My Fallen Angel
5 We'll meet again, when both our cars collide
Seus olhos.
Seu sorriso.
Seus cabelos.
Seu toque.
Perdia-me em cada traço e característica possíveis daquela garota.
Era impossível não se desligar ao ouvir aquela voz doce, só pra poder guardá-la em sua cabeça.
Continuamos nos olhando e minha mão ainda pairava sobre a dela, e assim ficamos uns dez minutos.
Sem falar nada.
Eu não sabia o que se passava em sua mente, não sabia se aquilo a incomodava ou se ela não se importava.
Mas eu não queria soltar, até que ela quebrou o silêncio que parecia inacabável:
– Andy, nós temos que ir. – Ela soltou minhas mãos e se levantou da cadeira.
– É. – Me levantei em seguida e a segui até em casa.
– Lucy...
– Oi?
– Sua mãe não vai brigar de eu dormir na sua casa?
– Não, meu namorado costumava dormir lá ás vezes e ela nunca falou nada.
– Ah então você tem namorado?
– Tenho...
Eu senti uma pontada no meu coração, como se um pedaço dele tivesse sido arrancado.
Não sei por que, apenas senti. E aquilo acabou comigo.
– Lucy, não precisa, eu acho algum lugar pra dormir. – Eu disse com certa raiva, uma adrenalina inundou meu corpo.
– Tem certeza Andy? – A cada vez que ela dizia meu nome, eu me sentia mais em casa, mais vivo.
– Tenho. – Foi minha última palavra, saí na direção oposta sem olhar pra trás. Não sabia pra onde estava indo, mas não pretendia parar.
Andei umas dez quadras e já não dava pra ver Lucy. Até que achei um pequeno hotel.
Entrei, e apenas andei em direção as escadas que davam nos quartos. Eu achei que alguém ia me notar, mas não. Ninguém.
Abri a porta do primeiro quarto livre que achei, e me joguei na cama.
Afundei minha cabeça no travesseiro e gritei de raiva.
A Lucy tinha que ser minha.
Já estava decidido.
E eu estava disposto a tornar isso realidade.
Não sei por que esse pensamento me veio à mente, mas ele me consumiu.
Então eu resolvi segui-lo à risca.
Ainda não tinha processado a idéia de que ela tinha um namorado, não mesmo.
(Lucy Pov’s)
Achei estranho o Andy sair bravo daquele jeito, fiquei preocupada, mas eu não podia fazer nada então só voltei pra casa.
Tive uma súbita recaída e me deitei na cama transbordando em lágrimas, ao tocar no assunto do meu namorado mais cedo, comecei a me lembrar dele. Ele estava em coma já há algum tempo, desde o acidente...
Decidi ir visitá-lo no outro dia. Tomei um banho rápido, jantei com minha mãe e fui dormir.
(...)
Já era de manhã e a janela aberta me fez acordar com a luz solar.
Me troquei e minha mãe já sabia que eu iria visitar o David, então dei um beijo em sua bochecha, peguei minha bolsa e fui até minha bicicleta.
Minha mãe não me deixava ter um carro, então eu tinha que ir aos lugares de bicicleta ou andando.
Meia hora depois eu cheguei àquele hospital enorme, deixei minha bicicleta parada num canto onde ninguém a veria e entrei.
Fui até a recepcionista e perguntei:
– David Vincent.
Ela me acompanhou até o quarto em que ele se encontrava e eu entrei, sentei na poltrona ao lado e não pude deixar as lágrimas escaparem.
Ver ele naquele estado partia meu coração, mas eu sabia que ele iria querer que eu continuasse a minha vida.
(Andy Pov’s)
Fiquei horas naquele quarto de hotel pensando no que fazer e então resolvi ver a Lucy.
Por um instinto, eu sabia onde ela estava. Não sei como, mas sabia.
E então, eu corri.
Corri como se não houvesse amanhã.
Corri rápido.
A adrenalina voltou a correr em meu sangue e eu finalmente cheguei no local em que minha mente insistia em ir.
Um hospital.
Alguns passos depois e eu me via em frente a uma porta.
Entrei tentando não fazer barulho, mas não consegui e Lucy pulou assustada de sua poltrona, ela estava cheia de lágrimas no rosto:
– Andy, o que você faz aqui? – Ela disse se recuperando do susto.
– Eu queria te ver...
– Como você sabia que eu estava aqui?
– Não sei, mas eu vim.
– Tá Andy, mas eu não estou no humor pra visitas agora.
– Tudo bem... Quem é ele?
– Meu namorado. David.
– Ah... O que houve?
– Um idiota maconheiro bateu no carro dele, eu acho que ele morreu sei lá, mas o que eu sei é que ele deixou meu namorado em coma.
E eu finalmente caí em mim, e percebi que eu era o idiota maconheiro.
– Eu sinto muito Lucy.
Ela andou em direção a mim e me abraçou forte. Passei meus braços por seu corpo frágil e pequeno, beijando sua testa.
Limpei as poucas lágrimas restantes com o polegar e disse:
– Quer sair daqui?
– Quero. – Ela foi até seu namorado, deu um beijo em sua bochecha e saiu junto comigo.
Fomos pra sua casa, eu não me importei em voltar pro hotel porque não tinha deixado nada lá.
Entramos no seu quarto e ela se deixou na cama, como era de solteiro, eu me sentei no chão encostado na parede ao lado dela.
Ficamos quietos só olhando pro teto e eu me perdi em pensamentos e então percebi:
Só ela podia me ver, aquele primeiro dia na sua casa e... No hospital, no hotel.
Tudo fazia sentido agora, eu só não entendia o por quê.
– Ei Lucy...
– Oi.
– Eu acho que vou caminhar...
– Tudo bem Andy, vou ficar aqui. Vai voltar depois?
– Por quê? Quer dizer... Sim mas, você quer que eu volte?
– Sim, não quero ficar sozinha.
– Tudo bem. – Dei um beijo na sua testa e saí.
Fui caminhar pra esvaziar a mente.
(Lucy Pov’s)
Assim que o Andy saiu, me dirigi ao computador.
Não sei por que, mas quis pesquisar sobre ele. Aquele seu ar sombrio me deixava dúvidas insistentes na cabeça.
Abri a página do Google e digitei:
Andrew Biersack.
Estranhei logo que vi mais de mil resultados sobre ele. Fotos diversas e páginas de fã-clubes.
Cliquei no segundo link e comecei a rolar a página.
Andrew Dennis Biersack, vocalista da banda Black Veil Brides, 18 anos sofre acidente fatal na madrugada do dia 23 de agosto. Antes diagnosticado com traumatismo craniano, faleceu de insuficiência respiratória. Foi encontrado com vinte gramas de maconha. Outro envolvido no acidente, David Vincent, encontra-se em coma.
– Não, não pode ser... – Eu sussurei em desespero.
– Mas, o Andy... Ele... Ele não tá morto ele... Eu vi ele, não é possível...
– Cheguei! – Ele gritou do corredor, vindo até a mim. Fechei a página rápido e falei:
– Sai daqui. – Eu estava assustada, com medo. Chorando desesperadamente.
– Hã?
– Eu não quero você aqui! Sai Andy por favor!
– O que foi?
– SAI!
– EU NÃO VOU SAIR ATÉ VOCÊ ME DIZER O POR QUÊ!
– Eu to com medo Andy. – Eu disse e não aguentei, me joguei no chão e me agarrei aos meus joelhos.
Ele veio atrás de mim, se sentou e envolveu seus braços em mim, e eu me senti protegida e segura.
Mas acordei pra realidade e me soltei.
– Do que você tá com medo Lucy?
– DE VOCÊ!
– O que eu te fiz?
– VOCÊ DEIXOU MEU NAMORADO EM COMA E VOCÊ MORREU!
– Como você soube? – Ele disse num tom baixo e preocupado.
– A internet existe sabia?
– Mas Lucy... Eu juro, eu não sabia de nada... Eu nunca fumei maconha na minha vida, não que eu lembre.
– Andy, não me machuca!
Eu saí correndo de casa e queria fugir dele. Corri e não me senti cansada, talvez porque eu nem conseguia pensar direito.
Eu não tinha sinal dele então corri mais.
E de repente, quando olhei pra trás, ele estava me encarando.
– Para de me seguir! Como você chegou aqui tão rápido?
– Eu não sei, talvez nós estejamos ligados. – Ele levantou uma sobrancelha e cruzou os braços.
Notas finais
Deixem reviews *-*
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