Notas iniciais
Desculpa a demora, meus amores :c
Aulas voltaram D:

Frio. Nunca senti nos mais gélidos invernos europeus. Doía a alma, minha pequena alma, de um rapaz mimado e rico, e agora tive uma aventura em tamanho titanesco. Soou irônico, eu sei.

Fiquei um bom tempo chorando, com os braços de Gerard envolvendo meu pequeno corpo. Estava pondo as mágoas para fora, o que é saudável. Gerard permanecia calado, certamente olhando o mar. Era bom estar com ele.

Passos no assoalho de madeira fizeram Gerard me largar aos poucos, quando ouvi mamãe gritando, desesperada:

-O QUE VOCÊ FEZ COM MEU FILHO?

Gerard disse que eu havia escorregado e batido fortemente a cabeça, e poderia ter algum tipo de doença. Não sei se mama engoliu a história, mas me abraçou docemente. Vi alguns criados nossos me pegando no colo bruscamente, meus olhos marejados de lágrimas. Levando-me para longe do desordeiro. Mama trocou palavras com ele, agradecendo.

Colocaram-me na cama e assopraram a vela que iluminava bem pouco o quarto. Mama viria logo, acredito. Chorei mais ainda, quase morrendo sufocado. Até que as lágrimas acabaram e eu sem forças, dormi exausto.

Mas antes eu não tivesse dormido. Eu estava numa espécie de caixa d’água, com paredes de vidro. Podia ouvir a voz de minha mama, com se desse um depoimento, dizendo que eu era um mal filho, uma coisa terrível, que ela se arrependia de ter colocado no mundo, dizendo como se eu fosse o culpado por todos os problemas do mundo. Depois meu pai apareceu, dizendo que eu era um bastardo, que me deixaria na rua, à mercê do sereno da noite. Depois de fizerem um choro teatral, o juiz deu a sentença e qual seria a minha pena? Afogamento em águas extremamente geladas. Abaixei a cabeça e comecei a não sentir minha pele, meu corpo. Aos poucos fui morrendo...

Morrendo...

Às dez horas da manhã, tomei meu café sozinho numa mesa em frente a piscina. Já estava terminando quando um jovem de cabelos castanhos quase louros, senta em minha mesa.

— Olá – cumprimentei.

— Gerard disse – ele fez uma longa pausa – que você pode ser forte.

Arregalei os olhos:

— Como é?

— Encontre com a gente ao meio-dia, na popa. Sabe onde é?

— Sei... – Meu coração acelerou.

— Então, nos vemos.

Nós podemos ser fortes!