preocupação.

— Relaxa, ela volta comigo, pode ir. — Billy buzinava sem parar — Anda logo!

Sam correu até o carro discutindo com a irmã que era insuportável.

Logo o carro deles sumiram pela estrada. A chuva continuava caindo.

Agora já não se via ninguém no Caz, apenas Katie e Alex que pareciam não se importar com a chuva. Depois de 5 minutos de conversa, senti que deveria ter ido com o Sam. Depois de 10 senti quem nem deveria ter ido ao Caz aquela noite. 12 minutos e elas entraram no carro, aquilo me assustou, se elas estavam partido significa que Alex nem me viu ali. O carro de Katie virou na esquina de baixo que levava à rua Brigitte Bardot, onde se cortava caminho pra ir até a casa de Katie.

— Não tô acreditando! — Desci a rua onde estavam as bicicletas, desencadeei a minha, furiosíssima. Queria estrangular Alex por não ter se preocupado em nos procurar e estrangular Katie por ser uma otária indecisa.

— Eu vou matar essas vadias. — Sussurrava pra mim mesma. Não passavam de 00h, ainda podia ter gente voltando pra casa.

A rua Carl Albert, era a rua de cima, por onde Sam voltou pra casa. Era mais iluminada que a de baixo e mais segura pra aquele horário. Peguei minha bicicleta e pedalei rápido. Passavam caminhonetes, alguns imbecis ofereciam carona de forma obscena, mas não me importava.

Metade do caminho a chuva começou a engrossar e comecei a pedalar com dificuldade, já que minha bicicleta clamava por um concerto.

Depois de muita dificuldade, sentia minhas mãos congelando e minhas pernas falhando. Mas tinha que chegar em casa o mais rápido possível ou tio Ben me mataria.

Quando cheguei no meio da estrada, um carro passou em toda velocidade por uma poça de água me encharcando inteira, aquele foi o fim pra mim.

— Caralho! -Exclamei de ódio por aquela noite, já não era meu aniversário, então se iniciava um dia péssimo.

Pra minha surpresa o carro parou à alguns quilômetros e começou à voltar lentamente.

Comecei a me arrepender por ter chingando seja lá quem era. Meu coração pulsava dentro do peito e o ar me faltou. Oque poderia acontecer? qualquer um poderia me machucar ali e ninguém suspeitaria de quem foi.

Continuei pedalando sem cessar, minhas forças voltaram de alguma forma, porém não era rápido o suficiente. Até ouvir uma voz de dentro do carro.

— Hey! — Temerosa, não olhei pro lado, só pedalei.

Ouvi alguém sair do carro e senti que iria morrer ali mesmo. Ouvi passos de alguém correndo até a mim até me alcançar.

— Por favor não... — As palavras saltaram da minha boca até ouvir uma voz.

— Hey! poxa, eu sinto muito mesmo! não queria ter te dado um banho só... espera aí. — Não tive coragem de encarar quem era, mas por algum motivo, reconhecia a voz.

— Você não é aquela garota do Bank's? — Surpreendentemente era o homem que aparecera no Bank's mais cedo para comprar cigarros.

— Poxa, mil perdões, moça! eu não quis te molhar, estava passando e quase não a vi...

— Tá... tá tudo bem, eu... só quero ir pra casa. — Fiz menção de continuar meu caminho.

— Eu não quis te molhar, pelo menos me deixe lhe dar uma carona, tá uma puta chuva aqui e esse lugar é perigoso e..

— Se não encontrar mais gente como você eu tô no lucro, agora me dê licença, sim? não aceito carona de estranhos.

— Sou Adam... Adam Grint, sou tio da Carly Simon, conhece? — Carly era uma garota nerd e solitária da escola, só a conhecia de vista e mais nada.

— Olha, eu sinceramente não..

— uma carona! sei que é um convite duvidoso mas é apenas isso, não irei lhe fazer mal algum, é o mínimo que eu posso fazer depois de molhar a filha do Bruce.

— Bruce? — Perguntei.

— Bruce Bank's, você não trabalha pra ele? não é seu pai?

— Não, eu só trabalho pra ele e que porra é essa? — me abaixei, a pneu traseiro da bicicleta estava murcho, por isso não conseguia pedalar direito — Mas que droga! meu tio vai me matar!

— Eu posso te dar uma carona se quiser.

Olhei pra frente e tinha muito chão até chegar em casa. Não tinha o que fazer.

Aceitaria a carona de um estranho no meio da noite ou continuaria ali na chuva com uma bicicleta destruída? Num impulso acabei aceitando.

— Tá... mas só até a primeira rua.

— Como quiser! vamos colocar sua bicicleta no porta malas. — Ele a pegou e enfiou no porta malas, abriu a porta do passageiro pra mim e eu entrei meio sem jeito e um tanto receosa, tentando trazer à memória os golpes de jiu-jitsu e defesa pessoal que aprendi na terceira série. Tão util quanto nada.

Ele entrou no carro.

— Nossa, oque fazia numa rua como essa, à essa hora? — Ele perguntava sem obter resposta.

— Tudo bem, sem intimidade. Seus pais devem estar preocupados. — ele dirigia e eu torcia pra ele não mudar de caminho.

Me lembrei de o ter visto mais cedo no Caz acompanhado de algumas pessoas, aquele olhar... aquele olhar seria capaz de ferir alguém? me ferir?

A rua seguinte era a mais próxima da minha casa.

— Aqui está bom... bem, obrigada pela carona eu...

— Tudo bem, já está praticamente em casa, da pra parar de falar como se estivesse na companhia de um monstro?- ele riu.

— Imagino como deve ser pra vocês, mulheres, num mundo como esse qualquer gentileza é suspeita. Eu entendo, vou pegar sua bicicleta. Você está bem? — Perguntou ele, me olhando.

— Sim, eu estou bem, vamos? — sai do carro e esperei ele tirar a bicicleta quase destruída.

— Acho que ainda dá pra concertar. — ele a colocou no chão.

— olha, Adam, muito obrigada mesmo pela carona, você foi muito gentil.

— não foi nada, espero que não arranje encrencas. — O vi fechar o porta malas e abrir a porta do carro novamente.

— Eu... posso ao menos saber seu nome? — quando o ouvi, eu já estava na metade da rua de casa, me virei me perguntando se deveria dar essa informação. Mas como da primeira vez as palavras saltaram da minha boca.

— Luka. Só... Luka.

— Luka. Foi um prazer, "Só Luka".

Ele entrou no carro e seguiu seu caminho.

— Foi um prazer

Notas finais
CARACA, quanta informação num só capítulo! Falei um pouco da Alex que é uma personagem essencial pra Fic. Prometo que falarei mais sobre o Sam também. Os dois são importantíssimos e espero que estejam gostando! até mais galeres! ✨