My Magic Word
2 Carls, lobo fofinho.
Notas iniciais
Capítulo II
Carls, lobo fofinho.
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Chitanda: Não consigo parar de pensar sobre isso!
(Hyouka)
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Lauren
Suspirei, cansada. Para mim, tínhamos caminhado por eternas horas, e, em círculos. Mas, todos afirmavam que não tinha passado nem ao menos uma hora inteira. E o pior, parecia que aquele rosnado nos perseguia.
Eu gostaria de ter uma frigideira agora. Como nos bons tempos em que eu trabalhava com minha mãe na cozinha do restaurante de meu querido pai e precisava dar uma panelada na cabeça de alguém. Eram bons tempos...
Como o lugar era tão calmo que começava a dar medo, andávamos em fila. Como Arthur, com seu famoso tsc, e Teddy, o arrumador de óculos, achavam que eu e Mallory éramos umas medrosas, nos colocaram no meio deles, o que eu achava bem desconfortável.
Arthur, o primeiro da fila indiana que seguíamos, afastava o mato sem pressa e com as próprias mãos, parecia um bom líder, pelos meus olhos.
Mallory, em minha frente, andava de um jeito tão calmo quanto o lugar, o que chegava a dar calafrios para quem quer que fosse que passasse e olhasse de longe. Eu não conseguia tirar de jeito nenhum os olhos de um colar que a garota usava. Não sabia bem o que estava me chamando mais atenção. Waa, sabia sim porque me chamava tanta atenção.
Aquele colar lembrava uma coleira. Uma coleira de metal. E bem apertada, por sinal.
Andar cansava, e como cansava... Andávamos, andávamos, andávamos e cada vez a exaustão pedia para ceder aquela caminhada.
Todos os meus colegas pararam tão bruscamente de andar que até me assustei e acabei caindo em em cima da pessoa a minha frente, de que, lembrando em seguida, era Mallory.
Segui o olhar assustado de todos os três. Lançavam aquele simples olhar para o meio da mata, não muito longe de onde estávamos. E consegui definir direitinho para onde estavam olhando. Até porque de lá vinha uma luz que ofuscava e obrigava qualquer um que tentasse ver a semicerrar os olhos até que a vista escurecesse e ficasse mais fácil – muito mais, digo por mim mesma – de enxergar.
– Nós vamos para lá? – Teddy perguntou com um ar de dúvida estampado no rosto.
E Mallory nem ao menos se deu o trabalho de responder, simplesmente saiu correndo.
– Tsc... Ah, que se dane! – Arthur, com seu tsc lendário, exclamou e saiu correndo na direção daquela coisa tão brilhante à ponto de ofuscar a vista de humanos.
Olhei para Hawdone, que continuava parado ao meu lado.
– Você não vai, não? – perguntei.
– Por que não vai você? – ele cerrou o olhos e se abaixou, ficando na minha altura.
– Medroso. – fechei a mão e dei um soco de brincadeira em cima de sua cabeça.
Ofegante, segui o caminho que o Monfreed e a Beladro tinham passado. E gente, como aquele caminho parecia gigante! Não aguentando, sentei em uma rocha qualquer e soltei um suspiro de alívio. Waa, não sei porque é tão bom ficar assim, sentada sem fazer nada.
– E eu sou o medroso? – Teddy puxou minha mão direita, que estava mais perto, e se colocou a correr. Filho da mãe. Ninguém me deixa descansar?!
Demorou, mas chegamos lá.
Oh, criador. O que eu vi foi tão estranho... tão magnífico. Eu nem sabia o que era aquilo. Um albino com... orelhas de lobo? Espera... Mas que droga é essa? Uma... Não! Não mesmo! Uma cauda?!
Ele conversava de um jeito nervoso com Mallory, mas a mesma parecia não ligar.
Me esgueirei para prestar atenção na conversa dos dois, mas nada adiantou. O estranho virou a cabeça em minha direção e sua cauda ficou balançando como se fosse algo muito normal.
– Esse é... – Mallory ia apresentar o garoto desconhecido.
– Eu posso muito bem me apresentar. Sou Carls Craig. – disse ríspido. Me pergunto, sabe, por que diabos todos os garotos daqui são assim?!
Mallory colocou sua mão em cima da cabeça do garoto, dando um sorrisinho, disse:
– Mas você parece um gato! Nekos¹ são tão fofinhos! – Mallory respondeu com os olhos brilhando como estrelas em dia de lua cheia.
O “neko”, apelidado assim por Mallory – algum dia eu contaria isso aos meus filhos, claro – ficou rubro. Waa, Criador! Mas, isso não está cedo de um jeito exageradamente rápido?
– Eu não sou um gato! Hey, só porque tenho orelhas e cauda – Carls colocou as duas mãos sobre a cabeça e continuou – não significa que eu seja um gato! Sou um lobo! L — O — B — O!
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Depois das apresentações feitas para o gato... quer dizer, lobo, eu quase dormia enquanto todos jantavam algo que Carls tinha caçado antes de nós o “atrapalharmos”.
– Esse mundo é uma loucura... – Arthur repitia sem pausas. – Uma loucura! E aliás, por que diabos estamos aqui?
– Vocês estão enganados, não existe nenhum mundo além desse. – Carls tentava convencer a todos.
– Mas é claro que existem! E não sou poucos, digo. – Teddy se intrometeu.
– E não tem como ter só um mundo! Gatos... Lobos! Isso. Lobos que nem você não existem no nosso mundo, nem pensar! – Mallory entrou na conversa.
Enquanto a conversa seguia, eu pensava naquele colar. Colar? Na verdade, quero dizer coleira. Não tem como ser um colar.
– Mallory... – chamei.
– Sim? – a garota respondeu parando de falar com os garotos.
– Por que você está usando esse tipo de colar? – apontei para o lugar em que o “colar” era visto. Aquela pergunta atraiu a atenção de todos.
– Colar? Mas eu não uso nenhum colar... – Mallory foi aproximando a mão de seu próprio pescoço e simplesmente gelou quando viu que realmente estava usando um.
“E eu tive certeza absoluta, que, naquela hora, Mallory sentiu um calafrio tão grande quanto todas as vezes que se metia em perigo.”
¹Nekos ~ Gatos
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