My Little World Finally Smiles
3 Capítulo 3: Where Exactly am I Heading to?
Notas iniciais
Quando saíram juntos do restaurante, o silêncio estranho entre Ji-an e Gwang-il permaneceu por alguns passos. Mas também havia algo novo ali: uma certa leveza, que a menina não sentia perto dele há muito tempo.
— Sabe — começou ele, parando na calçada diante dela, e em seguida olhando para o lado. — Você devia fazer alguma coisa em relação ao Park Dong-hoon.
Ji-an também parou, tentando decifrar suas palavras.
— Você...
— Eu ouvi as gravações, lembra? — cortou, finalmente voltando a encará-la. — Todas elas. Chega a ser nojento ver o quanto estão apaixonados.
A menina baixou o olhar, tentando processar aquela informação da forma que podia. Gwang-il havia ouvido tudo — as conversas, os jantares, ela se declarando — todas as interações entre ela e Dong-hoon.
Sentiu o rosto arder, e uma leve sensação de vertigem a atingiu.
— Não é bem assim.
— O que, vai me dizer que não gosta mais dele? — indagou o rapaz, debochado. — Está estampado na sua cara.
Ji-an trocou a perna de apoio, desconfortável. Não tinha refletido muito sobre o assunto, mas sabia que os sentimentos por Dong-hoon não haviam desaparecido completamente, e teve ainda mais certeza disso depois de reencontrá-lo.
Mesmo assim, pensar que aquilo estava tão óbvio para Gwang-il a desconcertava.
— Foi só um último conselho. — A jovem ergueu o olhar, e, para sua surpresa, percebeu que ele também não estava totalmente à vontade. — Não precisa se incomodar tanto comigo. Não vamos mais nos ver.
Pensou em argumentar com ele, mas percebeu que não havia o porquê. Mesmo com as coisas mais tranquilas e tendo um peso a menos no peito, a relação de ambos já era desgastada demais. Tentar forçar uma amizade depois de tudo seria estranho, e talvez até incômodo.
Porém, quando o encarou mais uma vez, sentiu que precisava ao menos de uma despedida adequada.
— Já que essa é nossa última conversa — começou Ji-an, abrindo um sorriso. — Vamos apertar as mãos.
A menina estendeu o braço para ele, que olhou para o gesto como se fosse uma espécie de alienígena, a encarando num misto de confusão e zombaria. Contudo, ao perceber que falava sério, sua expressão aos poucos começou a suavizar.
Por fim, resignado, também estendeu o braço, e apertaram as mãos.
Ali, encarando-o nos olhos, segurando sua mão, muita coisa passou pela cabeça de Ji-an em poucos segundos. As dívidas, as marcas, as várias situações que viveram e que foram obrigados a viver. Os momentos que sentiu mais raiva e tristeza na vida haviam sido causados por aquele homem, e passaram por sua mente como um lapso.
Porém, logo depois, vieram as memórias que, às vezes, esquecia que ainda estavam ali. Gwang-il carregando-a no inverno, oferecendo lenço e comida, sendo gentil.
Ele garoto, sorrindo para ela.
Por fim, passados alguns segundos, soltaram as mãos e, sem se despedir, o rapaz se virou e começou a caminhar em direção oposta à qual ela iria. A jovem observou enquanto ele se afastava, sem olhar para trás, até perdê-lo de vista enquanto tinha uma sensação estranha no peito.
De súbito, a menina estremeceu, e foi só então que teve o sentimento de que algo ou alguém a observava. Por instinto, se virou para olhar para o outro lado da rua, na calçada do edifício da Saman Engenharia e Construção.
Porém, não havia ninguém lá.
***
— Bem-vindo de volta, Sr. Park — falou Sr. Kim, ao avistar Dong-hoon. — Como foi o encontro?
O homem parou por um instante para encará-lo, ponderando se deveria dar uma resposta a ele ou não. Por fim, suspirou, logo retomando o caminho de volta para sua sala, deixando o rapaz mais novo com uma expressão confusa para trás.
Quando chegou em sua mesa e se sentou, ligou o computador e começou a checar os e-mails da empresa. Porém, sua mente não estava tão focada quanto deveria.
Não havia quaisquer problemas no que vira mais cedo. Ji-an sabia se virar e, se por ela estava tudo bem ter uma relação amigável com Gwang-il, ele não precisava interferir. Na verdade, era realmente bom que eles se acertassem, depois de tudo.
Então, o que o incomodava?
A cena deles apertando as mãos veio outra vez a sua mente, a jovem sorrindo enquanto olhava para o rapaz. Era só um aperto de mãos, um cumprimento. Não era nada demais, nem significava muita coisa.
“E qual o problema se significar?”, pensou, aturdido.
O resgatando dos próprios pensamentos, seu telefone tocou. Tirou-o do bolso e viu pela tela que era Sang-hoon.
— Diga, irmão — falou, ao atender.
— Depois do trabalho hoje, vá direto para o bar da Jeong-hui — disse Sang-hoon, animado. — Ela disse que vamos comemorar, então vamos beber muito!
— Qual o motivo da comemoração? — indagou Dong-hoon, voltando a ler alguns dos e-mails na tela. — Além disso, não sei que horas vou sair hoje.
— Ela não disse, mas parecia feliz, então não importa! — respondeu o mais velho, despreocupado. — Tente resolver tudo rápido e vá direto pra lá!
O homem suspirou, desligando o telefone. Com as demandas que tinha com a própria empresa, não podia mais sair para beber todos os dias com os irmãos.
Mas ainda dava um jeito de comparecer, na maioria das vezes.
Tentaria adiantar logo o trabalho, então.
***
— E faz muito tempo que está de volta? — indagou a mulher, lhe servindo cerveja no balcão.
— Uns dois meses, quase três — respondeu Ji-an, e abriu um sorriso sem graça ao ver a expressão surpresa de Jeong-hui.
— E só veio me visitar agora? — A dona do bar soltou um palavrão, e a jovem deu uma golada no copo.
Revê-la depois de tantos meses era ótimo, na verdade, e depois de encontrar Dong-hoon, havia perdido o medo de entrar em contato. Depois dele, a mulher era a primeira pessoa que queria ver o rosto.
Era sua companheira de feriados, afinal.
— Eu estava um pouco ocupada — mentiu, e sorriu ao perceber a careta de Jeong-hui, sabendo que não acreditara nela, mas não também não iria questionar.
— Tenho certeza que sim — respondeu a mulher, irônica. — Já se encontrou com Dong-hoon?
Ji-an sentiu uma leve queimação subir ao seu rosto, e assentiu.
— É claro que sim — disse a dona do bar, suspirando. — Bem, de qualquer forma, ele também virá hoje, então fique até mais tarde.
A jovem ergueu o olhar, mas Jeong-hui já estava se virando para pegar algo da geladeira, não deixando margem para recusar a oferta. Ponderou por alguns segundos se deveria dizer mais alguma coisa sobre o assunto, mas acabou desistindo. Então, virou o resto do conteúdo do copo.
— Me deixe te ajudar — falou, se levantando da cadeira e indo até o outro lado do balcão.
***
— Sr. Park, estamos indo — disse Gi-beom, de pé na soleira da porta.
— Podem ir, eu tranco tudo depois.
— Vê se não exagera — respondeu o homem, por fim, se virando e caminhando até a saída do prédio.
Apesar do esforço para adiantar a carga de trabalho, demandas e mais demandas foram aparecendo, e Dong-hoon não queria deixar nada pela metade. Era o único que ainda não havia ido embora e já estava tarde quando Jeong-hui ligou.
— Onde você está? — questionou a mulher assim que atendeu, sem nem mesmo o cumprimentar.
— Ainda no trabalho — disse, calmamente. — Mas não devo demorar. Mais alguns minutos e já saio.
— Você já está atrasado — falou a dona do bar, erguendo o tom de voz. Ao fundo, o homem conseguia ouvir seus vizinhos bêbados rindo e gritando. — Se apresse logo, só falta você. Ji-an também está aqui.
— Lee Ji-an? O que ela faz aí?
— Veio visitar, oras. O que acha que estamos comemorando?
Dong-hoon hesitou por apenas alguns segundos, mas foi o suficiente para que a mulher começasse suas suposições.
— Não me diga que está chateado porque ela não te avisou. A ideia de fazer uma comemoração foi minha.
— Não estou, apenas fiquei surpreso.
— E por que está surpreso? Quer se apossar da garota só pra você? — indagou a mulher, em tom de deboche. — Vê se vem logo, ou não vai sobrar bebida.
E, antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Jeong-hui desligou na cara dele.
***
— Pelo retorno de Lee Ji-na a Seul! — gritou Sang-hoon, animado, enquanto mostrava seu pequeno copo com soju. — Hugye!
— Hugye!! — respondiam os outros ahjusshis no bar, em uníssono.
— Hugye!
— Hugye!!
— Hugye!
— Hugye!!
— Jan-eul...
— Biuge!! — concluíram, erguendo os copos e depois os levando até a boca, festivos.
Ji-an ergueu seu copo junto e, apesar de não se juntar ao coro, não pôde conter o riso. Sentira falta daquela energia caótica.
Virou o próprio copo, e a garganta ardeu conforme o soju descia. Ao fim, deu um pequeno suspiro satisfeito.
— E como é o atual emprego? — indagou Gi-hoon, se dirigindo a ela. — Eu ia esperar o idiota do meu irmão chegar pra perguntar, mas, como sempre, ele é um idiota.
A menina sorriu, mais para si mesma do que para ele.
— É bom, organizo e entrego documentos, faço planilhas. Não é tão diferente do que eu fazia na Saman — respondeu, fazendo uma pequena pausa para se servir de mais soju. — Só me envolvo mais com as atividades da empresa, então é mais estável.
— Ela também dá aula de língua de sinais — disse Jeong-hui, entrando de volta no estabelecimento e na conversa. — Sempre me ensina alguma coisa quando nos vemos.
— Ohh, isso é verdade? — questionou Gi-hoon, surpreso. Então, sua expressão ficou confusa, e se virou para a mulher mais velha. — Espera, vocês se veem com frequência?
— Sempre passamos o Ano Novo juntas — respondeu a mulher, dando de ombros. — E o Dia de Ação de Graças.
Gi-hoon pareceu um pouco admirado com a informação e, como se para confirmar, encarou Ji-an, a testa franzida. A menina assentiu, levando o pequeno copo até a boca e bebendo seu conteúdo em um único gole.
— Vocês são mesmo próximas — constatou o homem, por fim. — Quem diria.
— Lee Ji-an, Lee Ji-an — chamou Sang-hoon, segurando o copo novamente preenchido. — Como dizer “esvazie o seu copo” em língua de sinais?
A menina sorriu com a pergunta e, apoiando o próprio copo na mesa, começou a gesticular.
***
Quando Dong-hoon estava se aproximando do bar, avistou os amigos e irmãos saindo pela porta da frente, formando um grupo. Em seguida, surgiram Jeong-hui e Ji-an atrás deles.
— Olha quem resolveu dar as caras — disse Gi-hoon, assim que o viu.
— Saí tarde do trabalho — respondeu o homem, diminuindo os passos, então parou e dirigiu seu olhar para o motivo da comemoração. — Oi.
— Oi — disse a menina, com um sorriso discreto, e Dong-hoon sentiu-se sorrir de volta.
— Estamos fechados — anunciou Jeong-hui, seca. — Não acredito que só apareceu agora.
— Me desculpe.
— Não desculpo — disse ela, então suspirou. — Ao menos, nos acompanhe. Ji-an vai dormir na minha casa hoje.
Dong-hoon estava prestes a lhe responder, quando seu telefone tocou outra vez.
O tirou do bolso e, antes de atender, olhou para a tela, curioso para ver quem poderia estar ligando àquela hora da noite.
Respirou fundo ao ler o que apareceu no visor.
“Kang Yun-hui”.
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