My Little World Finally Smiles
1 Capítulo 1: I'll Become Myself
Notas iniciais
Quando Dong-hoon abriu a porta, Ji-an, que até aquele momento estava de costas para a entrada, se virou após o dono do estabelecimento sinalizar que ele havia chegado. Ao invés dos casacos grossos e tênis surrados que o homem outrora se acostumara a vê-la usar, a menina vestia a roupa em que a vira mais cedo, com uma blusa social, paletó cinza e saltos altos, além de usar um pouco de maquiagem. O cabelo inerentemente preso era a única parte que permanecia familiar de seu visual, mesmo depois de dois anos. Ainda assim, quando se encontraram naquela manhã, não havia sido exatamente o lado estético que o havia feito ter dificuldades em reconhecê-la, mas o semblante mais colorado e alegre que visivelmente havia sido desenvolvido nesse tempo. A menina sorriu ao vê-lo, e, antes que percebesse, ele devolveu o gesto, sentindo o rosto esquentar um pouco.
Ji-an sinalizou para uma mesa perto da janela, a mesma que haviam bebido juntos no último jantar que havia pago para ela, e lá se sentaram, um de frente para o outro.
— Escolha o que preferir, ahjusshi — começou ela, ainda sem tirar totalmente o sorriso do rosto. — Hoje é por minha conta.
— Oh, então vai ser assim?
— Eu disse que pagaria por algo delicioso. Por favor, só escolha — respondeu a menina, baixando o olhar. A sensação no peito de Dong-hoon era estranha. A cena deles jantando juntos já lhe era extremamente familiar, e causava uma certa nostalgia. Ao mesmo tempo, aquela era uma versão diferente da Ji-an que havia conhecido. Exalava mais alegria e hesitava menos em suas falas.
Mas, se fosse sincero, também estava diferente, e sabia que ela notava isso. Ele tinha menos medo de se expressar e mais confiança falando sobre o que pensava.
Ambos estavam bem diferentes e mais maduros, porém o laço que haviam construído um dia ainda estava ali, bem firme. Era incrível que houvessem mudado tanto em tão pouco tempo, e também impressionante que conseguiam sair para jantar juntos com uma casualidade de quem nunca havia se despedido.
Saindo de seus devaneios e tentando não perder tempo, o homem estudou rapidamente o cardápio. Não queria abusar da boa vontade de Ji-an, mas também tinha certeza de que ela reclamaria se pegasse o prato mais barato.
— Vou querer um Tteokbokki — disse, baixando o cardápio.
Ji-an suspirou, parecendo cansada, mas ainda assim pediu para trazerem duas porções de Tteokbokki e duas cervejas.
Depois de um homem anotar o pedido e se perder nos fundos atrás do balcão, ela voltou seu olhar para Dong-hoon, desconfiada.
— Você ainda é bom comigo, mesmo quando me ofereci para pagar o que quisesse.
— Não vou abusar da boa vontade de uma jovem. Além disso — disse o homem, se inclinando um pouco na cadeira. — comidas caras não são tão gostosas, lembra?
Ji-an baixou o olhar novamente e sorriu com o comentário, e Dong-hoon se viu satisfeito por ela ainda se lembrar da última conversa que tiveram naquele mesmo bar. Muita coisa havia acontecido, e tinha certeza de que era o mesmo para ela. Ainda assim, ao menos em parte, continuavam sendo as mesmas pessoas, e isso lhe trazia certo alívio.
A Ji-an que estava diante dele ainda era mesma que o havia salvado.
***
Os assuntos foram e vieram ao longo da noite, entre sorrisos e comentários honestos. Ji-an contou um pouco da sua experiência no atual emprego e a adaptação ao escritório da sede, para onde havia sido transferida há poucos meses. Enquanto falava, percebeu que o homem se mostrava bem mais expressivo do que antes, até mesmo rindo alto em certos momentos, e aquilo aquecia seu peito.
Era muito bom vê-lo tão feliz depois de tudo.
Dong-hoon falou sobre a experiência de fundar uma empresa e ser CEO, e, mesmo que relatasse preocupado sobre algumas dificuldades que tivera, a menina sabia que ele provavelmente havia feito um trabalho muito competente. Afinal, era assim que ele era.
Depois de terminar o jantar, Ji-an se sentiu levemente apreensiva, mas se esforçou para não transparecer. Não sabia quando o veria de novo. De repente, começou a se arrepender de não ter entrado em contato antes.
Tudo que havia pensado desde que haviam lhe oferecido a proposta de transferência era em visitar Hugye-dong. Porém, assim que chegou em Seul, hesitou. Fora muito tempo sem ver todo mundo. Quando estava em Busan, não ligou nenhuma vez para Dong-hoon, com medo de incomodá-lo de novo depois de todos os problemas que havia causado a ele. E o homem também nunca havia ligado. Não sabia se ele sentia sua falta assim como ela sentia a dele. Nas primeiras semanas, ainda olhava os cantos quando saía do trabalho, em busca de alguém que sabia que não veria. E, apesar do arrependimento enorme que sentia pela escuta que havia colocado em seu telefone, sentia falta de ouvir aqueles passos e aquela respiração que tanto a acalmaram em momentos passados.
Depois de pagar a conta, ambos saíram pela porta, e ela olhou de relance para Dong-hoon. Ele parecia mesmo muito mais leve do que o ahjusshi de que se lembrava: mesmo ali, sem nenhuma razão aparente, havia o esboço de um sorriso e um brilho nos olhos, enquanto encarava um ponto adiante.
— Você realmente parece feliz — comentou, reprimindo um suspiro com um misto de satisfação e receio. Ficava aliviada em vê-lo daquele jeito, ao mesmo tempo que sentia uma leve pontada no peito por causa de uma lembrança que vinha à mente.
“Não quero saber de um cara que consegue ser feliz sem mim.”
Dong-hoon a encarou, parecendo pensativo, e Ji-an quase riu com a memória.
Vendo-o ali, tão perto, conseguia admitir que o que havia dito fora só uma mentira descarada.
— Estou feliz. — Ele confessou, abrindo um sorriso. — Senti sua falta.
Ji-an sentiu o ar escapar por um instante, o corpo se esquentando e, por alguns segundos, permaneceu ali, perdida no sorriso dele e em sua fala.
Então sorriu de volta.
— Eu também senti.
***
Dong-hoon acompanhou a menina até o prédio onde morava que, apesar de não ser mais no mesmo bairro que o dele, ficava em um local relativamente próximo, o bastante para que caminhassem do bar até lá.
Apesar da sensação de paz e felicidade que sentia, não trocou uma palavra com Ji-an durante o caminho. E nem precisou: não era um silêncio desconfortável, e sim do tipo que costumavam compartilhar antes, onde, mesmo não verbalizando seus pensamentos, ambos se sentiam confortados um pelo outro. Era um calor familiar, um que ele havia sentido falta.
Quando Ji-an havia ido para Busan, fora difícil absorver. E apesar de dizer ao seu irmão que não havia motivos para que ela ligasse, a verdade era que, no fundo, bem oculta, havia uma parte de seu coração que torcia para que isso acontecesse. Para que ligasse pedindo ajuda, ou só falando do trabalho, de algo estranho que havia comido ou qualquer coisa para que pudesse ouvir novamente sua voz, fofa o suficiente para quase o fazer esquecer de todos os traumas que a menina havia passado.
Então Dong-hoon suspirou, reprimindo os próprios pensamentos. Era ótimo que ela andasse com as próprias pernas, era notável como o afastamento deles havia lhe feito bem.
Mas, por algum motivo, pensar naquilo fazia com que sentisse o coração apertar.
Finalmente chegaram na porta do prédio, e Ji-an se virou para ele.
— É aqui — disse, encarando-o nos olhos. — Obrigada.
— Sem problemas. Eu quem agradeço pelo jantar.
— Apenas retribuí um pouco — respondeu, juntando as mãos.
O homem viu, por um momento, algo passar pelos olhos da menina. Um brilho breve, como se houvesse tido uma ideia.
— O que foi? — indagou, curioso.
— Não é nada — respondeu Ji-an, parecendo se recompor. — Boa noite.
— Boa noite — falou, lentamente lhe dando as costas e começando a caminhar em direção ao seu próprio apartamento. Depois de alguns passos, porém, parou por um instante, e se virou para poder ver a menina pela última vez.
E, para sua surpresa, ela havia feito o mesmo, encarando-o enquanto segurava a porta. Dong-hoon não pôde deixar de sorrir.
— Boa noite! — gritou, gesticulando para ela entrasse, e Ji-an sorriu de volta. Por fim, a menina se curvou, cumprimentando-o pela última vez, e então entrou no prédio.
Naquela noite, algo havia se acendido novamente em Dong-hoon.
E apesar da vida feliz que havia construído, sentia que uma peça que nem sabia que estava perdida havia enfim se encaixado de volta em seu coração.
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