My Little World Finally Smiles
2 Capítulo 2: When I Close My Eyes
Notas iniciais
“SAMAN ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO”
Mesmo depois de todo aquele tempo, a fachada do grande prédio ainda estava ali, tão polida e imponente quanto da primeira vez que Ji-an havia visto.
A menina precisou se estender no trabalho para resolver um problema com uma documentação atrasada. Por conta disso, suas amigas já haviam ido na frente, e apesar de terem marcado de se encontrar em um restaurante próximo, suspeitava que todas elas já teriam terminado de almoçar quando chegasse.
No meio do caminho, porém, quando passou próxima ao prédio da antiga empresa, não pôde evitar de parar para admirá-lo mais uma vez. Quando, no dia anterior, Dong-hoon lhe disse que havia saído de lá, a menina havia sentido o coração parar por um instante. Seria inconcebível que, depois de tudo que ocorrera, o homem houvesse perdido seu emprego, sem mais nem menos.
Sentiu o ar voltar aos pulmões quando ele disse que era CEO, e, mais tarde, uma alegria preencheu seu peito enquanto ouvia ele explicar o processo de decidir sair da empresa para abrir a própria. Algumas coisas ainda pareciam injustas, mas tudo fazia muito sentido, e vendo o brilho em seus olhos, Ji-an não poderia ter ficado mais feliz por ele.
Ainda assim, era estranho pensar que aquele prédio ainda lhe trazia tantas lembranças importantes, algumas boas e outras complicadas, mesmo que o tempo que tenha efetivamente trabalhado lá houvesse sido tão irrisório.
“Às vezes os momentos mais impactantes da nossa vida não passam disso, momentos”, pensou consigo mesma.
De repente, um ombro atingiu seu corpo, empurrando-a para trás e a tirando de seus devaneios. Chegou a perder o equilíbrio por um instante, e precisou dar dois passos para trás para não cair.
— Olha por onde anda, maluca — pronunciou uma voz familiar, fazendo-a erguer o rosto.
Quando os olhares se cruzaram, um silêncio estranho pairou sobre eles.
Era Gwang-il.
***
— Precisaremos levar uma equipe para fazer a manutenção — disse Gi-beom, apontando mais uma vez para a tela do computador, onde um programa mostrava a representação interna do prédio. — É simples, mas eles vão precisar interromper as atividades por uma hora, provavelmente.
— Tudo bem, entre em contato com eles e agende assim que possível — respondeu Dong-hoon, bebendo o último gole da garrafa de café gelado.
— Tudo certo. Vai almoçar agora? Eu, Sr. Kim e Hyeong-gyu vamos daqui uns dez minutos.
— Não vou poder acompanhá-los.
— Ohh, vai nos deixar pra trás? O CEO tem um encontro? — indagou Sr. Kim, se intrometendo na conversa enquanto deslizava sua cadeira para mais perto.
— É o projeto do shopping. Ainda não se convenceram sobre outra escadaria, então vou lá pessoalmente para tentar explicar — respondeu Dong-hoon, jogando a garrafa fora e franzindo a testa para o Sr. Kim. — Além disso, com quem eu teria um encontro?
— Não sei, talvez com a Lee Ji-an? — questionou ele, sorrindo, e Dong-hoon sentiu uma pontada em seu peito.
— Ela não estava em Busan? — perguntou Hyeong-gyu, entrando na conversa.
— Mas nunca se sabe, às vezes ela foi transferida. Ou veio pra Seul só pra visitar seu querido ahjusshi. — O sorriso do Sr. Kim era enorme e, se não soubesse o quanto seu funcionário era descarado, Dong-hoon teria certeza de que ele sabia de algo.
Mas provavelmente era só o Sr. Kim de sempre.
— Voltem ao trabalho — ordenou, se dirigindo para a porta. — Eu tenho mais o que fazer.
Porém, ainda que por um breve momento, o homem se permitiu fantasiar com a possibilidade de que estava indo para um almoço com a jovem de rabo de cavalo, e não para uma estressante reunião de negócios.
***
— Bom apetite — disse o garçom, começando a se afastar da mesa.
Ji-an observou cautelosamente enquanto Gwang-il começava a se servir do japchae e do kimchi.
— Não vai comer? — questionou ele, sem desviar a atenção da comida.
A menina havia enviado uma mensagem para suas amigas dizendo que almoçaria em outro lugar, mas a situação toda era estranha até para ela. Não esperava encontrar o rapaz ali, muito menos comer com ele. Ele estava exatamente igual a como se lembrava, desde o corte de cabelo até sua postura expansiva. Porém, havia algo um pouco diferente em seu olhar.
— Sério, é desagradável você só ficar aí me encarando — declarou o rapaz, de boca cheia, e Ji-na suspirou. Pegou seus hashi e começou a se servir também.
Por um tempo, não trocaram mais nenhuma palavra. Nenhum dos dois sabia exatamente em que pé as coisas ficaram entre eles, e ambos tinham noção disso. Ainda assim, a oferta de pagar o almoço havia sido uma escolha consciente da jovem.
Quando finalmente se deu por satisfeita, tomou a iniciativa e quebrou o silêncio.
— Eu soube do que você fez — disse, tomando coragem para erguer o rosto. Gwang-il ainda comia alguns restos que haviam sobrado do kimchi. — Obrigada.
O jovem parou por um instante, ainda com os hashi no ar, e a encarou de volta pela primeira vez desde que começaram a comer. Diferente do que ela esperava, não havia ódio nem confusão em seu olhar, mas ainda havia hesitação. Era fácil de entender, mas não tão simples de decifrar.
— Os áudios — disse Ji-an, mais para ressaltar do que esclarecer. — Você me salvou. E salvou Park Dong-hoon. Isso é um agradecimento.
O menino pôs os últimos restos de comida na boca e apoiou os hashi em cima das tigelas, se reclinando na cadeira.
Se, dois anos antes, alguém dissesse para Ji-an que ela pagaria um almoço de agradecimento para aquele homem, depois dele salvar sua pele, ela iria rir na cara da pessoa. Ou talvez a mataria. Não tinha certeza.
— Por que fez isso? — deixou escapar, encarando-o. Aquela pergunta já havia passado em sua cabeça antes, mas era a primeira vez que se permitia verbalizá-la.
Gwang-il se mexeu na cadeira, parecendo desconfortável, e se curvou um pouco para frente, olhando-a nos olhos. Depois de alguns instantes, finalmente respondeu:
— Nossa relação — começou, pegando a menina de surpresa. — Você disse que não sabia lidar porque lembrava que eu era gentil. E que eu não sabia lidar porque lembrava que já gostei de você. Prepotente da sua parte, não acha?
Um sorriso conhecido despontou nos lábios dele, e Ji-an ficou apreensiva por um instante. Porém, tão rápido quanto surgiu, ele logo saiu dali, e o rapaz suspirou.
— Eu só queria ver se me sentia menos confuso — disse, baixando o olhar.
— E funcionou? — indagou a menina, surpresa por ele demonstrar aquele lado para ela. Era quase outra pessoa.
— Um pouco — admitiu, depois de alguns segundos, sorrindo. Mas dessa vez não o tipo de sorriso que a jovem havia se acostumado. Era... tímido. Gentil, até. Lembrava mais do menino que havia conhecido na infância, muitos anos antes de todos os seus problemas se agravarem.
Por fim, ela se permitiu sorrir também.
***
Depois de quase uma hora de conversa, Dong-hoon havia conseguido convencer o proprietário, que, resignado, havia aceitado acrescentar mais uma escadaria ao projeto.
Estava finalmente voltando para almoçar quando passou pelo prédio da Saman Engenharia e Construção. Parou um instante para encará-lo, e lembrou da conversa que tivera com Ji-an no dia anterior. Era estranho pensar que todo relacionamento deles havia nascido com ela sendo uma funcionária temporária dele. Se nunca a tivesse contratado, sabe-se lá o que teria acontecido ou em que tipo de situação ele estaria.
Depois de admirar por alguns segundos, retomou seu rumo, deixando o edifício para trás e se aproximando da faixa, esperando enquanto o sinal de trânsito não abria. Porém, uma visão o pegou de surpresa.
Do outro lado da rua, duas figuras conversavam: um homem alto e uma jovem mais baixa. Foi prestando mais atenção que Dong-hoon percebeu que se tratava de Ji-an. Depois de alguns segundos, o rapaz que estava com ela olhou para o lado, e ele conseguiu reconhecer o perfil de Gwang-il.
A última vez que haviam se visto, os dois haviam trocado mais socos do que seria recomendado para alguém de sua idade.
Claro, muita coisa havia acontecido depois daquilo, e o homem nunca teve a oportunidade de agradecê-lo pelos pendrives que ajudaram na confissão da menina. Ainda assim, vendo-o naquele momento, os sentimentos que vinham à tona eram um tanto mistos. O fato dele estar com Ji-an também não ajudava, pensando em toda história dos dois.
Porém, o despertando de seus pensamentos, Dong-hoon viu Ji-an dizer algo, e em seguida estender a mão para o jovem, sorrindo.
Gwang-il fez o mesmo, e ambos apertaram as mãos, repousando-as uma na outra por alguns instantes.
Exatamente da mesma forma que ela e Dong-hoon haviam feito no dia anterior.
Fale com o autor