My Magic Word
3 Um colar ou uma coleira?
Notas iniciais
Capítulo III
Um colar ou uma coleira?
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Satochi: O melhor de lidar com um mistério é com outro mistério.
(Hyouka)
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Mallory
Mas é claro que eu não estava com um colar... Que bobagem! Até porque eu não gostaria de usar essa coisa tão cedo. Meu passado não deixaria de jeito nenhum.
Mas, assim que coloquei a mão em meu pescoço e senti aquela coisa fria e dura no local em que meus pesadelos viravam realidade, quase caí em desespero.
– Colar? Mas eu não uso nenhum colar... – disse com um calafrio que não ficou somente na espinha.
– Mas isso não parece um colar. – Teddy colocou a mão no queixo, pensando.
– Sim, sim. Acho que isso se parece mais com uma coleira! – Lauren cruzou os braços e olhou para o que ela achava ser uma coleira.
Minhas mãos tremiam enquanto ouvia o comentário dos meus não tão novos colegas.
– Tsc. É só um colar, pra que esse desespero todo de vocês? – Arthur ergueu uma sobrancelha.
– Acontece que ela disse que não usa nenhum colar. – Carls imitou o gesto de Teddy e depois se aproximou de mim, parecendo que tinha começado a examinar aquela coisa que tinha praticamente se teletransportado para o meu pescoço.
– Mas ela pode ter se esquecido disso. – Arthur disse o que pelo menos outra pessoa do pequeno grupo já pensava..
Virei a cabeça de um lado para o outro repetidas vezes, mas é claro que não. Mas, com certeza eu ia dar um jeito de tirar essa ‘coleira’, como todos tinham começado a chamar.
– Já vi essa coisa no pescoço dela em algum lugar. – Carls levantou colocando as mãos na cintura, enquanto olhava para o céu.
– Onde você viu? – Lauren perguntou.
– Tsc, se ele soubesse, ele falaria, baka! – Monfreed retrucou para a mesma.
Lauren, agora bem mais acordada que antes, pegou um galho que estava perto da fogueira que Carls, o único que pelo menos sabia sobreviver numa floresta, tinha feito, e atirou em Arthur.
Arthur ignorou Lauren e também o galho, apenas chutando o objeto.
Teddy tossiu fazendo as atenções se voltarem para ele.
– S-sim? – perguntei com as mãos em volta de meu pescoço, como se quisesse protegê-lo.
– Você consegue tirar isso? – indagou o garoto.
– Na... – travei. Eu não queria nem pensar em tentar arrancar o colar de meu pescoço, eu temia isso. – Não posso.
– Por que não? – Carls se sentou ao meu lado.
Eu não estava pronta para falar aquilo. Não para mim, não para os outros. Então... sim, eu tentaria tirar o colar!
– Quer... quer dizer! Vou... – empaquei de novo – vou tentar!
Com as mãos tremendo, puxei o colar com medo. Muito medo.
Aquilo era frio, pesado de grosso. Realmente, uma coleira.
– Não consigo... – falei baixo.
– Ajuda? – Lauren disse.
Balancei a cabeça num gesto positivo.
– Espera. – Carls fez algo com o braço direito, pedindo para Lauren esperar, já que a mesma tinha se levantado. – Mallory? – chamou.
– Si-sim? – perguntei preocupada.
– Venha cá. – ele me agarrou pelos ombros e depois afastou meus cabelos para que ele pudesse ver meu colar por trás.
Senti seu nariz perto de meu pescoço. Ele estava... cheirando o colar? Mas o que?!
– Nunca vi esse cheiro em lugar nenhum. – ele ergueu uma sobrancelha.
Logo dito isso, tenho certeza que eu poderia ver uma lâmpada acesa em cima da cabeça do neko... quer dizer, lobo.
– Eu me lembrei! – Carls estalou os dedos, soltando meus ombros antes.
Na hora em que o menino-lobo falou aquilo, Lauren e Arthur, brigando até agora, se sentaram numa posição inocente na terra, como se dissessem: “Não fiz nada”.
– Eu me lembro que eu voltava da feira naquele dia, e que no caminho, crianças estavam em uma rodinha, sei lá, contando histórias.
– Ah, fala sério, você nem sabe se a história era verdadeira! – Teddy se meteu.
– Gia! Não me interrompa, tenho certeza que vocês começarão a entender mais tarde... – e continuou a história. — Me lembro que na hora, tinha uma garota maior que todos lá, e ela carregava nas costas uma aljava, o que significa que ela era uma arqueira, tenho certeza. Era ela que contava a história, e é por isso que eu tenho certeza que é verdade. Porque ela era uma arqueira do rei.
– Waa, e daí que ela é uma arqueira do rei? – Lauren se meteu, com uma cara suspeita de que queria interromper o gato, quer dizer, lobo, de propósito.
– Gia!! Já falei para não me interromper... Mas, isso é uma ótima pergunta. – Carls se virou para onde a garota estava. – Arqueiros do rei são misteriosos, dizem que se envolvem com coisas bem mais que perigosas e é quase um milagre podermos vê-los. E as vezes, quando você o vê, é morte certa...
– Eles não podem ser tão perigosos! – cortei.
– Gia! – ele me olhou com, talvez, uma veia pulsando na testa.
– Voltando a história... – O Hawdone disse, acabando por me beliscar por interromper o que contava a história.
– Vou contar a história agora, sem interrupções. – Carls disse sério.
Lauren fez uma carinha fofa e diabólica, escondendo a risada com uma das mãos em frente ao rosto.
“Aquele colar é valioso e dizem que um dia, ele vai ser usado por alguém que não é daqui. Lembro que quando visitei o museu e o vi, disseram que dava um poder estranho para a pessoa que o usava, mas ninguém conhecia esse poder, era um mistério.
"Pessoas próximas do rei dizem que quem o usa corre perigo por uma coisa que eu não faço a mínima ideia. “
– Pelo menos essas foram as palavras da arqueira. – Carls disse. – Mas, mesmo ela não fazendo a mínima ideia do que era esse lado tão ruim assim desse colar ‘mágico’, eu descobri.
– E o que é? – Lauren perguntou, “inocente”.
– Gia!! – ele fechou os olhos se acalmando, e logo disse – Quem o tiver usado irá ser o prisioneiro do rei.
Levei um choque. Mas... Como assim? Então por que DIABOS eu estava usando aquele colar!?
– Tira isso de mim! – choraminguei.
Carls deu um sorriso estranho e se partiu a dizer:
– Não se preocupe, ninguém saberá que você é a escolhida se nós escondermos essa coisa de todos.
“Eu só não sei como eles planejavam esconder uma coisa que era assim, tão... chamativa.”
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