My Heart Will Go On
7 Like a Prayer
O rosto de Gerard ficou rubro como um rubi devido sua pele ser branca como as nuvens. A sensação de euforia passou quando houve o choque entre meus lábios com o de Gerard. Senti-me culpado e envergonhado, e acrescente medo, pois eu beijara um rapaz, sendo eu próprio um rapaz. Não sei o que deve ter passado em minha mente ou por que houve tais reflexos. Tentar explicar isso não vai abafar o coquetel de vergonha e culpa. E me desculpar seria algo absurdamente estranho. O melhor a fazer seria tentar contornar a situação. Mas graças a Deus, Mikey empoleirou-se ao lado do irmão, dirigindo-lhe palavras que não compreendi e parecia sorrir como se fosse alguma piada. O mais velho deu uma pequena risada, e desceu num pulo. Mikey fez o mesmo.
Fiquei atônito, olhando para os irmãos que retribuíam o olhar.
"Não vai descer?" perguntou-me o rapaz de cabelos negros.
"Como?" repliquei. "Pulando" ele sorriu. O olhei assustado, mas respirei fundo e saltei. Eu sabia que eu iria me espatifar no chão, mas nem liguei. Mas ao invés de cair no piso de madeira/ fui parar nos braços de Gerard, que ria.
"É hora de a criança tomar banho". Olhei para ele espantado. Ele ia me dar banho?!
*
Não, ele não me deu banho. Somente me deixou na porta do meu quarto (foi me carregando ate lá). Tomei meu banho e vesti uma roupa confortável. Prometi a mim mesmo que ia me comportar durante o jantar com mamãe e seus amigos ricos.
Esperei mama se arrumando do lado de fora da cabine. Ela demorou como o de costume e a segui, envergonhado do modo que ela, de nariz empinado, me levava à mão.
Fomos ao deck cinco, onde havia um restaurante alemão. Já havia saboreado os pratos da culinária alemã. Então, acho que eu não passaria mal comendo Schlachtplatte, e tomando cerveja, afinal, eu era maior de idade.
Pedi desculpas aos amigos de mamã, e tudo conforme manda o figurino. E notei a mesa, e faltavam duas pessoas, e a mesa parecia mais completa, do que nunca. Sentei-me e esperei os garçons vierem, mas dois rapazes se aproximaram da mesa. Era Michael e Gerard. Incrivelmente arrumados e perfumados. Mama levantou, deitando sua melhor pinta de rica importantíssima.
“Muito obrigada por salvar meu filho” ela lhe estendeu a mão.
“Salvar mesmo só Cristo, apenas eu impedi seu filho de se encontrar com o Criador”. Ele beijou a mão de mamã. Eca!
O jantar foi tranquilo e tudo ocorrera bem. Os irmãos foram surpreendentemente educados. Eu preciso rever meus conceitos
Depois da sobremesa, decidi ficar na varanda, onde não havia ninguém, para admirar o céu estrelado. Fiquei um tempo, sentindo o vento bagunçando os meus cabelos. Tudo tão tranquilo...
“Criança?” Gerard me chamou.
“Por que me chama de criança?”
“Não sei o seu nome...” Ele sorriu constrangido.
“É Frank” respondi, como se ele fosse lerdo de pensamento.
“Am... Oi Frank” Ele sorriu novamente.
“Oi...” O jeito que ele me chamava... Parecia um anjo, uma oração!
“Sobre hoje a tarde...” ele continuou “ Bem... foi estranho isso, sabe?”
“Desculpe-me” meu coração acelerou.
“Não, quer dizer, como eu diria...” .
“Erm...” comecei a corar.
Ele foi se aproximando, gaguejando palavras que não compreendi. Parecia italiano. Ele estava nervoso, e também rubro. Achei-o tão lindo que nem me segurei e...
Passei minha mão em sua nuca e o puxei-o pra perto de mim, e o beijei, sem medo nem nada.
Um beijo em um anjo
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