My Dark Word
16 16 - DarkSide
Notas iniciais
QUINN POV
O pequeno apartamento está cheio de fumaça. Me sufocando. Meus olhos estão cheios d’água, e eu tusso. Faço punhos de minhas pequenas mãos e esfrego meus olhos forte. Isso só machuca meus olhos ainda mais. Ele ainda está sentado à mesa com cadeiras descombinadas. Ele sopra uma golfada de fumaça no ar, fazendo com seus lábios um pequeno cachimbo, e empurrando a fumaça em um ritmo calmo. A fumaça do cigarro sai correndo e faz uma pequena nuvem em cima dele. Ele está segurando a ponta de cigarro na mão olhando ao redor. Ele bate as cinzas no chão da cozinha, onde ele foi fumar.
— Não há nenhuma merda de cinzeiro nesta porra de despejo, — ele grita com minha mãe. Estou com medo, mas eu finjo brincar com meu carro no chão. As rodas estão faltando e a pintura está riscada.
— Vroom! Vroom! — Eu finjo conduzi-lo.
— Cale a boca sua merdinha, — ele grita. Eu olho com medo, e grito — mamãe! — Mas a sua grande mão agarra meus braços e meus pés saem do chão. Eu largo o meu carro, e ele se espalha pelo chão e bate no armário sujo e para.
— Eu estou cansado dessa pirralha! Você tinha que ficar grávida e ter essa merda! — Diz ele e puxa minha camisa aberta, e pressiona a ponta de cigarro na minha barriga! Eu grito de dor. Eu grito para a mamãe para ajudar.
— Mamãe! Mamãe! Me ajuda!
Mas mamãe apenas olha. Ela não vai vir, e ela não vai ajudar. Ela está congelada em seu lugar com pânico em seus olhos. Ela está apavorada com o homem. Ela dá um passo, mas ele grita com ela.
— Sente sua bunda antes que eu coloque você debaixo dos meus pés! Você quer ser fodida na frente de sua filha? — Mamãe para. Ela não diz nada. Ela se senta. Mamãe não vai me ajudar.
Eu grito de dor.
— Cale a boca! Cale a boca! Cale a boca! — Ele grita com os dentes amarelos à mostra. Estou machucada. Ele pressiona a ponta do cigarro mais forte na minha barriga. Isto faz um som de assobio. Está me queimando! Eu tento empurrar a mão dele com as minhas mãos, e continuo gritando. Mas ele segura as minhas duas mãos e dá um tapa em meu rosto. Eu choro mais.
— Não! Não! Mamãe, me ajude! — Mas mamãe não vem. Ela está só sentada, com a cabeça baixa. Ela cobre as orelhas. Ele me joga no tapete verde sujo. Eu me enrolo e seguro minha barriga. Está queimando, mamãe! Está queimando.
— Ela ainda está gritando fodidamente! Cristo! Cala a porra da sua boca, moleca! — Ele anda para cima de mim e me chuta com a bota! A última coisa que eu vejo é um pedaço sujo de chiclete no fundo e a sua grande bota batendo na minha barriga já ferida. Eu grito com a dor! Não me machuque mais! Ele tira de repente o cinto. Abaixa até o chão. Pega-me pela minha perna e me joga no sofá ao lado de mamãe. Puxa meu short para baixo. Quando o cinto bate no meu traseiro, eu grito, forte!
RACHEL POV
Acordo num sobressalto. Estou tonta e com muito calor. Quinn está agarrada a mim feito uma trepadeira. Ela resmunga, dormindo, assim que deslizo para fora de seus braços, mas não acorda. Sento-me na cama e olho para o despertador. São três da manhã. Preciso de um Advil e de alguma coisa para beber. Arrasto as pernas para fora da cozinha.
Encontro uma caixa de suco de laranja na geladeira e me sirvo de um copo. Hum... está delicioso, sinto um alivio imediato da tonteira. Vasculho os armários à procura de algum analgésico e, enfim, acho uma caixa de plástico cheia de remédios. Engulo dois comprimidos de Advil e bebo mais um copo de suco de laranja.
Caminhando para imensa janela, observo a sonolenta Seattle. As luzes piscam sob o castelo de Quinn nas alturas, ou devo dizer fortaleza? Pressiono a testa contra o vidro gelado: é um alivio. Tenho tanta coisa em que pensar depois de todas as revelações de ontem. Apoio-me de costa na janela e escorrego até o chão. A sala de estar parece cavernosa na escuridão, iluminada apenas pelas três lâmpadas acima da bancada da cozinha.
Será que eu conseguiria viver aqui, casada com Quinn? Depois de tudo o que ela fez nesta casa? De toda historia deste lugar?
Casamento. É quase inacreditável, além de totalmente inesperado. Mas até ai, tudo a respeito de Quinn é inesperado. Meus lábios se curvam num sorriso diante da ironia dessa realidade. Quinn Fabray: espere o inesperado – cinquenta tons de loucura.
Meu sorriso desaparece. Eu sou parecida coma mãe dela. Isso me magoa profundamente, e o ar me escapa dos pulmões. Todas nós somos parecidas com a mãe dela.
Como posso seguir em frente diante da revelação desse pequeno segredo? Agora sei o por que ela não queria me dizer. Mas ela na certa não se lembra muito bem da mãe. Será que eu deveria conversar com o Dr. Evans? Será que Quinn deixaria? Talvez ele pudesse esclarecer algumas coisas.
Balanço a cabeça. Estou exausta, mas gosto da serenidade da sala de estar e de suas belas obras de arte: frias e austeras, mas ainda assim bonitas à sua maneira em meio à penumbra, e provavelmente bastante valiosas. Será que eu conseguiria morar aqui? Na alegria e na tristeza? Na saúde e na doença? Fecho os olhos, inclino a cabeça contra o vidro e inspiro fundo.
Minha tranquilidade é interrompida por um grito visceral e primitivo que faz cada pelo do meu corpo se arrepiar. Quinn! Puta merda, o que aconteceu? Fico em pé e corro de volta para o quarto antes que os ecos daquele som horrível cessem, meu coração pulando de medo.
Ligo um dos interruptores, e a luz de cabeceira de Quinn e acende. Ela está se revirando na cama, contorcendo-se de agonia. Não! Ela grita de novo, e o som misterioso e devastador me atravessa mais uma vez.
Merda, um pesadelo!
— Quinn – debruço-me sobre ela, agitando-a pelos ombros, tentando acordá-la.
Ela abre os olhos e, selvagens e vagos, eles percorrem depressa o quarto vazio antes de voltarem para mim.
— Você foi embora, você foi embora, você só pode ter ido embora – murmura, e seus olhos arregalados se tornam acusatórios. Parece tão perdida que sinto um aperto no coração. Pobre Quinn.
— Estou aqui. – Sento-me na cama ao seu lado. – Estou aqui – murmuro baixinho num esforço para tranquilizá-la. Estico a mão, pousando-a na lateral de seu rosto, tentando acalmá-la.
— Você não estava aqui – sussurra ela rapidamente. Seus olhos ainda estão selvagens e apavorados, mas ela parece estar se acalmando.
— Fui só beber alguma coisa. Estava com sede.
Ela fecha os olhos e esfrega o próprio rosto. Ao abri-los de novo, parece tão desolada.
— Você está aqui. Ah, graças a Deus. – Ela se aproxima de mim e me agarra forte, puxando-me para junto de si na cama.
— Fui só buscar uma bebida – murmuro.
Ah, a intensidade de seu medo... Posso senti-lo. Sua camisa está encharcada de suor, e seu coração ainda pulsa forte enquanto ela me abraça apertado. Está me fitando, como se para assegurar de que estou realmente aqui. Faço um carinho de leve em seu cabelo e depois em sua bochecha.
— Quinn, por favor. Estou aqui. Não vou a lugar nenhum – digo com calma.
— Ah, Rach – suspira ela.
E então segura meu queixo para manter meu rosto firme, e sua boca cobre a minha. Sinto o desejo invadindo-a, e espontaneamente meu corpo corresponde: está tão conectado e em sintonia com o dela. Seus lábios estão em minha orelha, meu pescoço, e de volta em minha boca, os dentes suavemente puxando meu lábio inferior, a mão subindo pelo meu corpo desde o quadril até o peito, puxando a camiseta para cima. Acariciando-me, percorrendo as reentrâncias e curvas de minha pele, provocando a mesma reação de sempre, seu toque enviando arrepios por todo meu corpo. Ela segura meu seio, seus dedos apertando meu mamilo, e eu solto um gemido.
— Quero você – murmura.
— Estou aqui para você, Quinn. Só para você.
Ela geme e me beija mais uma vez, apaixonadamente, com um fervor e um desespero que jamais transmitiu antes. Agarrando a bainha de sua camiseta, puxo-a para cima, e ela me ajuda a retirá-la por sobre sua cabeça. Ajoelhando-se entre minha pernas, ela rapidamente me coloca sentada e arranca minha camiseta.
Seus olhos estão sérios, repletos de desejo e de segredos sombrios – já revelados. Ela segura meu rosto nas mãos e me beija, e nós duas afundamos de novo na cama, uma de suas coxas entre minhas penas, de modo que ela está deitada com a metade do corpo em cima de mim. Sinto sua coxa pressionar meu centro. Ela me quer, mas suas palavras de hoje escolhem esse exato momento para me assombrar, as coisas que ela falou sobre sua mãe. E é como um balde de água fria na minha libido. Merda. não posso fazer isso. Não agora.
— Quinn... Pare. Não posso continuar – sussurro apressada contra sua boca, minhas mãos empurrando seus braços.
— O que foi? O que houve? – murmura e começa a beijar meu pescoço, correndo a ponta da língua levemente para baixo. Ah...
— Não, por favor. Não posso fazer isso, não agora. Preciso de um tempo, por favor.
— Ah, Rach, não pense demais – sussurra ela, mordendo de leve o lóbulo da minha orelha.
— Ah! – suspiro, sentindo a reação na virilha. Meu corpo se contorce, traindo-me. Estou confusa.
— Ainda sou eu, Rach, a mesma eu. Eu amo você e preciso de você, Toque em mim. Por favor. – Ela esfrega o nariz no meu, e seu apelo silencioso e sincero me comove, e me derreto.
Tocá-la. Tocá-la enquanto fazemos amor. Deus do céu.
Ela se ergue em cima de mim, olhando para baixo, e, na meia-luz da lâmpada de cabeceira, sei que está esperando pela minha resposta, e que está sob o meu feitiço
Ergo a mãos e, com cuidado, coloco-a sobre seu tórax. Ela suspira e aperta o olhos como se sentisse dor, mas não retiro a mão. Levo-a até seus ombros, sentindo o tremor que a percorre. Ela geme, e eu a puxo para baixo, colocando as duas mãos sobre suas costas, onde nunca tinha tocado antes, em suas omoplatas, segurando-a junto a mim. Seu gemido reprimido me excita mais do que qualquer coisa.
Ela enterra a cabeça em meu pescoço, beijando-me e me chupando e me mordendo, e arrasta o nariz até meu queixo, e me beija, sua língua possuindo minha boca, suas mãos movendo-se sobre meu corpo novamente. Seus lábios vão descendo... descendo... até os meus seios, adorando-os, e minhas mãos permanecem sobre meu ombro e suas costas, deliciando-se com os músculos fortes flexionados, sua pele ainda úmida do pesadelo, sua pele ainda úmida do pesadelo. Seus lábios se fecham sobre meu mamilo, puxando e apertando até ele se erguer em resposta à sua boca habilidosa.
Solto um gemido e corro as unhas ao longo de suas costas. Ela suspira, um gemido abafado.
— Puta merda, Rach – arqueja, meio gritando, meio gemendo.
Isso me aperta o coração, mas também me atinge por dentro, contraindo todos meus músculos abaixo da minha cintura. Ah, o que eu consigo fazer com ela! Fico ofegante, acompanhando sua respiração torturada com a minha própria.
Sua mão desce pelo meu corpo, ao longo de minha barriga até meu seco, e seus dedos estão em mim, dentro de mim. Solto um gemido è medida que ela os move daquele jeito, e elevo a pélvis para encorajar seu toque.
— Rach – suspira Quinn.
De repente, ela me solta e se senta. Tira sua calcinha boxer. Abre as penas e eu consigo vê o quão molhada ela está. Seus olhos estão numa tonalidade ardente de verde.
— Você quer fazer isso? Você ainda pode dizer não. Você sempre pode dizer não – murmura.
— Não me dê a chance de pensar, Quinn. Também quero você.
Me aproximo dela e corro as minhas mãos sobre sua coxa. Até sua virilha. Faço esse movimento querendo a maltratar.
— Devagar – diz Quinn. – Você vai me fazer gozar assim, Rach. E olha que ainda nem me tocou onde realmente quer.
Fico maravilhada diante do que posso fazer com essa mulher apenas com um toque. Ela se deita em cima de mim, e, ao menos nesse instante, as dúvidas são afastadas e trancadas nos confins sombrios e assustadores de minha mente. Estou intoxicada por essa mulher, minha mulher, minha Cinquenta Tons. Ela gira o corpo de repente, pegando-me completamente de surpresa, e me coloca por cima. Uau.
Desço meu corpo mais um pouco e conecto meu sexo ao dela.
— Você. Faça você. – murmura, os olhos brilhando com uma intensidade feroz.
Meu Deus. Devagar, bem devagar, eu começo movimentar meu quadril colocando nossos sexos em atrito. Ela joga a cabeça para trás e fecha os olhos, soltando um gemido. Pego suas mãos e começo ame mexer, deleitando-me na plenitude de minha posse, deleitando-me com sua reação, observando-a se desfazer embaixo de mim. Sinto-me como uma deusa. Debruço-me e beijo seu queixo, correndo os dentes ao longo de seu queixo. Ela tem um gosto delicioso. Ela aperta meus quadris e estabiliza meu ritmo, um movimento lento e tranquilo.
— Rachel, toque em mim... por favor.
Ah. Eu me inclino para frente e me equilibro mantendo as mãos sobre seu tórax. E ela grita, quase um soluço de choro, e movimenta mais rápido nossos quadris.
— Ah – solto um gemido e corro as unhas de leve sobre seu peito, aperto os seus seios, e ela geme e gira brutamente, de forma que fico mais uma vez debaixo dela.
— Chega – ela arqueja. – Por favor, já chega. – E é um pedido sincero.
Erguendo as mãos, seguro seu rosto, sentindo a umidade em suas bochechas, e a puxo para junto de meus lábios para que possa beijá-lo. Fecho as mãos em suas costas.
Ela solta um gemido profundo e grave enquanto desliza suas mãos pelo meu corpo até chegar e meu centro. Ela fica brincando com a minha entrada até que enfia dois dedos, e os empurra para frente e para cima, mas não consigo chegar lá. Minha cabeça está encoberta demais de problemas. Estou muito envolvida nela.
— Vamos Rachel – implora ela.
— Não.
— Sim – rosna.
E muda de posição suavemente, colando nossos sexo de novo.
Minha nossa...
— Vamos, baby, eu preciso disso. Goze para mim.
E eu explodo, meu corpo escravo do dela, e me enrosco nela, agarrando-me ao seu corpo como uma trepadeira enquanto ela grita meu nome e atinge o orgasmo junto comigo, para então desmoronar, seu peso me pressionando contra o colchão.
QUINN POV
Eu me sinto saciada, e a preocupação momentaneamente deixando-me, enquanto eu deito nos braços de Rachel envoltos em torno de mim, me segurando e me ninando. Ela esfrega o meu cabelo suavemente e amorosamente. Suas bochechas estão coradas; ela está praticamente brilhante, e vê-la assim facilita a minha respiração e acalma o meu coração. Enquanto eu estou deitada em seu peito:
— Nunca me deixe, — eu sussurro. Sinto seu pescoço se estender para trás involuntariamente. Ela só rola a cabeça para trás quando ela revira os olhos para mim. Eu sorrio com a reação dela. – Sei que você está revirando os olhos para mim, — murmuro.
Ela é surpreendida por um momento, mas sussurra de volta com espanto:
— Você me conhece bem, Quinn.
— Queria conhecer ainda mais.
— O mesmo vale para você, Fabray, — ela diz. Em seguida, pergunta curiosamente, — Sobre o que era o seu pesadelo?
Eu expiro como se para expelir o ar tóxico para fora do meu corpo.
— O de sempre, — eu sussurro.
—Conte para mim, — ela sonda.
Devo dizer a ela? Não é que eu não queira que Rachel saiba mais de mim. Deus sabe que eu disse a ela o pior. Mas isso... essa porra de pesadelo ainda me dói. Ainda parece real. Mas eu não posso deixá-lo ganhar. Eu não posso deixar o cafetão ganhar depois de tantos anos. Eu não posso deixá-lo ter isso tirado de mim... Eu não sou mais aquela criança, tão indefesa, embora eu me sinta muito indefesa. Eu não sou a dona do meu próprio universo? A subsistência de muitas pessoas depende de mim, mas um homem desprezível que abusou de mim, ainda fica a atormentar minhas noites com horror. Eu engulo seco e decido expulsar esse veneno de uma vez por todas. Mas meu corpo fica tenso, e eu suspiro, longo e duro.
— Deve estar com uns três anos, e o cafetão da prostituta está enfurecido de novo. Ele fuma, um cigarro atrás do outro, e não consegue achar um cinzeiro. — O fogo do inferno está queimando dentro de mim, mas meu corpo esfria consideravelmente. Rachel para de respirar, quando ela sente a mudança na resposta do meu corpo para o pesadelo. Eu fecho meus olhos lembrando-me da dor, a queimadura, do jeito que eu gritei, e tentei apagar a escaldante, estigmatizante marca, e não ser capaz de fazê-lo. Não recebendo qualquer ajuda da prostituta de crack, que só fica lá com um olhar confuso. Ela não vai me confortar, sua própria filha, ou me pegar, apenas olha com olhos assustados. Eu não posso dizer em palavras o pensamento. É muito doloroso.
—Doeu muito. – respiro fundo e continuo — É a dor que eu me lembro. É o que me faz ter pesadelos. Isso, e o fato de que ela não fez nada para impedi-lo. — frepito amargamente.
Rachel automaticamente aumenta seu aperto em mim, tentando me tranquilizar, e se envolve em torno de mim, suas pernas emaranhadas ao redor das minhas e seus braços estão me segurando protetoramente. Eu sinto sua garganta se movendo, tentando engolir. Ela reprime um suave sufocamento. Eu sei que o que bloqueou Rachel foi a minha revelação da noite passada. É por isso que ela foi incapaz de encontrar sua libertação. Ela pensou que eu a vejo como eu via a prostituta de crack. Mas isso não é verdade. Rachel não é nada parecida com ela. Eu nunca dependi da prostituta drogada. Mas Rachel é a minha tábua de salvação. Eu não posso existir sem ela. Eu sobrevivi até a uma infância sem a prostituta drogada. Rach é o meu mundo inteiro. Eu levanto minha cabeça e olho para cima para Rachel, e olho em seus olhos castanhos com toda a minha intensidade.
— Rachel, você não é igual a ela. Nunca pense isso. Por favor! — eu imploro para ela.
Ela finalmente retorna de volta de seus pensamentos, piscando. Eu quero mostrar a ela que ela pode confiar em mim, e que eu estou aberta com ela. Eu sinto um alívio repentino de ter explicado o que eu nunca disse a outra viva alma exceto o Dr. Evans.
— Às vezes, nos sonhos, ela está só lá deitada no chão. E eu acho que ela está dormindo. Mas ela não se mexe. Ela nunca se mexe. E eu estou morrendo de fome. Muita fome. Então eu ouço um barulho alto na porta. Eu sei que ele voltou. Ele fica com raiva de encontrá-la lá assim, e me bate muito forte..." Eu digo lembrando-me. Lembro-me de ele me bater e me chutar de novo. Eu fecho meus olhos e as memórias me inundam. Eu mantenho meus olhos abertos não disposto a deixar as memórias horríveis me atormentarem. — Então ele está amaldiçoando a prostituta drogada por estar morta. — Eu balanço minha cabeça. — Sua reação inicial foi sempre de usar seu punho ou seu cinto,- eu digo praguejando baixinho.
— É por isso que você não gosta de ser tocada? — Pergunta Rachel suavemente. Uma das muitas razões. Eu só posso fechar meus olhos, e abraçá-la apertado para afastar as imagens para longe da minha cabeça. Sua presença sempre as afugenta.
— É complicado — eu digo. Como você pode explicar o sentimento de inutilidade? Como você pode explicar a fome de amor? Como eu poderia dizer a ela o quanto eu tentei preencher o vazio e ele é um buraco negro sempre sugando e apenas.nunca.sendo.suficiente! Cobrando sua conta apenas por existir! Nada é suficiente, e nada o sacia... Quando você se sente inútil, nenhum amor penetra em você, mesmo que derramado em você aos galões. É como espalhar sanduíches em todo seu corpo, e sua abundância não faria nenhuma diferença quando ele não vai para onde ele é necessário. Eu não sei como Rachel fica sob toda aquela inutilidade, e me levanta. Eu não posso falar sobre toda essa merda! É apenas muito opressivo. Eu tento distrair Rachel de sua inquisição espanhola. Eu a acaricio entre seus seios, e inalo seu perfume feminino... sabonete, exterior, e o inebriante perfume pessoal de Rachel.
Mas, Rachel está muito alerta, e pela primeira vez, ela não vai se distrair. Suas mãos dardejam em meu cabelo, e esfregam suavemente e seu dedo indicador vai embaixo do meu queixo levantando-o para cima para olhar para os olhos dela.
— Fale, — ela me persuade. O inquisidor está de volta. Eu suspiro e desisto, porque Rachel não é nada mais que persistente.
— Ela não me amava, eu não me amava. O único toque que eu conhecia era... – suspiro — ... doloroso. O problema nasceu ai. Dr. Evans sabe explicar melhor do que eu — eu digo a ela.
Os olhos de Rachel iluminam-se momentaneamente como se ela tivesse tido uma ideia.
— Posso conversar com o Evans? — Ela pede.
Eu inclino minha cabeça para examinar melhor sua expressão.
— Você está pegando a doença do Cinquenta Tons também, é?
Ela finge rosnar:
— Nem lhe conto. Gosto de tudo que está pegando em mim neste instante, — diz ela esfregando embaixo de mim com seu corpo nu, fazendo-me gemer. Eu respiro para diminuir o desejo.
— Ah, Srta. Berry, eu também gosto disso, — Eu sorrio provocante, e meus olhos escurecem com amor e desejo transbordando logo abaixo da superfície. Meus lábios chegam até os dela e eu a beijo lentamente. Provando-a e saboreando-a. Eu beijo os contornos de seus lábios e seu queixo, as bochechas e os cantos de seus olhos, eu não me canso dela.
— Você é tão importante para mim, Rach? Eu estava falando sério sobre me casar com você. A gente pode se conhecer melhor depois. Eu posso cuidar de você — eu digo olhando para ela esperançosa. – A gente pode ter filhos, se você quiser! Vou colocar o meu mundo a seus pés, Rachel. Quero você de corpo e alma, para sempre. Por favor, pense nisso. — peço a ela. Ela balança a cabeça.
— Vou pensar, Quinn. Vou pensar. Mas eu realmente queria falar com o Dr. Evans, se você não se importar — ela pede erguendo as sobrancelhas.
— Qualquer coisa para você, baby. Qualquer coisa. Quando você gostaria de vê-lo?
— Quanto antes melhor, — diz ela.
— Certo. Amanhã de manhã eu resolvo isso. Está tarde. É melhor a gente dormir. — , eu digo desligando a luz na mesa de cabeceira. Eu deito em concha com ela, e aumento meu aperto sobre ela, não há nada entre nós. Pele com pele. Eu acaricio seu pescoço e sussurro:
— Eu amo você, Rachel Berry, e quero você ao meu lado, sempre,- eu sussurro em seu pescoço, beijando-a, — Agora durma, — eu sussurro.
RACHEL POV
Relutante, abro minhas pálpebras pesadas, e a claridade invade o quarto. Solto um gemido. Sinto-me tonta, desconectada de meus membros de chumbo, e Quinn está enrolada em torno de mim feito hera. Como de costume, está muito quente. Não pode ser mais do que cinco da manhã, o alarme ainda não tocou. E estico-me, tentando me libertar de seu calor, girando-me dentro de seus braços, e ela murmura algo ininteligível em seu sono. Olho para o relógio: oito e quarenta e cinco.
Merda, vou chegar atrasada. Cacete. Arrasto-me para fora da cama e corro para o banheiro. Tomo banho em quatro minutos, e já estou de volta ao quarto.
Quinn se senta na cama, observando-me com um divertimento mal disfarçado, misturado com cautela, enquanto eu me seco e pego minhas roupas. Talvez ela esteja esperando para ver qual será minha reação às revelações de ontem. Agora, eu simplesmente não tenho tempo.
Dou uma checada nas roupas que escolhi: calça preta, camiseta preta. Tudo meio. Mrs. Robinson demais, mas não tenho um segundo para mudar de ideia. Visto a calcinha e o sutiã pretos, consciente de que ela está assistindo cada movimento meu. É... irritante. Vai ter que ser essa calcinha e esse sutiã mesmo.
— Você está bonita – ronrona Quinn da cama. – Sabe, você pode ligar e dizer que está doente. – Ela me lança um sorriso torto e devastador, cento e cinquenta por cento de deixar minha calcinha molhada.
Ah, ela é tão tentadora. Minha deusa interior faz beicinho provocantemente para mim.
— Não, Quinn, eu não posso. Não sou uma CEO megalomaníaca com um sorriso bonito e que goza de total liberdade.
— Eu gosto de gozar em total liberdade... – Ela sorri e abre um pouco mais seu maravilhoso sorriso, um exemplar em alta definição, versão cinematográfica.
— Quinn! – chamo sua atenção e jogo a toalha para ela, e ela ri.
— Sorriso bonito, é?
— É. Você sabe o efeito que tem sobre mim. – Coloco meu relógio de pulso.
— Sei, é? – Ela pisca inocentemente.
— Sim, sabe. O mesmo efeito que produz em todas as mulheres e homens. É realmente muito cansativo ver todos desfalecendo por você.
— Ah, é? – Ela ergue a sobrancelha para mim, parecendo ainda mais entretida.
— Não banque a inocente, Srta. Fabray, isso não combina com você – murmuro distraída ao puxar o cabelo num rabo de cavalo e calçar meus sapatos pretos alto. Pronto, isso vai servir.
Quando me abaixo para lhe dar um beijo de despedida, ela me agarra e me puxa para cama, inclinando-se sobre mim e sorrindo de orelha a orelha. Meu Deus. Ela é tão bonita: os olhos brilhando malicia, o cabelo despenteado de quem acabou de transar de novo, o sorriso deslumbrante. Agora está em modo brincalhona.
Estou cansada, ainda tentando me recuperar de todas as revelações de ontem à noite, mas ela está nova em folha e sexy para caceta. Ah, minha exasperante Quinn.
— O que eu posso fazer para convencê-la a ficar? – diz ela em voz baixa, e meu coração se acelera, batendo agitado. Ela é a tentação em pessoa.
— Nada – resmungo, esforçando-me para sentar. – Me solte.
Ela faz beicinho, e eu desisto. Sorrindo, passo meus dedos por seus lábios bem desenhados: minha Cinquenta Tons. Amo tanto essa mulher, com toda a sua monumental maluquice. Nem se quer comecei a processar os eventos de ontem e como me sinto em relação a eles.
Eu me inclino para beijá-la, grata por ter escovados os dentes. Ela me dá um beijo forte e longo, e, em seguida, coloca-me de pé com agilidade, deixando-me atordoada, sem fôlego e um tanto vacilante.
— Puck vai levar você. É mais rápido do que procurar um lugar para estacionar. Ele está esperando fora do prédio – diz, gentilmente, e parece aliviada.
Será que está preocupada com a minha reação de hoje? Certamente a noite passada – digo, está manhã – mostrou a ela que não vou fugir.
— Certo. Obrigada – resmungo, decepcionada por estar de pé novamente, confusa por sua hesitação e vagamente irritada por mais uma vez não poder dirigir meu Saab. Mas ela tem razão, é claro, vai ser muito mais rápido ir com Puck. – Aproveite sua manhã preguiçosa, Srta. Fabray. Queria poder ficar, mas o dono da empresa em que trabalho não aprovaria que seus funcionários faltassem só por causa de um sexo gostoso. – Pego minha bolsa.
— Pessoalmente, Srta. Berry, não tenha dúvida alguma de que ele aprovaria. Na verdade, acho que ele insistiria por isso.
— Por que você vai ficar aí na cama? Não é muito sua cara.
Ela cruza as mãos atrás da cabeça e sorri para mim.
— Por que eu posso, Srta. Berry.
Balanço a cabeça para ela:
— Até mais, baby. – Sopro um beijo e saio do quarto.
Puck está esperando por mim e parece entender que eu estou atrasada, porque corre feito um morcego saído do inferno, deixando-me no trabalho às nove e quinze. Fico aliviada quando ele encosta o carro junto ao meio-fio: aliviada por estar viva... o jeito como estava dirigindo era assustador. E aliviada por não estar terrivelmente atrasada, apenas quinze minutos.
— Obrigada, Puck – murmuro, pálida. Eu me lembro de Quinn me dizendo que ele dirigia tanques; talvez também carros de corrida.
— Rach. – Ela acena e se despede, e eu corro para o escritório, percebendo ao abrir a porta da recepção que Puck parece ter superado a formalidade do ‘’Srta. Berry’’. Isso me faz sorrir.
Tina sorri para mim enquanto passo pela recepção e sigo até minha mesa.
— Rachel! – Biff me chama. – Venha aqui.
Merda.
— Que horas são essas? – atira ele.
— Sinto muito. Perdi a hora – Fico vermelha.
— Não deixe que isso acontece de novo. Traga um café para mim, e depois preciso que você digite uma cartas. Depressa – grita, fazendo-me encolher.
Por que esta tão bravo? Qual é o problema? O que eu fiz? Corro para a cozinha para preparar o café. Talvez eu devesse ter faltado. Eu poderia estar... bem, fazendo algo divertido com Quinn, ou tomando café da manhã com ela, ou simplesmente conversando, o que seria uma novidade.
Biff mal se dá conta da minha presença quando me aventuro de volta na sua sala para lhe entregar o café. Ele estica a folha de papel na minha direção: está manuscrita num garrancho quase ilegível.
— Digite isto, traga aqui para eu assinar, tire xerox e envie para todos os nossos autores.
— Sim, Biff.
Ele não ergue o olhar quando saio da sala. Nossa, está mesmo com raiva.
É com algum alivio que finalmente sento a minha mesa. Tomo um gole de chá enquanto espero meu computador terminar de ligar. Abro meus e-mails.
QUINN POV
Quando Rachel sai, sinto-me vazia, de repente, como se ela levasse o ar com ela. Eu não gosto da sensação de desolação. Levanto-me para me dirigir para o chuveiro. Eu rapidamente me lavo e visto minhas calças e camisa branca. Eu corro minhas mãos pelo meu cabelo, e isso deve resolver. Quando eu me encaminho para a cozinha, a Sra. Jones já está preparando meu café da manhã.
— O seu habitual, Srta. Fabray? — Ela pergunta.
— Sim, Sra. Jones, bom dia, — eu digo.
Ela dá uma segunda olhada no meu comportamento leve, e eu juro que ela dá um suspiro de alívio. Muito diferente do comportamento irritado que eu estava apresentando na noite passada. Acho que a assustei.
Quando Rachel me deixou pela primeira vez, eu era incapaz de funcionar. Mas na noite passada, eu estava com o diabo no corpo. Como eu estaria hoje de manhã se Rachel tivesse ido embora? Tremo como se eu tivesse calafrios. Eu não quero nem pensar nisso. O vazio é absolutamente solitário. Eu a amo! Isso é um simples fato como o nariz no meu rosto. Todo mundo sabia isto antes de eu ser capaz de expressá-lo em palavras para ela. Mas ela é tão exaustivamente teimosa, o que me lembra, eu tenho que lembrá-la mais uma vez para usar seu Blackberry para e-mails. Eu pego meu Blackberry e digito uma mensagem para Rachel.
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De: Quinn Fabray
Assunto: Sentindo sua falta
15 de junho, 2011 09:04
Para: Rachel Berry
Por favor, use seu Blackberry.
Bj,
Quinn Fabray
CEO, Fabray Enterprises Holdings Inc.
—______________________________________________
Eu pressiono 'enviar' e enquanto o e-mail de trabalho de Rachel vai, eu digito outra mensagem para seu e-mail privado em seu Blackberry. Quando eu estou terminando meu café da manhã, e digitando a nova mensagem para ela, Puck volta.
— Rachel chegou na hora?
— Ela tinha quinze minutos de atraso, porque só saímos daqui às 09:00h,- diz Puck. Noah e seu tempo de militar! Concordo com a cabeça em resposta.
— Dê-me alguns minutos, e então você pode me levar para o FBH.
— Sim, senhora, — responde Puck.
Quando Puck está me levando para FBH, eu chamo o Dr. Evans.
— Quinn, como posso ajudá-la? — Ele atende o telefone.
— Bom dia, Sammy. Rachel gostaria de vê-lo. Quanto mais cedo você puder vê-la, melhor.
— Sério? — Responde o Dr. Evans completamente surpreso.
— Por que isso iria surpreendê-lo?
— Bem, ela, brincando, disse que eu era um charlatão caro. Embora eu ache que ela acreditava pela metade, também. É por causa da última noite?
Eu fecho meus olhos, e suspiro.
— Sim.
— Como é que ela reagiu? — Ele pergunta.
— Mal.
— Eu... — Eu paro tendo dificuldade em expressar meus pensamentos. — Eu realmente pensei que ela ia me deixar, Sam. Eu estava... — Eu exalo barulhenta. — Mas ela não deixou... Embora ela tenha tido um momento de merda. Totalmente devastada e magoada. Eu disse a ela a verdade sobre mim mesmo.
— E qual verdade seria essa? — Diz Sam em sua voz austera de Doutor.
— Você sabe qual é, Sam. Que eu sou uma sádica.
— Quinn, você não é uma sádica! Já falamos sobre isso muitas vezes. Você sempre vê o pior em si mesma. Você nunca deu crédito para o quanto você mudou em tão pouco tempo. Você precisava de alguém para quebrar os muros que você tinha erguido quando criança pequena. Esse foi o seu mecanismo de enfrentamento. Se você não formasse laços, então você não se sentiria abandonado quando esses laços fossem quebrados. Alguns dos meus colegas têm uma equação simples para isso. Expectativas — Realidade = decepção. Eu acredito que você estava tentando equilibrar essa equação não esperando nada. Como resultado, você não sentiria decepção nem qualquer desapontamento. Mas é claro que tem outras consequências negativas na nossa psique. Às vezes a gente se sente decepcionado. Isto não é de todo ruim. As tempestades na vida de uma pessoa são o que limpam seu baralho pessoal. Nenhum pessoa é uma ilha, minha amiga. — Isso me faz sorrir.
— Isso é o que Rachel diz o tempo todo... o negócio da ilha.
— Só mais uma coisa.
— Sim, eu estou ouvindo.
— Você está sentado? Você não está dirigindo ou qualquer outra coisa, não é? Não está comendo nada?
— Vou sentar-me momentaneamente. Percebi que você tem alguma notícia de importância.
— Sim. Aqui vai. Perguntei a Rachel se quer casar comigo! — E Puck dá uma guinada, e imediatamente controla-se retomando o controle do SUV novamente.
— Quê? Puck!
— Me desculpe, Srta. Fabray, — ele se desculpa. Limpa a garganta, e ele fica vermelho todo o caminho até seus ouvidos e ele fixa os olhos na estrada, incapaz até mesmo de mover a cabeça para encontrar o meu olhar no espelho retrovisor. Minha notícia pegou Puck de surpresa, e eu lentamente volto para a minha conversa ao telefone com o Dr. Evans novamente.
— Quinn, você está bem? — Dr. Evans pergunta ansiosamente.
— Sim, estamos bem. Não foi nada, — eu digo friamente olhando para a parte de trás da cabeça de Puck, que está cuidadosamente me ignorando, corando mais.
— Qual foi a resposta de Rachel? — Pergunta Evans com uma curiosidade mal contida.
— Ela não me deu uma resposta ainda. Ela disse que vai pensar. Acho que deve ser por isso que ela quer ver você.
— Entendo. Nesse caso, eu vou vê-la em breve. Que lhe parece amanhã à noite para você?
— Isso soa muito bem. Ah, por falar nisso, como estava Ashley?
— Ela estava descansando na noite passada, e ela vai passar por algumas avaliações psiquiátricas hoje. Tenho um colega brilhante trabalhando com ela, mas vou verificá-la todo tempo, e colaborar com os outros psiquiatras. Ela vai chegar lá, mas isso vai levar tempo. Eu vou mantê-la atualizada, Quinn.
— Obrigada, — eu digo pronto para desligar.
— E, Quinn?
— Sim?
— Tenha um pouco de fé em si mesma.
— É essa a sua opinião profissional?
— Sim e um conselho de um amigo.
— Cinquenta tons, Sam. Você sabe, não é fácil.
— Lembre-se, concentre-se na solução. Concentre-se em seus objetivos, o que você deseja alcançar, onde você quer se ver. Os problemas do passado serão apenas isso. Passado. — Eu sinto meu Blackberry vibrando na minha mão enquanto eu estou falando com o Dr. Evans, anunciando um e-mail recebido.
— Eu vou manter isso em mente,- eu digo e desligo ansiosa para descobrir quem me enviou a mensagem esperando que seja Rachel. Puck entra na garagem subterrânea do FBH.
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De: Rachel Berry
Assunto: Gente de sorte
15 de junho, 2011 09:26
Para: Quinn Fabray
Meu chefe está uma arara.
A culpa é sua por ter me segurado até tarde com suas... travessuras.
Você devia se envergonhar, Srta. Fabray.
Rachel Berry
Assistente Biff McIntosh, Editor Comissionado, SIP
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Eu amei as travessuras em que nós nos envolvemos. Eu não posso deixar de responder a ela em espécie. E, além disso, por que ela ainda foi trabalhar esta manhã? Pedi-lhe para não ir. O filho da puta do chefe que ela tem agora está lhe dando um momento difícil. Com um sorriso saio do SUV assim que Puck me coloca em frente aos elevadores, e escrevo-lhe uma mensagem no meu caminho para o meu escritório.
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De: Quinn Fabray
Assunto: Travessuras?
15 de junho, 2011 09:31
Para: Rachel Berry
Você Não precisa trabalhar, Rachel.
Você não tem idéia de como eu estou chocada com minhas próprias travessuras.
Mas gosto de fazê-la ficar acordada acordada até tarde ;)
Por favor, use o seu Blackberry.
Ah, e case-se comigo, por favor.
Quinn Fabray
CEO, Fabray Enterprises Holdings Inc.
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Por que me sinto tão tonta? Assim como uma adolescente... tão imatura, tão diferente de mim. Sua mensagem de resposta ding logo em seguida. O elevador me puxa para cima, juntamente com outros quatro passageiros, mas estou muito focada no que está dentro do meu Blackberry, lendo sua mensagem, e devorando-a, mais do que está ao meu redor.
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De: Rachel Berry
Assunto: Meu ganha-pão
15 Junho 2011 09:34
Para: Quinn Fabray
Sei que sua tendência natural é ficar insistindo, mas pode ir parando.
Preciso alar com seu psicólogo.
Só então vou dar minha resposta.
Não sou contra continuar vivendo em pecado.
Rachel Berry
Assistente Biff McIntosh, Editor Comissionado, SIP
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Que porra é essa? Ela está usando o e-mail da SIP e falando de coisas privadas, sabendo muito bem que as mensagens são arquivadas nos servidores de e-mail da empresa. Por que é tão fodidamente desobediente? Eu respondo-lhe imediatamente. Meu humor muda. Quando eu saio do elevador, e entro em meu escritório espaçoso pela porta dupla tanto Olivia a estagiária quanto Andrea saltam de pé. Mas eu acho que a descrição do trabalho de Olivia exige que ela salte. Deus! Eu nunca vi essa menina, sem pular! Ela está sempre arisca. Eu me pergunto por quê. Ela não pode ficar parada? É como se ela estivesse sentada em um punhado de tachinhas, pelo amor de Deus! Relaxe um pouco.
— Srta. Fabray, — diz Andrea, pegando os compromissos do dia em seu iPad, atrás de mim.
— Não agora, Andrea, — eu digo. Isto paralisa Andrea de imediato. Eu continuo a escrever para Rachel uma mensagem.
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De: Quinn Fabray
Assunto: BLACKBERRY
15 Junho de 2011 09:39
Para: Rachel Berry
Rachel, se é para começar a falar do Dr. Evans, então USE O SEU BLACKBERRY.
Não estou pedindo.
Quinn Fabray
Uma CEO fula da vida, Fabray Enterprises Holdings Inc.
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Nenhuma resposta vem dela. Bom, ela tem a mensagem e sabe que eu estou puta. Cinco minutos passam, e ainda sem resposta. Ela está com raiva de mim por usar letras maiúsculas gritante como ela os chama? Eu deixo prá lá, mas não sem o medo crescendo em mim. Ela não me respondeu. Talvez ela caiu fora. Eu digito uma mensagem para seu e-mail particular em seu Blackberry.
RACHEL POV
Ah, Merda. agora ela está brava comigo. Bem, por mim ela pode cozinhar em fogo brando. Pego o BlackBerry da bolsa e olho para ela com ceticismo. No mesmo instante, começo a tocar. Será que ela não consegue me deixar em paz por um minuto?
— Sim? – atendo, irritada.
— Rachel, oi.
— Finn! Tudo bem? – Ah, é bom ouvir sua voz.
— Estou bem, Rach. Olhe, você ainda está saindo com aquela tal de Fabray?
— Hum, estou... Por quê? – Aonde ele quer chegar com isso?
— Bem, ela comprou todas suas fotos, e pensei em ir até Seattle para entregá-las. A exposição termina na quinta, então posso passar ai na sexta à noite. E talvez a gente pudesse beber alguma coisa ou algo assim. Na verdade, eu estava esperando descolar um lugar para dormir também.
— Legal, Finn. Claro, com certeza a gente pode marcar alguma coisa ou algo assim. Vou falar com a Quinn e ligo de volta para você, tudo bem?
— Beleza, fico esperando. Tchau, Rach.
— Tchau.
E ele desliga. Nossa mãe. Não tenho noticias de Finn desde a exposição. Nem sequer perguntei como foi ou se ele vendeu mais alguma foto. Que bela amiga eu sou.
Então, eu poderia sair na sexta à noite com Finn. O que Quinn acharia disso? De repente, reparo que estou mordendo o lábio com tanta força que dó. Ah, aquela sujeita tem dois pesos e duas medidas — e tremo só de pensar no assunto – dar banho na maluca da ex-amante dela, mas provavelmente vai pirar se eu quiser sair para tomar um drinque com Fin. Como vou lidar com isso?
— Rachel! – Biff me arranca de meu devaneio. Ele ainda está com raiva? – Cadê a carta?
— Hum, quase pronta. – Merda. Qual o problema dele hoje?
Digito a carta o mais rápido que posso, imprimo e, nervosa, caminho até sua sala.
— Aqui está. – Coloco a folha em sua mesa e me viro para sair. Biff examina o documento de relance com os olhos críticos e penetrantes.
— Não sei o que você faz fora daqui, mas eu pago você para trabalhar – grita ele.
— Sei disso, Biff – murmuro, em tom de desculpa. Sinto meu rosto corar lentamente.
— Está cheio de erros – resmunga ele. – Faça de novo.
Droga. Ele está começando a soar como alguém que eu conheço; no entanto, a grosseria de Quinn eu posso tolerar. Biff está começando a me irritar.
— E me traga outro café, enquanto isso.
— Desculpe – sussurro e corro para fora de sua sala o mais rápido que posso.
Deus do céu. Ele está insuportável. Volto para minha mesa, corrijo com pressa a carta, que tinha dois erros, e verifico o texto inteiro antes de imprimir. Agora está perfeito. Pego mais um café, indicando a Tina com um revirar de olhos que estou na merda hoje. Respiro fundo e entro na sala dele de novo.
— Melhor – murmura ele com relutância ao assinar a carta. – Tire xerox disso, arquive o original e mande as cópias para todos os autores. Entendeu?
— Certo. – Não sou idiota. – Biff, aconteceu alguma coisa?
Ele ergue o rosto, seus olhos azuis escurecendo à medida que correm meu corpo de cima a baixo. Um arrepio me atravessa a espinha.
— Não.
Sua resposta é curta e grossa, cheia de desdém. E eu permaneço ali, feito a idiota que eu disse que não era, até que deixo a sala. Talvez ele também sofra algum transtorno de personalidade. Nossa, estou cercada. Sigo até a copiadora, que, naturalmente, resolveu engolir o papel. Quando consigo consertá-la, descubro que o papel acabou. Realmente não é o meu dia.
Quando finalmente retorno à minha mesa e começo a colocar as cartas nos envelopes, meu BlackBerry vibra. Posso ver pela parede de vidro que Biff está ao telefone. Atendo: é o Blaine.
— Oi, Rachel. Como foi ontem à noite?
Ontem à noite. Uma sequência rápida de imagens cruza a minha mente: Quinn de joelhos, sua revelação, seu pedido de casamento, macarrão com queijo, o tanto que chorei, o pesadelo dela, o sexo, tocar seu corpo...
— Hum... tudo bem – murmuro, pouco convincente.
Blaine faz uma pausa e então decide me acompanhar em minha encenação.
— Legal. Posso passar aí para pegar as chaves?
— Claro.
— Passo aí daqui a meia hora. Você vai ter tempo para tomar um café?
— Hoje não. Cheguei atrasada, e meu chefe está bravo feito um urso com dor de cabeça e urtiga na bunda.
— Parece ruim.
— Ruim e feio. – dou uma risadinha.
Blaine ri e meu humor melhora um pouco.
— Certo. A gente se vê em trinta minutos. – Ele desliga.
Ergo a cabeça e vejo que Biff está olhando para mim. Ah, merda. decido ignorá-lo e continuo a colocar as cartas nos envelopes.
Meia hora depois, meu telefone toca. É Tina.
— Ele está aqui de novo, na portaria. O Deus com cabelos negros.
É uma alegria ver Blaine depois de toda angústia de ontem e de todo o mau humor do meu chefe hoje, mas logo ele está indo embora.
— Será que a gente se vê hoje a noite?
— Provavelmente vou ficar com Quinn. – Fico vermelha.
— Essa mulher pegou você de jeito, hein? – Blaine observa com bom humor.
Dou de ombros. Ah, é muito mais do que isso, e, neste momento, percebo como ela me pegou de jeito mesmo. E para vida toda. E, surpreendentemente, Quinn parece sentir o mesmo. Blaine me dá um abraço rápido.
— Até mais, Rach.
Volto para minha mesa, lutando contra essa sensação. Ah, o que eu não faria por um dia sozinha, para poder pensar em tudo isso.
— Onde você se meteu? – Biff de repente está pairando diante de mim.
— Tive que cuidar de uns assuntos na portaria. – Ele está realmente me dando nos nervos.
— Quero meu almoço. O de sempre – diz abruptamente e volta para sua sala.
Por que não fiquei em casa com Quinn? Minha deusa interior cruza os braços e comprime os lábios, ela também quer uma resposta para essa pergunta. Pegando minha bolsa e meu BlackBerry, corro para a porta e verifico meus e-mails.
De: Quinn Fabray
Assunto: Sentindo sua falta
15 de junho de 2011 09:06
Para: Rachel Berry
Minha cama é grande demais sem você.
Parece que vou ter que trabalhar, afinal de contas.
Até mesmo CEOs megalomaníacas precisam de alguma coisa para fazer.
Bj,
Quinn Fabray
Uma CEO entediada, Fabray Enterprises Holdings Inc.
E logo em seguida, mais um, enviado um pouco mais tarde, está manhã.
De: Quinn Fabray
Assunto: Um pouco de discrição...
15 de junho de 2011 09:50
Para: Rachel Berry
...não faz mal a ninguém.
Por favor, seja discreta... seus e-mails do trabalho são monitorados.
QUANTAS VEZES TENHO QUE DIZER ISSO?
Sim, letras maiúsculas gritantes, como você diz. USE SEU BLACKBERRY.
Temos uma consulta com o Dr. Evnas amanhã a noite.
Bj,
Quinn Fabray
Uma CEO ainda fula da vida, Fabray Enterprises Holdings Inc.
E mais um ainda, de mais tarde. Ah, não.
De: Quinn Fabray
Assunto: Cri, cri, cri...
15 de junho de 2011 12:15
Para: Rachel Berry
Você não me responde.
Por favor, diga que está tudo bem.
Você sabe como eu me preocupo.
Vou mandar Puck até aí para verificar!
Bj,
Quinn Fabray
Uma CEO muito ansiosa, Fabray Enterprises Holdings Inc.
Reviro os olhos e ligo para ela. Não quero que se preocupe.
— Telefone de Quinn Fabray, Andrea Parker falando.
Ah. Fico tão desconcertada que não tenha sido Quinn quem atendeu que paro no meio da rua, e o jovem atrás de mim resmunga com raiva ao ter que desviar para não esbarrar em mim. Estou de pé sob o toldo verde da lanchonete.
— Alô? Posso ajudar? – Andrea preenche o silêncio incômodo.
— Desculpe... Hum... Eu estava querendo falar com Quinn.
— A Srta. Fabray está em uma reunião neste momento – responde ela com eficiência. – Gostaria de deixar algum recado?
— Você pode dizer a ela que a Rach ligou?
— Rach? Rachel Berry?
— Hum... Isso. – A pergunta me deixa confusa.
— Só um instante, por favor, Srta. Berry.
Ouço ela afastar o telefone, mas não consigo entender bem o que está acontecendo. Poucos segundos depois, Quinn está na linha:
— Você este bem?
— Sim, estou ótima.
Ela solta o ar, aliviada.
— Quinn, por que eu não estaria bem? – sussurro de um jeito tranquilizador.
— Você sempre responde meus e-mails tão depressa. Depois de tudo que eu falei ontem à noite, estava preocupada – diz calmamente, e depois ela fala com alguém em seu escritório: — Não Andrea. Diga a eles para esperarem – diz com firmeza. Ah, conheço esse tom de voz. Não posso ouvir a resposta de Andrea. – Não. Eu disse para esperar – responde ela.
— Quinn, obviamente você está ocupada. Só estou ligando para que você saiba que está tudo bem, de verdade. Só estou muito ocupada hoje. Biff está me comendo no chicote. Hum... quero dizer... – Fico vermelha e me calo.
Quinn não responde por um minuto.
— Comendo você no chicote, é? Bem, houve uma época em que eu o teria achado um cara de sorte. – Sua voz é cheia de ironia. – Não o deixe ficar por cima, baby.
— Quinn! – repreendo-o e sei que ela está sorrindo.
— Só fique de olho nele. Que bom que você está bem. A que horas posso buscar você?
— Eu mando um e-mail.
— Do BlackBerry – diz ela com firmeza.
— Sim, Senhora – revido.
— Até mais, baby.
— Até...
Ela ainda está no telefone.
— Ande, desligue – brigo com ela, sorrindo.
Ela solta um suspiro profundo sobre o fone.
— Queria que você não tivesse saído para trabalhar hoje de manhã.
— EU também. Mas estou ocupada. Desligue.
— Desligue você. – Ouço seu sorriso. Ah, a Quinn brincalhona. Amo a Quinn brincalhona. Hum... amo a Quinn, ponto.
— A gente já teve essa conversa.
— Você está mordendo o lábio.
Merda, ela tem razão. Como ela sabe?
— Sabe, Rachel, você acha que eu não conheço você. Mas eu conheço melhor do que pensa – murmura ela daquele jeito sedutor que me deixa fraca, e molhada.
— Quinn, a gente conversa mais tarde. Neste instante, eu também realmente gostaria de não ter saído hoje de manhã.
— Fico esperando seu e-mail, Srta. Berry.
— Tenha um bom dia, Srta. Fabray.
Desligo o telefone e me apoio na vitrine fria e dura da lanchonete. Meu Deus, ela me domina até pelo telefone. Balanço a cabeça para afastar qualquer pensamento a respeito de Quinn e entro na lanchonete, deprimida pela simples ideia de voltar para o Biff.
QUANDO RETORNO, ele está de cara feia.
— Tudo bem se eu sair para almoçar agora? – pergunto com cuidado.
Ele ergue o olhar para mim e faz uma cara ainda mais feia.
— Se for necessário – resmunga. – Quarenta e cinco minutos. Para recompensar o tempo que você perdeu hoje de manhã.
— Biff, posso lhe fazer uma pergunta?
— O quê?
— Você parece meio nervoso hoje. Eu fiz alguma coisa que o ofendeu?
Ele pisca para mi por um instante.
— Acho que não estou no clima para listar os seus pequenos delitos agora. Estou ocupado. – Ele volta a olhar o monitor, claramente indicando que devo me retirar.
Uau... O que foi que eu fiz?
Viro-me e deixo sua sala e, por um minuto, acho que vou chorar. Por que ele criou um aversão tão súbita e intensa por mim? Uma ideia muito desagradável surge em minha cabeça, mas eu ignoro. Não preciso dessa merda agora. Já tenho o suficiente com que me preocupar.
Saio do prédio e caminho até o Starbucks mais próximo, peço um café com leite e me sento junto à janela. Tiro o Ipod da bolsa e coloco os fones de ouvido. Escolho uma musica ao acaso e aperto ‘’repeat’’ para que ela não pare de tocar. Preciso de um pouco de música para pensar.
Minha mente voa. Quinn, a sádica. Quinn, a submissa. Quinn, a intocável. Os impulsos edipianos de Quinn. Quinn dando banho em Ashley. Solto um gemido e fecho os olhos enquanto a última imagem me assombra.
Posso me casar mesmo com essa mulher? Ela é muita coisa para assimilar. É complexa e difícil, mas no fundo sei que não quero deixá-la, apesar de todos os seus problemas. Nunca poderia deixá-la. Amo Quinn. Seria como cortar meu braço direito fora.
Nunca me senti assim tão viva como agora. Desde que a conheci, experimentei todos os tipos de sentimentos profundos e assombrosos, e de novas experiências. Com Quinn, não existe o tédio.
Revendo minha vida antes dela, é como se tudo tivesse sido em preto e branco, como nas fotos de Finn. Agora meu mundo inteiro está a cores, e elas são ricas, vivas e saturadas. Estou planando em um raio de luz deslumbrante, a luz ofuscante de Quinn. Ainda sou Ícaro, voando perto demais do sol. Rio de mim mesma. Voar com Quinn: quem poderia resistir a uma mulher que pode voar?
Posso desistir dela? Quero desistir dela? É como se ela tivesse ligado um interruptor e me acendido por dentro. Conhecê-la tem sido um aprendizado. Descobri mais sobre mim nas últimas semanas do que jamais soube em toda minha vida. Aprendi sobre meu corpo, meus limites rígidos, meus limites brandos, minha tolerância, minha paciência, minha compaixão e minha capacidade de amar.
E então o pensamento me acerta como se fosse um raio. É disso que ela precisa de mim, é a isso que ela tem o direito: o amor incondicional. Ela nunca o recebeu da prostituta viciada. É disso que ela precisa. Posso amá-la incondicionalmente? Posso aceitá-la pelo que ela é apesar de suas revelações na noite passada?
Sei que ela é problemática, mas não acho que seja irrecuperável. Suspiro, lembrando-me da palavras de Puck: ‘’Ela é uma mulher boa, Srta. Berry.’’
Já tive provas cabais de sua bondade: o trabalho de caridade que ela desempenha, a ética com que conduz seus negócios, sua generosidade. E, ainda assim, ela não enxerga por si só. Acha que não merece ser amada. Tenho em vista seu passado e suas predileções, tenho uma ideia do desprezo que ela tem por si própria – é por isso que ela nunca se abriu para ninguém. Será que consigo ultrapassar essa barreira?
Certa vez ela me disse que eu não poderia sequer começar a entender as profundezas de sua depravação. Bem, agora ela já me contou, e, dados os primeiros anos de sua vida, não me surpreende... embora ainda tenha sido um choque ouvir aquilo em voz alta. Pelo menos ela me contou... e parece mais feliz agora. Já sei de tudo.
Será que isso desvaloriza o seu amor por mim? Não, acho que não. Ela nunca sentiu isso antes, e nem eu. Nós duas evoluímos muito.
Lágrimas enchem meus olhos e os fazem arder à medida que me recordo das barreiras finais desmoronando na noite passada, no momento em que ela me deixou tocá-la. E foi preciso que Ashley e toda a sua loucura aparecessem para nos conduzir até esse ponto.
Talvez eu devesse me sentir agradecida. O fato de que ela deu banho nela já não me deixa com um gosto tão amargo na boca. Eu me pergunto que roupas ela lhe deu. Espero que não tenha sido o vestido ameixa. Gostava dele.
Então, posso amar essa mulher com todos os seus problemas de forma incondicional? Porque ela não merece nada menos do que isso. Ela ainda precisa aprender a ter limites e outros detalhes, como empatia, e a ser menos controladora. Ela diz que já não sente mais vontade de me machucar; talvez o Dr. Evans seja capaz de lançar alguma luz sobre isso.
Basicamente, isto é o que me preocupa: que ela precise disso e que sempre tenha encontrado mulheres como ela, que também precisam disso. Franzo a testa. sim, é dessa segurança que eu preciso. Quero ser todas as coisas para essa mulher, o alfa e o ômega e tudo que existe entre um e outro, porque ela é tudo para mim.
Espero que Evans possa me dar algumas respostas, e talvez aí eu possa dizer sim. E Quinn e eu possamos encontrar a nossa própria fatia do paraíso junto ao sol.
Olho lá fora, para Seattle apressada em sua hora de almoço. Sra. Rachel Fabray. Quem diria? Fito o relógio. Merda! Pulo da cadeira e corro para a porta. Uma hora inteira sentada ali, para onde foi o tempo? Biff vai pirar!
ME ESGUEIRO DE VOLTA para minha mesa. Por sorte, ele não está em sua sala. Parece que escapei dessa vez. Encaro meu monitor sem fato enxerga-lo, tentando reorganizar meus pensamentos e me focar no trabalho.
— Onde você estava?
Dou um pulo. Biff está de pé atrás de mim, de braços cruzados.
— Estava no subsolo, tirando xerox – minto.
Biff aperta os lábios numa linha fina e intransigente.
— Vou sair para o aeroporto às seis e meia. Preciso que você fique aqui até a hora em que eu for embora.
— Tudo bem. – Abro o sorriso mais doce que sou capaz de produzir.
— Quero dez cópias do meu roteiro em Nova York. E empacote as brochuras. E me traga um café! — rosna ele e volta para sua sala.
Solto um suspiro de alivio e dou a língua para ele enquanto ele fecha a porta atrás de si. Filha da mãe.
QUINN POV
No momento em que os empresários coreanos saem, nós mutuamente concordamos em nos reunir novamente. E porque minha mente estava preocupada com os pensamentos de Rachel me deixando, eu era capaz de usar o meu charme com força total, e colocar o encontro no caminho certo.
Meu Blackberry vibra, e eu olho para ele na esperança de que seja Rachel, mas é meu irmão
— Quinn,- ele me cumprimenta entusiasmado.
— Oi Kurt, que está acontecendo? — Eu pergunto.
— Você sabe o que está acontecendo! Seu aniversário, boba! E eu quero te dar uma festa de aniversário na casa dos nossos pais neste sábado. Bem, você sabe, mamãe e papai. Eles querem todos para jantar para comemorar o seu aniversário. Mas eu acho que, eles também estão muito contentes de vê-la feliz, e uma espécie de apresentação de Rachel para os amigos e familiares. Mas eu não tenho o número da Rach. Eu estava esperando que você poderia dá-lo para mim, para que eu possa convidá-la para sua festa de aniversário! — Diz ele em um só fôlego.
— Oh, Kurt. Você sabe que eu não gosto de celebrar o meu aniversário! — Eu digo reclamando.
— Quinn, não me atrapalhe! Você é minha irmã, e eu quero fazer isso por você! Então, cale a boca, e entregue o número de telefone de Rachel, — diz ele, em um tom de bom senso. Eu percebo, mas sorrio da tenacidade de meu irmão, e dou o número de telefone de Rachel na SIP.
— Irmãozinho, é ótimo falar com você, mas eu realmente tenho que ir. Tenho toneladas de trabalho para fazer. Amo você! — Eu digo surpreendendo Kurt.
— Eu também te amo, Quinn! — Diz ele depois de uma pausa, quase sem palavras, e desliga. Eu mergulho de volta no trabalho novamente. Finalmente, saber que Rachel não vai fugir de mim me relaxa tremendamente, e posso me concentrar no trabalho.
Na verdade, no momento em que eu consigo olhar o meu Blackberry, eu estou feliz em ver que já existe uma mensagem de Rachel.
RACHEL POV
Às quatro horas da tarde, Tina me liga da recepção.
— Tem um Kurt Fabray no telefone para você.
Kurt? Espero que ele não queira fazer compras.
— Oi, Kurt!
— Rach, oi. Como vai? – Seu entusiasmo é sufocante.
— Bem. Ocupada, hoje. É você?
— Estou tão entediado! Precisava achar alguma coisa para fazer, por isso resolvi organizar uma festa de aniversario para Quinn.
Aniversario de Quinn? Puxa, eu não tinha ideia.
— Quando é?
— Eu sabia. Eu sabia que ela não iria contar. É no sábado. Mamãe e papai chamaram todo mundo para um jantar de comemoração. Estou oficialmente convidando você.
— Ah, que ótimo. Obrigada, Kurt.
— Já liguei para a Quinn e disse a ela, e ela me deu o seu número dai.
— Legal.
Minha mente está dando voltas – que diabo posso dar para Quinn de aniversario? O que comprar para uma mulher que já tem tudo?
— E quem sabe a gente não possa almoçar na semana que vem?
— Claro. Que tal amanhã? Meu chefe vai estar em Nova York a trabalho.
— Ah, isso seria legal, Rach. Que horas?
— Quinze para uma?
— Estarei aí. Tchau, Rach.
— Tchau – desligo.
Quinn. Aniversário. Que diabo eu compro para ela?
QUINN POV
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De: Rachel Berry
Assunto: Antediluviano
15 de junho, 2011 16:10
Para: Quinn Fabray
Prezada Sra. Fabray,
Quando exatamente você ia me contar?
O que devo comprar para a minha velha de aniversário?
Quem sabe baterias novas para o aparelho de surdez?
Rachel Berry
Assistente Biff McIntosh, Editor Comissionado, SIP
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Ver sua mensagem me faz completamente feliz e com um sorriso idiota na minha cara, eu digito a ela uma resposta.
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De: Quinn Fabray
Assunto: Pré-histórica
15 de junho, 2011 16:19
Para: Rachel Berry
Não zombe dos idosos.
Que bom saber que você está bem.
E que Kurt entrou em contato.
Bateria novas são sempre úteis.
Não gosto de comemorar meu aniversário.
Bj,
Quinn Fabray
Uma CEO surda como uma porta, Fabray Enterprises Holdings Inc. _______________________________________________
Quando eu clico enviar, percebo que este é o primeiro aniversário em que eu tenho uma namorada. Esperemos que uma namorada que diga "Sim,” para ser minha esposa. A mensagem de Rachel ding de volta rapidamente.
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De: Rachel Berry
Assunto: Huuumm
15 Junho de 2011 16:23
Para: Quinn Fabray
Prezada Sra. Fabray,
Posso até vê-la fazendo beicinho ao escrever essa última frase.
Você sabe o efeito que isso tem em mim.
Bj,
Rachel Berry
Assistente Biff McIntosh, Editor Comissionado, SIP
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Eu acabo de perceber que Rachel está utilizando seu e-mail de trabalho para todos os seus e-mails. Mulher irritante!
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De: Quinn Fabray
Assunto: Revirar os olhos
15 de junho, 2011 16:28
Para: Rachel Berry
Srta. Berry,
SERÁ QUE DÁ PARA USAR O SEU BLACKBERRY!
Bj,
Quinn Fabray
Uma CEO com a mão coçando, Fabray Enterprises Holdings Inc.
—______________________________________________
Quando sua mensagem de resposta chega de volta, eu observo com alívio que é de seu Blackberry. Por que é tão difícil para ela seguir uma instrução simples?
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De: Rachel Berry
Assunto: Inspiração
15 Junho 2011 16:32
Para: Quinn Fabray
Prezada Sra. Faray,
Ah... essas mãos não se aguentam paradas por muito tempo, não é?
Eu me pergunto o que o Dr. Evans diria sobre isso?
Mas agora, já sei o que dar a você de aniversário – espero ficar bem dolorida...
;)
Um bj,
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Que porra! Rachel está me dando um colapso nervoso, ou uma ereção! Ela é a única mulher que pode me levar do frio para o quente escaldante em segundos, e deixar meu coração acelerado como ninguém. E eu conheço alguma merda bizarra no fundo, mas o que eu sinto por ela é mais do que qualquer coisa que eu nunca senti por alguém antes. Eu a quero como eu nunca quis mais nada, nunca.
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De: Quinn Fabray
Assunto: Crise de angina
15 Junho 2011 16:37
Para: Rachel Berry
Srta. Berry,
Não acho que meu coração poderia suportar a tensão de mais um e-mail desses – nem a minhas mãos, diga-se de passagem.
Comporte-se.
Bj,
Quinn Fabray
Uma CEO de mãos nervosas, Fabray Enterprises Holdings Inc.
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De: Rachel Berry
Assunto: Estou tentando
Data: 15 Junho 2011 16:41
Para: Quinn Fabray
Quinn,
Estou tentando trabalhar, e meu chefe está impossível.
Por favor, pare de me atrapalhar e de ser você também tão impossível.
Seu ultimo e-mail quase me fez entrar em combustão.
Bj,
PS: Você pode me buscar às seis e meia?
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De: Quinn Fabray
Assunto: Estarei aí
15 Junho 2011 16:45
Para: Rachel Berry
Srta. Steele,
Nada me daria mais prazer.
Na verdade, posso pensar numa série de coisas que me dariam mais prazer, e todas elas envolvem você.
Bj,
Quinn Fabray
CEO, Fabray Enterprises Holdings Inc.
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Puck está no canto do meu escritório, discreto, tentando ser uma peça de mobiliário.
— Vamos pegar Rachel às 6:30, Puck. Eu acho que tenho algum tempo para malhar. Vamos para a academia, — eu digo, e ele concorda com a cabeça enquanto nós caminhamos para fora do meu escritório encerrando o assunto.
RACHEL POV
Fico vermelha ao ler sua resposta e balanço a cabeça. Implicar uma com a outra por e-mail é muito legal e tal, mas a gente precisa mesmo conversar. Talvez depois da consulta com a Evans. Guardo o BlackBerry e termino o relatório de fluxo de caixa.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!ÀS SEIS E QUINZE, o escritório está vazio. Estou com tudo pronto para Biff. O táxi para o aeroporto já está marcado, e só preciso entregar a ele os documentos, que ele precisa levar. Olho ansiosamente pelo vidro da sala dele, mas Biff ainda está absorto num telefonema, e não quero interrompê-lo – não com o humor em que está hoje.
Enquanto espero que ele desligue, me dou conta de que não comi nada durante o dia todo, ah, merda, Quinn não vai gostar disso. Corro até a cozinha para ver se sobrou algum biscoito.
Assim que abro o pote comunitário, Biff aparece do nada na porta da cozinha, dando-me um susto.
Ei. O que ele está fazendo aqui?
Biff me encara.
— Be, Rachel, acho que agora pode ser uma boa hora para discutir os seus pequenos delitos. – Ele entra na cozinha, fechando a porta atrás de si, e no mesmo instante minha boca fica seca e minha cabeça começa a latejar diante dos sinais de perigo.
Ah, merda.
Ele contrai os lábios num sorriso grotesco, e seus olhos brilham com intensidade, um azul-cobalto bem escuro.
— Finalmente tenho você sozinha – diz ele, lambendo lentamente o lábio inferior.
O quê?
— E então, você vai ser boazinha e ouvir com muita atenção o que eu tenho a dizer?
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