My Heart In Your Eyes
5 Mudanças e Amores
Notas iniciais
Na noite seguinte ao acidente, Yunho foi liberado. Jaejoong insistiu em acompanhá-lo, mas para isso, foram necessários quarenta minutos de discurso.
– Yun, nós já conversamos sobre isso. Não seja teimoso. – Jae dizia enquanto arrumava os pertences do outro em uma mochila que havia trago de casa.
– Jae, por favor. Eu já disse que não precisa disso. Eu posso me virar sozinho. Me sinto um completo inútil se não puder cuidar da minha vida sem ajuda.
–Eu já entendi isso. Só não vou deixar você sozinho com esse braço quebrado e essas dores no corpo. E nem adianta dizer que não está doendo. Eu vi bem sua cara na hora de se levantar para ir ao banheiro agora a pouco.
– Jae, eu não quero...
– Chega Yun! – Jae aumentou um pouco o tom de voz fazendo o outro se calar imediatamente. – Eu não vou virar sua babá. Já te disse mil vezes e só vou repetir mais uma vez. Não há como te deixar sozinho. Você está com o braço quebrado, há coisas que você não poderá fazer sozinho. Não é porque você não está enxergando. Eu sei que você sabe se virar. Mas se acostume com minha presença, porque não vou deixar você comendo comida de restaurante todos os dias enquanto tiver esse braço engessado. Não tem como você cuidar das tarefas doméstica sozinho. Quando seu braço melhorar eu deixo você se virar, ok? E assunto encerrado.
Yun não teve saída. Não é que não gostasse de ter Jae por perto, mas o medo de se tornar cada vez mais dependente estava entranhado em seu coração. Combinaram que iriam para a casa de Yunho, mas que Jae iria ficar com ele até que se acostumasse com a perda da visão e seu braço melhorasse. Jae ligou para Junsu pedindo que o amigo que levasse uma mala de roupas para ele no apartamento de Yunho, dando o endereço ao amigo. Junsu não entendeu muito bem ainda, mas atendeu ao pedido.
– Yoochun, hoje eu preciso encontrar meu amigo, tenho que levar algumas coisas para ele. Você vem comigo? Quero muito que você o conheça.
– É claro Su. Vou com você.
Junsu corou ao ouvir o outro o chamar pelo apelido.
– O que foi? Por que ficou vermelho?
– Eu? Nada não. Acho que ainda não me acostumei a ter alguém assim tão perto, me acompanhando e me chamando por apelidos.- Junsu explicou mais envergonhado ainda.
Yoochun o envolveu em seus braços dando um beijo em sua testa.
– Então se acostume, pois eu vou sempre estar aqui.
Já na casa de Yunho, Jae ouviu a campainha.e foi atender. Deu de cara com Junsu abraçado com um cara bonitão que carregava uma mala.
– Oi Su, vejo que as coisas se acertaram na minha ausência. – disse dando uma olhada em Yoochun.
– É Jae, segui seu conselho. Esse é o Yoochun, de quem lhe falei antes.
– Prazer Yoochun, sou Jaejoong, mas pode me chamar de Jae.
– Oi Jae, estou em feliz em conhecê-lo.
–Entrem.
Jaejoong pegou sua mala, levou até o quarto de hóspedes e voltou para a cozinha para terminar de preparar o jantar. Estava meio atrapalhado, pois aquela cozinha não era a dele, mas queria fazer o melhor para Yunho, que por sua vez estava em seu quarto trocando de roupa depois de um longo banho. Yunho sabia exatamente onde estava tudo, já que havia se preparado para aquela cegueira durante anos. Enquanto isso na sala, Jae contou à Yoochun e Junsu toda a história sobre como conheceu Yun e como aconteceu o acidente que o levou ao hospital, não se detendo nos detalhes de que estavam juntos e apaixonados. Junsu ficou super feliz por Jae, era bom saber que o amigo estava passando por novas experiências, assim como ele próprio. Só ficou um pouco triste por saber que Jae ficaria por um tempo na casa de Yunho, então não poderia mais sair correndo para o apartamento dele quando quisesse.
– Mas você vai me visitar né? – Junsu perguntou fazendo biquinho. – Você sabe que odeio ficar sozinho.
– Claro que vou, e pelo jeito agora vou ter brigar por um horário na sua agenda, acho que Yoochun não vai te deixar sozinho tão cedo.
–Ah, isso é verdade. –Yoochun disse sorridente fazendo Junsu corar.
– O que é verdade? – Yunho entrou na sala andando lentamente com as mãos acompanhando o contorno da parede.
– Oi Yun, demorou! Quase fui lá te buscar. Vem cá, deixa eu te apresentar meus amigos. Esse é Junsu, meu melhor amigo de quem já falei. – Yunho estendeu a mão esperando Junsu se aproximar.
– Oi, sou Junsu, ou Su. Muito prazer.
– Oi Junsu, finalmente o conheci. Jae fala muito de você.
– Fala o que?
– Nada que vá o comprometer. – Jae disse rindo da expressão preocupada de Junsu. — E esse é Yoochun, namorado do Junsu. – explicou Jae quando Yoochun se aproximou.
–Olá Yoochun, muito prazer.
Tanto Yoochun como Junsu sentiram um calorzinho no peito quando Jae disse a palavra namorado. Concordaram em ficar juntos, mas não haviam falado aquela palavra ainda. Soava tão sério, tão comprometedor, que eles entreolharam-se e coraram imediatamente.
– O prazer é meu. Pelo jeito agora estaremos sempre todos juntos, não é? – Yoochun disse apertando a mão de Yunho.
–Claro. – Jae se intrometeu. – Agora vamos jantar, estou morrendo de fome.
A noite foi agradável. Todos jantaram, conversaram e se divertiram com as conversas de Junsu e Jaejoong, que contaram as travessuras um do outro na época da escola e da faculdade. Já era madrugada quando Junsu e Yoochun foram embora. Jae arrumou a cozinha enquanto Yunho ficava reclamando que queria ajudar na arrumação.
– Jae, eu já te disse que odeio isso.
– Yun, aceite que eu vou ajudar. Como você vai lavar a louça com o braço quebrado, hein? Eu disse que até esse braço melhorar eu vou ajudar. Já sei que não gosta de ajuda e não vou ficar no seu pé. Só me deixe fazer essas coisas até seu braço melhorar, ok? – Jae disse encerrando a discussão que parecia nunca ter fim.
Yunho foi para sala e sentou-se no sofá. Pegou o controle do som e coloco uma música tranqüila. Estava muito feliz por ter Jae ali, nunca cogitou essa possibilidade. Sempre achou que não seria possível ter o dono do perfume tão perto assim. Mas ao mesmo tempo se sentiu frustrado, o que mais temia estava acontecendo. Alguém estava cuidando dele. E quando Jae se cansasse? Yunho não suportaria viver assim longe dele.
Quando terminou de arrumar a cozinha Jae foi até a sala e encontrou Yunho emburrado. Aproximou-se e deu um beijo na bochecha de outro.
– Desfaça esse bico. Não quero te ver assim. Na próxima você arruma a cozinha, ok?
– Tudo bem Jae, é que não é muito fácil sabe. Eu não quero me tornar dependente de você.
– Ah, mas isso vai acontecer. Daqui a um tempo não vai conseguir dormir sem me dar boa noite, sem me beijar e abraçar, sem sentir meu cheiro. – Jae disse sorrindo e acariciando o rosto de Yunho. – Assim como eu já não posso ficar longe de você.
Yunho sentiu seu coração disparar quando Jae lhe tomou os lábios. Yunho ficou perdido por alguns segundos. O cheiro, o gosto e o calor do outro o enlouqueciam. Seu corpo começou a reagir e então segurou a cintura de Jae com o braço livre e o puxou para seu colo. Jae encaixou suas pernas envolta da cintura de Yunho e agarrou seu pescoço. O beijo foi esquentando e ambos sentiram seus corpos pedirem por mais, mas quando o ar faltou, se separaram.
– É, você tem razão. Não saberei mais viver sem isso. – Yunho sorriu ao admitir que Jae agora era sua perdição e seu vício.
– Yun...
– Oi meu bem.
– Vamos dormir? Me senti meio estranho agora, acho que o cansaço está tomando conta de mim.
– Claro, vamos. Já é tarde e você se esforçou muito hoje cuidando de mim. Venha.
Yunho o pegou pela mão e saiu puxando Jae para seu quarto. Jae soltou sua mão e o abraçou pelo lado do braço quebrado, deixando a mão que estava boa livre para que Yunho acompanhasse a parede e achasse o quarto. Jae poderia ter ido na frente, mas sabia da necessidade de Yun de ser independente, então apenas esperou o outro chegar no quarto. Quando entraram, Jae ficou de boca aberta. Não havia entrado ali ainda. O quarto era grande, com uma cama de casal bem no meio, uma escrivaninha com um laptop estava no canto direito, perto da janela e uma poltrona enorme estava no canto oposto. Mas o que chamou a atenção de Jae foi a quantidade de fotos. As paredes laterais do quarto tinham fotos coladas por toda a extensão. Fotos de pessoas, lugares, animais e objetos. Era lindo de ver. Jae lembrou-se então do dia que Yunho contou que fora forçado a largar a sua profissão de fotógrafo e sentiu seu peito apertar.
– Que lindo Yun! Tudo isso foi você quem fotografou?
– Sim Jae, são lindas né?
Yun foi até sua cama, puxou o edredom e se deitou.
– Vem, deita aqui.
– Eu vou dormir aqui?
– Ué, por que não?
– Eu achei que dormiria no quarto de hóspedes.
–Se você quiser, por mim tudo bem. Só achei que poderíamos ficar um pouco mais tempo juntos. Amanhã voltaremos a trabalhar e nos veremos apenas a noite. – Yun explicou fazendo bico, o que deixou Jae morrendo de vontade de beijá-lo.
– Por mim tudo bem. Claro que prefiro dormir aqui com você. Só me surpreendeu você querer isso agora. – Jae não conseguiu esconder sua alegria. E Yun percebeu pelo tom de voz do menor.
Jae deitou aconchegando-se nos braços de Yunho. Ficou pensando naquela situação. Tanto tinha acontecido em dois dias que era difícil de assimilar. Estava agora na cama de outro homem, a quem havia entregado seus sentimentos e que até dois dias atrás era apenas o cara que ele via sentado na praça todas as tardes. Ficou a observar as fotos que estavam nas paredes. Podia ver algumas nitidamente por causa da claridade da lua que entrava pela janela. Eram tão perfeitas que não pareciam ter sido tiradas por uma pessoa. Elas mostravam momentos únicos, como se Yunho tivesse fotografado os sentimentos daquele momento e não as pessoas ou os lugares. Mais uma vez Jae se entristeceu. Era tão injusto Yunho perder a visão. Uma pessoa que conseguia fotografar tão bem, captar o que há de melhor das pessoas, com certeza não podia ser impedido de fazer isso.
Jae foi tirado de seus devaneios com toque de Yunho em seu rosto.
– O que foi meu amor? Não consegue dormir?
– É, eu estou tão cansado, mas parece que perdi o sono. Achei que você já tivesse adormecido, estava tão quietinho.
– Eu sempre demoro um pouco para dormir, mas sua respiração ficou pesada de repente, por isso perguntei. Há algo errado? Quer dormir no outro quarto?
–Não! Eu só perdi o sono. Está tudo bem.
Yunho virou-se para o menor e alcançou seus lábios. Novamente o beijo aqueceu seus corpos, como um choque percorrendo cada terminação nervosa que eles tinham. O beijo se tornou intenso, Yunho envolveu Jae pela cintura o trazendo para cima de seu corpo. Jae deixou-se levar, agarrando o outro pelo pescoço. Sentiu Yunho colocar a mão sob sua camisa e acariciar suas costas. Mas Yunho de repente tirou suas mãos daquele lugar e o abraçou.
– O que foi? – Jae perguntou encarando os olhos negros de Yunho. – Há alguma coisa errada?
– Não meu amor. Só não quero estragar sua primeira noite aqui. Você está cansado e eu fico te perturbando, não é?
– Me perturbando? Muito pelo contrário, estar assim com você me faz bem. Não pense assim. – Jae disse abraçando o maior e se acomodando em seus braços.
– Sabe Jae... Eu não quero estragar tudo. Não quero apressar as coisas. Preciso ter certeza de tudo que estarei fazendo para dar meu melhor à você. Mesmo não podendo vê-lo, quero te fazer feliz. Preciso estar mais confiante para deixar as coisas rolarem entre nós, entende?
– Yun, você não vai estragar tudo. Pare com isso. Quando for para acontecer, sei que será maravilhoso. E o importante é o que nós sentiremos, não o que veremos.
– Eu sei meu amor. Mas ainda não me sinto pronto para tudo isso.
– Tudo bem, eu não tenho pressa. Só quero estar perto de você.
Jae adormeceu primeiro. O calor do corpo de Yunho o confortava, o fazendo relaxar e esquecer tudo. Depois que Yunho sentiu a respiração do outro ficar leve e tranqüila, então pode adormecer tranquilamente. Aquela foi a segunda noite que passaram juntos, mas a primeira como cúmplices de um amor que ainda ultrapassaria todos os limites de suas vidas.
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Aquela semana passou rapidamente. Tudo estava seguindo tranquilamente. Todas as manhãs Yun e Jae acordavam, tomavam café da manhã juntos e seguiam juntos para o trabalho. A editora que Yun trabalhava ficava no caminho entre a casa dele a e livraria. Então Jae o acompanhava até a editora e depois seguia até seu próprio trabalho. No final da tarde voltavam juntos também, parando sempre na praça para conversarem e conhecerem um pouco mais um do outro. Logo depois voltavam para a casa de Yunho e Jae fazia o jantar para os dois. Yunho estava maravilhado com as habilidades culinárias de seu namorado, cada dia um prato diferente e uma sobremesa nova.
– Jae, meu amor, assim eu vou engordar. Como é possível isso ser tão bom? – Yun falava enquanto comia o segundo pedaço da torta de morango que Jae havia preparado como sobremesa.
– Isso não é nada de mais, é que você ficou por muito tempo comendo em restaurantes e se esqueceu de como é boa uma comida caseira.
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Naquela semana Junsu e Yoochun já tinham aparecido para jantar com Jae e Yunho duas vezes. Era incrível o apego que Junsu e Jae tinham. Viam-se todos os dias na livraria, mas não conseguiam ficar sem se falar à noite, nem que fosse por telefone. Mas naquele dia Yoochun queria Junsu só para ele. Passou a semana toda planejando e executando os preparativos para uma surpresa para o seu amor.
– Onde nós vamos? – Junsu perguntava enquanto Yoochun dirigia para um lugar desconhecido.
– Só posso te dizer que vamos à minha casa. Afinal, você não foi lá nenhuma vez ainda.
– É mesmo. – Junsu sorriu e seu rosto corou ao pensar que iria ficar sozinho com Yoochun no apartamento dele.
Quando chegaram, Junsu se espantou ao ver o luxuoso edifício que se erguia à sua frente. Yoochun parecia ser tão simples, gostava de lugares abertos para passear e não levava Junsu em restaurantes caros. Sempre passeavam nas praças, tomavam sorvete ou comiam na casa dos amigos.
– Uau, você mora aqui?
– Sim.
Junsu acompanhou Yoochun até o apartemento do mesmo. Apesar se ser grande, era muito simples. E como o namorado, Yoochun tinha um piano em sua sala. Junsu reparou que o apartamento estava muito arrumado e limpo. E sobre o piano havia uma rosa branca, que parecia estar adormecida sobre as teclas. Yoochun não parou ali na sala. Pegou Junsu pela mão e o levou até outro cômodo.
– Feche seus olhos.- Yoochun pediu antes de abrir a porta à sua frente. Confiava plenamente em Yoochun e não sentiu medo algum.
Yoochun abriu a porta e conduziu Junsu até o interior da sala.
– Pode abrir. – Sussurrou encostando os lábios no ouvido de namorado.
– Uaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuu! – Foi a única coisa que conseguiu dizer.
Era uma sala de jantar. Tudo estava preparado para um jantar à luz de velas para dois. Rosas brancas estavam arrumadas em um bonito arranjo sobre a mesa, como as velas em volta em um castiçal dourado. Uma garrafa de vinho, um recipiente de formato exótico feito de vidro guardava vários bombons embrulhados em papel dourado. A única luz do ambiente era a das velas e isso dava um ar romântico e ao mesmo tempo sensual ao lugar.
– Nossa Yoo, não sei o que dizer. – Junsu falou ainda parado no mesmo lugar.
– Não diga nada, apenas aproveite. Eu fiz para você, queria muito fazer algo só para nós e também poder te mostrar um pouco do meu cantinho.
– Eu adorei!
Ambos se acomodaram à mesa para o jantar, que já estava servido. Conversaram entre risos e olhares, conhecendo sempre mais um do outro. Depois Yoochun ficou observando Junsu se acabar nos bombons. Adorou ver como aquilo tudo estava fazendo seu namorado feliz. Junsu parecia uma criança que havia acabado de ganhar doces.
Junsu percebeu o olhar apaixonado do outro e corou. Estava muito feliz com a surpresa, mas de repente lembrou-se que estavam sozinhos em casa e que talvez o namorado tivesse a intenção de estender aquela noite. Esse pensamento fez Junsu sentir um friozinho na barriga. Percebendo que o outro ficou um pouco desconfortável de repente, Yoochun o pegou pela mão e o levou de volta até a primeira sala. Sentou-se ao piano, pegou a rosa branca que descansava sobre as teclas, a encostou em seus lábios dando um beijo suave e a entregou a Junsu, que sorriu ao receber a rosa. Abriu a boca para agradecer, mas uma doce melodia tomou seus ouvidos.
Hogshi argo eetnayo ulmanah ohraetdongan honjasuh
gomeenhae watneunjee
Heemdeulgo jeecheel ddaemyun unjehnah dagawa
soneul naemeerdun geudae moseub
Sarangee raneun mal ahjeek uhryubjeeman eejeneun
marhargeh
Com certeza era a canção mais linda que Junsu já havia ouvido em toda sua vida. Apoiou seus cotovelos em cima do piano e ficou a observar o outro. Yoochun cantava como um anjo e o olhava fixamente enquanto cada palavra daquela canção saía de seus lábios.
Your love is all I need. geudaegah eetgeeeh uhdduhan
apeundo eegeel soo eesuh
Baby, dooryubjee anhah hamkkeh handamyun duh
heemdeun nae eelee chaja ondaedo meeduh joogeel
youngwunhee
Ooreen hamkkeneekkah
Quando a última nota soou pelo apartamento Junsu não se mexeu. Estava preso pelo olhar de Yoochun enquanto este se levantava e aproximava-se. Yoochun enfiou a mão no bolso da calça que vestia e retirou uma pequena caixa. Abriu-a e colocou-a sobre o piano, bem em frente à Junsu.
– Você aceita estar ao meu lado como meu namorado? – perguntou enquanto Junsu olhava de olhos arregalados para o par de alianças prateadas e brilhantes.
– Sim, eu aceito. – Junsu disse ainda com o rosto úmido pelas lágrimas.
Yoochun pegou a aliança menor e a colocou no dedo anelar da mão direita de Junsu. E este o imitou, pegando a outra aliança e a colocando no dedo de seu agora, oficialmente, namorado.
– Não sei o que dizer, você realmente me surpreendeu. – Junsu dizia enquanto Yoochun o puxava para o sofá. Sentaram-se lado a lado e então Yoochun o olhou nos olhos para dizer o queria tanto explicar naquela noite.
– Eu achei que estava errado eu não te pedir em namoro oficialmente. Naquele dia quando você me apresentou ao Jae, ele disse ao Yunho que nós éramos namorados. Só então me dei conta de que não havia te pedido em namoro oficialmente.
–Eu amei. É linda. – Junsu disse olhando para sua mão que agora sustentava o símbolo de seus sentimentos.
– Que bom que gostou meu amor. Prometo que vou te fazer muito feliz.- Yoochun disse acariciando o rosto de Junsu.
Junsu sentiu seu coração acelerar ao sentir o calor da mão do outro em sua pele. Fechou seus olhos e deixou aquele calor tomar conta de seu corpo. Amoleceu completamente, não sabia se era efeito do vinho ou se era apenas o poder que Yoochun tinha sobre seu corpo. Pensou que não devia ter bebido três taças de vinho, tinha baixa tolerância ao álcool.
Yoochun vendo Junsu tão entregue, não conseguiu segurar seus desejos e tomou-lhe os lábios, enquanto levava seu corpo de encontro ao do menor os fazendo deitar um sobre o outro no enorme sofá.
Junsu percebendo aonde aquilo tudo poderia chegar, começou a ficar nervoso. Não sabia como lidar com a situação e sua respiração começou a faltar muito antes do que esperava. Yoochun percebendo a agitação do outro se afastou e o encarou, vendo a expressão assustada que a face deste exibia.
Soube então que ainda não seria naquela noite que teria seu amado em seus braços. Não queria forçar nada, queria que o outro estivesse preparado para um contato mais íntimo.
– Não fique assim. — Yoochun disse acariciando o rosto do menor. – Eu não vou forçar nada. Só quero ter você assim tão perto de mim. Quando estivermos prontos para avançar, aí o faremos, está bem?
Junsu balançou a cabeça positivamente e sentiu seu rosto ficar mais quente do que já estava. Yoochun passou a mãos suavemente pelos cabelos do outro e o beijou novamente. Dessa vez um beijo calmo e suave. Sem urgência, apenas para sentirem o gosto dos lábios um do outro. Depois que se separaram, Yoochun se sentou e colocou Junsu deitado em suas pernas, acariciando seus cabelos com uma mão e com a outra entrelaçada na mão do menor.
Junsu sentiu seu corpo pedir por descanso e não percebeu quando o sono chegou, adormecendo rapidamente. Yoochun levantou-se bem devagar sustentando a cabeça do menor. O pegou no colo e o levou para o quarto de hóspedes, o ajeitando entre os lençóis. Ficou ali o observando por muito tempo, vendo Junsu dormir tranquilamente. Estava com lábios entre abertos e alguns fios de cabelo estavam caídos sobre seus olhos. Yoochun suspirou, deu um beijo na testa do outro e foi para seu quarto.
Ao entrar, parou se apoiando no batente da porta. Passou os olhos pelo seu aposento pensando em como havia preparado com tanto cuidado aquele lugar para receber seu amado. E agora não aproveitaria nada daquilo. Havia algumas velas coloridas sobre a cômoda, que ainda estavam acesas. Uma garrafa de vinho e taças na mesinha ao lado da cama e algumas pétalas de rosas brancas sobre os lençóis de seda negros.
Rapidamente recolheu tudo para o caso de Junsu acordar e ir procurá-lo ali. Depois apenas tirou suas roupas, ficando apenas com uma boxer branca, e se jogou na cama. Ficou ainda pensando em Junsu durante algum tempo. Não podia negar que estava louco de vontade de tê-lo em seus braços, mas também estava feliz, pois Junsu estava ao seu lado, era seu namorado e isso já bastava. Adormeceu com um pequeno sorriso nos lábios. Sua vida estava completa agora.
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Naquela mesma noite Jae acordou ao se virar na cama e suas mãos não encontraram o corpo de Yun. Levantou-se rapidamente e foi ver onde ele estava. Entrou silenciosamente na sala e viu seu amado sentado na cadeira da varanda do apartamento. Aproximou-se em silêncio e viu que Yun tinha uma câmera fotográfica nas mãos. Ele a acariciava, como se fosse um tesouro precioso que guardava com muito carinho e devoção. Jae se entristeceu imediatamente, sofria ao ver como Yunho sentia falta de poder enxergar o mundo.
– Por que está acordado meu amor? – Yunho perguntou sem se mexer assustando o menor.
– Ai Yun, que susto! Você e essa mania de saber quando eu chego perto, quase me matou do coração.
– Eu já te disse que seu perfume é especial para mim, não disse? Então você nunca vai conseguir chegar perto de mim sem que eu saiba. – Yun sorriu ao dizer tais palavras.
–Eu havia me esquecido dessa história. – Jae aproximou-se e sentou na cadeira ao lado de Yun.
– Por que está aqui fora? Devia estar descansando.
– Só estava pensando, lembrando-me de como é fotografar momentos especiais na vida das pessoas.
–Ah Yun... Não fique pensando assim. Ainda há uma esperança. Quem sabe você possa fazer o transplante e volte a enxergar?
– É uma possibilidade distante Jae, muito distante. Sabe... Eu queria tanto tirar fotos suas, ver seu sorriso estampado em muitas e muitas fotos. Queria ver a cor dos teus olhos, a cor de tua pele, dos seus cabelos. Eu queria imortalizar meu amor por você nas fotografias. Elas conseguem preservar o sentimento das pessoas nos seus momentos mais felizes.
– Yun... –Jae disse o abraçando.- Pare de pensar assim. Basta saber que eu te amo e que sou seu. Não precisa ver meus cabelos e minha pele. Só precisa saber que estou aqui, sempre.
Depois de longos minutos em silêncio Jae se levanta em um pulo da cadeira assustando Yun.
– Já sei! Já que você quer tanto nosso amor estampado em fotos, eu posso fazer isso. Vamos, me dê essa câmera aqui. – Jae pegou a câmera das mãos de Yunho que ainda não entendia o que o namorado queria fazer. – Me ensine, me diga como fazer para tirar fotos boas. E então eu vou tirar fotos nossas todos os dias. E quando você voltar a enxergar, vai ter as lembranças do nosso amor. Que tal?
– Jae, não precisa disso. E pare de ficar falando que eu vou voltar a enxergar, na quero criar falsas esperanças.
– Deixe de ser rabugento Yun. Vou tirar fotos sim, e vão ficar ótimas, você vai ver. E nós vamos começar agora. Jae disse ligando a máquina e tirando uma foto de Yunho, que só ouviu o clique da máquina.
– Pare Jae! – Yun disse, mas agora com um belo sorriso no rosto. Jae aproveitou e tirou outra. Era tão bom ver Yunho sorrir. Seu coração se aqueceu rapidamente por isso.
Depois de tirar várias fotos de Yun e também dos dois juntos, se abraçando e dando beijos e mais beijos, Jae pediu uma aula de como tirar as fotos de forma mais profissional, como Yunho fazia. O maior explicava tudo com calma e demonstrava em cada palavra o amor que tinha àquela profissão.
Decidiram ir dormir quando o sono começou a atrapalhar as explicações. Yunho adormeceu muito feliz, como não fazia há muito tempo. E Jae também, mas este demorou um pouco mais, sua mente fervia com algumas idéias que estava tendo com aquelas fotos. Definitivamente aquela seria sua missão a partir daquele dia. Registrar cada momento dos dois juntos. Queria fazer a vontade de Yunho e imortalizar aquele amor.
Continua...
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