My Heart In Your Eyes
4 Raios de sol
Notas iniciais
Junsu se jogou no sofá da sala depois de ligar para Jaejoong. Odiava não cumprir o que combinava com o amigo, mas naquela noite precisava ficar sozinho. O cansaço físico não era o maior problema, mas sim os seus pensamentos e sentimentos. Já estava esgotado pelo esforço de tentar não pensar em Yoochun e nas suas palavras naquela noite chuvosa. Resolveu tomar um banho e depois preparar uma boa xícara de capuccino, sua bebida preferida. Assim poderia dormir mais tranqüilo.
Logo após o banho, Junsu colocou apenas uma calça de moleton branca e foi para a cozinha preparar sua bebida quando ouviu a campainha tocar.
– Será que é o Jae? Deve ter desistido de ficar sozinho e veio dormir aqui. – sussurrou para si mesmo.
Quando abriu a porta seu corpo congelou. Um frio percorreu-lhe a espinha. Era ele. Yoochun estava parado a sua frente segurando um pacote nas mãos.
– O que você faz aqui? – Junsu disse nervoso.
– Calma, por favor, eu só queria conversar. Acho que da última vez ficamos mal resolvidos e isso me faz sentir muito mal.
– Eu não tenho nada para conversar com você.- Junsu fez bico fazendo Yoochun sorrir da expressão infantil do outro.
– Tudo bem, eu sei que não posso exigir nada, se quiser eu vou embora. Mas fique com isso, trouxe para você.- Yoochun estendeu o delicado embrulho que segurava.
– O que é isso? – Junsu pegou o pacote surpreso.
– É uma torta, reparei que você gosta muito de doces e hoje ao passar por uma padaria vi essa torta e lembrei de você. Já vou indo então. Desculpe-me pelo incômodo. – Yoochun baixou a cabeça e se virou para ir embora.
– Espere! – Junsu pediu sem pensar. – Entre, já que você veio, não sou tão mal educado ao ponto de te mandar embora sem lhe oferecer um pedaço de torta.
Yoochun sorriu notando o tom avermelhado que o rosto de Junsu assumiu. Aceitou imediatamente o convite e seguiu outro até a sala, notando que este estava apenas usando uma calça de moletom branca que destacava o traseiro avantajado e a pele branca das costas nuas. Respirou fundo, pois seus pensamentos mais pervertidos começaram a povoar sua mente. Pensou várias vezes em como seria tocar aquele corpo que agora estava ali, tão próximo e com pouquíssima roupa.
– Yoochun?
–Hã? – Yoochun despertou de seus pensamentos vendo Junsu estender-lhe um prato com um pedaço de torta.- Ah, obrigado. Me desculpe, estava distraído.
–Hum, sei. Mas acho que você precisava falar alguma coisa para mim, não? – Junsu não pode conter a curiosidade.
– Sim, eu queria me desculpar. Acho que passei dos limites da última vez, me perdoe por ter te beijado daquele jeito, mas é que... – Yoochun parou por um instante pensando quais palavras seriam mais adequadas ao momento, não queria estragar tudo de novo.
– Diga. – Junsu praticamente exigiu. Nem ele mesmo entendeu de onde surgiu aquele tom de voz. Estava tão ansioso por Yoochun estar ali novamente que não conseguia se controlar.
– Eu não consegui me conter. – Yoochun abaixou a cabeça um pouco envergonhado. – Você estava tão perto, e eu tinha tanta vontade de te beijar, te tocar e não deu para me segurar. Me perdoe, eu nem sei mais o que dizer. Você deve achar que eu sou um louco.
Junsu sentiu seu coração ficar apertado ao ver aquela cena. Queria abraçar Yoochun, faze-lo sentir-se mais confortável, queria consolá-lo de alguma forma, mas não queria admitir sua fraqueza.
– Tudo bem, eu te perdôo, não fique assim. Mas gostaria de te perguntar uma coisa. Como você me conheceu? Aquele dia você disse que me acompanha a muito mais tempo do eu imagino, gostaria que me explicasse isso. – Junsu disse baixinho, com medo do que ouviria a seguir.
– Bem, eu nem sei como contar isso. Você vai me achar um louco, idiota e sem ter o que fazer da vida. A verdade é que eu quase te atropelei na frente da sua livraria. Há mais ou menos dois meses atrás. Você atravessou correndo e eu estava passando de carro. Foi quando te vi pela primeira vez. Não sei explicar, mas depois de te ver ali não consegui te esquecer. Comecei a freqüentar aquele café que fica em frente a sua livraria para poder ficar te olhando. Toda vez que eu te via meu coração ficava aquecido, palpitava rápido e me fazia sorrir. Até que um dia tomei coragem e fui lá comprar alguns livros, só para ouvir sua voz.
Junsu ficou atônito ao ouvir aquela história, pela primeira vez acreditou que Yoochun realmente estava apaixonado por ele. Voltou a prestar atenção, queria ouvir, queria saber mais e começou a entender que seus sentimentos estavam correspondendo à paixão do outro.
– Eu não pude mais me conter Junsu, me desculpe por isso. Te ver ali sempre tão próximo me fez querer ter mais e chegar mais perto. Eu sempre ficava me perguntando o que você estava pensando quando sentava naquele cantinho da livraria e ficava ali por horas viajando em seus próprios pensamentos. Me aquecia ver você sorrindo. Seu sorriso é a coisa mais linda que já vi na minha vida. Vi como você gosta de doces, todos os dias você atravessa a rua e vai até o café, comprar alguns bolinhos e doces e sempre toma capuccino. Eu desejei mais do que qualquer um possa imaginar fazer parte de sua vida. Ter seus sorrisos para mim, tocar seus cabelos que pareciam sempre brilhar, serem sedosos e cheirosos, eu... – Yoochun soltou uma enxurrada de palavras sem perceber. Não tinha intenção de se confessar assim, mas não conseguiu se controlar. – Eu estou realmente apaixonado por você, por mais ridículo e estranho que isso possa parecer. Nunca gostei de um homem, aliás isso nunca foi cogitado por mim. Mas aí você apareceu.
Junsu sentiu seu rosto ficar molhado pelas lágrimas. Sentiu-se um idiota sensível, bem que seus pais falavam que desde criança chorava por qualquer motivo. Seu coração parecia que explodiria a qualquer momento. Entendeu então o que Jae falou para ele no dia em que conversaram. Não haveria mal nenhum em tentar, se não fosse bom, ele poderia virar as costas e ir embora. Mas já não havia maneira de conter seus sentimentos por Yoochun. Levantou-se e sento ao lado de Yoochun. Colocou a sua mão sobre a do outro e sorriu. Um sorriso enorme e muito bonito.
Yoochun se assustou com o toque de Junsu. Não esperava a aproximação, demorou um pouco, mas levantou a cabeça e encarou aqueles olhos escuros e bem desenhados, os mais lindos que já tinha visto.
– Olha, eu não sei como lidar com isso. – Junsu começou a falar com o rosto totalmente corado.- Eu nunca passei por isso antes, é estranho para mim. Não sei o que fazer ou falar e ...
–Tudo bem, eu acho melhor eu ir embora. Você não é obrigado a lidar com sentimentos que não são seus. Está tudo bem. – Yoochun interrompeu a fala de Junsu e começou a levantar-se para sair dali depressa, não agüentava mais. Mas sentiu Junsu segurar-lhe pelo braço o obrigando a sentar-se novamente.
– Espere, eu não terminei. Eu disse que não sei lidar com isso porque eu também nunca gostei de um homem, aliás, eu acho que nunca gostei de alguém de verdade. E não sei como lidar com esse sentimento, é estranho, mas eu também senti. – Suspirou — Aquele dia na livraria, eu também senti. – Junsu disse mais baixo, com vergonha de admitir seus sentimentos para o outro.
–Você quer dizer que... – Yoochun encarava Junsu com os olhos arregalados. Não conseguia acreditar no que ouvia. Será que seus sentimentos estavam sendo correspondidos?
– Eu quero tentar. – Junsu disse ainda de cabeça baixa com um leve sorriso nos lábios.
Yoochun apenas levou a mão ao rosto do menor segurando seu queixo, o fazendo olha-lo nos olhos. Junsu corou o máximo que era possível. Mas não tentou desviar o olhar. Aqueles olhos o prenderam ali e o resto desapareceu. Yoochun aproximou-se e não conseguiu evitar. Precisa tocar aqueles lábios naquele momento. Junsu ficou parado, queria muito aquilo, mas o medo ainda estava ali. Sentiu os lábios do outro aquecerem os seus. Era macio, quente, muito quente. Sentiu a língua do outro buscar espaço entre seus lábios e cedeu, tornando o beijo intenso e molhado. Seus braços involuntariamente envolveram o pescoço de Yoochun e sentiu sua cintura ser puxada pelo mesmo. A sensação era incrível. Junsu não esperava ficar tão feliz ao ter o outro daquela forma. Mas ali estava ele, e nada poderia faze-lo voltar atrás. Quando o ar faltou aos dois se separaram. Junsu ainda envergonhado não sabia o que dizer.
– Junsu, eu estou tão feliz. Não fique assim envergonhado. – Yoochun disse acariciando o rosto corado do menor. — Para mim é muito novo também, mas nós vamos descobrir tudo isso juntos, ok? Me deixa fazer parte da sua vida, assim como você já faz parte da minha há algum tempo.
Junsu apenas sorriu. Um sorriso meigo e brincalhão, que fez o coração de Yoochun explodir de alegria. Ali estava ele, a pessoa que trouxe os raios de sol de volta para sua vida, que aquecia seu coração todos os dias. Yoochun abraçou o menor o aconchegando em seu peito. Assim ficaram por muito tempo, apenas sentindo o calor do amor que florescia entre eles.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Yunho despertou quando um pequeno raio de sol que entrava pela janela aqueceu seu corpo. Tentou se mover, mas sentiu um peso sobre seu peito. Pelo perfume sabia que era Jaejoong. Ficou alguns minutos de olhos fechados, pois não queria abrir os olhos e ter a certeza de que sua visão realmente tinha sido extinta totalmente. Respirou fundo, inalando tudo o que podia do aroma maravilhoso que se desprendia do corpo do outro e abriu os olhos. Escuridão total. Sim, aquele momento tão temido havia chegado. Seu coração acelerou imediatamente. Precisava sair dali sem que Jaejoong notasse seu estado, mas não sabia como. Estava em uma casa estranha, se fosse a sua própria, saberia exatamente aonde ir. Moveu-se um pouco tentando tirar o outro de seus braços, mas falhou. Jaejoong despertou com o pequeno movimento e o abraçou mais.
– Bom dia. – disse sentando na cama e corando de imediato.- Dormiu bem? Desculpa por ontem, eu não consigo me manter calmo quando há trovões. – Jaejoong tentava se justificar fazendo Yunho sorrir.
–Tudo bem, não tem problema. – Disse se sentando e direcionando seu rosto para o lugar de onde veio a voz de Jae. – Mas agora eu realmente preciso ir embora.
– Aaaahh não, toma café comigo primeiro.- Jae disse se levantando e pegando Yunho pela mão para levá-lo para a cozinha. Yunho agradeceu em silêncio, pelo menos estava sendo guiado para a cozinha, não saberia chegar até lá sozinho.
Chegando na cozinha Jae soltou a mão de Yunho e começou a mexer dos armários e geladeira para preparar o café. Yunho permaneceu em pé, exatamente onde Jae o deixou.
– Venha Yunho, sente aqui, eu vou servir o café para você. – Jae disse sorrindo.
Yunho não se moveu.
– O que foi? Algum problema? – Jae perguntou se aproximando.
Yunho percebendo a aproximação ficou mais nervoso ainda. Então tudo aconteceu rápido demais. Yunho deu um passo para trás, encostando na mesinha do canto e derrubando o vaso que a mesma sustentava. Ao ouvir o som da porcelana se quebrando, Yunho ficou desnorteado. Saiu apalpando as paredes e procurando a saída, tentando lembrar do caminho que fez para entrar no apartamento na noite anterior.
– Me desculpe, preciso ir embora. – Yunho dizia nervoso enquanto procurava a porta.
– Yunho, o que está acontecendo? Espere, o que está fazendo? Onde vai? – Jae tentou seguir Yunho que se virava de um lado para o outro com as mãos a sua frente. Não entendia aquilo. Ele parecia não ver onde estava indo, mas Jae não entendia o por que.
– Yunho, pare! Acalma-se! Fale comigo, por favor! – Yunho sentiu as mãos de Jae segurarem seus ombros. Reagiu instintivamente e empurrou Jaejoong o fazendo cair no chão. Encontrou a maçaneta da porta, puxou e saiu correndo pelo corredor. Não parou na porta nem para calçar seus sapatos, saiu descalço e sem casaco. Encontrou a maçaneta de uma outra porta, de formato diferente, imaginou ser a escada. Puxou a porta e mais uma vez tentou correr.
Jaejoong se levantou do chão e saiu correndo atrás de Yunho. Precisava saber o que estava acontecendo. Viu que Yunho não calçou os sapatos e saiu descalço. Viu a porta que dava acesso a escada se fechar lentamente. Imaginou então que Yunho teria saído por ali. Apressou-se e foi atrás. No primeiro lance de escadas ouviu um baque e um gemido abafado. Desceu as escadas correndo e se deparou com o corpo de Yunho caído, parecia estar inconsciente. Aproximou-se lentamente, temeroso pelo estado que o outro poderia estar. Chamou várias vezes, mas não houve reposta. Não o deslocou, temeu que ele estivesse ferido e acabasse piorando a situação. Pegou o celular em seu bolso e chamou uma ambulância. Sentiu seu coração apertar, não acreditava no acontecido. Uma lágrima rolou por sua face. Agora que tinha encontrado Yunho, não podia perdê-lo. Não podia perder a única pessoa que o fez sentir-se vivo em tanto tempo. Não podia perder a pessoa que o aqueceu e o protegeu durante a tempestade, a razão pela qual se levantava todas as manhãs desde que o encontrou na praça naquela noite chuvosa. Não, aquilo não podia acontecer.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = =
Já no hospital Jaejoong estava andando de um lado para outro enquanto esperava por notícias de Yunho. Já haviam passado quarenta minutos desde a chegada deles ao hospital. Jaejoong ligou para Junsu explicando o acontecido e pedindo para que ele tomasse conta da livraria naquele dia. Junsu não entendeu nada, pois nem sabia da existência de Yunho, mas vendo a voz desesperada de Jae concordou com tudo que o amigo pediu.
Depois de uma longa espera, o médico se aproximou de Jaejoong.
– Você é o acompanhante do senhor Jung Yunho?
– Sim, sou eu. Como ele está?
– Bem, a queda foi feia. Fizemos vários exames e radiografias. Ele apenas quebrou o braço esquerdo e ficará com alguns ematomas, mas ficará em observação hoje para termos certeza que não aconteceu nenhum ferimento interno. O senhor disse quando chegaram aqui que ele estava correndo e caiu da escada?
– Sim, ele saiu correndo. Parecia estar desorientado. E quando o encontrei já estava inconsciente. Mas por que pergunta?
– Bem, eu acho que ele ficou desorientado pela perda total de visão. Ele não ...
– O que? – Jaejoong perguntou ao ouvir a palavra visão sem se importar de interromper o médico.
– Ele ficou desorientado pela perda total da visão. Isso é bem comum quando somos privados de algum senti...
– Sim, sim, eu ouvi o que o senhor disse. Só não entendi o que isso tem haver? Como ele pode perder a visão de repente. Que eu saiba ele enxerga muito bem. – disse Jaejoong convicto de sua explicação
– Hum... O senhor não sabia? Acho que não posso falar muito então. Se o senhor não conhece o problema do paciente, não posso dar detalhes de sua ficha médica. O senhor conhece algum parente dele?
– Olha... Eu o conheci há pouco tempo e nos tornamos amigos. Ele passou essa noite em minha casa. Mas ontem ele parecia normal. Como ele pode ter acordado sem enxergar? – Jaejoong dizia nervoso, sua voz já estava mais alta do que o necessário, fazendo com que todos que estavam em volta o olhassem. Ainda mais depois de dizer claramente que o paciente dormiu na sua casa.
– Bem, eu vou esclarecer as coisas para o senhor. Mas só porque na ficha médica dele não temos o contato de nenhum parente. Parece que por enquanto ele só tem o senhor e ele com certeza precisará de alguém nos próximos meses. Segundo os dados da ficha médica do paciente, ele teve uma doença quando mais jovem que o fez perder a visão gradativamente. Isso foi diagnosticado há uns sete anos atrás. Ele perdeu a visão aos poucos e segundo os dados da ficha ele estava perto de perder a visão totalmente. O caso dele é delicado, ele pode voltar a enxergar, mas só daqui um tempo saberemos se será possível que ele faça um transplante de córneas. No momento isso ainda não é possível. Imagino que o que houve hoje, foi que ele acordou totalmente sem visão. Por mais que o paciente estivesse preparado para isso, é realmente desorientador acordar na completa escuridão.
– Espere um momento. Deixa eu entender isso. – Jaejoong passou as mãos pelos cabelos, respirando fundo antes de continuar. — Quer dizer que até ontem ele enxergava apenas sombras, ou algo assim?
– Exatamente. Ele já estava nesse estágio há algum tempo. Só enxergava o vulto das pessoas ou objetos. Não era possível nem que visse o rosto de uma pessoa nitidamente. Apenas a sombra dela.
Ao terminar de explicar o médico disse que Jaejoong poderia ver Yunho quando quisesse, indicando o caminho para o quarto onde estava internado. Jaejoong sentou-se na sala de espera e ficou ali por longos minutos tentando assimilar o que acabara de ouvir. Não conseguia acreditar.
“Como assim ele não enxergava? Quer dizer que o tempo todo ele viu apenas meu vulto? Nunca viu meu rosto? Meu Deus, como deve ser difícil para ele. Por que não me contou? Por que?”
Jaejoong se levantou lentamente e foi até o quarto de Yunho. Entrou devagar, sem fazer ruído. Viu que Yunho dormia tranquilamente, como se estivesse apenas descansando. Pegou uma cadeira e colocou ao lado da cama, sentou-se e pegou uma das mãos de Yunho. Ficou ali por um longo tempo, não sabe dizer se foram minutos ou horas. Apenas olhava o rosto sereno daquele a quem queria entregar seu coração.
Depois de um tempo o médico veio ver o paciente.
– Vá para casa rapaz. – disse colocando a mão sobre o ombro de Jae. – Ele vai demorar a acordar. E também ele vai precisar de roupas limpas e sapatos, não? Vá, descanse um pouco e volte para buscá-lo, ok?
Jae seguiu o conselho do médico. Foi em casa, tomou um banho, pegou uma troca de roupas limpas e os sapatos de Yunho que ainda estavam na porta de seu apartamento. Uma hora depois voltou ao hospital. Ao entrar novamente no quarto, notou que Yunho havia acabado de despertar. Não disse nada. Colocou a sacola sobre um sofá que estava no canto do quarto e caminhou até a cama do paciente.
– Jaejoong? – Yunho disse olhando fixamente à sua frente.
– Como sabe que sou eu?
– Seu perfume. É único. Não o confundiria de forma alguma. – Yunho disse sem graça.
Jaejoong apenas pegou a mão de Yunho e a segurou forte.
– Vá Jae, não precisa ficar aqui. Eu me viro.
– Por que faz isso? Por que não quer ninguém por perto? Você nem me contou sobre seu problema. Por que?
– Você disse bem. Agora. Eu não quero ser um fardo para a vida de alguém. Por isso aprendi a me virar sozinho desde que comecei a perder minha visão.
– Não faça isso. Eu quero estar ao seu lado agora. – A gargante de Jaejoong foi se fechando, as lágrimas teimando em vir a tona.
– E agora que não vejo mais nada, não quero depender de ninguém. Agora você quer ficar aqui, mas quando se cansar de cuidar de alguém como eu, vai querer ir embora e eu não vou poder impedi-lo.
–Yun, pare com isso. De onde tirou tanta besteira? Se você quer saber, essa noite que passamos juntos foi a melhor de toda a minha vida. E sabe por que? Porque você estava lá comigo e agora continua sendo assim, mesmo depois de saber que você não pode me ver. Eu quero ficar com você da mesma forma que queria antes de saber de tudo. Não me afaste, por favor. Deixe-me ficar ao seu lado.
–Pare, por favor. Não faça isso. É muito doloroso. Não serei capaz de perder uma paixão novamente, ok? Eu tive que abrir mão da minha maior paixão que era a fotografia. Não quero amar você e depois te perder. Eu não vou agüentar. – Yunho disse quase gritando.
Jae não agüentou vê-lo daquela forma. Simplesmente abraçou Yunho e juntos choraram por um logo tempo. Tanto que uma enfermeira veio para fazer a medicação de Yunho, mas vendo aquela cena ao entrar, preferiu deixá-los e voltar depois.
Quando o choro cessou, Jaejoong quebrou o silêncio.
– Yun, eu sei que o que você mais teme é depender de alguém. Você se virava tão bem sozinho que eu nem percebi que você não podia ver direito. Mas agora eu estou aqui. E independente de você estar enxergando ou não, eu vou ficar aqui, quer você queira, quer não. Pela primeira vez em minha vida eu estou me sentindo vivo. Ontem, aquele beijo, eu nem sei como explicar o que senti. – Jae se esforçava para dizer tais palavras. Ainda era difícil admitir seus sentimentos e falar abertamente sobre eles. — Então, por favor, eu não quero ser alguém para cuidar de você. Eu quero ser alguém que você vai amar, assim como eu... Como eu estou te amando.
Ao ouvir as palavras de Jaejoong, Yunho percebeu que havia se enganado ao pensar que conseguiria deixa-lo na manhã seguinte. Ali ao seu lado, estava o motivo que o fazia levantar-se todas as manhãs depois de sentir aquele perfume pela primeira vez. Ali estava aquele que fez seu coração disparar depois de tantos anos na solidão. Não tinha como escapar, teria que aceitar seus sentimentos e deixar Jaejoong ficar ao seu lado. Mas a angústia de talvez fazer o outro sofrer não deixou seu coração. Poderia então ir embora? Mudar de cidade ou até mesmo de país?
– Yun, fica comigo? – Jae perguntou passando a mão no rosto de Yunho.
Não. Não conseguiria mais viver sem aquele toque, aquele perfume e aquela voz. Estava perdido. Teria que aceitar aquele amor que nascia ali e arriscar tudo. Até mesmo sabendo da possibilidade de um dia Jae não agüentar ter alguém tão dependente ao seu lado. Só pôde dizer que sim e aceitar o que a vida tinha escolhido para ele.
– Sim meu anjo. Acho que não tenho como escapar disso. E só para que você saiba, eu não vou te amar, pois eu já amo você.
Jae aproximou-se de Yunho e selou seus lábios com um beijo. Afastou-se logo, pois não queria que alguém entrasse e os visse, ainda mais no estado de saúde que Yunho estava. Yunho sentiu seu coração aquecer imediatamente. Apesar da escuridão que o envolvia, Jae parecia um raio de sol, iluminava sua vida e o deixava aquecido. Perguntou-se por um instante se seria sempre assim.
Continua...
Fale com o autor