My Fallen Angel
3 Hello there, the angel from my nightmare
Notas iniciais
Espero que gostem!
O frio já havia passado e eu resolvi tirar o moletom, ficando só com minha jaqueta.
Calcei meus tênis, passei correndo pela cozinha e dei um beijo na bochecha da minha mãe:
– Tchau mãe, já to indo.
– Tchau filha!
Eu e minha mãe moramos sozinhas, é assim desde que meu pai se separou dela. Meu irmão mais velho estuda em Harvard então só o vemos nas férias.
Eu ia a pé pra escola pois ela era a duas quadras da minha casa. Olhei no relógio e gritei:
– Droga, estou atrasada!
Corri pra chegar mais rápido a escola, não queria estragar minha ficha escolar.
Consegui chegar a tempo e me dirigi a sala de aula. Sentei em minha carteira, colocando meus livros sob a mesa e a mochila ao meu lado no chão.
No meio da segunda aula, me perdi nos meus pensamentos e então me lembrei do sonho.
Maldito sonho que não me deixou dormir.
Eu estava flutuando no nada, no além.
Tudo em volta de mim era branco, claro e limpo.
Meus cabelos loiros esvoaçavam ao vento e eu vestia apenas um longo vestido branco que caia sobre minhas pernas.
Eu fazia lentos movimentos com a mão, pra baixo e pra cima. Não havia barulho algum.
De repente tudo se torna preto, eu caio no chão, meu vestido se desfaz em pó e eu me vejo em total escuridão. Cubro meus seios em reflexo, mas percebo que estou vestindo roupas. Pretas.
O pó que antes era meu vestido se torna borboletas que voam ao meu redor.
E em seguida, algo cai do céu.
Um anjo, eu presumi.
Ele tinha feições diferentes, não parecia com aqueles que eu via na televisão ou em livros.
Ele era lindo, me perdi por segundos em seus profundos olhos azuis. Seu cabelo negro e cumprido estava bagunçado e ele parecia perdido, assim como eu.
Possuía asas longas e pretas assim como suas vestes e ao me ver, ele fechou os olhos e abaixou a cabeça.
Ele deu breves e demorados passos até mim, sem dizer uma única palavra.
Eu permanecia ali sentada o tempo todo, aflita.
E então eu levantei, não sei porque mas só levantei. Fiquei parada e ele me olhou com aqueles olhos perfeitos. Me perdi novamente em seu olhar, queria dizer algo mas nada saía da minha boca.
Ele parou atrás de mim, deslizou seus dedos por meu braço com um toque macio, o que me deu arrepios.
E me abraçou, não com seus braços. Mas sim com suas asas.
– Ei, Lucy! Acorde e preste atenção na aula! — Gritou a professora.
Me dei conta de que havia me desligado totalmente lembrando do sonho, ou melhor, do pesdelo que me atormenta desde que o tive.
Não fazia ideia do que ele significava, talvez seja bobeira da minha cabeça.
As aulas passaram rápido e finalmente me vi livre da escola.
Saí pela portaria e comecei meu trajeto pra chegar em casa.
Mas tudo foi por água abaixo quando eu vi um vulto negro, não sei o por quê, mas aquilo me intrigou pois eu jurava que me era familiar.
Decidi seguir o dono do vulto.
Andei saltitando para não pisar nas pedrinhas e escombros do local e de repente me vi numa praça abandonada.
Minha cabeça começou a doer e eu tive que me agachar de tanta dor. Sacudi-a e a dor passou.
Depois, involuntariamente um pensamento veio na minha mente:
"Abra seus olhos, procure o que está te matando. Sacie seu desejo."
E então eu percebi: O vulto foi só pra me atrair aqui, por alguma razão.
Andei adiante e notei uma coisa estranha. Era um menino, aparentava ter uns dois anos a mais do que eu. Talvez uns 18.
Ele estava dormindo e era uma criatura muito bela. E de repente, tudo fez sentido. Ou quase.
Era ele! O garoto do meu sonho, o anjo da perdição.
Fui até ele e cutuquei seu corpo, recuei um pouco ao sentir o quão gelado ele estava.
– Ei, tem alguém aí? — Perguntei, o chacoalhando.
Ele acordou revelando as belas orbes azuis.
– O quê? — Ele perguntou e logo sua voz estridente e grave encheu meus ouvidos e por um momento me desliguei querendo prendê-la em minha mente.
– Quem é você? — Eu disse com um tom curioso.
– Quem é você? — Ele rebateu.
– Perguntei primeiro.
– Sou Andy. — Ele estendeu a mão pra me cumprimentar e eu a toquei. Senti meu corpo todo congelar.
– Meu nome é Lucy, prazer.
Era como um choque térmico tocá-lo. Como se o céu se encontrasse com o inferno.
– O que você faz deitado aqui? — Continuei.
– Não sei.
– Como assim?
– Eu não sei, não lembro de nada. Só sei que sofri um acidente e agora vim parar aqui.
– Nossa, você tá bem? — Exclamei.
– Tô.
– Quer ajuda? Eu te levo pra sua casa.
– Não tenho casa.
– Ahn... Quer ir pra minha então?
Ele não disse nada, só me encarou por um tempo e me acompanhou. Algumas quadras dali e nós chegamos. Ele era estranho, calado. Se afastava toda hora que eu tentava chegar perto.
Chegamos na minha casa, e minha mãe estava na sala lendo uns papéis.
– Ei mãe.
– Oi meu amor.
O silêncio inundou a sala e eu resolvi quebrá-lo:
– Não vai falar oi?
– Eu já falei. — Ela me olhou, confusa. E eu completei mais confusa ainda:
– Ok né...
Achei estranho porque na hora do "não vai falar oi" eu estava me referindo a Andy.
Deixei aquilo passar e o levei até o meu quarto. Nós conversamos um pouco mas ele parecia distante, avoado.
– Eu tenho que ir.
– Ei, Andy se você quiser pode dormir aqui.
– Mas eu... Eu nem te conheço e... Na verdade, eu sinto que te conheço mas...
– Sério? Por que eu meio que sinto o mesmo. Isso é muito estranho. — O interrompi.
– É... Bom, se você insiste eu fico, mas não por muito tempo.
Notas finais
Miss You - Blink 182
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