My Little Dreams

4 Cap. IV – Uma ilusão do acaso. Parte II


Realmente nem mesmo eu consigo acreditar no que passamos para encontrar pessoas que possam nos apoiar, ou mesmo quando as encontramos passamos a fingir que elas existem, sem explicação nós as abandonamos, desistimos simplesmente do que acreditamos, do que queremos acreditar como se tudo fizesse parte da mesma coisa, que não podemos tocar, sentir, ver. Que engraçado, somos tão infantis às vezes.

Enquanto continuavam caminhando em direção a enfermaria, alguns alunos e professores, ora ou outra simplesmente lançavam olhares furtivos para Sophie, porém logo se dissipavam e deixavam as meninas caminharem calmamente até o seu destino. Aos poucos, fora notando uma tranqüilidade incomum em seu rosto, algo que ela mesma era incapaz de sentir e dados momentos preferia apenas lançar-se ao desespero ou aos medos que sentia.

Chegaram enfim a enfermaria, onde se encontrava apenas uma jovem que aparentava ter no máximo dezenove anos. Tinha considerável beleza, cabelos longos de um vermelho escarlate, um tanto quanto exagerado, olhos negros e pele alva. Trajava a costumeira roupa de médicas. Ambas adentraram a sala, e aos poucos, logo ouviram a pergunta costumeira em qualquer situação.

- Meu Deus, mas o que foi que aconteceu?

- O de sempre nesta escola, pessoas que acham que tem mais importância do que as outras. – Respondeu a jovem que acompanhava Sophie. –

- Entendo... Esses alunos não tem mais limites. Mas, o que esperar se até mesmo os professores os ajudam? – A enfermeira respondeu o que de fato em sua cabeça era verdade. Porém, logo se dirigiu a jovem com o braço quebrado, ajudando-a sentar-se na maca que ali estava, voltando a falar. – Bem, vamos analisar o seu braço e ver o que posso fazer.

Fora sentada na maca, enquanto observava de certa forma calma. Não teve motivos para agir diferente, ao menos não ali. O único, porém era a menina que lhe ajudara, e sobre ela nada sabia. Resolvera tomar certa coragem para lhe perguntar, afinal seria bem incômodo não saber ao menos o seu nome.

- Eh... Poderia me dizer o seu nome? – Sophie volveu o olhar para a jovem, porém, logo que a mesma percebera, abaixou rapidamente. Não sentira vergonha, ou ao menos pensava que não. Nunca havia abordado ninguém, ou feito perguntas, pois sabia que ninguém as ouviria mesmo.

- Layla... Prazer, Sophie... – Sorriu docemente para a jovem, enquanto mantinha o olhar fixo nela. Estendeu calmamente sua mão direita, de maneira formal as quais poucas pessoas faziam nos dias atuais. – Espero que nos dar-mos bem.

Sophie não lhe respondeu, tão pouco deu sinal de alegria pelas palavras da jovem. Muito pelo contrário, estava apenas fitando o nada, permitindo-se a não olhar mais nada por ali.

Logo, a jovem enfermeira havia engessado o braço de Sophie. Sorrindo por tê-la ajudado em tempo, esboçou em sua voz um tom de alegria e felicidade que poderia ser confundido facilmente com qualquer outra razão, encoberta.

- Bem, agora tudo ficará bem. Seu braço sofreu uma pequena distorção, provocando o deslocamento de um osso. Porém, não precisa se preocupar, ele ficará bom logo. – Terminou a fala, virando-se e se dirigindo para uma pequena mesinha que estava perto da maca. Ali, escreveu algumas coisas em uma pequena folha de papel, e logo a entregou para a jovem. – Pronto, aqui está uma pequena lista do que deve fazer. Não posso prescrever remédios, afinal não sou formada ainda, mas posso dar-lhe pequenas dicas de como proceder.

- Obrigada.

- Agradeço, Emily. Como sempre fazendo um bom trabalho apesar da sua idade.

- Hey, assim me faz pensar que sou péssima em minha função.

- Opa, foi mal.

Sophie não ficou ouvindo a conversa, apenas guardou o papel como pôde dentro de sua pasta, que Layla havia carregado junto com ela. Não havia importância em ficar ali, afinal amigos devem ficar com amigos, e estanhos separados dessas amizades que todos consideram felizes. Era assim que pensava, e não mudaria sua visão. Caminhou até sair da escola, não vira o rastro de nenhum outro aluno, afinal todos tinham saído e voltado para suas casas. Só ficara ali pelo suposto “incidente”, que ocorrera consigo. Enquanto caminhava, começou a notar que pequenas gotículas de chuva estavam começando a cair. Nunca fora precavida, levando um guarda-chuva na pasta, e por tanto não via problemas em tomá-la.

Enquanto caminhava, observava as pessoas que iam e voltavam. Não tinham muita expressão em seus rostos, mas muito pelo contrário apenas uma normalidade enfadonha. Trabalhar, estudar, ser alguém. Parecia uma lei imposta sobre aquele lugar, a qual todos obedeciam cegamente, parecendo pequenos cachorros que abanavam o rabo para seus superiores. Enquanto as passadas eram dadas, um pequeno filete cristalino escorreu por sua face, ao mesmo tempo em que lançou sobre o vento suas palavras.

- Se ao menos as coisas pudessem ter sido diferentes um instante... Ao menos por um segundo, gostaria que tudo isso pudesse tomar a forma de um sonho... Um sonho que não precisaria ter um fim.