My Fallen Angel
6 We gotta move on dear, escape from this afterlife
Notas iniciais
Por que ele tinha que ser assim?
Tão desafiador? Tão misterioso?
Eu não conseguia aceitar o fato de que ele estava morto.
Parei bem perto dele, só alguns centímetros nos separavam.
Levei minha mão até seu rosto.
Senti aquele arrepio gelado que sentia toda vez que o tocava.
Mas decidi que ia me acostumar.
Ele fechou os olhos e aproximou seus lábios de mim, mas eu recuei.
– Andy, o que você tá fazendo?
– O que minha cabeça tá mandando eu fazer. – Ele sussurrou.
– Eu tenho namorado.
– Droga Lucy! Por que você dificulta tudo?
– EU? VOCÊ NÃO ME CONTOU QUE TAVA MORTO!
– Eu não sabia!
– Agora sabe!
(Andy Pov’s)
Nós já estávamos no seu quarto e ela resolveu me mostrar a página da internet onde descobriu as coisas sobre mim.
Eu não me lembrava de nada do que estava escrito lá.
Muito menos de que eu tinha uma banda.
De repente, tudo ficou escuro e eu apaguei.
– Ei caras, eu to indo pra casa, vocês vem? – Eu gritava meio alterado.
– Não cara, vamos ficar aqui na festa! – Gritou Jake, um dos guitarristas da minha banda.
Saí andando e me deparei com um cara grande, ele me olhou, me entregou um pequeno pacote e disse:
– Tá aqui, cem pratas.
Entreguei a ele o dinheiro e guardei o pacote no meu bolso.
Entrei no carro, despejei o conteúdo num papel, enrolei e o acendi.
Maconha.
A sensação era indiscritível.
Alucinações, vertigens, apagões.
Eu me sentia incrível.
Liguei o rádio no máximo ao som de Alkaline Trio e rodei a chave.
Pisei no acelerador e fui. Sem pensar pra onde ir.
E de repente, eu me choquei contra um carro.
Depois disso? Mais nada.
Acordei dos meus devaneios com a Lucy me chacoalhando.
– Escuta Andy, eu sei que eu fui meio estúpida com você. Mas é que eu tava assustada. Não é todo dia que a gente conhece alguém morto.
– É.
– Mas, como é tá morto? Se isso não for muito intrometido da minha parte...
– É legal até, ninguém me vê. A não ser você. Eu não preciso pagar por nada, posso ir pra onde eu quiser. E eu sou meio rápido.
– E gelado.
– Isso também.
Encarei-a por um tempo, aqueles lindos olhos claros me deixavam perdido.
Mas infelizmente tinha o idiota do David.
Eu sei que não devia pensar assim dele, mas eu sentia como se ele só atrapalhasse tudo.
Continuávamos parados um em frente ao outro, nossos rostos não se encostavam por pouco.
Até que ela pulou e disse:
– Quero ver uma coisa! – Ela me puxou pelos braços e se sentou em frente ao computador. Puxei uma cadeira e fiquei ao seu lado.
Ela entrou num site de vídeos, Youtube.
E procurou: Black Veil Brides.
Era essa a minha banda.
E então ela clicou em algo, um videoclipe chamado “Rebel Love Song”.
A música começou a tocar e então eu me vi ali, cantando junto com outros caras.
E me lembrei do rosto de apenas um deles, o guitarrista solo.
Jake.
Era ele no meu “flashback”.
Lucy por outro lado estava balançando a cabeça e curtindo feito louca.
– Não sabia que você era tão bom assim! – Nós rimos.
– É... Nem eu.
A música acabou e eu resolvi pedir uma coisa pra Lucy:
– Ei, Lucy... Posso te pedir uma coisa?
– Pode.
– Será que a gente podia ir no cemitério que eu to? Se você quiser é claro. Eu sei que isso soa meio estranho, mas eu quero ir pra lá.
– Tudo bem Andy. Minha mãe saiu então vamos logo.
Peguei em sua mão e entrelacei nossos dedos, ela me olhou e sorriu.
Chamamos um taxi.
Ele nos deixou no local, o único cemitério da cidade.
Como ninguém podia me ver, pedi a Lucy que perguntasse onde estava minha lápide.
O senhor que cuidava do local nos levou lá e foi embora.
Me ajoelhei e fiquei olhando aquilo sem acreditar no que via.
Lucy se ajoelhou atrás de mim e passou a mão sobre minhas costas e pousou a cabeça em meu ombro.
– Tá tudo bem Andy. Eu to aqui agora.
Eu sorri e beijei sua bochecha.
– Ele faz falta. – Disse uma voz distante.
(Lucy Pov’s)
Me assustei com o comentário, olhei pra trás e vi um baixinho de cabelos pretos e compridos.
– É...
– Quem é você?
– Lucy, prazer.
– Prazer, eu sou o Jake.
– Ah então é você o guitarrista solo?
– Eu mesmo. O que você era do Andy?
– Ahn... Uma amiga.
– Eu sinto falta dele. Muita.
(Andy Pov’s)
Vê-lo falando daquele jeito, me deixou arrasado. Mesmo eu não lembrando dele.
Levantei e fui até ele, ainda que ele não pudesse me ver.
Dei um abraço nele, mas eu não senti nada.
Ele recuou atordoado e a Lucy disse:
– O que houve?
– Nada, eu só... Me arrepiei um pouco, sei lá. Ei, eu preciso ir. Cuida do Andy pra mim ok?
Eu não entendi por que ele falou aquilo, deve ter sido só por falar.
– Ok.
Olhar aquela cena foi estranho, me desequilibrei e caí no chão. E ali fiquei sentado com a Lucy me olhando.
– Lucy, eu não quero "viver" assim.
– Assim como?
– Morto... Essa "pós-vida" é extressante.
– Bom, nós podemos escapar dela do nosso jeito.
Não pude resistir então aproximei nossos lábios, ela hesitou, mas não recuou.
Beijei-a e levei minha mão ao seu rosto. E então uma coisa muito estranha aconteceu:
Uma pequena rosa preta que havia sido deixada no meu túmulo entrou em chamas.
Me afastei dela no susto e nós dois nos encaramos surpresos.
É, acho que se o céu se chocasse contra o inferno seria mais ou menos assim.
Notas finais
vocês sumiram ):
Afterlife - Avenged Sevenfold
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