My Destiny
7 ✧CAP 06. Medos.
Notas iniciais

ೋ
“Há quem diga que o medo é um carrasco, o fato é que ele é um fator antigo no coração e na mente de todos os seres vivos que já o usavam como uma bússola de sobrevivência desde os tempos mais primórdios.
Os medos paralisam, fazem você parar onde está e deixar de enxergar o seu redor com clareza, mas se você se permitir os encarar da forma correta, eles também te farão...
Crescer.”
ೋ
UMA SEMANA DEPOIS.
Eu estava andando de um lado para o outro na enorme casa, onde, querendo ou não, eu já me sentia muito bem.
O Chan havia ido ao vilarejo com o Hyun.
Já o Binnie estava caçando com o Jisung.
O LeeKnow havia ido ao lago com o I.N
E o Felix estava com o Seungmin na horta.
Eu estava sozinha em casa, estava nervosa por algum motivo que desconhecia, eu estava me sentindo com...
Medo.
— Preciso fazer alguma coisa para não pensar...
Olhei em direção à cozinha; estava tudo arrumado.
— Vou fazer um bolo para o lanche da tarde.
Falei decidida e fui me preparar.
Amarrei meus cabelos em um rabo bem alto, separei tudo o que precisaria e coloquei na bancada.
— Um bolo de frutas ou um bolo de doce de leite com nozes?
Pensei comigo mesma...
— Hm... os dois! Quanto mais coisa para fazer, menos você pensa nesse medo idiota, Dan Ha-ru.
Estava calor, então eu usava pouca roupa, eu já estava bem à vontade com os meninos, então não ligava muito para isso.
A não ser quando eles pareciam que iriam me devorar... E isso acontecia às vezes.
Enfim, comecei a bater a massa do bolo de nozes.
— Que raiva...
Falei sozinha, sentindo um aperto no peito.
Segui fazendo tudo, coloquei a massa na forma e levei ao forno.
— Kai, seu alfa de merda, por que você sumiu?
Senti saudades do meu amigo, ele não havia falado mais nada comigo desde que me mudei.
Ele não apareceu.
Não telefonou.
Nada de mensagens ou e-mails.
Eu estava muito brava com ele, mas também muito preocupada.
— Kaindën seu idiota, assim que eu puser meus olhos em você, eu... UH! Vou te matar.
ೋ
No Vilarejo da Floresta Serenaria.
Eles já haviam encerrado todos os seus assuntos e, por saber que a Ha-ru estava preocupada com seu amigo, o Chan resolveu indagar.
— Senhor Kurky, tem visto o Kai?
— Não Chan, na verdade, não o vejo desde que nos despedimos aquela noite.
— Estranho, ele não foi ver o meu docinho.
O Hyunjin falou simplista.
— E como está a adorável Ha-ru?
— Se acostumando...
O ancião sorriu.
— Vou ver se localizo o Kai e falo com vocês.
— Obrigado ancião Kurky, e obrigado por nos deixar vender nossas iguarias aqui.
— Chan, nós dependemos delas, meu querido, vamos ficar muito melhor abastados agora que teremos vocês nos fornecendo coisas de tão boa qualidade assim.
— Mas das caças daremos apenas ao senhor ancião Kurky, já que não quer que vendamos elas por aqui.
— Hyunjin meu querido, não precisa disso, deixem as caças serem exclusividade do pack de vocês, eu prefiro assim.
— Nem de vez em quando senhor Kurky?
O lince falou sorrindo e o ancião sorriu de volta.
— Alfa Chan, você tem parceiros muito manhosos... Tudo bem, mas apenas de vez em quando.
O Hyunjin sorriu satisfeito pela vitória.
— É, eu tenho mesmo, mas eu os amo demais. — Os três sorriram — Bom se souber do Kai, por favor nos avise okay?
— Pode deixar alfa.
ೋ
No lago.
— Innie, bebê, não!
O alfa fazia a água ir até o ômega em uma onda alta e, quando se aproximava dele, o I.N deixava a água cair no LeeKnow o molhando inteiro.
A lontra gargalhava, o tigre resmungava.
— Gatos têm mesmo medo de água, meu ômega lindo?
— Não é medo, amor... céus, pare com isso, bebê ou eu vou aí.
O I.N gargalhava.
— Mas controlar a água é tão legal!
— Claro que é amor, e é lindo te ver assim todo feliz, mas por favor, pare de me molhar sim?
O I.N fez a água ir buscar o LeeKnow, a água o levantou e o levou até onde o alfa estava o soltando próximo a si com delicadeza.
— Isso tudo é porque ainda não beijou a Ha-ru?
— Não...
— Não minta ômega, sou mais novo, mas sou um alfa, eu te sinto.
O LeeKnow se abraçou no I.N, que o recebeu todo acolhedor.
— Tenho medo dela não querer a gente.
— Medo ômega? Jura?
— Sim... e estou ansioso também, agora que sei um pouco do meu poder, sentir tudo o que vocês sentem de forma tão intensa está me deixando louco.
— Um tigre com sentidos aflorados, isso também faz muito sentido.
— Igual a você que comanda a água.
— É bem isso mesmo... Lino, amor, se eu te beijar agora, o seu medo diminui?
— Acho que sim, mas esse medo que estou sentindo agora não é só meu... a gatinha está assustada com algo.
— Então vamos voltar, falamos com ela e tentamos acalmá-la, que tal?
— Mas você nem pescou nada ainda, bebê.
— Quem disse que não, meu tigre lindo?
O I.N fez uma bolsa d’água subir cheia de peixes.
— Você poderia ter feito isso o tempo todo e não fez?
O ômega falou tentando fingir uma indignação.
— É, eu queria brincar...
— Meu Deus, que fofo.
ೋ
Caçando.
— Sei que sempre digo isso, mas Jisung você é poderoso.
O falcão sorriu satisfeito.
— Binnie, posso até ser, mas você... — ele assobiou, aterrissando novamente em sua forma humana. — Uau, lobão, uau!
O Changbin já colocava suas roupas.
— Acho que fomos bem, né temperinho? Pegamos muita carne boa e... Hey! Pare de pensar no meu corpo assim Jisung.
— Tem certeza, lobão? Acho que temos um tempinho antes de voltarmos e por tudo que é mais sagrado eu dava hein...
O Changbin gargalhou alto, o que fez o Jisung o querer ainda mais por amar aquela gargalhada perfeita.
— Jisung...
— Posso não ler seus pensamentos, amor, mas vejo algo aí em baixo que te denuncia muito mais que isso, Binbin e, se quer saber, eu estou cheio de vontade de você.
O alfa lobo foi até o falcão e o tomou em um beijo.
— Vem cá, amor, que se dane...
— Pela Lua! Eu nunca fui triste! Te amo gostosão!
ೋ
Na horta.
Eles estavam abraçados, conversando e fazendo carinhos um no outro.
— E você fala com as plantas... que loucura.
O Seungmin sorria com o Felix.
— Eu não falo com elas, eu...
— Seung...?
— Tá, elas falam comigo e isso é muito doido.
— Achei sensato, sua cabeça é a mais pensante de nós, então se alguém ouviria as plantas... só poderia ser você.
O Felix beijou os lábios do Seungmin e os dois sorriram cúmplices.
— Ah, meu beijinho, eu achei meu poder um tanto bobo, será que é só isso mesmo? Você viu o nosso ômega, ele cria escudos também.
— Sim, achei demais ele protegendo o Chan de longe quando a caixa ia caindo sobre ele.
— É só o meu poder que é bobo... — Ele se virou para as plantas em seu entorno — Ah, me desculpem, plantinhas lindas, eu não quis ofen... pera o quê?
O Seungmin paralisou.
— O que houve amorzinho, está ouvindo elas agora?
— Só um minuto, Felix... — O Seungmin se virou para a árvore que fazia sombra nas hortaliças. — Onde isso? Hm... bem perto daqui até... vou falar com o Chan. Obrigado por avisar.
O Felix sorria quando o Seungmin virou.
— Se o Innie estivesse aqui...
— Ele ia dizer que isso combina muito, é, é só isso o que nosso bebê lindo diz, mas beijinho, precisamos voltar para a casa, tem algo acontecendo perto das árvores antes da entrada da nossa casa.
— Ah, tem? E o que é?
— Tem alguém ferido lá.
— Céus, vamos logo então...
ೋ
Em casa.
Eu já havia decorado os bolos e aguardava a chegada dos demais.
— Na próxima não vou deixá-los me deixarem sozinha...
Assim que eu disse isso, as duplas foram adentrando a casa quase que ao mesmo tempo.
— Ah, vocês voltaram... — Notei uma tensão em seus semblantes e logo fiquei com medo. — Gente, aconteceu algo?
O Chan veio até mim e beijou minha testa.
— O Seungmin soube de algo através das árvores, vamos sair e ver o que pode ser.
Aquilo me encheu ainda mais de medo.
— Gatinha não... se acalme linda. — O LeeKnow veio até mim e me abraçou. — Gente ela está em pânico.
— Ela acha que aconteceu algo com o Kai, merda, desculpa, pequenina, eu ainda não controlo tão bem.
Acenei para o Binnie que não tinha problema enquanto tremia nos braços do Lino.
— Vamos sair agora, LeeKnow, Seung fiquem com ela.
Os dois concordaram e os demais foram.
— Eu deveria ter ido junto... eu que ouvi a árvore.
O Seungmin veio me abraçar.
— O que a árvore te disse Seung?
— Que tinha alguém ferido próximo às árvores antes da entrada para cá.
— Poxa...
“O Seungmin sentiu o pavor da Ha-ru e se colou nela e no ômega”
— Relaxe agora, moranguinho. — E sem explicações prévias, eu simplesmente relaxei. — E você também, tigre. — Olhei para o ômega, que na mesma hora perdeu seu semblante tenso.
— Amorzinho, como você fez isso?
O Seungmin piscou algumas vezes antes de voltar a si.
— Isso o que exatamente?
— Você nos mandou relaxar e... relaxamos.
Eu mesma disse e o Seungmin estranhou.
— Não... eu não fiz nada...
— Sério amor?
— Sério...
— Pois digo que fez, porque o medo da minha gatinha sumiu muito e eu sei disso porque eu estava sentindo todo o medo dela.
— Estranho...
— Talvez você controle emoções Seung.
— Será?
— Acho que sim e, se for, isso faz muito sentido e nem é o Innie que está falando, amor.
— É quem sabe...
ೋ
Eu estava mais calma, mas mesmo assim não conseguia me concentrar.
Esperamos eles voltarem, mas nada...
A demora me consumia.
— Meu moranguinho, vem aqui, deite-se um pouco em mim, hm? — Sem pensar mais, fiz o que ele me pediu. — E Lino, você também, quero meus ômegas aqui comigo.
— Tudo bem, amor.
O LeeKnow se juntou a nós e ficamos os três abraçadinhos, o alfa no meio, eu de um lado, o ômega do outro.
— Gatinha, vai ficar tudo bem. — Ele levou sua mão ao meu rosto.
Fechei meus olhos e recebi seu afago.
Eu queria muito acreditar nisso, mas eu ainda temia pelo que poderia ter acontecido.
ೋ
Na floresta.
— Chan, acho que é por aqui!
O Changbin sinalizou, ele farejava e aparentemente seu faro estava muito mais aguçado.
— É, tem algo por ali, o Bin tem razão.
O Hyunjin correu como nunca havia corrido e no céu o Falcão dourado olhava tudo.
— Hey! Eu achei algo — O Jisung disse. — Innie está à sua esquerda, amor.
— Certo, Ji, vou verificar.
Ele foi à frente pelas árvores.
— Essa não... Chaaan é o Kai! Vem depressa, ele parece estar desacordado.
O alfa líder correu na direção da voz da lontra era a mesma que o Changbin havia indicado.
— Pela lua! O que fizeram com ele?
Todos chegaram ali e o Kai estava muito ferido.
— Me deixem tentar ajudar ele...
O Felix entrou em shift e, já em sua fursona ele liberava do seu pólen sobre as piores feridas do lobo.
Algumas delas melhoraram bem, outras nem tanto.
— Preciso melhorar isso...
Ele falou, voltando a sua forma humana.
— Você foi perfeito, meu beijo doce. — O Chan fez um carinho em seu rosto. — Vamos levá-lo para casa.
O Changbin pegou o Kai no colo e, assim que começaram a se mover, ouviram um leve gemido.
— Não... — O Kai se esforçava para falar com eles. — Me levem ao ancião, não deixem a Ha-ru me ver assim.
O pedido do Kai fazia sentido em muitos níveis, então eles acataram.
— Vamos fazer assim, Felix, Han e I.N voltem para casa e contem tudo a eles, o Binnie, o Jinnie e eu vamos até o ancião.
— Certo, mas e se a Dandannyah quiser ir ver o Kai?
— Permitam, tragam ela, não vamos deixar minha kitty ainda mais aflita, o Kai já terá sido cuidado pelo ancião Kurky e estará melhor.
— Está bem Chan.
— Agora vão.
ೋ
Eles contaram tudo para a Ha-ru que no mesmo instante quis ir até os demais.
— Ji, por favor, me leve até eles.
Ela suplicava.
— Claro, Dandannyah, nós vamos.
O LeeKnow segurou firme em minha mão.
— Todos nós vamos, meu amor.
— Obrigada Lino.
E assim, o Jisung nos levou para fora e abriu um portal.
ೋ
— Eles chegaram, — O Hyunjin disse, os ouvindo se aproximar.
— Ótimo, conversem com ela e contem tudo, depois ela pode vir vê-lo.
O Kurky falou enquanto ainda cuidava do alfa.
O Kai estava muito abatido, mas já estava bem melhor.
ೋ
Eles me contaram tudo o que aconteceu, eu os ouvia com muita atenção.
— O Thane fez isso? Mas que droga!
— Sim, ele queria descobrir onde você estava e por isso sequestrou o Kai e o machucou muito tentando descobrir seu paradeiro.
Eu me senti exausta daquilo.
— Porque ele não me esquece de uma vez!
Eu chorava e o ômega veio correndo até mim.
— Isso, gatinha, põe para fora.
— Lino... eu... estou com medo.
— Shiiiu... nada vai acontecer com você e nem com o Kai, eu prometo.
— É, mas precisamos falar aqui que o Thane está rondando ela, — O Felix falou calmamente. — O Kai falou que ele estava no hospital esses dias.
Eu me apertei no abraço do LeeKnow e ele deixou selares no meu rosto.
— Chan, eu posso ver o Kai?
O alfa sorriu simplista para mim e me afagou.
— Claro, amor, o ancião Kurky disse que você já poderia vê-lo.
Quando o Chan me tocou, me senti cheia de uma coragem que eu sabia não ter e meu corpo estremeceu.
— Uau, o que foi isso?
— Não sei, mas eu também senti... — Ele olhou bem em meus olhos. — Vá, minha kitty e não se preocupe em demorar, estaremos bem aqui te esperando.
— Obrigada, — falei baixinho, um tanto intimidada e encarei a todos. — A todos vocês, muito obrigada mesmo.
ೋ
Entrei no quarto onde o Kai estava, ele usava muitas faixas pelo corpo e eu me senti muito triste em vê-lo daquele jeito.
— Kai...
— Oi, amor, vem aqui, senta.
Fui até ele e me sentei próximo, e olhando bem para ele, notei que havia muitos ferimentos e cicatrizes em sua pele.
— Mas que droga, Kai, que merda é essa?
— O Thane queria saber seu paradeiro, eu não falei e... aí... — Vi ele se contorcer de dor. — Não se preocupe, ele não faz ideia de onde você está agora.
— Eu estou cansada, Kai, esse cara não vai desistir.
— Não, ele não vai, mas não tenha medo...
O interrompi.
— Não ter medo? Kai, tudo que tenho é medo...
O Kai me olhou curioso, um semblante diferente o tomou.
— Mas, pelo que vejo, não é só o Thane que você teme... está tudo bem, lindinha?
Suspirei profundamente.
— Não é hora de falar disso, estou preocupada contigo.
— Esqueça essa preocupação toda, amor, o Kurky vai me proteger e me ensinar truques para eu poder me defender quando estiver só.
Sorri com o pensamento que tive.
— Você será um aprendiz de ancião Kaindën? Quando foi que nossas vidas viraram uma fábula?
Ele sorria e demonstrava ainda sentir muita dor.
— Acho que no momento em que fugimos pela primeira vez, pensa comigo, desde lá as coisas vão só ficando mais místicas para nós.
— É, acho que você tem razão.
Sorrimos e ele ainda me encarava curioso.
— Sobre seus outros medos, vai me falar ou não?
— Nossa, mesmo todo fodido, você é um pé no saco.
— E você me odeia, eu sei... agora vamos lá, me fale o que está pegando com sua cabecinha maluca?
Fui até ele e beijei sua testa.
— Eu não te odeio, não agora, mas deixa você melhorar que você vai ver...
— Tão lindinha... mas não me enrole.
— Tá! Tá legal...
Contei a ele sobre o Mika e o medo que eu tinha dele piorar ou dele se sentir sozinho, expliquei tudo e o Kai me ouvia atentamente.
— Quanto a isso não se preocupe porque, um; nosso urso vai sair dessa logo e dois; ele tem a todos nós, tipo todos mesmo Ha-ru, dos funcionários do hospital ao povo do vilarejo, sabia que eles que descobriram sobre o Thane estar rondando o hospital porque estão se revezando para ficar com nosso pandinha?
Fiquei muito feliz em saber e sorri largo.
— Sério? Eu só estou indo o ver esses dias, a Joha não me deixou ficar trabalhando, ela, na verdade, estava estranha.
— Era por isso, porque todos sabiam do Thane.
— Nossa... e ninguém ia me falar nada?
— Não queremos que se preocupe com nada, então, por favor, amiga linda, não se preocupe. E quanto ao Mika... bom, ele um dia sairá daquele hospital e aí será uma luta para ver quem vai cuidar dele, até eu quero adotar esse menino.
— Você? — Sorri com a ideia. — Você nunca pensou em filhos, Kaindën.
— Para você ver o poder que esse lindo panda tem.
Me senti aliviada, um dos meus medos estava sanado.
— Que bom por isso... mesmo, estou mais calma agora...
— Certo, agora me fale sobre o seu real medo.
— Kaindën...
— Vamos, fale com seu amigão.
Mordi os lábios e pensei em como dizer aquilo.
— Tá, me escute bem e depois você poderá rir de mim.
— Eu não vou rir, não seja idiota.
— Babaca...
Contei para ele tudo que eu estava vivendo nesses últimos tempos com o pack Bang, desde que me mudei, falei sobre as portas de madeira dos quartos e dos ninhos.
Como eu estava dormindo com os membros do pack, as coisas que fazíamos juntos.
E como às vezes eles pareciam querer muito me beijar, mesmo que nada ainda tivesse acontecido.
Nem aconteceria, né? Não era esse o intuito.
Enfim, contei a ele como meu coração acelerava só de ouvi-los ou vê-los mais perto de mim e todas as outras coisas que não me deixavam quieta.
— ... E é por isso que estou com medo, Kai, em breve eles vão até meus pais, todos eles. Eu já contei para meus pais de ser um pack e eles gostaram da ideia. Mas e depois? Depois, voltará tudo como antes? Eu terei que ir embora quando a farsa colar e nunca mais os verei?
O Kai me olhava com uma expressão, digamos que...
Totalmente inexpressiva.
— Meus deuses, como é tonta.
Me surpreendi com sua resposta.
— Kai!
— Amor, sério? Você está com medo de eles, o quê? Te mandarem embora depois que falarem com seus pais? Ou você está com medo de que eles não gostem de você como você já gosta deles?
Tudo era verdade, esse era meu medo.
— Tudo isso aí...
— Sabia que o LeeKnow está agora mesmo se contendo para não entrar aqui e ver se eu estou muito perto de você? E que todos eles não veem a hora de voltarem com você para a casa que é o lar de todos vocês?
Sorri com o comentário sobre o ômega, era bem capaz de que fosse mesmo isso.
— Então, você acha mesmo que...?
— Minha gata linda e perfeita, está na hora de acordar, não acha? Você mesma me disse que dormir com o Hyunjin te fez perceber que o sentimento era mútuo, por que tanto medo assim de se entregar a eles? Por serem muitos? Mas isso não é perfeito? Nós dois falávamos de ter um pack, lembra?
— Não sei porque me sinto assim, é como se eu tivesse finalmente encontrado o meu destino, minha felicidade genuína, meu verdadeiro amor e significado, mas também é como se eu tivesse medo que eles não me quisessem de fato, como se eles só tivessem mesmo dispostos a me ajudar porque são pessoas boas e mais nada, tenho medo de os perder.
— Doida, doida... — O Kai balançava a cabeça negativamente. — Bom, para mim, que vejo de fora, está mais que claro o sentimento deles por você, inclusive já estava bem antes de você entender seus próprios sentimentos por eles.
— Acha mesmo isso?
— Porra...
— E o que eu faço então?
— Já disse, viva o novo, se permita, se uma oportunidade aparecer, agarre-a e logo vocês estarão passando pelos seus cios juntos.
— Meu deus Kai, que horror...
— Que horror? Gata, em meses você vai entrar no cio, sabe disso, né? E eles? Cara eles são oito, sete alfas, você tem noção disso?
Só de pensar, quis morrer.
— Do amor ao sexo em segundos, Kai, você é um filha da puta.
— Seguinte, não pense em nada disso agora, mas também não esqueça disso por completo, vão logo ver seus pais, acho que não precisam esperar tanto mais e se possível conte toda essa merda a eles e peça que viajem para o Thane não chegar até eles, voltem para a floresta e vivam lá da forma mais natural possível, ouça seus instintos você vai precisar de ajuda quando começarem a se relacionar intimamente, pois muitos deles são enormes e você uma gatinha, mas não se assuste tudo vai dar certo, se deus fez é porque cabe lembra?
Eu, que estava ouvindo tudo séria, quis matar o Kai quando ele comentou isso.
— Que caralho, Kaindën!
Ele gargalhava.
— Desculpe, eu tinha que ver sua cara e foi ótimo, agora me abrace, vocês têm que ir embora.
Ele parecia estar se despedindo muito além do comum e aquilo me doeu.
— Quando vou te ver de novo?
— Não sei, mas espere que eu chegue a você, Dan Ha-ru olhe para mim.
— Estou olhando.
— Não venha atrás de mim, entendeu? O Kurky mandará notícias minhas, eu prometo.
Abracei meu amigo.
— Tá legal, vou sentir sua falta.
— Vai nada, você está dormindo benzão sem o trouxa aqui, fui trocado Harunnah, eu fui trocado.
— Kai, vai à merda, você é um grande idiota!
ೋ
Do lado de fora, o Chan descobriu uma possível manifestação de seu poder, ele ouviu toda a conversa deles, ele não queria e nem fez de propósito, mas ouviu e também fez com que todos ouvissem.
— Super audição e certo tipo de telepatia? Uma conexão aflorada com seu pack por ser o líder, sabe isso, faz mesmo muito sentido.
Todos sorriram com o comentário do I.N.
— Eu não queria ter ouvido nada disso, mas ouvimos, porém, não vamos tornar isso mais maluco na cabecinha dela, okay?
Todos concordaram com seu líder.
— O Kaindën a conhece bem, né?
— Sim, meu ômega e pelo jeito te conhece ainda melhor, você quase entrou lá várias vezes mesmo.
— Bom, nossa ômega está vindo, vamos para casa.
ೋ
Agora, mais aliviada, eu estava em casa servindo a eles os bolos que havia feito.
Montei uma linda mesa e, enquanto comíamos, conversávamos sobre nosso dia, sobre o Mika, o Kai e o ancião Kurky e o Chan contou a nós que vamos, sim, poder vender nossas iguarias no vilarejo livremente, o que animou a todos.
— Bom, eu espero que, de agora em diante, nossos dias sejam mais calmos.
— Ah, sim, Jinnie, eu também...
Eles falavam entre si, e eu tomei coragem.
— Meninos?
Todos me olharam.
— Oi, moranguinho.
— Vamos ver meus pais em sete dias, o que acham?
— Sete dias? Que específico, mas por mim tudo bem, Dandannyah.
— E por que em sete dias minha kitty?
— Por que quero passar um tempo a mais com os demais, eu já havia jantado com o Binnie, então farei isso com todos vocês e aí vamos, o que me dizem?
“Os membros do pack Bang acharam aquilo uma oportunidade perfeita para mostrar a ela que ela não deveria temer o que sente por eles e se animaram com a ideia.”
— Eu gostei, e quem seria o próximo?
— Pode ser o bebê?
O I.N sorriu largo.
— Claro que sim, minha bebezinha!
— Legal, então amanhã vamos ao lago ou à cachoeira, pode ser?
— Aaaah ela quer me conquistar mesmo, estão vendo só?
Sorri boba para ele.
— E então?
— Vamos, sim, claro.
O Changbin sorria satisfeito.
— Ah, mas nessa acho que perdi, não vou ter um encontro aqui na nossa floresta encantada?
Todos caíram na risada.
— Floresta encantada Binbin?
— Sim, beijinho... ela é, não é?
O Felix sorriu, concordando.
— Bom, se não se importarem, o Binnie pode dormir comigo hoje?
Eu já havia dormido com todos eles nesses últimos dias, mas queria esse momento com ele.
— Claro que não, podem dormir juntinhos, o Binnie foi um puta lobão hoje enquanto caçávamos, ele merece muitos carinhos.
Me encolhi com o comentário do Jisung.
— Temperinho, não deixe minha docinho tímida.
O Hyunjin veio em minha defesa e deixou um selar na minha testa.
Terminamos de arrumar tudo e meus bolos foram muito elogiados por todos eles.
— Já quer ir deitar, pequena?
O Binnie falou, me abraçando por trás.
— Quero, sim, vamos?
ೋ
Nos despedimos dos demais, agora eu sempre abraço e deixo selares nas bochechas de todos eles quando vou dormir e o Binnie me esperava na ponta da escada.
Subimos e eu fui me banhar.
Com ele no quarto mesmo.
Quando sai do banho ele estava entrando novamente no quarto, já com sua regata preta e um short folgado o que indicava que ele havia ido se banhar também.
— Vamos olhar a lua um pouco?
— Claro Binnie, adoro olhar para ela.
Ficamos no para peito da janela olhando, ela estava linda, e a brisa fresca da noite, batia em nossas peles.
— Pequenina vem comigo.
Me surpreendi.
— Oi? Para ond... Binnie!
Ele me pegou no colo e pulamos para fora do quarto e assim que os pés dele tocaram o chão ele correu comigo para a floresta.
Mesmo em sua forma humana sua velocidade e força eram surpreendentes e eu me agarrava nele com medo.
— Se segure, mas não tenha medo, pequena, olhe a noite, está linda.
Levantei meu olhar e sim, as cores da noite, entre as árvores, as estrelas, tudo estava lindo.
Ele correu mais um pouco e agora estávamos próximos à cachoeira.
— Pronto chegamos, hoje vamos dormir aqui.
Eu o olhei incrédula.
— Sério Binnie?
— Uhum, isso se você não se importar claro.
— Não eu não me importo nem um pouco, aqui é lindo de dia, mas a noite...
Ele se aproximou bem de mim, seu rosto quase colado ao meu.
— Não é? Eu poderia uivar para lua agora mesmo.
— Então faça isso, vou amar te ouvir.
Ele sorriu tão largamente que meu coração pulou no peito.
— Hum... tá...
Ele entrou em shift e eu o vi, um enorme lobo-gris com sua pelagem escura como a noite aparecer em minha frente, ele era lindo demais.
Ele uivou para lua em minha frente e meu corpo inteiro estremeceu, era perfeito, intenso vê-lo tão livremente.
— Pequena?
— Oi, Binnie.
— Suba em minhas costas.
— O quê? Para quê?
— Vamos, confie em mim?
Fechei meus olhos e assenti.
— Confio.
Ele veio até mim e deitou aos meus pés.
— Então suba, agarre meus pelos e sinta a noite.
Fiz como ele disse, meu contato com sua pelagem era delicioso e assim que eu estava bem posicionada ele saiu correndo noite adentro.
Meu corpo sentia toda aquela adrenalina, tive medo, mas logo passou, eu estava segura com ele e enquanto corríamos nossos pensamentos se conectaram como se fossemos um só corpo.
Eu o sentia e sabia que ele podia me sentir também.
ೋ
Depois de um tempo correndo sem rumo, ele voltou à cachoeira comigo.
— Pode descer se quiser.
— E se eu não quiser?
Falei baixinho.
— Então fique em mim.
Eu me deitei sobre seu enorme corpo e o abracei, deixei um selar em suas costas e desci.
— Ué, desistiu?
— Uhum, prefiro ficar deitada ao seu lado.
Ele sorria, um lobo sorrir assim era um crime.
— Acho que vou voltar a minha forma humana, tudo bem para você?
— Sim, claro.
Ele voltou, ficando completamente desnudo e eu evitei o olhar.
— Pequena, por que tão fofa?
— Eu não sou fofa Bin...
— Claro...
Ele veio até mim e nos deitamos contemplando a lua.
— A lua está linda!
Ele disse e minha mente virou do avesso...
Eu sabia o que aquilo poderia significar, mas será que era mesmo o que ele queria dizer?
— A lua está linda...
Disse baixinho e ele se virou para me encarar.
— Ha-ru, não tenha medo... — Apertei meus lábios e senti ele se aproximando. — Confie em seu alfa.
Estávamos praticamente colados e o cheiro dele me tomou, frutas vermelhas e cedro era inebriante e parecia um pouco com o cheiro da floresta.
— Bin...
— Relaxe...
Respirei fundo e, quando dei por mim, nossos lábios se tocaram.
No início, um toque macio, e lento, mas o Changbin passou sua língua em meus lábios e eu sem resisti o deixei entrar.
Nos abraçamos sob a lua e nosso beijo se tornou tão intenso que eu mal conseguia me conter.
Ele me puxava para si e eu me deixava guiar pelas mãos fortes do alfa, e aquilo levou mais tempo do que imaginei que levaria.
Perdemos o fôlego e o lobo colou sua testa na minha.
Estávamos entregues, ofegantes e aquele beijo tinha sabor de uma noite enluarada.
— Isso... aah... — ele buscava as palavras. — Isso foi perfeito.
Sorri tímida.
— Sim, isso foi pleno, divino...
Ele me olhou nos olhos.
— E você gostou? Foi bom para você se entregar a mim dessa forma ômega?
— Sim, alfa, e-eu… eu amei com cada pedacinho do meu corpo.
Não havia outra resposta.
Ele sorriu para mim e começou a me cheirar.
— Esse corpo pequenino, delicado e cheiroso que já me pertence tão bem.
Me senti queimar com suas palavras.
— Agora eu estou com mais medo ainda, Changbin.
Ele acariciou meu rosto.
— Sério? Mas por que, minha pequena?
— Medo de que você não me deixe mais provar seus lábios.
Nossos olhares estavam conectados.
— Impossível... Agora, por exemplo, vou beijá-la a noite toda, e a beijarei amanhã, e depois, e a beijarei sempre a partir de hoje, com toda minha devoção, com todo o meu amor.
— Changbin...
Ele não me deixou falar mais nada e, quando dei por mim, nossos lábios estavam se tocando novamente.
A lua estava linda, meu coração estava transbordando e a noite se revelou cúmplice dos beijos mais doces que eu já recebi na vida.
Meu medo se foi e deu espaço a um sentimento único dentro de mim:
O de me sentir inteira novamente.
ೋ
“O medo nos avisa, nos recolhe e nos põe na defensiva, mas as oportunidades vêm para nos mostrar que nem sempre o medo será o dono da razão e que, se nos permitirmos, o mesmo medo que nos reprimia poderá ser a nossa fonte de libertação, trazendo à tona as surpresas mais lindas que o destino nos reservava enquanto insistíamos em temer.”
ೋ
“A lua estava linda para o Changbin e para a Ha-ru e aquela noite o lobo-gris gigante mostrou a ela que confiar e se desapegar do medo que nos assola era simplesmente conseguir olhar para uma verdade que sempre esteve lá, e por toda noite o alfa fez com que ela visse que seus medos eram a única coisa que por todo esse tempo a impedia de se permitir ser amada.
Mas não mais, todo o medo dela em relação ao lobo se acabou ali e sob a luz da lua, o amor venceu o medo e verdade seja dita:
A lua estava mesmo linda”

☆☆☆☆♡☆☆☆☆
Fale com o autor