My Heart In Your Eyes
14 Provações em família
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Chunnie... Junsu gemeu assustado ainda olhando fixamente para o carro que sumia na esquina. – O que foi isso?
– Eu não sei meu amor... Eu não sei. – disse abraçando o menor. Mas por dentro só uma pessoa martelava seus pensamentos.
“ Pai...”
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– Su, você está bem? Se machucou? – Yoochum dizia ajudando o namorado a levantar-se do chão.
– Não meu amor, acho que não. Estou bem. Que cara maluco, como pode sair correndo assim? – Junsu dizia enquanto limpava as próprias roupas.
Yoochun pensou em comentar a sua desconfiança sobre o pai, mas foi interrompido pelo toque insistente do celular de Junsu.
– Oi Jae! – Junsu atendeu de forma desajeitada ainda limpando as roupas. – O QUE? COMO ASSIM SUMIU? Estamos indo agora.
– O que foi? – Yoochun viu o olhar aflito de Junsu
– O Junho... Alguém sequestrou o Junho. Vamos, rápido! – Junsu pegou a mão de Yoochun e saiu arrastando o maior para o carro.
Chegando no apartamento dos amigos, a polícia estava no local olhando em volta e alguns policias saíam da apartamento de Jae.
– Jae! – Junsu disse e correu até o amigo o abraçando. – Calma Jae! Nós vamos achá-lo.
– Su... Meu filho... Levaram meu filho! – Jae soluçava nos braços do amigo. Yoochun se aproximou de Yunho e o abraçou demonstrando toda a sua solidariedade. Não pode evitar que lágrimas saltassem de seus olhos.
– Calma cara, vai dar tudo certo. – Yoochun dizia baixinho. — Vocês já tem alguma pista?
– Ainda não. Mas eu só posso pensar em uma pessoa.
– Changmin. – Yoochun disse baixo para que só Yunho ouvisse. – Eu pensei nisso também.
– Pois é, nós demos todos os dados que temos dele lá da livraria. Explicamos o caso da adoção do Junho, eles disseram que vão investigar o Changmin.
– Agora é esperar, mas vai dar tudo certo. Você quer que nós façamos alguma coisa?
– Não, acho que não há o que fazer. Só fiquem aqui, o Jae está descontrolado, não sei mais o que fazer para acalmá-lo.
– Nós ficaremos, pode deixar que não sairemos de perto de vocês, ok? – Yoochun disse dando um tapa leve nas costas do amigo.
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Changmin acordou novamente com os gritos do sobrinho. Correu até o quarto e viu mais uma vez o pequeno chamando pelos pais.
– Calma, está tudo bem. Você não gosta do tio Chang?
– Eu gosto... – respondeu o pequeno fazendo biquinho enquanto as lágrimas caíam de seus olhinhos puxadinhos. – Mas eu quero meu appa Jae. Por que ele não tá aqui?
– Agora você vai ficar com o tio Chang. Você não quer? – Chang tentava dobrar a criança, mas estava longe de conseguir.
– NÃO! Eu quero meu appa Jae e meu appa Yun agora! Cadê eles tio??
E assim foi o dia todo. A criança se recusou a comer e até a beber água. Só parou de chorar quando dormiu de novo no fim do dia. Chang viu que tudo aquilo seria bem pior do que pensava. Mais uma vez notou o globinho com a casinha na mão do pequeno. Pegou novamente e ficou olhando a casinha que havia ali.
– Por que você não larga isso hein? O que tem de tão especial nisso? – Chang sussurrou para si mesmo. Alguns minutos depois notou um relevo dourado na portinha da casinha.
–JYJ? O que é isso? – Chang ficou por alguns instantes pensando naquelas letras e de repente a compreensão o atingiu de forma dolorosa – Jaejoong, Yunho e Junho? Será? – Changmin caiu sentado no sofá e sentiu a angústia o dominar. – Meu Deus, o que foi que eu fiz?
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– AGORA JÁ CHEGA! – Jae se levantou de repente, não dando tempo para que Yunho o segurasse em seu lugar.
Yoochun e Junsu suspiraram, levaram horas para acalmar Jae e acharam que finalmente haviam conseguido, mas pelo visto se enganaram. Já se passara um dia desde que levaram Junho. Os amigos ficaram na casa deles o tempo todo e juraram não sair de lá até encontrarem o pequeno.
– Jae, por favor, não comece com isso. Fique aqui ao meu lado. Você sabe que não adian... Espera aí! – Yun parou quando ouviu o clique da porta se abrindo. — Yoo, Su, segurem ele pelo amor de Deus!
Yoochun e Junsu se levantaram indo em direção à porta, mas pararam imediatamente quando ouviram a voz suave de Jae se transformar em algo alto cheio de indignação e raiva.
– PAREM AGORA! Eu não vou ficar aqui parado enquanto um louco mantém meu filho em algum buraco dessa cidade. Se vocês quiseram me ajudar, ótimo! Se não, não tentem me impedir! – disse pegando a chave do carro e se retirando em passos largos e pesados.
– JAE ESPERA! Vamos Yun, é melhor não o deixarmos sozinho! – Junsu disse correndo atrás do amigo.
Jae desceu pelas escadas, pois não teve a paciência de aguardar o elevador. Saiu marchando até a garagem, entrou no carro e deu partida. Mas antes que pisasse no acelerador, as portas do carro foram abertas, seus amigos e marido entraram apressadamente.
– Nós também vamos! – Yun disse com a expressão fechada.
– Se for pra ficar com essa cara, pode descer! – Jae disse para o marido.
– Ai Jae, pelo amor de Deus! Com que cara quer que eu fique? O nosso filho sumiu e você teve crises de nervoso de hora em hora desde ontem. Eu deveria estar sorrindo?
– Me desculpe. – Jae disse baixando a cabeça e encarando as próprias mãos que seguravam o volante. — Eu estou desesperado. Juro que se eu pegar o desgraçado que levou nosso filho, eu mesmo vou acabar com a raça dele.
– Calma Jae, deixe que eu dirija. Você está muito nervoso! – Yoochun disse cautelosamente.
– Não precisa. Eu vou dirigir. Vou revirar essa cidade, mas vou encontrar meu filho. – Jae disse afundando o pé no acelerador.
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Jae dirigiu a noite toda e até a manhã seguinte. Rodaram a cidade toda, entraram em cada beco, em cada estradinha e ruela que encontraram. Jae foi em todos os lugares que sabia que Changmin freqüentava. E nada.
– Jae, por favor, você precisa descansar. Você está pálido, seus olhos estão fundos e tenho certeza que todos aqui estão morrendo de fome. Nós nem jantamos ontem.
– Não. – ele dizia toda a vez que alguem fazia a tentativa de fazê-lo voltar para casa.
– Jae, por favor, nós precisamos parar um pouco. Se a polícia aparecer lá em casa ou ligar, não nos encontrarão. Só vamos tomar um banho e comer, então voltamos a procurar, ok?
Jae teve que aceitar a idéia quando Yun disse que a polícia poderia tentar entrar em contato. Deu a volta e fez o caminho de casa. Chegando lá, desceu do carro e entrou no elevador em silêncio, sendo seguido por Yun e seus amigos.
Quando abriu a porta de casa, ouviu a pessoa mais preciosa do mundo chamar seu nome.
– APPAAAAAAA!! – os quatro se viraram e viram Changmin sair do elevador com o Junho em seu colo.
Jae forçou suas pernas a se moverem e correu até o filho o arrancando do colo do tio e o apertando em seus braços, sendo seguido por Yun que abraçou sua família com força.
– SEU DESGRAÇADO! – Foi a vez de Junsu surtar. Yoochun se espantou com a força que Junsu saiu de seu abraço e avançou contra Changmin. O prensou na parede e desferiu um soco no rosto do mesmo. – SEU INGRATO, A GENTE AJUDOU VOCÊ POR TODOS ESSES ANOS E É ASSIM QUE AGRADECE? EU VOU TE MATAR!!! COMO OUSA LEVAR O JUNHO DAQUI, SEU IMPRESTÁVEL!
Changmin deixou que o outro lhe batesse até não conseguir ficar em pé, estava se sentindo a pior pessoa do mundo. Yoochun correu até o namorado e tentou tira-lo de cima de Changmim, que já estava no chão e com o rosto sangrando.
– Meu amor, se controle! O Junho está vendo! – Yoochun tentava parar o namorado, mas a raiva de Junsu o deu forças sobre-humanas.
– Meu filho... – Jae chorava baixinho com o rosto enfiado no pescoço do pequeno.
Yun percebendo a confusão arrastou Jae e o filho para dentro de casa, deixando Junsu e Yoochun com Changmin.
– Você está bem meu amor? – Jae perguntava olhando a criança, examinando cada pedacinho do pequeno.
– Eu tava com saudade appa. O tio Chang não queria me trazer, eu fiquei chorando.
– Aquele desg... – Jae interrompeu o que iria falar, entregou o filho à Yun e saiu do apartamento.
– Onde o appa Jae vai? – Junho perguntou para Yun.
– Ele já volta. Acho que ele quer conversar com o tio Chang.
Yun se levantou e levou o filho para a cozinha quando ouviu a voz de Jae se alterar do lado de fora.
– Vamos meu filho, você deve estar com fome, não é?
– Estou appa. – Junho segurou a mão de Yunho e o seguiu até a cozinha.
Enquanto isso, do lado de fora do apartamento...
– SEU MONSTRO! COMO PODE TIRÁ-LO DE MIM ASSIM? IDIOTA, EU VOU TE MATAR, SEU DESGRAÇADO.
Jae pegou Chang pela gola da camisa e o levantou. O jogou contra a parede e lhe deu um soco. Chang não reagia e Yoochun estava percebendo isso.
– Jae, chega! Ele está muito machucado. Vamos parar, por favor! – Yoochun pedia enquanto segurava Junsu que queria se juntar ao amigo e acabar com seu ex-gerente.
– Parar? Eu vou matar esse nojento! Como teve coragem de fazer isso com seu próprio sobrinho?
Quando Jae levantou a mão para acertar o rosto de Changmin novamente, Yun apareceu e segurou seu punho.
– Já chega! – Disse com autoridade na voz. – Ele ainda é tio do Junho, não podemos fazer isso. Venha, Junho está te chamando.
Jae deixou-se levar pelo braço do marido. Junsu entrou atrás deles e Yoochun foi tentar ajudar o nocauteado se levantar.
– Vai me bater também? –Changmim perguntou quando Yoochun se aproximou.
– Não, mas bem que você merecia apanhar mais. Venha, precisa cuidar desses machucados. Se Junho te ver assim ele vai ficar triste. – Yoochun disse arrastando Changmin para a cozinha de Jae.
Ninguém o viu entrar, estavam todos no quarto paparicando o pequeno que acabara de voltar ao lar. Jae foi até a cozinha para pegar um copo de água para o filho e deu de cara com Yoochun cuidando dos ferimentos de seu inimigo.
– O que esse cara está fazendo na minha casa? – Jae perguntou indignado, fazendo com que Junsu e Yun se juntassem a ele na cozinha.
– Calma Jae, você e o Junsu acabaram com ele. O que eu devia fazer? Deixar ele sangrando no corredor? Ele é tio do Junho, não podemos fazer nada quanto à esse fato. – Yoochun argumentou sob o olhar enfurecido do namorado e de Jae.
– Jae... – Chang começou, mas foi interrompido pelo sobrinho que entrou correndo na cozinha.
– Tio? O que aconteceu? Você caiu? – perguntou inocentemente vendo os ferimentos deste.
– Caí meu anjo. O tio não viu o degrau e caiu da escada. Mas está tudo bem. Vai lá brincar, depois o tio vai lá te dar tchau.
– Appa Jae, o tio Chang pode jantar com a gente? Ele nunca veio aqui me ver... – Junho disse dando um sorriso fofo para o pai, que ficou sem saber o que dizer.
– É claro que pode meu filho. – Yun se intrometeu vendo que Jae não reagiu. – Não é meu amor? O tio do Junho pode jantar aqui.
– Cla... claro meu amor. – Jae disse sem saída.
Junho saiu novamente para seu quarto. Os quatro ficaram em silêncio na cozinha até Yoochun terminar os curativos.
– Jaejoong, por favor, me perdoa. Eu fui um idiota. Só agora percebi o quanto vocês são importantes para Junho. Eu achei que poderia fazê-lo mais feliz, mas me enganei.
– Olha aqui seu...
– Jae! Deixa ele terminar. Quero uma boa explicação pra isso tudo. – Yun agora se dirigia a Changmin. — Se você queria a guarda dele, poderia ter tentando da forma que qualquer pessoa normal faria, através da justiça. Agora sequestra-lo? É demais não é não? — Yun disse usando um tom de indignação e raiva pela primeira vez desde que acontecera toda aquela confusão. Mas ainda assim, era o mais controlado, além de Yoochun é claro.
– Jaejoong, Yunho, eu fui um idiota. Eu procurei um advogado e ele me disse que como não me encontraram antes da adoção, seria difícil que o juiz voltasse atrás e decidisse contra vocês. Eu entrei em pânico, não conseguia pensar em nada, só queria fazer justiça e ter meu sobrinho para mim. Resolvi fazer isso então levá-lo a força. Mas pensei que ele acharia bom ficar comigo. Mas chegando na casa que arrumei para nós, ele só chorava, não comia, não dormia, não tomava nem água. Então eu vi isso. – Chang tirou o globo com a casinha de dentro do casaco. – Ele não soltava isso em momento nenhum. Eu vi as iniciais de vocês na porta da casinha. Me senti um lixo...
– Você é! — Jae disse virando a cara.
– Jae... – Yoochun repreendeu o amigo.
– Olha Changmin, pelo Junho, nós não vamos te entregar para a polícia. Você é tio dele e nós vamos ter que aceitar isso. – Yun começou.
– Yunho! Eu não acredito que vai perdoar essa canalha! – Jae dizia indignado com os braços cruzados.
– Calma Jae, eu acho que não é certo manda-lo para a cadeia. E além do mais, acho que vocês já deram uma lição nele. Nunca pensei que você fosse tão forte assim.
– E eu me assustei com o senhor Junsu também. Não sei de onde tirou tanta força, sempre foi tão meigo e gentil. Quase partiu o Changmin em dois. – Yoochun disse abraçando o namorado que já exibia um biquinho de indignação igual ao de Jae.
Todos acabaram caindo na risada quando Jae e Junsu se encararam trocando confidências silenciosas de raiva pelo ser que se encontrava todo quebrado sentado no canto da cozinha.
– É Yoochun, acho que não precisamos mais temer alguma coisa. O Jae e o Junsu botam qualquer ninja no chinelo. – Yun disse sorrindo e abraçando o marido que ainda estava bicudo, tentando acalmar o esposo que bufava a cada comentário feito ali.
– Eu que o diga. – Changmin participou da brincadeira vendo que poderia ser perdoado pelo seu erro. – Olha, eu sei que não tenho o direito a pedir perdão. Fui um idiota. Mas eu sentia tanta raiva o tempo inteiro, pensando que meu sobrinho tinha sido abandonado. Minha raiva não é contra vocês, e sim contra minha irmã que teve a coragem de deixa-lo assim. Achei que só teria paz se tivesse o Junho novamente sob meus cuidados. Eu acabei perdendo a cabeça.
O silêncio predominou o ambiente por alguns segundos, até que Jae resolver por um ponto naquela conversa toda.
– Vamos Junsu, vamos para lá brincar com o Junho. Deixe esses idiotas aí sozinhos.
Jae e Junsu saíram pisando alto da cozinha e foram pajear Junho, que estava na sala assistindo desenho.
Yunho e Yoochun se olharam derrotados, sabiam que teriam sérios problemas com seus respectivos companheiros depois que estivessem sozinhos.
– Bem, olha Changmin, você fica aí para jantar, afinal é um pedido do Junho. E por enquanto vamos parar por aqui. Acho que precisaremos de um tempo para que o Jae e também o Junsu aceitem suas desculpas. – Yunho explicou calmamente, mas não deixando de impor sua autoridade de pai e marido. — Vamos deixar as coisas como estão, mas não prometo que tudo será como antes. Não vou proibir você de ver o Junho, mas por enquanto, se mantenha na sua até a poeira abaixar, ok?
Changmin concordou acenando com a cabeça. Yunho se retirou e foi acompanhar o filho e Yoochun se aproximou de Changmin para ver como estavam os ferimentos.
– Cara, você tá arrebentado. Já sabe agora que se pisar na bola de novo, você não sobreviverá, certo?
– É, já percebi. Trabalho há tantos anos com a o Jae e o Junsu e não conhecia esse lado deles. Fiquei assustado.
– É bom que fique mesmo. Você teve sorte que Yunho se controlou muito bem, porque se ele te pega, você tava ferrado de vez. Mas agora esquece. Fica aí, vou lá ver como estão as coisas.Vou ver como vamos providenciar esse jantar, acho que ninguém está bem hoje para cozinhar.
– Tá, vai lá. Eu não estou me sentindo muito bem ficando aqui, me sinto um intruso. Mas vou esperar para me despedir do Junho. Quando eu puder fazer isso, me avise por favor.
Yoochun se retirou e foi se juntar aos outros, deixando Changmin remoendo sua culpa por fazer aquela família sofrer tanto. Agora teria que ralar muito para conseguir a confiança deles novamente.
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O dia escureceu trazendo consigo a noite. Yunho resolveu pedir comida de um restaurante, pois não estavam em condições de preparam um jantar decente. Todos comeram, incluindo Changmin que ficou no cantinho da cozinha sozinho, sendo apenas acompanhado as vezes pelo sobrinho e por Yoochun, que apesar de também estar chateado, também sentiu pena do outro.
Logo após o jantar Changmin se retirou, pedindo perdão mais uma vez e recebendo a promessa de Yunho de que este entraria em contato depois. Deu um forte abraço no sobrinho sob o olhar enraivecido de Jae. Yoochun e Junsu foram embora também, estavam exaustos, e Yoochun ainda estava remoendo a tentativa de atropelamento contra Junsu. Mas não comentou nada vendo o olhar cansado de seu namorado durante o caminho de casa.
Depois que estavam sozinhos e Junho já estava adormecido entre o casal, Jae se levantou e foi até a cozinha preparar uma bebida quente, pois não conseguia dormir, por mais que estivesse exausto.
– Você precisa descansar. – Yunho o surpreendeu o abraçando por trás.
– Estou sem sono. – Ainda estava chateado por Yunho tomar partido do tio seqüestrador.
– Meu amor, por favor, pare com isso. Sabe que mata quando me despreza assim. Sei que está chateado, mas não tinha como tomar outra atitude! – Yunho tentava explicar enquanto Jae se movimentava rapidamente pela cozinha, fazendo questão de ser bruto em todos os seus movimentos, demonstrando toda a sua raiva.
– Tudo bem , já entendi. – Jae disse tentando encerrar o assunto.
– Jae... – Yunho disse quando sentiu uma brisa com o perfume de Jae passar próximo ao seu corpo. Esticou o braço e agarrou o punho do marido o trazendo para seus braços e o aconchegando em seu peito. – Por favor, se acalme. Eu não fiquei do lado dele. Eu só tentei ser racional. Sei que está com raiva, e com razão. Mas pense assim, Junho é sobrinho dele e gosta dele. Não podemos mudar esse fato. Pelo bem de Junho nós não podíamos mandar o Changmin para a cadeia. Vamos ter que aprender a conviver com o Changmin em algum momento. Eu também fiquei morrendo de vontade de quebrar a cara dele, mas eu só conseguia pensar em Junho. Não podia permitir ele ver o tio ser preso ou apanhando daquele jeito de você e do Su. Por favor, me entenda.
Jae sentiu uma lágrima escorrer por sua face. Deixou-se relaxar nos braços do marido, finalmente o cansaço tomava conta de seu corpo. Estava com muita raiva, mas tinha que admitir que Yunho estava certo.
– Eu sei disso tudo... – Jae admitiu escondendo o rosto no pescoço do marido. – Mas eu senti tanto medo, tanta raiva... Só de pensar em perder você ou o Junho eu me desespero.
– Eu sei meu anjo, mas agora está tudo bem. Se acalme, venha, vamos deitar ali no sofá um pouco, você está exausto.
Yunho levou Jae até o sofá, se sentando e colocando o menor em seus braços. Jae adormeceu rapidamente aconchegado no abraço quente e acolhedor do marido. Yunho não dormiu, ficou de olhos fechados, apenas sentindo o aroma doce que o corpo de seu companheiro exalava. Suas mãos involuntariamente acariciaram o rosto de Jae. Pela primeira vez, desde a descoberta do tio de Junho, Yunho respirou aliviado, sem medo de perder seu filho e sentindo que sua família estava segura.
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Jae acordou algumas horas depois com o toque suave da mão do marido em seu rosto. O sol ainda não tinha nascido, mas Yunho permanecia da mesma forma que estava quando deitaram no sofá.
– Você não dormiu meu amor? – Jae perguntou segurando a mão do maior sobre o seu rosto.
– Não meu bem, mas estou bem. Estava aqui vigiando seu sono. – Yunho respondeu com um sorriso doce nos lábios.
Jae se levantou até seus lábios alcançarem os de Yunho, que foi surpreendido pelo gosto doce e toque suave do outro.
– Eu te amo. – Jae disse interrompendo o contato.
– Também te amo meu anjo.
Um calor já conhecido percorreu os corpos de ambos, e avançaram para mais um beijo, agora mais quente e menos suave. Yunho puxou Jae o fazendo sentar-se em seu colo e o apertando em seus braços. Jae acariciava o abdômen de seu companheiro, fazendo com que este sentisse arrepios e suspirasse chamando por seu nome. Mais uma vez o desejo aflorava entre os dois, e ainda parecia a primeira vez. Não importavam quantas vezes tivessem consumado aquele amor, não importava que Yunho não pudesse enxergar o corpo de seu companheiro entre seus dedos ou não pudesse ver a expressão de prazer que outro tinha quando lhe tocava. Amavam-se sempre com o mesmo fervor, com o mesmo desejo e com a mesma paixão. Palavras não foram necessárias para demonstrarem seus sentimentos naquele momento.
Jae rapidamente se livrou da camisa do marido e de sua própria. Sentiam o contato pele contra pele e seu desejo aumentava cada vez mais. Yunho já não fazia cerimônia alguma, deixou seus extintos o guiarem, então em poucos minutos estava sobre Jae, ambos completamente nus e ofegantes. Jae enfiou a mão nos cabelos negros de Yunho e o puxou para si, queria senti-lo mais que sua própria alma.
Yunho estava entorpecido pelo prazer que sentia. A suavidade da pele, o cheiro, a voz, tudo em Jae o enlouquecia. Não entendia como conseguiu viver antes de conhecer Jae. Sem ele nada fazia sentido, não tinha sonhos, não tinha planos e suas esperanças de ter um objetivo na vida se perderam quando sua visão o traiu. O pouco de alegria que possuía foi arrancado de sua vida sem aviso prévio.
Mas aí veio Jae. Que o fez conhecer a alegria e a beleza da vida, mesmo não podendo enxergá-las. E a prova de tudo se dava ali, naquele momento. Enquanto se amavam mais uma vez. Agora eram uma família, tinham um filho lindo e amigos maravilhosos.
Quando Jae chegou ao seu limite e se desmanchou entre seus corpos, puxou Yunho para si mais vez, fazendo com que este gemesse alto e se desfizesse dentro dele mais uma vez. Se abraçaram e ficaram ali por um tempo, até a sala ser iluminada pelos primeiros raios de sol do dia. Sim, o tormento se foi junto com a noite. Estavam mais uma vez em paz e completos, em segurança e felizes.
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– Appaaaaaa! Eu to com fome! Junho veio do quarto chamando por Jae. Este se encontrava na cozinha enquanto Yunho tomava banho. – Cadê o appa Yun?
– Tomando banho meu anjinho. Venha! Sente-se aqui que vou te dar o café. – Jae disse colocando o filho no assento do balcão da cozinha.
– Bom dia! – Yun entrou na cozinha e Jae veio ao seu encontro com um beijando. Junho que já se acostumara com a cegueira do pai, pulou do banco e correu segurando a mão do pai para colocá-lo sentando ao seu lado.
Junho nunca perguntou muito sobre a deficiência de Yunho. Quando Junho chegou naquela casa, Jae sentou-se com ele e contou que Yunho tinha ficado doente quando era muito jovem e que por isso não enxergava, e portanto Junho teria que sempre ajudar Jae a cuidar do outro. Foi bem direto, mas não deu tantos detalhes, Junho ainda era muito pequeno para entender tudo aquilo.
Assim, os dias voltaram ao normal. A família Jung sempre muito unida, com os tios Yoochun e Junsu sempre muito presentes naquela casa. Mas ainda faltava alguém e Junho não deixou isso passar em branco. Por repetidas vezes perguntava aos pais onde estaria o seu tio Chang e por que o mesmo não tinha mais ido visitá-los. Frente a isso, Yunho teve que tomar as rédeas daquela situação e tentar convencer seu marido de dar uma brecha para o tio Chang.
– Meu amor, precisamos falar sobre isso. – Yunho chamou Jae pela décima vez quando Junho perguntou sobre o tio novamente.
– Tudo bem Yun, diga! – Jae já sabia o que viria.
– Olha, eu sei que ele errou e eu senti tanta raiva como você, mas já passou e mais uma vez eu te peço que não destrate o tio de Junho assim. Por mais que isso seja chato, ele é o tio do Junho e nosso anjinho gosta dele. Eu fiquei sabendo pelo Junsu que ele ainda não arrumou outro emprego. Deixa-o provar que se arrependeu. Devolva o emprego dele na livraria e deixe que ele visite o Junho. Ele não vai fazer mal à criança, nós sempre estaremos por perto.
– Ah Yun, eu sei que ele na fará mal ao Junho, mas sabe como é difícil para mim.
– Sim meu amor, mas precisamos fazer isso. Pelo Junho, ok?
Yunho abraçou Jae e beijou sua testa. Resolveram chamar seus amigos e conversarem para que tomassem a decisão juntos, afinal além de Junsu também ser dono da livraria, o casal era praticamente da família, Junsu e Jaejoong eram como irmãos.
Depois da reunião familiar, Yoochun ligou para Chang o chamando para um jantar na casa de Jae e Yunho. Chang ficou meio receoso, ainda estava arrependido e muito envergonhado pelo que fizera antes. Mas depois de muita insistência de Yoochun, resolveu comparecer.
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Eram sete horas da noite quando a campainha da família Jung tocou. Yunho abriu a porta e recebeu Changmin com uma aperto de mão. Junho veio correndo e se jogou no colo do tio.
– Tio Chang! Você veio jantar comigo... – disse apertando as bochechas do tio.
– Sim Junho, o tio veio te ver.
Changmin deixou o pequeno descer de seu colo e com um aceno de cabeça cumprimentou os outros três adultos que observavam tudo. Yoochun aproveitou e levou Junho para buscar alguns brinquedos no quarto, deixando um olhar sério sobre Jae e Junsu, para que eles tomassem a iniciativa e conversassem com Changmin.
– Bem, sente-se Changmin. – Jae começou depois de receber um olhar acusador de Yunho, que por incrível que pareça, sempre sabia o que estava acontecendo e conhecia muito bem seu marido.
– Changmin sentou-se no sofá, com a cabeça baixa e preparado para ouvir um monte de acusações e xingamentos.
– Olha, nós conversamos muito e tomamos algumas decisões a seu respeito. – Jae começou com a expressão fechada. — Nós ficamos sabendo que você ainda não arrumou outro emprego depois que saiu da livraria, certo?
–Sim, ainda estou procurando. – Chang admitiu sem graça.
– Pois então, resolvemos de devolver o emprego, mas, claro, sob algumas condições. – Jae disse vendo a expressão de Chang se iluminar por um instante. – Você pode voltar a partir de amanhã, mas não vamos te colocar no seu cargo antigo. Começará do zero, como um atendente e terá que trabalhar muito para ter nossa confiança de novo. Não é Junsu?
– Claro, não vá achando que tudo será como antes. – Junsu disse ríspido, mas logo foi surpreendido pela voz do namorado vinda lá do quarto.
– Junsuuu... – Yoochun o advertiu, depois de ouvir o comentário.
– Ok Yoo, olha Changmin, nós estamos fazendo isso pelo Junho. Mas saiba que será difícil para nós confiar em você novamente. Então, por favor, se esforce.
– Claro Jusnu, nossa, nem sei o que dizer. Eu não esperava que fossem me dar aquele emprego de volta. Muito obrigado mesmo. Prometo me esforçar para recuperar meu bom nome.
– E tem mais. – continuou Jae. – Nós permitiremos que visite o Junho, claro que tem que nos avisar quando vier. Não vamos impedir que você conviva com ele, afinal você é tio e não podemos fazer nada quanto à isso. Mas saiba que só ficará perto dele quando estivermos por perto, portanto nada de levá-lo sozinho a outros lugares, pelo menos por enquanto. – Jae disse com um ar de autoridade que fez Yunho sorrir, imaginando o carinha de indignação de seu esposo.
– Tudo bem, eu aceito todas as imposições de vocês. Nem sei como agradecer e sei que eu não mereço nada disso que estão fazendo. Podem ter certeza, e eu realmente vou me esforçar para recuperar a confiança de vocês. – Changmin explicou de cabeça baixa.
O jantar correu tranquilamente. Jae e Junsu não deram papo para Changmin, mas este estava muito feliz por ter sido aceito ali. A família estava aumentando mais uma vez, Junho teria mais um tio para paparicá-lo e protegê-lo.
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