My Heart In Your Eyes

15 O destino nos traiu


Notas iniciais
Oi gente! Mais um cap para vocês. De todos os que escrevi até agora, acho que foi o mais difícil para mim. Nas notas finais eu explico.Amo demais os reviews de vocês, muito obrigada mesmo! *_*Ah! Para a cena do YooSu in love, eu ouvi a música Picture of you, do BDSK. Foi a única forma para eu conseguir fazer sair aquela cena, sempre preciso de uma música para dar o clima.HUAHUAHUA... Se alguém aí não conhece a música, o link do vídeo tá aí embaixo. Kissus e aproveitem! http://www.youtube.com/watch?v=JTMkmkHHY8g

Aquele mês passou sem nenhuma preocupação. Jaejoong e Yunho mantiveram a palavra e deixaram Changmin visitar Junho e também voltar a trabalhar na livraria. O tio, arrependido, sempre se esforçando muito no trabalho e tentando conquistar a amizade daquela família novamente. Família tranquila e sem preocupações.

Mas alguém não estava tranquilo por ali. Yoochun manteve sua mente ocupada com preocupações aquele tempo todo. Tentou disfarçar para não deixar Junsu notar sua angústia. Já se passava um mês desde que o pai viera a sua casa ameaça-lo e dizer que havia um casamento marcado. E depois da tentativa de atropelamento contra Junsu, o pai desapareceu.

Era fim de tarde quando Yoochun chegou do trabalho e não encontrou Junsu em casa. Seu coração se angustiou de imediato, o fazendo pegar o telefone e procurar pelo namorado. Ligou para o celular deste, mas estava desligado. Ligou para Jae, e para seu alívio, Junsu estava com ele fazendo compras no supermercado e não tardaria a chegar. Yoochun se jogou no sofá e suspirou. Não aguentava mais viver aquela angustia, tentando saber o tempo todo se seu namorado estava bem e se seu pai não havia feito nada de mal à ele. Conhecia muito bem o pai e sabia que para o bem de seus negócios seria capaz de qualquer coisa. Depois de um longo tempo deitado ali, se levantou e foi tomar um banho.

Junsu chegou em casa com as mãos cheias de sacola e quando entrou no apartamento um cheiro delicioso de comida o tomou.

– Hum, que cheiro bom é esse? – perguntou alto da sala enquanto colocava as sacolas sobre o sofá.

– Oi amor! – Yoochun apareceu vindo da cozinha trajando apenas uma bermuda preta e com os cabelos molhados. – Eu pedi o jantar para nós dois naquele restaurante que você gosta.

– Hum... Que delícia. E posso saber o porquê disso? – Junsu disse abraçando o namorado pela cintura.

– Nada demais. Só achei que você chegaria tarde das compras e estaria cansado para ter que fazer alguma coisa para comermos. Por quê? Não gostou? – Yoochun perguntou com uma expressão fofa de medo do outro não ter ficado feliz com sua atitude.

– É claro que eu gostei meu amor. Você é demais, sabia? E eu te amo. – Junsu disse avançando sobre os lábios do outro. Entrelaçaram-se em um beijo calmo e muito carinhoso, mas a fome de Junsu o fez parar antes que acabasse na cama com o namorado antes de comer.

– Vamos comer? Estou morrendo de fome. – Junsu disse ficando corado. Yoochun achou a coisa mais fofa do mundo. Depois de tanto tempo, Junsu ainda ficava envergonhado na frente dele só por dizer que estava com fome.

Os dois comeram e assistiram a um filme depois. Junsu nem guardou as compras, colocou tudo sobre a bancada da cozinha e depois do filme foi tomar um banho, pois estava exausto. Fazer compras junto com Jae era praticamente fazer a academia da semana toda, já que este andava dez vezes pelo mesmo corredor do supermercado olhando todos os preços e lendo todos os rótulos do que comprava.

Depois do banho, Junsu se juntou ao namorado na enorme cama de casal do quarto. Yoochun estava lendo alguns papéis do trabalho, mas os deixou imediatamente para dar atenção ao outro. Junsu se aconchegou nos braços dele e ficou quieto por um longo tempo.

– Yoo?

– Sim meu amor.

– Eu estava pensando, nós falamos tanto sobre nossos planos aquele dia e depois nem tocamos nesse assunto mais. Eu estou tão ansioso para ser pai. Nós podíamos ir amanhã nos informar sobre os procedimentos para a adoção.

– Claro meu anjo. O Yunho pode dar algumas dicas, foi ele quem entrou com os papéis para a adoção do Junho. Amanhã a gente fala com ele, certo?

– Uhum... – Junsu disse suspirando. Achou que escutaria mais alguma coisa ao tocar naquele assunto. Mas antes que seus pensamentos mergulhassem na tristeza, Yoochun os interrompeu.

– Mas tem uma coisa...

– O que? – Junsu disse se sentando na cama e encarando o maior.

– Eu estava pensando em te contar isso depois, mas você sempre muito apressadinho né... – Yoochun disse se levantando e indo até o closet e voltando com uma caixinha nas mãos. – Bem, eu queria fazer para você algo tão grandioso quanto Yunho fez para o Jae, mas eu creio que diante da nossa escolha em adotar uma criança, vou tomar esse primeiro passo e depois planejamos o resto com mais cuidado.

Yoochun se ajoelhou ao lado da cama e abriu a caixinha em suas mãos e a mostrou para Junsu que estava muito vermelho e com os olhos marejados.

– Kim Junsu, aceita se casar comigo?

Junsu ficou sem reação, as lágrimas tomaram seu delicado rosto e ele se jogou nos braços do namorado aos soluços.

– Claro ... Claro que eu aceito... – disse entre os soluços abafados.

Yoochun deixou o menor chorar por alguns instantes e depois o colocou de volta sentado na cama. Retirou as alianças do caixa e colocou uma delas no dedo anelar da mão direita de Junsu. Este fez o mesmo, colocando a aliança no dedo do namorado.

– Bem, agora a parte de planejar a festa de casamento é sua meu amor, eu sou péssimo pra isso. – Yoochun disse se deitando na cama e puxando o menor para seus braços.

–Ai meu amor, estou tão feliz. Pode deixar que eu vou começar amanhã mesmo a planejar nosso casamento. – Junsu dizia sorrindo ao admirar a aliança que brilhava em seu dedo.

– Eu também estou feliz meu amorzinho. Finalmente construiremos nossa família. E eu tenho que dizer uma coisa...

– O que? – Junsu se virou assustado para o maior.

– Sabia que você fica lindo quando sorri assim? Eu não sei mais viver sem seu sorriso e essa risada gostosa que você dá quando está feliz. – Yoochun disse acariciando os lábios do menor.

Junsu sentiu um arrepio percorrer-lhe todo o corpo quando os dedos de Yoochun tocaram seus lábios. Fechou os olhos e ficou por alguns minutos memorizando aquele toque, não queria esquecê-lo jamais.

Yoochun puxou Junsu para seus braços delicadamente e uniu seus lábios aos dele. O menor se deixou levar pelo outro e se entregou ao beijo, tão doce, tão quente, tão viciante como sempre. O ar de ambos ameaçou acabar, mas não cederam aproximando mais ainda seus corpos. O beijo foi longo, passou do doce e suave, para o necessitado e quente. Bem vagarosamente Yoochun deslizou suas mãos pelas costas do menor, que também se encontrava sem camisa. Este gemeu baixinho entre os lábios do namorado quando sentiu sua pele ser arranhada e explorada pelo outro. Deixou suas mãos tomarem posse do corpo do maior. Carícias demoradas e suaves que se tornavam urgentes e faziam seus corpos pedirem por mais, como se precisassem ser apenas um, como se suas almas se entrelaçassem uma na outra, até não poderem mais viver separadas.

Yoochun girou e ficou por cima de Junsu, abandonando aqueles lábios viciantes e partindo para sentir o gosto da pele alva e suave que estava sob si. Suas mãos ágeis se livraram da bermuda do menor, que não ficou atrás e puxou com força a bermuda do outro, arrebentando os botões que a mantinham fechada. Um sorriso malicioso se formou nos lábios de Yoochun que se livrou rapidamente do resto de pano que se tornara sua roupa. Ambos ficaram apenas com o tecido fino da boxer cobrindo o corpo, mas não se apressaram em se livrar o pequeno pedaço de pano. Ainda queriam sentir mais, explorar mais, beijar mais cada centímetro de pele descoberta. Sabiam que teriam o resto da vida para se amarem e se entregarem um ao outro, mas cada vez era mais que especial e naquela noite havia uma promessa de amor brilhando na mão de cada um deles, fazendo com que os sentimentos estivessem transbordando por seus corpos. Junsu apesar de estar imerso no prazer que os toques de Yoochun proporcionavam, não desfez o sorriso doce de seus lábios em momento nenhum, fato que não passou despercebido por Yoochun, que sentiu seu coração explodir em alegria por estar conseguindo fazer o outro tão feliz.

Depois de um longo tempo de carícias e beijos, ambos estavam completamente e visivelmente excitados. Yoochun deslizou as mãos até as coxas de Junsu levando aquele pequeno pedaço de tecido junto, deixando o menor corado mais uma vez. Também se livrou da própria boxer e tomou o menor em seus braços novamente, envolvendo o membro do outro em suas mãos e o massageando, fazendo Junsu soltar gemidos e trocar aquele sorriso doce e angelical por expressões de prazer que faziam Yoochun enlouquecer. Junsu agarrou-se nos lençóis quando Yoochun acelerou os movimentos de vai e vem em seu membro, não demorando para chegar ao máximo e se desfazer nas mãos do namorado. Yoochun ficou observando seu namorado se contorcer de prazer sob suas mãos e não esperou o outro se recuperar dos espasmos que seu corpo produzia, apenas o puxou para si, deitando e o colocando sobre seu peito tomando seus lábios novamente. Junsu não se importou com aquilo e deixou-se sentir o gosto de Yoochun de novo, invadindo sua boca e acariciando seu corpo como se aquele fosse o último ato de sua vida. Yoochun não esperou pelos toques do namorado, girando novamente, para a surpresa do outro e puxando as pernas de Junsu para finalmente consumarem aquele ato de amor.

Yoochun invadiu o corpo de Junsu rapidamente, fazendo o menor exibir uma expressão dolorida pelo primeiro contato. Mas logo os gemidos de prazer de ambos tomaram o quarto, fazendo Yoochun ir mais fundo e Junsu implorar por mais. O suor de ambos já havia molhados lençóis e fazia a pele dos amantes brilhar. Numa última tentativa de ter Junsu mais próximo de si ainda, se é que isso era possível, Yoochun puxou o menor pelos ombros, fazendo com este ficasse sentado sobre suas pernas. O apertou com muita força em seus braços ao sentir seu ápice chegar. Junsu também se desfez mais uma vez, sem ao menos ser tocado pelo outro, sujando ambos o corpos com seu prazer.

Permaneceram abraçados por um longo tempo. Não disseram nada, Yoochun ficou acariciando suavemente as costas do menor, que deitou a cabeça em seu ombro e fechou os olhos, agradecendo silenciosamente por ter aquela pessoa ao seu lado e por ser tão amado.

– Su...

– Hum...

– Eu te amo. Te amo mais do que a mim mesmo. Te amo mais do que tudo no mundo... Não se esqueça disso nunca. – Yoochun disse apertando o abraço em torno do menor.

– Eu também te amo meu amor, mais que tudo no mundo. – Junsu disse sorrido com a declaração do outro.

– Prometa para mim que nunca irá se esquecer disso, não importa o que aconteça. – Yoochun continuou.

– Sim, eu prometo. Nos amaremos mais que tudo, pelo resto de nossas vidas. – Junsu disse sem perceber a angústia que crescia na voz do outro.

Ambos se levantaram depois de um longo tempo e foram tomar um banho. Trocaram os lençóis da cama e se deitaram. Conversaram um pouco sobre os planos do dia seguinte até que Junsu adormeceu sobre o peito do namorado. Yoochun observou a expressão tranquila no rosto do outro. Tão suave, tão lindo, tão Junsu. Esticou o braço e pegou o celular sobre o criado ao lado da cama. Colocou o aparelho no silencioso para não acordar o outro com o som das teclas e tirou uma foto do rosto de Junsu. Ficou um tempo olhando para a foto. Era exatamente o que queria, capturar aquela expressão doce de seu amor e guarda-la, de forma que a levasse para qualquer lugar onde fosse. Colocou a foto como plano de fundo do celular e o depositou novamente na mesinha. Ajeitou-se apertando o menor nos seus braços e adormeceu olhando para o outro.

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Junsu acordou com o toque seu celular. Esquecera de desligar o modo automático do despertador, naquele dia não iria trabalhar cedo e não tinha nenhum compromisso marcado. Aliás, tinha sim, lembrou-se da noite anterior e sorriu ainda de olhos fechados. Iria com Yoochun atrás de esclarecimentos sobre a adoção de uma criança. Virou-se para o lado para abraçar o namorado, mas encontrou o vazio.

Abriu os olhos automaticamente e viu que sobre o travesseiro havia um bilhete.

“ Bom dia meu amor

Precisei sair muito cedo, tenho que resolver alguns problemas de última hora.

Descanse bem, vou tentar voltar o mais rápido possível para você.

Não se esqueça da promessa, te amo para sempre.

Seu Yoo”

Junsu sorriu ao ler o bilhete. Passou a mão sobre o travesseiro do namorado e se levantou para tomar café, depois da noite que tiveram, seu corpo pedia urgentemente por alimento. Escovou os dentes, lavou o rosto, vestiu um roupão e foi para a cozinha preparar seu bom e velho capuccino, juntamente com torradas e frutas. Depois de tudo pronto sentou-se na mesinha da varanda e ficou olhando a cidade que já estava acordando aos poucos. E mais uma vez se pegou olhando a própria mão que sustentava a aliança que selara seu amor.

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Jaejoong e Yunho tiveram uma manhã tranquila. Tomaram café juntos com Junho e depois brincaram com o filho até cansarem. Yunho não iria trabalhar naquele dia, uma ou duas vezes por semana tinha folga, já que ele podia administrar o trabalho de casa, pelo telefone e pela internet, então estava em paz.

A brincadeira e as risadas foram interrompidas pelo toque da campainha. Jae foi atender e era o porteiro trazendo uma correspondência para Yunho.

– O senhor me desculpe, mas a pessoa que deixou isso disse que era urgente e precisava de uma resposta o mais rápido possível, por isso eu trouxe te aqui.

– Ok, tudo bem. Obrigado. – Jae agradeceu o senhor fazendo reverência e fechou a porta.

– O que foi meu anjo? – Yun perguntou esperando Jae sentar-se ao seu lado novamente.

– Não sei, é uma carta para você. O porteiro disse que era urgente. – Jae disse estranhando o nome do remetente.

– Para mim? De quem é? – Yunho perguntou curioso.

– Não sei, aqui diz que é de uma tal de YL PRODUÇÕES LTDA. – Jae leu o remetente sentando- se ao lado do marido.

– O QUE? – Yun se exaltou imediatamente ao ouvir o nome da empresa, assustando a criança que brincava sentada no tapete e ao seu companheiro sentado ao lado.

– Ai que susto Yun! – Jae o repreendeu. – Você conhece essa empresa?

– Tem certeza Jae? Tem certeza que aí está escrito YL Produções?

– Claro Yunho, não sou analfabeto. – Jae disse enquanto abria o envelope.

– Anda, leia logo o que diz Jae.... – Yun estava ansioso, não podia acreditar naquilo, ignorou completamente o comentário irônico do namorado.

– Calma, estou abrindo... Hum, vamos lá... Prezado sr. Jung, é com muito prazer que lhe enviamos este convite. Conhecemos o seu trabalho e nos agradou muito. Gostaríamos muito de ter o senhor entre os nossos mais renomados fotógrafos e profissionais da área. Aguardamos o seu contato se a proposta lhe interessar. Atenciosamente, Kaizo Toshiro, diretor executivo da YL Produções. – a voz de Jae foi morrendo aos poucos enquanto lia a carta. Conforme as palavras saiam de sua boca entendia o porque da ansiedade de Yunho pela leitura da correspondência. Sentiu seu coração ser preenchido por tanta tristeza, que seus olhos ficaram marejados.

– Yun... – Jae disse olhando para seu esposo que se encontrava olhando fixamente para um ponto qualquer no chão.

– Jae, você não tem noção de como é um privilégio receber uma oferta dessa empresa? – Yun começou ainda fixando o olhar num ponto perdido. – Eu esperei muito tempo para isso. Como eles me descobriram depois de todos esses anos? – Permaneceu em silêncio por um longo tempo. Jae ficou observando a expressão vazia do marido e pensando na dor que ele devia sentir por não poder aceitar aquele trabalho.

– Bem... – Yunho se levantou de repente dando um longo suspiro. – Tudo o que me resta é agradecer a oferta e não aceita-la. Amor, vamos sair para almoçar com Junho? – Continuou como se nada tivesse acontecido.

– Vamos. – Jae respondeu baixinho não acreditando na súbita mudança do outro. – Vou arruma-lo enquanto você se apronta.Vem meu anjinho, vamos lá no quarto trocar essa roupinha, vamos almoçar fora hoje.

Junho se levantou e acompanhou o pai, deixando Yunho sozinho na sala. Jae guardou a carta em sua caixa de fotos secreta enquanto Junho trocava de roupa no quarto ao lado.

“Eu preciso dar um jeito nisso. Amanhã vou ligar lá e descobrir como eles acharam o Yunho...” Os pensamentos de Jae ferviam, estava sentindo uma grande aflição por ver seu companheiro receber a proposta de seus sonhos e não poder aceita-la. Depois que guardou bem sua caixa, pegou Junho em seu quarto e se juntaram a Yunho na sala, que exibia seu sorriso de sempre, como se nada tivesse acontecido.

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Enquanto a família Jung saía para almoçar, Changmin estava em mais um dia árduo de trabalho. Como voltou a ser um simples atendente, tinha como função também limpar e organizar as prateleiras de livro do estabelecimento. Estava na última prateleira, ao fundo da loja, quando sentiu alguém agarrar seu punho e virá-lo contra a parede, pressionando seu corpo contra a mesma.

– Até quando vai fingir que não me conhece hein? – Kyuhyun pegou Changmin de surpresa. Estava irritado. Desde que Changmin voltou a trabalhar ali, nem sequer olhou para outro, fingindo que eram completos estranhos. Mesmo depois de tudo o que fizeram juntos.

– Me deixa em paz, nós já falamos sobre isso. – Chang disse se desvencilhando das mãos do outro.

– Por que faz isso comigo? Vai negar até quando? Deixa de ser orgulhoso. – Kyuhyun pressionava, tentando fazer o maior ceder aos seus pedidos desesperados.

– Kyuhyun, eu já falei. Tudo o que aconteceu foi um erro, foi uma coisa de momento. Eu não sou gay e não quero nada com você. Aliás, nem com você e nem com ninguém. –Changmin encerrou o assunto e saiu apressado antes que o outro tentasse pressiona-lo novamente.

“Meu Deus, o que eu faço? Até quando ele vai fugir de mim assim?” Kyuhyun se deixou escorregar até o chão com as mãos do rosto. Não aguentava mais o desprezo do outro. Como ele podia negar tudo o que aconteceu entre eles?

*Flashback on*

– E aí Chang? Vamos tomar um sorvete depois do trabalho?

– Claro Kyu, vamos sim. Te encontro lá na porta no fim do expediente.

A tarde passou muito lentamente para Kyuhyun, que ansiava desesperadamente pela companhia do outro. Finalmente ficaria a sós com ele. Nutria um sentimento muito especial por Changmin, desde quando começaram a trabalhar na livraria. Sofreu muito por não entender o que se passava, já que até aquele momento tinha tido apenas envolvimenos amorosos com mulheres, que também não foram muitos. Quando finalmente o fim do expediente chegou Kyuhyun correu para a porta para esperar o maior.

Chang nunca imaginou que o outro estava interessado nele daquela forma, portanto levava tudo na amizade e não percebia nada de diferente no jeito do outro lhe tratar. Mas os dias foram passando, os sentimentos de Kyuhyun estavam explodindo em seu peito. Precisava confessar, precisava se declarar e deixar todo o seu amor pelo outro sair de seu peito.

– Chang... – ambos estavam sentados no chão do depósito separando alguns livros antigos.

– Fala Kyu...

– Eu preciso te contar uma coisa.

– Fala.

– É que... É que eu... Eu ... – as palavras fugiam, abandonando seu pronunciador sem dó nem piedade.

– Fala Kyu, você tá me assustando. O que foi?

– Chang... Você já amou alguém? – Leeteuk jogou a primeira carta.

– Hum... Acho que de verdade não. Já me apaixonei algumas vezes, coisa de garoto, você sabe. Mas amar, amar mesmo, não.

– E você se apaixonou por garotas?

– Claro ora... Aiiigo, você achou o que? Que eu me apaixonei por homens, tá doido? – Changmin riu da própria fala, voltando a olhar para o livro em sua mão. Mas percebeu que o outro não disse nada e voltou o encara-lo, vendo que um linha se formar em seu delicado rosto, rastro de uma lágrima solitária. Percebeu então, o que outro quis dizer quando perguntou se ele havia gostado de garotas.

– Kyu, você gosta de garotos? – Perguntou baixinho para o outro.

– Eu... Eu não sei Chang. Eu não estou me sentindo bem. – disse se levantando e derrubando a pilha de livros ao seu lado. Eu vou embora...

Mas antes de dar o segundo passo, Changmin se levantou rapidamente e o segurou pelo punho.

– Ei, o que é isso? Que bicho te mordeu? Por que ficou assim de repente? – Chang o estava pressionando com tantas perguntas, o menor não aguentaria por muito tempo.

– Me deixa ir Chang, eu preciso...

– Não, espere. Me conte o que está acontecendo. Você não está...

– CHEGA! – o menor gritou assustando o outro que soltou seu braço imediatamente. – Chega, eu não aguento mais. Eu fico aqui tentando esconder meus sentimentos, tentando entender o que acontece e... E você parece que me provoca com esse seu jeito tão.. Tão desleixado, como se nada importasse. Será que você não vê? Você não enxerga nenhum palmo à frente do seu nariz?

– Do que você está falando? — Chang ficou confuso com aquela explosão inesperada do menor.

– EU TE AMO CHANGMIN! ESCUTOU BEM? Eu te amo... – Kyuhyun disse cobrindo o rosto com suas próprias mãos, deixando o outro em choque parado à sua frente.

Changmin não sabia o que dizer, mas sentiu uma angústia tomar seu coração quando viu o outro chorar daquela forma. Aproximou-se e colocou sua mão do ombro do outro e com a outra tirou as mãos do menor de seu rosto. O encarando por um momento.

– Me desculpa por ser tão indelicado. Eu só queria entender o que... – Chagmin foi interrompido pelos lábios de menor. Kyuhyun sentiu seu coração explodir quando o outro se aproximou e ao encarar aqueles olhos escuros e profundos, lhe deu uma vontade louca de lhe tomar os lábios e foi o que ele fez.

Deu alguns passos em direção à parede do depósito e pressionou seu corpo contra o do maior, não dando chance para o outro de esquivar. Chang se assustou, queria empurrar o menor no início, mas a doçura daqueles lábios o impediram de reagir e por fim cedeu abrindo espaço para a língua do outro invadir sua boca. Depois de alguns segundos as mãos de ambos estavam passeando entre os corpos entre carícias e beijos.

– Pare! – Chang disse por um instante empurrando o menor para longe. – O que é isso? Eu não te dei liberdade para isso!

– Desculpa... Eu... . – Kyuhyun saiu correndo e foi para casa. Nem pensou que precisava dar satisfações para seus chefes por sair daquela forma. Correu sem parar até chegar em seu quarto e se jogar em sua cama, onde o choro o tomou por completo.

Depois disso ficou sem trabalhar por dias, alegando estar doente. Chang se sentiu culpado por aquilo e por mais que achasse não estar correspondendo ao outro, resolveu ir visita-lo para ver se estava tudo bem. A mãe de Kyuhyun estava saindo para trabalhar quando Changmin chegou. Disse a ele para subir até o quarto do menor e que seria bom alguém para conversar com seu filho que andava muito estranho nos últimos dias.

Chagmin andou sorrateiramente até o andar de cima e viu a porta entre aberta de um quarto. Pela fresta se via o corpo de Kyuhyun jogado na cama. Entrou bem devagar e viu o menor dormindo tranquilamente. Ao se aproximar percebeu o rosto inchado e avermelhado do outro, indicando que havia chorado muito antes de adormecer. Se ajoelhou ao lado da cama, e por um instante sentiu uma imensa vontade de abraçar aquela pessoa à sua frente, era tão frágil, tão delicado e não queria deixar o outro sofrendo por culpa dele. Involuntariamente levou sua mão ao rosto do menor, afastando as mexas escuras que caíam sobre seus olhos fechados. Percebeu a suavidade da pele e dos cabelos entre seus dedos e estranhou gostar de tocar o outro daquela forma. Mas foi tirado de seus devaneios quando viu os grandes olhos escuros do menor o encararem. Tirou a mão do rosto do outro imediatamente e Kyuhyun sentou-se rapidamente na cama, ajeitando o cabelo enquanto seu rosto era tomado pela vermelhidão.

– O que faz aqui? – perguntou assustado.

– Eu vim te ver. Fiquei preocupado, faz dias que não aparece no trabalho. – Changmin disse levantando e sentando ao lado do menor que se afastou instintivamente.

– Não precisava, eu estou bem. Foi apenas uma gripe forte.

– Kyuhyun, a gente precisa conversar. – Chang disse olhando para o menor que ainda desviava o olhar do maior.

– Não, nós não temos nada para conversar. Por favor, vá.

– Kyu, eu queria te pedir desculpa. Eu fui um estúpido aquele dia. Não sei o que deu em mim. Você me pegou de surpresa, mas eu ainda assim foi grosso com você. Me perdoa.

Kyuhyun sentiu as lágrimas molharem seu rosto pela décima vez naquele dia. Desde o acontecido ele só chorava. Chang vendo a fragilidade do outro, não se conteve e o envolveu em seus braços, surpreendendo o mesmo, que o olhou aflito.

– Não faça isso comigo. – Implorou com o rosto enxarcado pelas lágrimas. – Não, por favor. Você se aproxima e se vai da mesma forma. Não sinta pena de mim, por favor.

Chang não recuou diante das palavras sofridas do menor e o apertou mais em seus braços. Ficaram assim até os soluços de Kyuhyun diminuírem. Chang se afastou e olhou nos olhos do outro e se deixou levar pelos seus desejos ocultos, o puxando para um beijo calmo e suave, que aos poucos se tornou desesperado e quente.

Ambos se deixaram levar e na tentaram impedir aquilo. Quando perceberam, Chang estava deitado sobre o outro, suas mãos passeavam sobre o corpo do menor, explorando cada pedacinho, enquanto o menor sentia seu coração explodir por estar nos braços de quem tanto amava. Mas a alegria durou pouco. Chang despertou de seus desejos como num estalar de dedos e saiu de cima do menor bruscamente, o deixando deitado, confuso e sem ar.

– Meu Deus, o que eu fiz? – Chang disse com as mãos na cabeça andando de um lado para outro no quarto do menor que ainda se refazia deitado na cama.

– Chang, você não entende. Olha para você... Qual é o problema de gostar de mim? Agora eu sei que você também gosta, só não aceita.

– PÁRA! PÁRA AGORA! – Chang disse transtornado. – Eu não devia ter vindo. – disse saindo correndo do quarto e deixando o menor chorando em seu quarto. Realmente aquilo tudo havia sido um erro.

*Flashback off*

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Já passava das cinco horas da tarde e Yoochun ainda não havia dado notícias. Junsu ligou várias vezes, mas o telefone do namorado estava desligado.

A campainha tocou e Junsu foi correndo atender, na esperança de que fosse o namorado que podia ter esquecido a chave. Mas seu sorriso morreu ao ver um desconhecido.

– Com licença, este é o apartamente do senhor Park?

– Senhor Park? Bem, é sim, Park Yoochun, por que? Algum problema?

– É que eu tenho ordens de pegar os pertences pessoais dele para levar para a nova casa dele.

– O QUE? – Junsu disse pasmo com as palavras do homem estranho.

– Meu senhor, eu só tenho ordens de vir a esse endereço e levar os pertences pessoais do senhor Park, ele está aguardando. Por favor, o senhor quer que eu mesmo pegue ou o senhor arruma tudo?

Junsu não respondeu. Pegou o telefone e tentou novamente ligar para o namorado. Ligou para a empresa em que trabalhava, mas disseram que ele não se encontrava. O homem estranho ficou parado à porta vendo o desespero de Junsu ao tentar falar com Yoochun enquanto suas lágrimas teimavam em molhar sua face.

Depois de várias tentativas e nada de sucesso, Junsu deixou-se cair no sofá tomado pelo desespero, não entendia o que estava acontecendo. O senhor que aguardava sentiu-se mal pelo o outro e resolveu ir embora, inventaria que não encontrou ninguém em casa e pronto.

Junsu depois de um tempo pensando e tentando entender tudo aquilo, saiu desesperado de casa e foi até a empresa onde Yoochun trabalhava. Dirigiu que nem um louco pelas ruas, sem se importar com os sinais ou com as placas. Parou cantando o pneu do carro em frente à empresa e desceu correndo. Mas não precisou ir longe para ver seus sonhos desmoronarem. Bem no hall de entrada da empresa, havia um enorme banner com uma foto de Yoochun e uma linda moça ao seu lado, vestidos para um casamento. Embaixo da foto, havia alguns escritos. Junsu se aproximou para ler e seu mundo caiu quando aquelas palavras foram entendidas.

“ Os funcionários da Park Assessoria de Empreendimentos deseja felicidades ao casal Park Yoochun e Park Minji, que sejam felizes e abençoados.”

Junsu passou as mãos sobre as letras do banner e caiu de joelhos em frente à foto, chorando desesperadamente. Não, aquilo não podia estar acontecendo. Não podia. Se levantou e entrou na empresa, ainda chorando que nem uma criança, a recepcionista disse a Junsu que Yoochun não se encontrava, mas Junsu não acreditou. Sabia que os funcionários poderiam ter sido avisados sobre ele e que tentariam impedi-lo.

Voltou para casa e quando entro viu que alguém havia estado ali. Foi no quarto e viu que as roupas e os pertences pessoais de Yoochun não estavam mais ali. Sentiu seu coração ser dilacerado, aquilo só podia ser um pesadelo. Voltou a sala e encontrou um envelope sobre a mesinha.

“ Junsu

Perdoe-me por sair sem me despedir. Foi necessário para evitarmos aborrecimentos maiores. À essa altura você já deve saber que eu me casei. Por favor, esqueça tudo o que aconteceu entre nós até hoje. Não posso mais continuar com isso. Pode ficar no apartamento o tempo que for necessário.

Adeus

Yoochun.”

O grito de desespero de Junsu foi ouvido por todo o prédio...

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Do lado de fora do prédio um carro preto estava parado em frente à portaria. O motorista ouviu o grito vindo do andar de seu antigo apartamento. Sentiu seu coração partir ao ouvir a voz de seu grande amor gritando de desespero. Engoliu o choro que ameaçava chegar e acelerou o carro, para nunca mais voltar.