My Heart Will Go On
3 I'm a bad kid and I will survive
Notas iniciais
Ah, espero reviews, minhas lindas S2
Mamãe e eu fomos para nossa cabine no andar de cima. Grande e luxuosa como ela gosta. Ela depositou o chapéu em cima de uma das grandes camas. Mama passou os dedos nas raízes de suas belas mechas negras, a fim de aliviar a dor causada pelo peso do chapéu. Disse a mim mesmo que para ser belo dói e na maioria das vezes não vale a pena.
Minha mamã alegou que estava cansada por causa da viagem de trem e dormiria um pouco, o que me daria algum tempo para explorar as instalações da embarcação. Esperei ter certeza de que ela já estava num sono tranqüilo, e saí porta afora. Apenas tirei meu casaco bege e apenas fiquei usando minhas calças pretas e minha camisa branca, com os suspensórios marrom-escuro, além de meus sapatos de couro preto. Fiquei decidido a procurar por Gerard, quem sabe ficamos amigos, e consigo ir embora com ele e seu irmão.
Não seria fácil encontrá-los na parte rica do navio, principalmente que nenhum dos camareiros iria deixar dois mendigos visitarem a ala de nobres passageiros. Decidi então, dar uma volta pela área livre do navio, para ver se eu encontrava os dois irmãos.
Fui me perdendo nas escadas, nos corredores, passando entre passageiros e camareiros, resolvi fugir de mim mesmo, e gostei de fazer isso. O navio era ricamente adornado, com carpetes, modelos de escada, quadros, enfeites entre outros, que eu sabia o nome e as diferenças, por causa da Mrs. Mimmy, minha professora particular de artes, que me ensinava pesadarosamente lições entediantes que arrancavam-me bocejos e desejos de dormir em minha cama com meus ricos cobertores de seda. Eu aprendia rapidamente as preleções de artes entre uma piscada ou outra de sono.
Fiquei dando voltas nos decks, mas pouco importava; eu era livre, apesar de um modo estranho e não exatamente do modo que eu esperava, mas pelo menos eu podia respirar por conta própria, sem mamãe me dizendo o que fazer ou para onde ir! Muito obrigado aos Céus por essa oportunidade!
Finalmente passei por um lance de escadas que davam numa área descoberta da embarcação. Após um intervalo de tempo observando o local, deduzi que era o lugar o Gerard estava quando eu entrei no navio. Fiquei feliz ao pensar que meus futuros amigos estariam ali, e que minha viagem não seria tão chata como imaginei no princípio.
Tentei parecer despreocupado, como se estivesse apenas admirando a cidade lá embaixo, ou apreciando o fim de tarde, mas minha ansiedade não deixava e eu tentava controlar em vão a expectativa de poder ver novamente aquelas belas esmeraldas cintilantes.
Fiquei uns três quartos de hora esperando pelos irmãos, porem ele não apareceram. Decidi voltar ao quarto para ver se mamãe havia acordado, quando um ser salta em minha frente:
— Olá, criança.
Levantei meus olhos e numa expressão interrogativa, vi que era Gerard, um pouco mais alto do que eu, com suas roupas puídas e umas botas estrangeiras.
— Olá. – minha voz soou meio infantil.
Gerard sorriu.
— É a primeira vez que o menino rico viaja de navio?
Apertei meus olhos e levantei o queixo. Pelo jeito, nossa amizade demoraria um tempo.
— É sim, posso saber o por quê? –afrouxei o colarinho de minha camisa com dois dedos.
— Esta área não é para crianças de bermudas curtas. – ele me lançou um sorriso de vitória.
— Não sou uma criança – respondi com firmeza e engrossei um pouco mais a voz.
— Você parece uma criança – objetou. Ele apertou os olhos e seus rosto ficou com uma expressão típica de como alguém que diz: “o mar não é lugar para maricas”.
Não encontrei argumentos; o que ele falara era verdade. Decidi entregar meus pontos. Olhei por meio segundo o porto. Quando voltei meu olhar para Gerard, este havia desaparecido. Apertei meus lábios, pensando em nossa pequena conversa. Mas sempre há alguém que me desperta de meus devaneios. E dessa vez foi mamã, com dois criados nossos atrás.
— Frank, meu bebê! Você some e me deixa preocupada! – Mamãe me deu um abraço exageradamente falso, pois abraçou apenas o ar em minha volta.
— Eu só quis passear mamãe – minha voz soou infantil outra vez.
Mama nem me ouviu. Pegou-me pelo braço, anunciando a todos os passageiros e tripulantes que era a hora do meu banho.
Quando retornei à cabine, em um canto tinha uma tina com água morna e perfumada. Mama saiu novamente. Notei que tinha roupas minhas, limpas e frescas, em cima de minha cama. Após fechar as cortinas cuidadosamente, e me certificar que a porta estava bem trancada, despi-me e entrei na tina, tentando relaxar e sentir o aroma frutal que penetrava em minhas narinas. Peguei minha esponja e meu sabonete e lavei-me, deixando relaxar-me com a delícia das águas aromáticas que me banhavam. De repente, noto entre as águas turvas um pedacinho de madeira. Puxei-o e notei que tinha uma mensagem nela:
“Você definitivamente é uma criança”
Corei ao ler. Significa então que Gerard está em meu quarto?
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