My Little World Finally Smiles

3 Capítulo 3: Where Exactly am I Heading to?


Notas iniciais
Oi oi gente, nesse capítulo eu comecei a usar mais as trocas de POV pra passagem de tempo, e devo fazer isso mais vezes daqui pra frente. Mas se tiver estranho e/ou difícil de entender, por favor me avisem! Também quero falar umas coisas mas vou deixar isso pro fim do capítulo. Como sempre, espero que gostem ♥

Quando saíram juntos do restaurante, o silêncio estranho entre Ji-an e Gwang-il permaneceu por alguns passos. Mas também havia algo novo ali: uma certa leveza, que a menina não sentia perto dele há muito tempo.

— Sabe — começou ele, parando na calçada diante dela, e em seguida olhando para o lado. — Você devia fazer alguma coisa em relação ao Park Dong-hoon.

Ji-an também parou, tentando decifrar suas palavras.

— Você...

— Eu ouvi as gravações, lembra? — cortou, finalmente voltando a encará-la. — Todas elas. Chega a ser nojento ver o quanto estão apaixonados.

A menina baixou o olhar, tentando processar aquela informação da forma que podia. Gwang-il havia ouvido tudo — as conversas, os jantares, ela se declarando — todas as interações entre ela e Dong-hoon.

Sentiu o rosto arder, e uma leve sensação de vertigem a atingiu.

— Não é bem assim.

— O que, vai me dizer que não gosta mais dele? — indagou o rapaz, debochado. — Está estampado na sua cara.

Ji-an trocou a perna de apoio, desconfortável. Não tinha refletido muito sobre o assunto, mas sabia que os sentimentos por Dong-hoon não haviam desaparecido completamente, e teve ainda mais certeza disso depois de reencontrá-lo.

Mesmo assim, pensar que aquilo estava tão óbvio para Gwang-il a desconcertava.

— Foi só um último conselho. — A jovem ergueu o olhar, e, para sua surpresa, percebeu que ele também não estava totalmente à vontade. — Não precisa se incomodar tanto comigo. Não vamos mais nos ver.

Pensou em argumentar com ele, mas percebeu que não havia o porquê. Mesmo com as coisas mais tranquilas e tendo um peso a menos no peito, a relação de ambos já era desgastada demais. Tentar forçar uma amizade depois de tudo seria estranho, e talvez até incômodo.

Porém, quando o encarou mais uma vez, sentiu que precisava ao menos de uma despedida adequada.

— Já que essa é nossa última conversa — começou Ji-an, abrindo um sorriso. — Vamos apertar as mãos.

A menina estendeu o braço para ele, que olhou para o gesto como se fosse uma espécie de alienígena, a encarando num misto de confusão e zombaria. Contudo, ao perceber que falava sério, sua expressão aos poucos começou a suavizar.

Por fim, resignado, também estendeu o braço, e apertaram as mãos.

Ali, encarando-o nos olhos, segurando sua mão, muita coisa passou pela cabeça de Ji-an em poucos segundos. As dívidas, as marcas, as várias situações que viveram e que foram obrigados a viver. Os momentos que sentiu mais raiva e tristeza na vida haviam sido causados por aquele homem, e passaram por sua mente como um lapso.

Porém, logo depois, vieram as memórias que, às vezes, esquecia que ainda estavam ali. Gwang-il carregando-a no inverno, oferecendo lenço e comida, sendo gentil.

Ele garoto, sorrindo para ela.

Por fim, passados alguns segundos, soltaram as mãos e, sem se despedir, o rapaz se virou e começou a caminhar em direção oposta à qual ela iria. A jovem observou enquanto ele se afastava, sem olhar para trás, até perdê-lo de vista enquanto tinha uma sensação estranha no peito.

De súbito, a menina estremeceu, e foi só então que teve o sentimento de que algo ou alguém a observava. Por instinto, se virou para olhar para o outro lado da rua, na calçada do edifício da Saman Engenharia e Construção.

Porém, não havia ninguém lá.

***

— Bem-vindo de volta, Sr. Park — falou Sr. Kim, ao avistar Dong-hoon. — Como foi o encontro?

O homem parou por um instante para encará-lo, ponderando se deveria dar uma resposta a ele ou não. Por fim, suspirou, logo retomando o caminho de volta para sua sala, deixando o rapaz mais novo com uma expressão confusa para trás.

Quando chegou em sua mesa e se sentou, ligou o computador e começou a checar os e-mails da empresa. Porém, sua mente não estava tão focada quanto deveria.

Não havia quaisquer problemas no que vira mais cedo. Ji-an sabia se virar e, se por ela estava tudo bem ter uma relação amigável com Gwang-il, ele não precisava interferir. Na verdade, era realmente bom que eles se acertassem, depois de tudo.

Então, o que o incomodava?

A cena deles apertando as mãos veio outra vez a sua mente, a jovem sorrindo enquanto olhava para o rapaz. Era só um aperto de mãos, um cumprimento. Não era nada demais, nem significava muita coisa.

“E qual o problema se significar?”, pensou, aturdido.

O resgatando dos próprios pensamentos, seu telefone tocou. Tirou-o do bolso e viu pela tela que era Sang-hoon.

— Diga, irmão — falou, ao atender.

— Depois do trabalho hoje, vá direto para o bar da Jeong-hui — disse Sang-hoon, animado. — Ela disse que vamos comemorar, então vamos beber muito!

— Qual o motivo da comemoração? — indagou Dong-hoon, voltando a ler alguns dos e-mails na tela. — Além disso, não sei que horas vou sair hoje.

— Ela não disse, mas parecia feliz, então não importa! — respondeu o mais velho, despreocupado. — Tente resolver tudo rápido e vá direto pra lá!

O homem suspirou, desligando o telefone. Com as demandas que tinha com a própria empresa, não podia mais sair para beber todos os dias com os irmãos.

Mas ainda dava um jeito de comparecer, na maioria das vezes.

Tentaria adiantar logo o trabalho, então.

***

— E faz muito tempo que está de volta? — indagou a mulher, lhe servindo cerveja no balcão.

— Uns dois meses, quase três — respondeu Ji-an, e abriu um sorriso sem graça ao ver a expressão surpresa de Jeong-hui.

— E só veio me visitar agora? — A dona do bar soltou um palavrão, e a jovem deu uma golada no copo.

Revê-la depois de tantos meses era ótimo, na verdade, e depois de encontrar Dong-hoon, havia perdido o medo de entrar em contato. Depois dele, a mulher era a primeira pessoa que queria ver o rosto.

Era sua companheira de feriados, afinal.

— Eu estava um pouco ocupada — mentiu, e sorriu ao perceber a careta de Jeong-hui, sabendo que não acreditara nela, mas não também não iria questionar.

— Tenho certeza que sim — respondeu a mulher, irônica. — Já se encontrou com Dong-hoon?

Ji-an sentiu uma leve queimação subir ao seu rosto, e assentiu.

— É claro que sim — disse a dona do bar, suspirando. — Bem, de qualquer forma, ele também virá hoje, então fique até mais tarde.

A jovem ergueu o olhar, mas Jeong-hui já estava se virando para pegar algo da geladeira, não deixando margem para recusar a oferta. Ponderou por alguns segundos se deveria dizer mais alguma coisa sobre o assunto, mas acabou desistindo. Então, virou o resto do conteúdo do copo.

— Me deixe te ajudar — falou, se levantando da cadeira e indo até o outro lado do balcão.

***

— Sr. Park, estamos indo — disse Gi-beom, de pé na soleira da porta.

— Podem ir, eu tranco tudo depois.

— Vê se não exagera — respondeu o homem, por fim, se virando e caminhando até a saída do prédio.

Apesar do esforço para adiantar a carga de trabalho, demandas e mais demandas foram aparecendo, e Dong-hoon não queria deixar nada pela metade. Era o único que ainda não havia ido embora e já estava tarde quando Jeong-hui ligou.

— Onde você está? — questionou a mulher assim que atendeu, sem nem mesmo o cumprimentar.

— Ainda no trabalho — disse, calmamente. — Mas não devo demorar. Mais alguns minutos e já saio.

— Você já está atrasado — falou a dona do bar, erguendo o tom de voz. Ao fundo, o homem conseguia ouvir seus vizinhos bêbados rindo e gritando. — Se apresse logo, só falta você. Ji-an também está aqui.

— Lee Ji-an? O que ela faz aí?

— Veio visitar, oras. O que acha que estamos comemorando?

Dong-hoon hesitou por apenas alguns segundos, mas foi o suficiente para que a mulher começasse suas suposições.

— Não me diga que está chateado porque ela não te avisou. A ideia de fazer uma comemoração foi minha.

— Não estou, apenas fiquei surpreso.

— E por que está surpreso? Quer se apossar da garota só pra você? — indagou a mulher, em tom de deboche. — Vê se vem logo, ou não vai sobrar bebida.

E, antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Jeong-hui desligou na cara dele.

***

— Pelo retorno de Lee Ji-na a Seul! — gritou Sang-hoon, animado, enquanto mostrava seu pequeno copo com soju. — Hugye!

— Hugye!! — respondiam os outros ahjusshis no bar, em uníssono.

— Hugye!

— Hugye!!

— Hugye!

— Hugye!!

— Jan-eul...

— Biuge!! — concluíram, erguendo os copos e depois os levando até a boca, festivos.

Ji-an ergueu seu copo junto e, apesar de não se juntar ao coro, não pôde conter o riso. Sentira falta daquela energia caótica.

Virou o próprio copo, e a garganta ardeu conforme o soju descia. Ao fim, deu um pequeno suspiro satisfeito.

— E como é o atual emprego? — indagou Gi-hoon, se dirigindo a ela. — Eu ia esperar o idiota do meu irmão chegar pra perguntar, mas, como sempre, ele é um idiota.

A menina sorriu, mais para si mesma do que para ele.

— É bom, organizo e entrego documentos, faço planilhas. Não é tão diferente do que eu fazia na Saman — respondeu, fazendo uma pequena pausa para se servir de mais soju. — Só me envolvo mais com as atividades da empresa, então é mais estável.

— Ela também dá aula de língua de sinais — disse Jeong-hui, entrando de volta no estabelecimento e na conversa. — Sempre me ensina alguma coisa quando nos vemos.

— Ohh, isso é verdade? — questionou Gi-hoon, surpreso. Então, sua expressão ficou confusa, e se virou para a mulher mais velha. — Espera, vocês se veem com frequência?

— Sempre passamos o Ano Novo juntas — respondeu a mulher, dando de ombros. — E o Dia de Ação de Graças.

Gi-hoon pareceu um pouco admirado com a informação e, como se para confirmar, encarou Ji-an, a testa franzida. A menina assentiu, levando o pequeno copo até a boca e bebendo seu conteúdo em um único gole.

— Vocês são mesmo próximas — constatou o homem, por fim. — Quem diria.

— Lee Ji-an, Lee Ji-an — chamou Sang-hoon, segurando o copo novamente preenchido. — Como dizer “esvazie o seu copo” em língua de sinais?

A menina sorriu com a pergunta e, apoiando o próprio copo na mesa, começou a gesticular.

***

Quando Dong-hoon estava se aproximando do bar, avistou os amigos e irmãos saindo pela porta da frente, formando um grupo. Em seguida, surgiram Jeong-hui e Ji-an atrás deles.

— Olha quem resolveu dar as caras — disse Gi-hoon, assim que o viu.

— Saí tarde do trabalho — respondeu o homem, diminuindo os passos, então parou e dirigiu seu olhar para o motivo da comemoração. — Oi.

— Oi — disse a menina, com um sorriso discreto, e Dong-hoon sentiu-se sorrir de volta.

— Estamos fechados — anunciou Jeong-hui, seca. — Não acredito que só apareceu agora.

— Me desculpe.

— Não desculpo — disse ela, então suspirou. — Ao menos, nos acompanhe. Ji-an vai dormir na minha casa hoje.

Dong-hoon estava prestes a lhe responder, quando seu telefone tocou outra vez.

O tirou do bolso e, antes de atender, olhou para a tela, curioso para ver quem poderia estar ligando àquela hora da noite.

Respirou fundo ao ler o que apareceu no visor.

“Kang Yun-hui”.

Notas finais
Oi, então Inicialmente, eu assisti My Ajusshi/My Mister pela Netflix e, por isso, havia tido uma impressão sobre o final do dorama. Porém, conforme fui me inteirando em fóruns e discussões de fora, percebi que um erro de tradução do streaming fez eu interpretar uma informação do desfecho que não necessariamente condizia com o que o roteiro queria dizer, que foi sobre o casamento/divórcio entre o Dong-hoon e a Yun-hui. Por conta dessa descoberta, algumas coisas sobre o rumo da fanfic mudaram. Como descobri agora no início, não precisei ajeitar muito no que eu já tinha escrito, mas tô avisando mais pro caso de alguém que também assistiu por lá estranhar algo na minha abordagem, agora ou futuramente Também queria dizer que, apesar desse problema, vou continuar seguindo o padrão da romanização dos nomes de lá, porque não acho que ela seja ruim e também porque todos os nomes que eu escrevi até aqui seguiram esse padrão, então seria estranho tentar mudar agora Mais uma vez, obrigada pela paciência e compreensão :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.