Notas iniciais
Oi gente! Ok, não me trucidem. Eu sei que demorei meeeeses para vir atualizar essa fic. Vamos lá, nas notas finais dou meu parecer. Só para lembrar a quem estava acompanhando. Yunho recebeu uma proposta de trabalho de uma grande empresa e Jae ficou triste, pois o outro não podia aceitar devido a sua deficiência. Yoochun se casou com uma mulher e deixou Junsu, que entrou em desespero total. E o Chang ainda está fingindo que não gosta do Kyu e é hétero até a morte. E obrigada a todos que começaram a ler depois e deixaram seus reviews maravilhosos. Vou respondendo aos poucos os que ficaram para trás.

Yoochun POV’s

Acordei com o som do meu celular vibrando sobre a mesinha ao lado da cama. Havia amanhecido à pouco, o céu ainda estava ganhando as cores de um novo dia. Para minha supresa era uma mensagem do meu pai. Dizia que queria falar comigo sobre alguns negócios e resolver nosso desentendimento de uma vez por todas.

Levantei-me, tomei um banho e me vesti. Não pensei duas vezes antes de decidir ir ao encontro dele, precisava resolver aquilo rapidamente, sumir com aquela sensação de que meu pai faria alguma coisa de ruim com meu namorado.

Antes de sair, parei por um instante e fiquei observando Junsu dormir. Nunca cansei de fazer isso, olha-lo. Apenas olha-lo. Ele é tão lindo, tão doce, parece frágil e extremamente sexy quando quer. Ali estava o meu único motivo de continuar, por ele eu estava indo enfrentar uma pessoa à qual eu prometi a mim mesmo que nunca mais procuraria. Escrevi um pequeno bilhete e coloquei-o onde antes eu estava deitado. Dei um beijo leve nos lábios de Junsu e saí.

Meu pai me aguardava num luxuoso hotel que era próximo ao meu apartamento. Comecei a me preocupar quando recebi a segunda mensagem dizendo o local do encontro. Próximo assim? Meu pai não era o tipo de pessoa que sai do seu escritório para encontrar alguém, até mesmo seu único filho. Imaginei que ele estaria me esperando em sua casa ou em sua empresa. Mas não. Era ali, um quarteirão de distância da minha casa. Não gostei daquilo, não mesmo.

Chegando lá, subi até a cobertura do hotel e encontrei meu pai sentado tranquilamente tomando chá. Dois caras enormes estavam próximos dele, olhando o nada, apenas aguardando por ordens.

Nem nos cumprimentamos, fui logo perguntando o que ele queria e mais uma vez escutei as palavras mais ridículas do mundo. Fim do meu namoro... Casamento com não sei que herdeira... Negócios importantes... Dinheiro... Blá blá blá. Claro que me neguei imediatamente à fazer a vontade dele. Ele suspirou tranquilamente, como se estivesse muito cansado, levantou-se e foi até a sacada, chamou-me e sorriu quando eu me aproximei. Um sorriso diabólico, que fez com que eu sentisse medo. E então, apontou para um lugar próximo, dando então sua cartada final. Mostrando que eu jamais ficaria livre e teria que me submeter às suas vontades para o resto de minha vida, ou enquanto ele vivesse. Meu coração bateu forte no peito, senti o frio dominar meu corpo. Sabia que ele era capaz de qualquer coisa e estava falando sério ao me mostrar aquilo.

Arrastei-me para fora dali, com lágrimas banhando meu rosto, com o desespero crescendo silenciosamente em meu peito. Segui até a porta do hotel e havia um carro me esperando. Por um instante cogitei a possibilidade de sair correndo dali, mas sabia que eu não podia e não conseguiria. Então entrei no carro e fechei a porta, deixei-o me levar para o caminho da minha infelicidade.

Horas mais tarde eu estava em meu carro, em frente ao edifício do meu antigo apartamento, ainda vestido com o terno do meu casamento. Vi um dos empregados do meu pai sair com algumas malas e caixas.

Alguns minutos depois, o vi chegando. Estacionou de qualquer jeito na calçada e se arrastou para dentro do prédio. Era evidente seu abatimento e seu desespero. Meu coração estava apertado de ver tudo aquilo e não fazer nada, por instante pensei em descer do carro e ir até lá, tentar explicar, consertar o que eu havia feito. Mas fui lembrado que eu não estava sozinho quando olhei pelo retrovisor, e estaria assim por muito tempo. Vi um dos carros do meu pai. Ele havia colocado pessoas para me vigiar. Suspirei e baixei minha cabeça, encontrando o couro gelado que envolvia o volante. Foi então que escutei um coisa que jamais vou esquecer. O grito mais desesperado do mundo, o mais dolorido e sofrido. Um grito que fez meu coração se partir, que me fez sentir uma dor que eu nunca cogitei sentir. Era ele, acabando de descobrir que eu realmente o abandonara da maneira mais covarde e mais vil que se possa fazer. Liguei o carro e acelerei, saí o mais rápido que pude dali, antes que eu fizesse uma loucura. Dirigi para o nada, sem destino. Corri como um louco até me dar conta que eu estava numa estrada vazia que me levaria à outra cidade. Parei o carro e desci.

Minhas forças me deixaram naquele instante, achei que eu morreria ali sozinho. E eu merecia aquilo, merecia morrer. Morrer sem ninguém perto de mim, morrer de culpa, morrer de dor por fazer a pessoa mais especial do mundo sofrer. Meus joelhos cederam e eu chorei. Chorei como nunca fiz em minha vida deixando a dor me dominar por completo. Era assim que iria terminar. Eu queria que fosse assim, não queria viver mais um só dia longe dele. Mil vezes a morte à isso.

Como se ouvisse meu lamento e tomasse parte na minha dor, os céus começaram a chorar. A chuva veio fria e forte, e eu ali, de joelhos na beira de uma estrada, desesperado, com dor, com ódio, com medo... Vários sentimentos ruins se misturando e formando um tornado, devastando tudo que eu podia ter de bom em mim.

Mãos surgiram do nada e me levaram dali. Não vi quem foi, só sei que foram ordens daquela pessoa que me chama de filho, pois algum tempo depois eu estava sendo levado pelos velhos e conhecidos corredores da casa que morei na infância. Fui deixado no meu antigo quarto, com uma toalha e roupas secas. Durante todo o trajeto tudo ouvi vozes e pessoas andando a meu redor. Não assimilei nada. Não quis ver nada. Só queria morrer ali. Melhor ainda, nunca ter existido, assim não causaria dor à ele. Ele estaria feliz agora, e não com o coração partido e se sentindo abandonado.

Era isso, eu não devia existir.

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Jaejoong estava mais uma vez trancado no quarto remexendo em suas fotos. Durante o último almoço fora que teve com a família, havia tirado mais algumas fotos para sua coleção.

Não conseguiu evitar de abrir aquela carta mais uma vez. Leu novamente a proposta de trabalho e sentiu o coração apertar em seu peito. Não era justo que depois de tanto sofrimento, Yunho tivesse a aportunidade de sua vida e não pudesse usufrui-la. Desejou tanto fazer Yunho feliz, completo e realizado, mas naquele momento estava de mãos atadas. Pegou uma de suas fotos favoritas. A imagem mostrava seu marido e filho sentados no tapete da sala brincando sorridentes.

“Ah meu amor, não preciso de mais nada, já tenho tudo o que eu sempre desejei, trabalho, família e amigos. Não é justo que eu não possa dar tudo isso à você, como você deu tudo a mim."

Por um breve instante uma sombra passou pelo olhar de Jaejoong, uma idéia sem muita definição, mas algo que talvez o perturbasse há muito tempo, sem que ele mesmo soubesse.

Foi arrancado de seus pensamentos quando o celular tocou. O nome de Junsu piscava no visor.

– Oi Su!

– Ja... Jae... – soluços vinham do outro lado da linha, apenas um balbuciar fraco, chamando pelo melhor amigo.

– Su? Eestá chorando? Su o que aconteceu, não consigo te ouvir direito. – Jae ficou aflito nstantaneamente ao ouvir o sussuro choroso de Junsu.

– Jae... – Junsu não conseguia falar, só chamava pelo amigo, na última esperança que tinha de que Jaejoong viesse em seu socorro e o tirasse daquele pesadelo.

– Calma Su, calma que eu to indo. Você tá em casa? – Jae disse enquanto pegava uma jaqueta no guarda roupa e vestia de qualquer jeito.

– Uhum... – uma confirmação mínima, sem forças.

Jae desligou o telefone e saiu correndo, só parando para avisar Yunho que estava saindo e que ele cuidasse de Junho. Quando tivesse noticias do que havia acontecido ligaria.

Quinze minutos depois Jaejoong invadia o apartamento de Junsu procurando pelo amigo. O procurou por toda a casa e o encontrou no quarto, ajoelhado no chão, ao lado da cama. Estava com o rosto vermelho e inchado, olhava fixamente para a cama, como se ali houvesse algo que pudesse salvar sua vida daquele mar negro que a invadira. O celular largado no chão ao seu lado, parecia ter sido deixado ali logo após a chamado ao amigo.

– Su... – Jae disse e se ajoelhou ao lado do amigo, o abraçando desajeitadamente. Não perguntou nada, deixou que o amigo chorasse em seus braços, fato que aconteceu quase imediatamente ao seu toque.

Junsu chorou desesperadamente. Não conseguia ao menos pensar no porque daquilo tudo, só sentia a dor de saber que fora abandonado pelo amor de sua vida. Sua mente estava confusa, imagens daquele banner com a foto de Yoochun ao lado de uma mulher desconhecida misturavam-se com flashs da última noite que tiveram juntos, quando tantas promessas foram feitas e tantos planos traçados. Nada fazia Junsu entender o que estava acontecendo.

Depois de longos trinta minutos de choro incontrolável, os soluços foram ficando cada vez mais baixos, até cessarem completamente e Jae poder ouvir somente o respirar pesado do amigo e sentir seu corpo estremecer a cada suspiro profundo devido ao choro. Junsu havia adormecido, a exaustão havia vencido.

Jae levantou o amigo e com um pouco de dificuldade o colocou na cama, cobrindo-o com a colcha. Sentou-se ao lado deleo e ficou vigiando seu sono. Não estava entendendo o que havia acontecido. Onde estava Yoochun? Por que Junsu sofria daquela forma? Poderiam ter brigado, se não, Yoochun estaria ali. Depois de um tempo, viu que o amigo estava em sono profundo, levantou-se e foi procurar por respostas. Andou por todo o apartamento, não havia sinal de briga, nada quebrado ou fora do lugar. Mas achou um pedaço de papel amassado jogado no chão da sala. Nele continha as últimas palavras de Yoochun para Junsu. Jae acabou de ler e não acreditou que aquilo estava acontecendo. Correu até o quarto e abriu as portas dos armários e viu que estava faltando muita coisa, provavelmente aqueles espaços vazios estavam ocupados por roupas de Yoochun anteriormente.

Jae pegou o celular e discou o número de Yoochun imediatamente, mas ninguém atendeu. Claro que fez questão de deixar uma mensagem para o desaparecido.

“ Yoochun, aqui é o Jaejoong. O que diabos aconteceu com você? Encontrei meu melhor amigo que nem um trapo, aos prantos e desesperado, não conseguiu nem me falar nada. Eu vi seu bilhete e quero um ÓTIMA explicação para você ter ido embora e o deixado assim. Espero que me ligue quando ouvir essa mensagem, senão eu te acho primeiro e parto essa sua carinha bonita antes de perguntar o que houve!”

Jae desligou e deu suspiro longo e profundo. Ligou para Yunho e disse que demoraria a voltar. Explicou o que aconteceu e disse que esperaria Junsu acordar e o levaria para a casa deles. Deu mias uma vez mil recomendações, tendo a certeza de que o companheiro conseguiria se virar e cuidar do filho.

Depois de muito pensar olhando pela janela do apartamento do amigo, resolveu começar a agir. Procurou uma mala e começou a tirar os pertences de Junsu dos armários. Não deixaria o amigo ali sozinho de forma alguma. Depois de todas as roupas bem dobradas e postas na mala, foi dar uma olhada na cozinha. Tirou tudo o que podia estragar da geladeira e arrumou em várias vasilhas com potes, levaria com eles também, para não desperdiçar nada. Se conhecia bem Junsu, aquele apartamento ficaria fechado por muitos dias. Jae não o deixaria voltar de não tivesse certeza que estaria completamente bem. Certificou-se que tudo estava em ordem, louças limpas, gás fechado e janelas bem fechadas. Verificou mais uma vez se Junsu ainda dormia e foi colocar toda a bagagem no carro.

O sol estava quase no seu ponto mais alto quando Junsu se mexeu na cama, chamando a atenção do amigo que estava sentado na poltrona no canto do quarto. Abriu os olhos lentamente, olhando em volta, tentando se situar. Viu Jaejoong o encarando e então todas as lembranças do dia anterior voltaram imediatamente, o fazendo fechar os olhos para tentar conter o choro.

– E aí? Conseguiu descansar um pouco? – Jae disse se aproximando.

– Me diz que eu tive um pesadelo Jae. – disse bem baixinho, com a voz rouca. – Me diz que ele vai entrar por aquela porta a qualquer momento vai voltar para mim. – as lágrimas começaram a molhar aquele rosto tão bonito novamente.

– Su, não chore. Olha... Eu nem sei o que houve. Cheguei aqui e te encontrei naquele estado e não achei Yoochun. Mas pelo que vi ele foi embora né?

– Jae... Ele me deixou, sem falar nada, só me deixou aquele bilhete nojento, como se nunca tivesse me amado de verdade. Eu não entendo, estávamos fazendo tantos planos. Ele me pediu em casamento, olha. — Junsu mostrou sua mão que sustentava a aliança brilhante recém colocada ali. — E depois ele sumiu, alguém veio aqui e levou tudo embora. Eu fui na empresa, e... – os soluços recomeçaram e a dor de lembras daquela foto apertou o peito de Junsu. – Lá na porta tinha uma foto grande, dele com uma mulher, eles se casaram Jae. Ele me deixou e se casou com uma mulher.

– Não pode ser Junsu. Ele sempre foi louco por você. Como assim ele se casou? – Jae não conseguia acreditar naquilo. Abraçou o amigo tentando acalma-lo.- Vamos, levante-se. Não vou te deixar aqui, vamos pra minha casa, já arrumei suas coisas e já coloquei no carro. Anda, vamos... Prometo que isso vai passar e vamos achar uma solução. – Jae dizia enquanto tirava o amigo da cama. O fez levantar-se e trocar sua roupa, lavar o rosto e escovar os dentes. O guiou para fora do apartamento, trancando a porta quando saíram.

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Mais um dia de trabalho normal. Changmin foi avisado por Jae que ele e Junsu ficariam uns dias sem ir à livraria devido a problemas pessoais. Resolveu organizar alguns livros na estante dos fundos, como livros mais antigos e raros, há dias planejava fazer isso e nunca dava tempo. Estava na metade do tarefa quando ouviu um lamento bem baixinho, vindo de algum lugar. Ficou imóvel, como se um mínimo movimento seu o impedisse de ouvir aquele som. Mais uma vez um lamurio, seguido de um soluço abafado e o sussurrar de uma voz grave. Seguiu aquele som até o depósito. A porta estava entreaberta e ele se permitiu espiar.

A silhueta de alguém estava no canto do depósito. Deu mais passo e pode ver um dos funcionários novos da livraria falando com alguém. Sua expressão era tensa, parecia estar brigando. Chang mudou sua posição e pode ver que a outra pessoa da conversa era Kyuhyun, e este parecia chorar, usava uma das mãos para abafar seus soluços.

– Você me ouviu bem não é Kyuhyun? Se abrir essa sua boquinha gostosa para alguém sobre isso aqui, não vou ter pena de você na próxima. – disse segurando os braços de Kyuhyun com violência.

O menor somente balançou a cabeça de forma afirmativa, com o medo estampado em seus olhos. O homem se virou para sair e Chang se escondeu rapidamente atrás de uma prateleira.

Quando viu que o outro tinha ido embora, entrou no depósito afim de descobrir o que se passara ali, não gostou do que viu.

– Kyuhyun?

O menor assustou-se e tentou limpar o rosto, numa tentativa totalmente falha de esconder alguma coisa.

– O que houve aqui? Eu ouvi aquele cara te ameaçando, porque? – Changmin olhou curioso a expressão do outro transformar-se, de medo para desespero completo.

– Eu... Não era nada. E você não tem nada a ver com isso. – Kyuhhyun disse se virando para sair do depósito.

– Ei, espere! Sei que está acontecendo alguma coisa e não adianta negar porque eu vi.

– ME LARGA! Não finja que está preocupado, nunca quis saber de mim e sempre me rejeitou. Agora vem querendo dar uma de bonzinho? Não preciso de você, me deixa em paz. – disse cuspindo cada palavra, que saíam acompanhadas de lágrimas. Saiu correndo e enfiou-se no banheiro. Precisava se recuperar antes que alguém mais o visse naquele estado.

Chagnmin ficou lá parado, tentando assimilar aquilo. Sentiu raiva por ver alguém ameaçar Kyuhyun, mas a confusão veio como uma onda com aquelas palavras dele, o menor parecia bastante alterado. Resolveu voltar a trabalho, teria que dar um jeito de descobrir o que estava acontecendo.

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Junsu estava na casa de seu amigo há quatro dias. Não levantava da cama de forma alguma. Passava as horas chorando ou encarando a parede do quarto de hóspedes, e quando o cansaço o dominava acabava dormindo. Nem mesmo a alegria de Junho tentando anima-lo não surtia efeito. Perdera a noção dos dias, das horas, da vida.

Yunho e Jaejoong começaram a se preocupar muito com o amigo. Ele mal comia ou mesmo bebia um copo de água. Jae tentou de tudo, até mesmo os pratos favoritos do outro, mas ele não comeu. Parecia que queria desistir de sua própria vida, deixando-se definhar aos poucos. Já aparentava estar mais magro e sua pele clara estava mais pálida que nunca.

O casal ail já havia tentado contato com Yoochun muitas vezes e a cada recado deixado na caixa de mensagens deixavam bem claro que ele estava ferrado se ambos o encontrassem e que ele tinha acabado com a vida de Junsu. No último recado de Jaejoong, depois de mais uma tentativa falha de alimentar Junsu, a revolta era evidente. Gritou o recado a plenos pulmões e disse claramente que Yoochun era um covarde maldito e estava sendo obrigado a ver Junsu desistir pouco a pouco da própria vida, sem se alimentar ou sem beber uma gota de água. Quis deixar aquilo bem alto e claro, para que a consciência de Yoochun pesasse e este se corroesse de remorso.

– Pra mim já chega! – Jae se levantou da cama do amigo e foi pisando alto rumo a cozinha.

– E aí, ele comeu? – Yunho estava na sala e pelos passos pesados do marido, entendeu que nada ía bem.

– Não Yunho. Ele está beirando a inconsciência. Está pálido, seus lábios estão ressecados e ele nem mesmo responde quando eu falo com ele. Assim não dá, não vou deixar meu amigo morrer assim, não por causa de um desgraçado arrogante que nem mesmo respondeu as nossas ligações.

– O que vai fazer? – Yunho temeu por um instante, sabia que Jae era um furacão quando estava com raiva.

– Eu vou levá-lo para um hospital, vou interná-lo. Lá ele vai ser alimentado, nem que seja por uma sonda, não há outra saída. — Jae disse andando afoito pelos corredores até o quarto, arrumou uma bolsa com algumas roupas e pertences de Junsu, chamou o porteiro do prédio para ajudá-lo a carregar o amigo, e por fim dirigiu rumo ao hospital. Este nem mesmo reagiu à mudança ao seu redor, estava praticamente desmaiado.

No hospital foi internado imediatamente, com o quadro grave de desidratação e desnutrição. Foi alimentado por uma sonda, com uma mistura estranha aos olhos de Jae. E sua pele clara e delicada foi violada por agulhas imensas, que o ligaram a um tubo de soro, que o hidratava e ao mesmo tempo o medicava, para repor sais e nutrientes perdidos.

Jaejoong suspirou cansado ao sentar-se na poltrona do hospital, uma lágrima riscou seu rosto ao fitar seu melhor amigo ali naquele estado, ligado a tubos e fios, pálido, magro e sem vida.

Pegou seu celular mais uma vez e fez mais uma tentativa. A última antes de tomar decisões sérias à respeito de Junsu, que mais tarde implicaria em mudanças em sua vida também.

“Yoochun, aqui é o Jaejoong. É a última vez que eu vou ligar, minha última tentativa. Não entendo até agora o que houve, mas ainda assim estou te odiando por que está fazendo meu melhor amigo e irmão sofrer. Estou neste exato momento tendo que vê-lo ser alimentado por tubos e seringas, internado num hospital, por ter ficado tantos dias sem se alimentar. Nunca vou te perdoar por isso, ouviu bem? Se ainda te resta um pouco de dignidade, apareça e esclareça essa merda toda que você fez. Se não o fizer, isso é um adeus, nunca mais vou permitir que você entre na vida dele. E isso não é uma ameaça, é apenas uma afirmação de meus atos. Meu recado está dado.”

Jae deixou o telefone de lado voltou a encarar o amigo. Pegou uma revista para se distrair, precisava acalmar seus pensamentos. Nos últimos dias ficou na corda bamba, entre seus devaneios sobre aquela proposta que Yunho recebera e a preocupação com seu amigo. Folheou várias páginas, não se fixando em nada, até que em uma delas, uma palavra grande lhe chamou a atenção. Parou e leu as páginas daquela reportagem como se estivesse se alimentando daquelas palavras. Aquela idéia que o assombrou quando lia a carta enviada para Yunho voltou com força e muito mais clara.

Jae se fechou em seus pensamentos e começou a trabalhar mentalmente nas suas opções. Só parou quando ouviu um resmungo baixo vindo do outro lado do quarto. Levantou-se e viu que Junsu estava acordado, olhando em volta com seus pequeninos olhos confusos. Quando viu Jae ali, pareceu estar aliviado.

– Jae... – sussurrou estendendo lentamente a mão para o amigo. Descobriu que aquele simples movimento lhe exigia uma força absurda.

– Su, finalmente você acordou. Me deixou preocupado.

– O que eu faço aqui?

– Eu tive que interna-lo Su, você ficou quase cinco dias sem se alimentar, estava quase inconsciente lá em casa. O médico disse que você estava desidratado e desnutrido, a minha única opção foi interná-lo.

– Por que? – Junsu disse desviando seu olhar do amigo.

– Porque o que Su?

– Por que não me deixou lá? Eu não tenho motivo nenhum para continuar. – disse baixinho, como se admitisse para si mesmo aquele fato.

– Não diga isso nem brincando. Eu nunca vou permitir que você se mate por causa daquele idiota. Você vai ficar aqui, vai se recuperar e eu vou te levar de volta para casa. Você vai voltar a viver normalmente Junsu, e eu não estou pedindo ou perguntando, ouviu bem? Você tem a mim, tem o Yunho, o Junho que está lá todo triste por ter te visto assim, você tem seu trabalho e você vai continuar sua vida. Essa dor vai passar, algum dia vai passar e você será muito feliz, eu prometo. – Jáe disse aquelas palavras segurando suas lágrimas, não queria chorar na frente de Junsu, se desesperou ao ouvir da boca do amigo que ele havia desistido de viver.

– Jae-ah... Será que vai mesmo passar? – Junsu disse depois de alguns minutos de silêncio. – Sinto como se tivessem arrancado meu coração do peito. Me sinto vazio, mas a dor está aqui, e não vai embora. Não quero sentir isso Jae, eu não aguento.

– Sshh, acalma-se. Você precisa ser forte e estou aqui com você, ok? Não vou te deixar nunca. Isso vai passar. – Jae disse abraçando Junsu e colando sua testa na do amigo. – Um dia vai passar.

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Num apartamento longe dali, ele estava encolhido na poltrona do quarto, sozinho no vazio que sua vida se tornara nos últimos dias. As lágrimas cortavam-lhe o rosto, cada palavra ouvida naquelas mensagens ao telefone, era como uma adaga fincada em seu peito. Desesperou-se ao ouvir que o outro havia sido internado. Aquilo significava que Junsu estava desistindo de viver e a culpa era sua, toda sua. Agachou-se encolhido no chão frio, apertou os braços em volta de si mesmo tentando conter a dor que se espelhava por seu ser.

Sentiu-se o ser mais sujo, mais vil do universo. Estava fazendo sofrer aquele a quem prometera felicidade e amor eterno. E estava atado, não podia fazer nada. Queria sair correndo e procura-lo, abraça-lo e dizer que tudo ficaria bem, que foi um engano e que nunca o deixaria.

Chorou até suas forças se esvaírem. Encostou-se na poltrona, apoiando sua testa no couro macio sentindo as lágrimas secarem em seu rosto. Antes de afundar no inconsciente, pediu com todo o seu íntimo que Junsu ficasse bem. Se algo acontecesse com ele, não pensaria duas vezes em acabar com sua própria vida. Para ele, assim como para Junsu, não havia motivo para viver se não estivessem juntos e felizes, mesmo que o menor não soubesse disso. Não estavam juntos, mas Yoochun tinha um fio de esperança de que Junsu o esqueceria e seria feliz, assim poderia continuar, só o observando de longe. Mas se não existisse mais Junsu, existir o Yoochun não teria sentindo algum.

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Dois dias de internação e Junsu se achava inquieto na cama do hospital. Não podia se mexer muito, pois se corpo ainda chorava por descanso. Jaejoong havia saído para ver como Yunho e Junho estavam e o deixou dormindo, mas acabou acordando nesse meio tempo e se sentiu perdido sem o amigo ali. Sentiu-se culpado por esta rendendo preocupações a Jaejoong, que tinha uma criança para cuidar e seu companheiro de alguma forma acabava sendo dependente também.

Sozinho, suas angústias voltavam a assombrá-lo, seu coração doía como nunca e aqueles pensamentos negros de acabar com a própria vida o sondavam como a fera vigia sua presa antes de atacá-la.

Enquanto observava o quarto procurando algo que o distraísse, viu sua aliança sobre a mesinha ao lado. Uma angústia sufocante o pegou desprevenido e sem controle algum suas lágrimas vieram. Lembrou-se daquela promessa feita há poucos dias, tão pura, tão sincera e que agora não valia nada.

“Eu te amo. Te amo mais do que a mim mesmo. Te amo mais do que tudo no mundo... Não se esqueça disso nunca. Prometa para mim que nunca irá se esquecer disso, não importa o que aconteça.”

Lembrando-se agora daquilo, mais claramente, Junsu pensou que talvez Yoochun já soubesse que o deixaria, por isso tinha dito aquilo de forma tão suplicante. Mas se tivesse acontecido algo, Yoochun deveria ter lhe dito, não podia simplesmente o abandonar daquela forma. Os pensamentos se misturaram mais uma vez, confusos, deixando aquele desespero em seu coração.

Tentou enxugar as lágrimas da melhor forma possível, não queria que Jae o visse chorando, e ele devia estar chegando.

Suas suspeitas foram confirmadas quando Jae entrou no quarto e logo atrás Yunho trazia Junho pela mão. A criança saiu correndo em direção ao tio e o abraçou como pode, já que este estava deitado na cama alta do hospital.

– Tiiiooo! – o pequeno disse agarrando-se a Junsu, que por sua vez abraçou o menor com força e conseguiu sorrir, mesmo que muito sutilmente ao ver a alegria menino.

– Está vendo Su. Você tem muita gente que te ama, não pode nos deixar preocupados assim, certo? – Jae disse abraçando Yunho pela cintura quando se postaram em pé ao lado da cama.

Junsu apenas encarou seu amigo, e sabia que por trás daquele olhar, palavras não precisavam ser ditas. Eles estavam ali por ele. Enfim alguém estava ali e ele não sentiu-se sozinho.

Notas finais
Entaum... ainda não fiquei 100% satisfeita com esse cap. Acho que eu o escrevi umas 10 vezes, e no dia que deu certo, eu perdi o arquivo porque o meu pendrive estragou. Daí foram mais não sei quantos meses para conseguir escrever de novo. Até hoje foi o cap mais difícil para eu escrever.É complicado escrever algo com o Yoo e o Su separados. Essa fase é muito triste, e geralmente eu consigo escrever essas coisas quando eu também não estou bem. Enfim, chegou um fim de semana depressivo e eu consegui colocar esses sentimentos para fora. E eu até pensei em não colocar o POV do Yoochun, mas achei maldade deixar todo mundo o odiando plenamente. A partir de agora vai ficar mais fácil de dar continuidade, já que dei o primeiro passo. Espero que tenham gostado. kissus e até a próxima*_*