My Heart In Your Eyes
1 Perfume
Notas iniciais
(Yunho POV´s)
Naquele momento senti a tranquilidade tomar conta de mim. Os raios de sol atingiam meu rosto e me aqueciam, fazendo-me esquecer do frio que a solidão dos meus dias trazia. Sentado ali, no banco da praça, eu era apenas mais um apreciando a paisagem e aproveitando o sol. Ninguém me incomodando, ninguém sentindo pena, ninguém me dizendo que minha vida não será feliz e que meus sonhos terão que ser enterrados.
Sem que eu percebesse uma lágrima solitária rolou por minha face. Não pude evitar que aqueles pensamentos me invadissem. Será que realmente eu teria que abrir mão dos meus sonhos? Isso não era justo. A vida poderia ter tirado de mim qualquer outra coisa, por que tinha que ser isso? Justo o que eu precisava para me dedicar à minha maior paixão. Como seria a minha vida? Eu não sei fazer mais nada, meu trabalho é minha paixão e sem ele não serei nada.
Uma leve brisa afagou meu rosto, trazendo consigo um aroma diferente, único. Afastei meus pensamentos por um instante e tentei me fixar naquele perfume. Me senti confortável e uma sensação quente invadiu meu corpo. O aroma foi ficando mais forte, como se o portador daquele cheiro estivesse se aproximando de mim. Instintivamente abri meus olhos tentando localizar a fonte daquele perfume, mas vi apenas o contorno das pessoas a minha volta, as sombras se moviam me fazendo lembrar dos meus maiores medos.
Sentei-me novamente, derrotado pela minha condição. Senti o aroma diminuir pouco a pouco. Até não senti-lo mais. Levantei-me e caminhei de volta para casa. Pelo menos isso eu ainda era capaz de fazer sozinho. Depois de cinco minutos minhas mãos encontraram o portão do edifício que me acolhia há tanto tempo.
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Yunho sempre foi um rapaz animado, dedicado e cheio de amor pela vida. Sua maior paixão sempre foi a fotografia. Capturar momentos únicos de pessoas ou da natureza sempre o fascinava. Formou-se em fotografia e nunca pretendeu fazer outra coisa. Mas a vida não facilitou para que Yunho fosse sempre assim feliz. Aos vinte anos de idade começou a perceber que em alguns momentos sua visão falhava, perdia o foco por alguns instantes e depois voltava ao normal. Fortes dores de cabeça começaram a acompanhar essas falhas ópticas.
Resolveu ir ao médico para averiguar o que estava acontecendo. E depois de vários exames e dias indo e vindo do consultório médico, Yunho descobriu que tinha uma doença que aos poucos o faria perder a visão, até ficar completamente no escuro, totalmente cego. O médico não pode fazer previsões exatas, mas disse que no máximo em seis ou sete anos Yunho não enxergaria mais, e que havia a possibilidade de um transplante de córneas depois da perda total de sua visão, mas era apenas uma hipótese, talvez não fosse possível. Yunho ficou em choque e depois de alguns momentos veio o desespero. Teria que abandonar sua maior paixão, a fotografia. Não seria mais capaz de capturar aqueles momentos especiais que a vida à sua volta lhe dava.
Hoje, com 27 anos, Yunho ainda vê vultos. O contorno das pessoas, dos objetos, das ruas e prédios ainda são perceptíveis à ele. Mas há algum tempo já não pode fotografar, anda lentamente pelas ruas, para não sofrer ou causar nenhum tipo de acidente. Seu apartamento foi adaptado e organizado aos poucos para facilitar ao máximo sua vida. Agora sempre sozinho, Yunho conseguiu um emprego em uma editora. Ele fazia a revisão de livros e artigos. Graças à evolução tecnológica, os computadores da editora tinham um programa que ditava as palavras a serem editadas, possibilitando um deficiente visual trabalhar perfeitamente. Yunho vivia assim, o dia todo com fones nos ouvidos, sentado em frente ao computador digitando. Seus dedos acariciavam o teclado para sentir as marcações nas teclas e saber onde se localizavam as letras corretas.
Depois do trabalho, que propositalmente era próximo à seu apartamento, Yunho caminhava até a pracinha e ficava lá por uma ou duas horas, seguindo para casa logo depois. Assim os dias se arrastavam. A vida de Yunho começava a perder o sentido. Ele fazia de tudo para pensar em um futuro melhor, torcer para que quando perdesse totalmente a visão fosse possível se submeter à uma cirurgia e voltar a enxergar. Mas constantemente a tristeza e o vazio de sua vida acabavam dominando os pensamentos de Yunho.
Naquela tarde Yunho saiu do trabalho e foi até a praça. Ficou sentado em um banco sentindo o sol esquentar sua face. De olhos fechados, apenas ficou prestando atenção aos sons à sua volta. A risada de uma criança, os passos das pessoas caminhando, o choro de um bebê e o farfalhar das folhas das árvores. A tristeza invadiu novamente seu peito e ele pensou como seria fotografar aqueles momentos.
De repente Yunho foi tirado se seus pensamentos por uma aroma doce e agradável que a brisa trouxe até ele. Yunho abre os olhos para tentar localizar a fonte do perfume, mas consegue apenas ver os vultos. Cai sentado no banco derrotado. Depois de alguns minutos se levanta e caminha para casa. Mais um dia se foi.
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Cinco horas da tarde e Jaejoong ainda esperava Junsu chegar para assumir seu lugar na livraria.
– Mas que saco, onde o Su está?
A porta da livraria foi escancarada e Junsu entrou com o rosto corado e ofegante.
– Até que enfim!
– Desculpa Jae, perdi a hora.
–É, eu imaginei. Vê se começa a botar seu despertador pra funcionar. Faz uma semana que você está chegando uma hora atrasado.
– Eu sei, eu ando cansado demais. Desculpa mesmo. – Junsu abaixou a cabeça fazendo bico.
– Tá bom. Já to indo. Vê se tranca tudo direito depois. Ontem a janela do fundo ficou aberta.
Jaejoong é um rapaz muito organizado com suas tarefas e horários. Com 25 anos e formado em Literatura, abriu uma livraria em sociedade com seu melhor amigo, Junsu, que sempre foi meio atrapalhado, mas muito brincalhão e fiel em sua amizade com Jaejoong. Se conheceram no colégio, cursaram a faculdade juntos e hoje são donos de uma livraria muito bem sucedida no centro de Seul. Jaejoong fica durante o dia e Junsu toma conta da livraria do final da tarde até o fechamento às onze horas da noite. Tem mais dois funcionários para ajudar no atendimento e limpeza da livraria, Changmin e Kyuhyun. Jaejoong e Junsu dividem tudo, menos o apartamento. Moram no mesmo prédio, mas em apartamentos diferentes, para manter um pouco de privacidade. Sempre muito sozinhos por morarem longe de suas famílias, eles mantém uma amizade sólida e não conseguem viver um sem o outro.
Naquele dia Jaejoong sentiu um cansaço fora do comum. Depois que saiu da livraria, caminhou direto para casa, passando pela pequena praça próxima ao edifício em que residia. Caminhava lentamente olhando para o chão, mas levantou a cabeça para observar uma criança que andava de bicicleta. Ficou pensando se algum dia teria uma família. Nunca teve sucesso em seus relacionamentos. Teve apenas duas namoradas e o resultado disso fora catastrófico. Não sabia lidar com uma mulher, nunca o entendiam, sempre exigiam demais dele e não abriam mão de nada por ele. Mesmo tendo uma namorada se sentia sozinho. Por isso está só, há exatos 5 anos não fica com ninguém. E por incrível que pareça não sente falta desse tipo de relacionamento. Não fica sozinho, pois Junsu que também não gosta muito de sair por aí e namorar, sempre está por perto e se divertem juntos. Jaejoong interrompeu seus pensamentos quando notou um homem sentado no banco da praça, próximo à criança que brincava com a bicicleta. Um homem moreno, de cabelos negros e arrepiados e expressão triste. Estava de olhos fechados, com a cabeça levemente inclinada para trás, como se tentasse absorver os últimos raios de sol do dia. Jaejoong ficou observando a cena por alguns instantes, depois seguiu em sua caminhada. Ao se aproximar mais do homem, notou que este abriu os olhos bruscamente, assustando Jaejoong. O homem olhou em volta, como se procurasse alguém que o tivesse chamado. Depois sentou-se no banco com uma expressão amargurada. Jaejoong resolveu ir embora, não tinha o porque ficar ali observando aquele estranho, até porque era mais estranho ainda ficar olhando um homem.
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Junsu estava sentado na mesinha do canto da livraria e não notou quando entrou um cliente. Changmim vendo que Junsu não se moveu foi até o homem que aguardava atendimento.
– Pois não?
– Oi, quero dar uma olhada em alguns livros. Se precisar de ajuda te falo.
– Sim senhor, fique à vontade. Se precisar estou à disposição.
O homem começou a andar pela livraria. Entrou em um pequeno corredor e entre a prateleira e os livros ficou olhando o rapaz que a algum tempo era foco de seus pensamentos. Junsu estava absorto em seus pensamentos não notou que alguém o observava até que de repente sentiu um toque em seu ombro esquerdo. Virou-se para ver quem era e por um instante tudo parou. Era um homem alto, de cabelos negros, curtos e levemente arrepiados. Trajava uma roupa de cor clara e exibia um lindo sorriso, que fez Junsu corar.
– Me desculpe, será que poderia me ajudar?
– Cla... Claro... o que precisa? – Junsu não conseguiu disfarçar o choque que foi ver aquele homem ali.
– Eu estou em dúvida sobre qual livro comprar. Você é o dono dessa livraria né? Já deve ter lido muitos dos livros aqui. Será que você pode indicar alguns para mim?
– Ah... claro. Posso sim. – Junsu levantou rapidamente tentando aparentar calma e tranqüilidade, tentativa que estava indo pelo ralo.
–Bem, que tipo de livros você gosta?
– Ah... eu gosto de quase tudo. Gosto muito de ler, qual você recomendaria?
–Bem, vou buscar alguns para você dar uma olhada, ok?
Junsu saiu em disparada e sumiu entre as prateleiras. Parou quando teve certeza que estava fora do campo de visão do cliente que o aguardava. Encostou na parede e colocou a mão sobre o peito, sentindo seu coração disparado.
“ O que isso Junsu? O que você tem? Ficar assim por trocar algumas palavras com um homem? UM HOMEM? Meu Deus, o que isso? Nunca me senti tão nervoso assim na presença de alguém... Respira, respira,.... calma. É só um cliente. E é um homem Junsu, um homem.”
Junsu voltou com alguns livros na mão. O homem não pode deixar de notar que Junsu ainda estava corado.
– Olhe esses aqui. Já li todos e são excelentes. Você pode escolher qualquer um deles e tenho certeza que ficará satisfeito. – Junsu explicava enquanto colocava os livros sobre o balcão de forma desajeitada.
–Hum... – o homem se aproximou do balcão e olhou para o livros. – Acho que levarei todos. Já não tenho mais nenhum em casa para ler. Estou precisando muito de novos livros.
– Ah, claro. Vou colocá-los em uma sacola para você. – Junsu disse mais baixo do que deveria. Estava muito nervoso e não conseguia se controlar.
Depois de pagar os livros o homem pegou sua sacola e agradeceu Junsu pelo atendimento. Antes de sair , virou-se novamente para Junsu., que ainda o observava.
– Me desculpe, onde estão meus modos? Nem perguntei, qual o seu nome?
– Junsu, Kim Junsu.
– Muito prazer, sou Yoochun, obrigado pela atenção e nos vemos por aí. – Yoochum virou e foi em direção à saída.
Junsu permaneceu imóvel por alguns minutos, olhando fixamente para o lugar onde o seu cliente se encontrava até há alguns minutos atrás.
– Junsu, você está bem? – Changmim se aproximou notando a palidez de seu chefe.
– Ah? O que foi?
– Perguntei se você está bem, está pálido e não se move há alguns minutos. Achei que estava se sentindo mal.
– Não, estou bem. Não se preocupe.
Junsu voltou a sentar no canto da livraria, mas agora seus pensamentos estavam focados apenas nos acontecimentos dos últimos minutos.
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Mais um dia acabando e Yunho está novamente na praça. Há alguns dias esse tem sido o motivo que faz Yunho levantar da cama todas as manhãs e trabalhar. A ansiedade de chegar o horário para sair da editora e poder sentar no banco da praça. Agora essa é a necessidade de Yunho, sentar-se ali e esperar por aquele perfume todos os dias. Há exatamente 20 dias Yunho repete sua visita a praça e espera por isso. Aquele perfume misterioso, que o conforta e o deixa feliz, sem saber o porque. Yunho não conseguiu descobrir de quem é o tal perfume, mas sempre fica feliz quando a brisa de final de tarde trás aquele aroma até ele. Ficou por várias noites pensando em como poderia descobrir o origem daquele cheiro maravilhoso. Seria perfume de uma mulher? Ou até de um homem. Yunho balançou a cabeça com tal pensamento, não poderia ser de um homem. Não é possível que um cheiro tão suave e reconfortante fosse de um homem. Yunho já sabia que é de uma pessoa que faz aquele trajeto todas as tardes e mais ou menos no mesmo horário. Mas como sua visão não permitia, não conseguiu identificar as pessoas que por ali passam. Esse pensamento mais uma vez partiu o coração de Yunho.
Yunho tentou afastar aqueles pensamentos e fechou os olhos. Ficou esperando pelo momento que iria sentir novamente aquele aroma. Foi quando seu celular começou a tocar. Yunho retirou o pequeno aparelho do bolso da calça e atendeu. Era da editora, pedindo que ele fosse até lá para uma reunião. Yunho desligou o celular frustrado. Queria ficar ali e sentir o perfume novamente. Ficou sentado por alguns instantes e se levantou para voltar ao trabalho, se esquecendo de abrir os olhos para observar os vultos que passavam. Era tão constante o costume de fechar os olhos que Yunho as vezes se esquecia de abri-los. Foi quando se virou e sentiu seu corpo ser impedido por algo e caiu sentado. Suas narinas foram violentamente invadidas por aquele perfume. Estava ali. A pessoa que Yunho tanto esperava para ver estava ali.
– Ai meu Deus, você está bem?
Yunho estacou e não consegui responder.
“ É um homem” Foi tudo o que sua mente conseguiu processar naquele instante.
– Oiêê! Está me ouvindo?
–Si...sim, me desculpe. – Yunho tentou se levantar e sentiu uma mão segurar seu braço e levanta-lo do chão.
– Você está bem?
– Sim, me perdoe, estava distraído e não olhei. Você está bem? Se machucou? – Yunho perguntava nervoso.
– Não, estou bem. Você que caiu, tem certeza que está bem?
– Claro. Eu...Eu preciso ir... E me desculpe. – Yunho se libertou das mãos do outro e desviou para seguir em frente. Mas logo se virou para o vulto atrás de si.
– Hum, posso te perguntar uma coisa?
– Claro.
– Qual é o seu nome?
–É Jaejoong, Kim Jaejoong. Por que?
– Nada, só curiosidade. Você passa por aqui todos os dias né?
– Sim, passo. É o caminho da minha casa.
– Ah... tá bom então. Tenho que ir.
– Até. – o outro ficou observando Yunho se afastar.
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(Jaejoong POV’s)
Lá estava eu novamente. Me aproximando lentamente da praça e observando aquele homem de novo. Eu estava ficando louco, essa é a única explicação. Agora todos os dias eu saio da livraria e fico perto da praça por alguns momentos só para observar aquele cara. Ele sempre está lá, sentado no mesmo banco, de olhos fechados. É uma bela visão que eu tinha. Não pude deixar de notar como ele é bonito. Traços marcantes, sempre bem vestido, mas aquela expressão de amargura nunca abandona seu rosto.
Será que ele é tão infeliz assim? Affe... o que eu tenho haver com isso? Agora fico aqui olhando esse cara todo o santo dia. Eu devo estar louco mesmo. Se fosse uma bela mulher, ainda vai, mas um homem?
Andei depressa para não dar tempo aos meus pensamentos de se erguerem novamente. Depressa demais. Passei pelo homem sem olhar para ele, quase correndo, mas ele se levantou de repente e veio ao meu encontro. Não deu tempo de parar. Ele chocou-se comigo e perdeu o equilíbrio caindo no chão. O segurei pelo braço, o ajudando a levantar, perguntei se estava bem, mas ele não respondeu. Seu olhar estava perdido e por um instante achei que ele estava passando mal. Ele estava muito apreensivo, assustado seria a melhor expressão para descreve-lo naquele momento. Ele me pediu desculpas e se virou para ir embora, mas antes me perguntou o meu nome e disse que sempre me via passar por ali.
Engraçado, nunca o vi de olhos abertos, como ele poderia ter me visto passando?
Fui para casa depois de vê-lo desaparecer de vista. Me senti estranho, meu coração estava palpitando mais rápido e mais forte do que o normal. Mas ignorei e tentei esquecer o que aconteceu. Mas falhei totalmente nessa tentativa.
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Jaejoong acordou assustado naquela manhã. Correu para o banheiro e entrou debaixo da água fria do chuveiro. Estava nervoso. Teve sonhos estranhos durante toda a noite e quando acordou sentiu a bermuda do seu pijama toda molhada.
“Não acredito nisso.” Esse era o único pensamento que ecoava na mente de Jaejoong.
Enquanto a água caía sobre seu corpo, flashs dos seus sonhos preencheram sua mente. Dois corpos suados, entrelaçados sobre uma cama, gemidos e mais gemidos, e ele. Ele estava lá. O cara que ficava todos os dias na praça estava agora nos sonhos de Jaejoong. Não dava para acreditar que tinha sonhado que estava transando com aquele cara. Aliás, que estava transando com um homem. Isso era a perdição total. Nunca havia acontecido isso antes. Sempre saiu com mulheres, mesmo que poucas e nunca cogitou gostar de um homem. Agora estava sonhando com um e ainda por cima acordou todo melado, sinal de que tinha sentindo prazer ao passar por aquilo, mesmo em sonho.
– Mas que merda! – Jaejoong disse dando um murro na parede do banheiro.
Continua...
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