My Dark Word

3 3 - Who Are You


Notas iniciais
Sei que falei que eu ia postar ontem... mas eu acabei esquecendo!! Sorry?! Então aqui está antes tarde do que nunca. Enjoy!

Sobrevivi ao terceiro dia pós- Quinn, e ao primeiro dia no emprego. Foi uma distração bem-vinda. O tempo voou numa névoa de rostos novos, trabalho a fazer e a presença do Sr. Biff McIntosh. O Sr. Biff McIntosh... ele sorri para mim, os olhos azuis, ao se recostar contra minha mesa.

– Bom trabalho, Rachel. Acho que vamos formar um belo time.

De alguma forma, dou um jeito de curvar os lábios para cima num arremedo de sorriso.

– Acho que já vou indo, se estiver tudo bem para o senhor – murmuro.

– Claro, são cinco e meia. Vejo você amanhã.

– Boa noite, Biff.

– Boa noite, Rach.

Pego minha bolsa, enfio-me no casaco e caminho até a porta. Lá fora, no ar do inicio de noite de Seattle, respiro fundo. Ele não chega nem perto de encher o vazio no meu peito, um vazio que está ali desde a manhã de sábado, um lembrete oco e doloroso de minha perda. Caminho de cabeça baixa em direção ao ponto de ônibus, olhando para meus pés e contemplando a vida sem o meu amado Wanda, meu fusca antigo... ou sem o Audi.

Imediatamente bloqueio esses pensamentos. Não. Não pense nela. É claro que tenho dinheiro para comprar um carro – um belo carro novo. Suspeito de que ela tenha sido generosa demais no pagamento, e a ideia deixa um gosto amargo em minha boca, mas eu afasto e tento manter a cabeça tão vazia e entorpecida quanto possível. Não posso pensar nela. Não quero começar a chorar de novo, não no meio da rua.

O apartamento está vazio. Sinto saudade da Santana, e a imagino deitada numa praia em Barbados, se refrescando com um coquetel. Logo a tevê de tela plana para que o ruído preencha o vazio e proporcione uma sensação de companhia, mas não a escuto nem olho para ela. Sento-me e encaro a parede de tijolos com um olhar vazio. Estou apática. Não sinto nada além de dor. Por quanto tempo precisarei suportar isso?

A campainha me acorda da prostração, e meu coração dispara. Quem será? Atendo o interfone.

– Entrega para Srta. Berry – responde uma voz entediada e distante, e a decepção me atinge em cheio.

Entorpecida, desço até o térreo e vejo um rapaz encostado na porta da frente, mascando ruidosamente um chiclete e segurando uma grande caixa de papelão. Assino para receber o pacote e subo com ele. A caixa é enorme e surpreendentemente leve. Dentro dela, duas dúzias de rosas de caule comprido e um cartão.

Parabéns pelo primeiro dia no trabalho.

Espero que tenha ocorrido tudo bem.

E obrigada pelo planador. Foi muito gentil de sua parte.

Reservei um lugar especial para ele em minha mesa.

Quinn

Encaro o cartão digitado, o buraco em meu peito se expandindo. Sem dúvida foi enviado por um assistente. Quinn provavelmente não tem nada a ver com isso. É doloroso demais pensar no assunto. Examino as roas – são lindas, não consigo jogá-las no lixo. Obediente, vou até a cozinha procurar um vaso.

E ASSIM UM PADRÃO se estabelece: acordar, trabalhar, chorar, dormir. Bem, tentar dormir. Não consigo fugir dela nem em meus sonhos. Os olhos ardentes de Quinn, o olhar perdido, o cabelo macio e brilhoso me perseguem. E a música... tanta música. Não suporto ouvir música alguma. Tenho o cuidado de evitar a todo custo. Mesmo os jingles em comerciais de tevê me deixam trêmula.

Não falei com ninguém, nem mesmo com minha mãe ou meus pais. Não estou com cabeça para conversa fiada agora. Não, não quero nada disso. Eu me tornei minha própria ilha, mas é só. Se eu conversar com minha mãe, sei que vou me machucar ainda mais e não tenho mais onde me machucar.

TENHO TIDO DIFICULDADE de comer. No almoço de quarta, consegui tomar um copo de iogurte, a primeira coisa que comi desde sexta-feira. Estou sobrevivendo graças a uma recém – descoberta tolerância a café com leite e coca diet. É a cafeína que me faz seguir em frente, mas isso está me deixando ansiosa.

Biff começou a me rondar. Ele me irrita, fazendo perguntas pessoais. O que ele quer? Sou educada, mas preciso mantê-lo a distância.

Eu me sento e começo a vasculhar a pilha de cartas endereçada a ela, a distração do trabalho mecânico me satisfaz. Meu e-mail pisca, e rapidamente verifico que é.

Puta merda. Um e-mail de Quinn. Ah não, aqui não.... não no trabalho.

De: Quinn Fabray

Assunto: Amanhã

8 de junho de 2011 14:05

Para: Rachel Berry

Querida Rachel,

Desculpe essa intromissão em seu trabalho. Espero que tudo esteja correndo bem. Você recebeu minhas flores?

Queria lembrar que amanhã é a abertura da exposição do seu amigo. Tenho certeza de que você não teve tempo de comprar um carro, e a viagem é longa. Eu ficaria mais que feliz em levá-la – se você quiser.

Avise-me.

Quinn Fabray

CEO, Fabray Enterprises, Inc.

Lágrimas enchem meu olhos. Apressadamente, deixo minha mesa, corro até o banheiro e me escondo em uma das cabines. A exposição do Finn. Eu tinha esquecido completamente. E prometi a ele que iria. Merda, Quinn tem razão; como vou chegar lá?

Pressiono minhas têmporas. Por que o Finn não me ligou? Pensando bem, por que ninguém me ligou? Tenho andado tão distraída, que nem reparei que meu celular não tem tocado.

Merda! Que idiota! As ligações ainda estão desviadas para o BlackBerry. Que inferno. Quinn está recebendo todas as minhas chamadas – a menos que tenha jogado o BlackBerry fora. Como ela conseguiu meu e-mail?

Ela sabe quanto eu calço; duvido que um endereço de e-mail seja um problema para ela.

Aguento vê-la de novo? Será que vou suportar? Quero vê-la de novo? Fecho os olhos e inclino a cabeça para trás, a mágoa e o desejo tomando conta de mim. É claro que quero.

Talvez... talvez eu pudesse dizer a ela que mudei de ideia.. Não, não e não. Não posso ficar com alguém que tem prazer em me infligir dor, alguém incapaz de me amar.

Memórias torturantes invadem minha mente: o planador, as mãos dadas, os beijos, a banheira, a gentileza dela, o humor e o olhar sombrio, taciturno e sexy. Sinto falta dela. Já se passaram cinco dias, cinco dias de agonia que foram como uma eternidade. Choro todas as noites antes de dormir, desejando que não tivesse desistido, desejando que ela fosse diferente, desejando que estivéssemos juntas. Por quanto tempo essa sensação esmagadora e horrível vai durar? Estou no purgatório.

Envolvo meu corpo com os braços, apertando-me com força, tentando me manter firme. Sinto falta dela. Realmente sinto falta dela... Eu a amo. Simples assim.

Rachel Berry, você está no trabalho! Preciso ser forte, mas quero ir à exposição de Finn, e, no mínimo, a masoquista em mim quer ver Quinn de novo. Respiro fundo e volto a minha mesa.

De: Rachel Berry

Assunto: Amanhã

8 de junho de 2011 14:25

Para: Quinn Fabray

Oi, Quinn,

Obrigada pelas flores; elas são lindas.

Sim, eu gostaria de uma carona.

Obrigada.

Rachel Berry

Assistente de Biff Mcintosh, Editor, SIP.

Verifico meu telefone e vejo que ainda está ativado para desviar as chamadas para o Black Berry. Biff está em reunião, então ligo rapidinho para Finn.

– Oi, Finn. É a Rach.

– Olá, mocinha – Ele é tão caloroso e acolhedor que quase me faz desabar outra vez.

– Não posso demorar muito. A que horas devo chegar amanhã na exposição?

– Você ainda vai poder vir? – Ele parece animado.

– Sim, claro. – Sorrio meu primeiro sorriso sincero em cinco dias ao imaginar sua expressão de alegria.

– Lá pelas sete e meia.

– Vejo você amanhã. Tchau, Finn.

– Tchau, Rach.

De: Quinn Fabray

Assunto: Amanhã

8 de junho de 2011 14:27

Para: Rachel Berry

Querida Rachel,

A que horas devo busca-la?

Quinn Fabray

CEO, Fabray Enterprises, Inc.

De: Rachel Berry

Assunto: Amanhã

8 de junho de 2011 14:32

Para: Quinn Fabray

A exposição abre às 19:30. Que horas você sugere?

Rachel Berry

Assistente de Biff Mcintosh, Editor, SIP.

De: Quinn Fabray

Assunto: Amanhã

8 de junho de 2011 14:34

Para: Rachel Berry

Querida Rachel,

Portland fica a certa distância. Devo buscá-la às 17:45.

Estou ansiosa para vê-la.

Quinn Fabray

CEO, Fabray Enterprises, Inc.

De: Rachel Berry

Assunto: Amanhã

8 de junho de 2011 14:38

Para: Quinn Fabray

Vejo você amanhã.

Rachel Berry

Assistente de Biff Mcintosh, Editor, SIP.

Ai, meu Deus. Vou encontrar Quinn e, pela primeira vez em cinco dias, meu estado de espírito se eleva um pouco, e me permito imaginar como ela tem passado.

Será que sentiu minha falta? Provavelmente não do jeito como senti dela. Será que arrumou uma nova submissa? A imagem é tão dolorosa que a dispenso imediatamente. Olho para a pilha de correspondência que preciso organizar para Biff e volto a trabalhar, tentando afastar Quinn de meus pensamentos uma vez mais.

Durante a noite, na cama, reviro-me de um lado para o outro, tentando dormir. É a primeira vez em dias que não choro até adormecer.

Em minha cabeça, visualizo perfeitamente o rosto de Quinn na última vez a que a vi, quando deixei seu apartamento. Sua expressão aflita me persegue. Lembro que ela não queria que eu fosse embora, o que era muito estranho. Por que motivo eu ficaria, quando as coisas haviam chegado ao ponto em que chegaram? Ambas tentávamos fugir de nossos próprios problemas: meu medo da punição, o medo dela... de quê? Do amor?

Virando-me de lado, abraço o travesseiro, tomada por uma tristeza esmagadora. Ela acha que não merece ser amada. Por que ela acha isso? Será que tem a ver com jeito como foi criada? Com sua mãe biológica, a prostituta drogada? Meus pensamentos me atormentam até de madrugada, quando enfim mergulho num sono agitado e exausto.

O DIA SE ARRASTA, e Biff está especialmente atencioso. Suspeito que seja por causa do vestido ameixa da Sant e das botas pretas de salto que peguei no armário dela, mas não perco tempo pensando nisso. Decido que preciso usar meu primeiro salário para comprar roupas. O vestido está mais folgado em mim do que de costume, mas finjo não reparar.

Enfim, são cinco e meia; pego meu casaco e a bolsa, tentando acalmar meus nervos. Vou vê-la.

– Vai sair com alguém hoje? – pergunta Biff ao passar por minha mesa a caminho da saída.

– Vou. Não. Não exatamente.

Ela ergue uma sobrancelha, seu interesse obviamente despertado.

– Namorado?

Fico vermelha.

– Não, uma amiga. Ex-namorada.

– Namorada? Humm. Talvez amanhã a gente pudesse tomar um drinque depois do trabalho. Você teve uma primeira semana fantástica, Rach. A gente devia comemorar. – Ele sorri e seu rosto é tomado por uma expressão estranha, inquietante, que me deixa desconfortável.

Com as mãos nos bolsos, ele passa pelas portas duplas. Faço uma careta ao vê-lo ir embora. Beber com o chefe, será que é uma boa ideia?

Balanço a cabeça. Primeiro preciso enfrentar uma noite com Quinn Fabray. Como vou fazer isso? Corro para o banheiro para os últimos retoques.

Dou uma olhada longa e severa no rosto do outro lado do grande espelho na parede. Sou eu, em meu estado pálido de sempre, olheiras escuras ao redor dos olhos grandes demais. Pareço magra e assustada. Queria muito saber usar maquiagem. Passo um pouco de rímel e delineador e belisco as bochechas, na esperança de que isso seja o suficiente para ressaltar um pouco a cor delas. Arrumo o cabelo para que ele caia graciosamente pelas minhas costas, e respiro fundo. É o melhor que consigo fazer.

Nervosa, atravesso o saguão de entrada com um sorriso e um aceno para Tina, na recepção. Acho que poderíamos nos tornar amigas. Biff está conversando com Aprill enquanto caminho na direção das portas. Com um largo sorriso, ele se apressa em abri-las para mim.

– Depois de você, Rach – murmura.

– Obrigada. – Sorrio envergonhada.

Lá fora, Puck me espera junto da calçada. Ele abre a porta traseira do carro. Olho hesitante para Biff, que saiu depois de mim. Está encarando o Audi SUV, consternado.

Viro-me e entro no carro, e lá está ela, Quinn Fabray, em seu terninho cinza, sem gravata, a camisa branca aberta no colarinho. Os olhos brilhando. Minha boca fica seca. Ela está linda, só que está fazendo uma cara feia para mim. Por quê?

Quando foi a última vez que você comeu? – pergunta, assim que Puck fecha a porta atrás de mim.

Merda.

– Oi, Quinn. Bom ver você também.

– Nada de bancar a espertinha. Responda. – Seus olhos estão em chamas.

Puta merda.

– Hum... Tomei um iogurte na hora do almoço. Ah, e comi uma banana.

– Quando foi a última vez que você fez uma refeição de verdade? – pergunta ela friamente.

Puck se senta no banco do motorista, liga o carro e começa a dirigir.

Olho para fora e Biff está acenando para mim, embora eu não tenha ideia de como ele consegue me ver através dos vidros escuros. Aceno de volta.

– Quem é? – pergunta Quinn.

– Meu chefe. – Dou uma olhada de relance na bela mulher a meu lado, e seus lábios estão contraídos, pressionados numa linha rígida.

– Então? Sua última refeição?

– Quinn isso não é da sua conta – murmuro, sentindo-me surpreendentemente corajosa.

– O que quer que você faça é da minha conta. Fale logo.

Não, não é. Solto um gemido de frustação, revirando os olhos. Quinn faz uma careta. E pela primeira vez em muito tempo tenho vontade de rir. Esforço-me para sufocar o riso que ameaça brotar em mim. Quinn suaviza o rosto, e tento manter uma expressão séria; vejo o esboço de um sorriso brotar em seus lábios maravilhosamente esculpidos.

– E então? – pergunta ela num tom mais suave.

– Pasta ala vongale, sexta passada – sussurro.

Ela fecha os olhos; raiva e arrependimento, quem sabe, tomam conta de seu rosto.

– Entendo – diz ela, a voz inexpressiva. – Parece que, desde então, você perdeu pelo menos uns dois quilos, talvez mais. Por favor, Rachel, volte a comer – ela me repreende.

Olho para baixo, para os dedos entrelaçados em meu colo. Por que ela sempre faz com que eu me sinta uma criança insolente?

Ela se ajeita no banco do carro, virando-se para mim.

– Como você está? – pergunta, a voz ainda suave.

Bem, estou uma merda... engulo em seco.

– Se dissesse que estou bem, estaria mentindo.

Ela suspira fundo.

– Eu também – murmura, e segura a minha mão. – Sinto sua falta – acrescenta.

Ah, não. Pele contra pele.

– Quinn, eu...

– Rach, por favor. Nós precisamos conversar.

Eu vou chorar. Não.

– Quinn, eu... por favor... Eu chorei muito – sussurro, tentando manter minhas emoções sob controle.

– Ah, baby, não. – Ela puxa minha mão, e antes que eu me dê conta, estou em seu colo. Ela passa os braços ao meu redor, seu nariz está em meu cabelo. – Tenho sentindo tanto a sua falta, Rachel. – Ela suspira.

Quero me soltar de seu braço, manter a distância, mas os braços dela me envolvem. Ela me aperta contra o peito. Eu derreto. Ah, é aqui que quero estar.

Descanso a cabeça nela, e ela beija meu cabelo várias vezes. Sinto-me em casa. Ela cheira a linho, amaciante de roupas, gel de banho e, meu cheiro favorito, Quinn. Por um momento, permito-me ter a ilusão de que tudo vai ficar bem, isso alivia minha alma devastada.

Alguns minutos depois, Puck encosta o carro no meio-fio, embora ainda estejamos dentro da cidade.

– Vamos. – Quinn me tira de seu colo. – Chegamos.

O quê?

– Heliporto, no alto deste edifício. – Ela lança um olhar de explicação em direção ao prédio.

Claro. Charlie Tango. Puck abre a porta e eu solto do carro. Ele me lança um sorriso acolhedor e paternal que me transmite segurança. Sorrio de volta.

– Eu preciso devolver seu lenço.

– Fique com ele, Srta. Berry, com os meus melhores cumprimentos.

Fico vermelha enquanto Quinn dá a volta no carro e pega minha mão. Ela olha, curiosa, para Puck, que olha de volta impassível, sem revelar nada.

– Nove? – pergunta Quinn.

– Sim, senhora.

Quinn acena com a cabeça, vira-se e me conduz pelas portas duplas até o suntuoso saguão. Eu me deleito ao sentir a mão grande e os dedos longos e habilidosos entrelaçados aos meus. Sinto o puxão familiar – sou atraída como Ícaro é pelo Sol. Eu já me queimei antes, e ainda assim aqui estou de novo.

Chegamos aos elevadores, e ela aperta o botão. Olho para ela de relance, e ela está exibindo seu meio sorriso enigmático. Quando as portas se abrem, ela solta minha mão e me conduz para dentro.

As portas se fecham, e arrisco uma segunda olhadela. Ela me olha de volta, os olhos vivos brilhando, é lá está de novo, no ar entre nós, aquela mesmo eletricidade. Chega a ser palpável. Quase posso senti-la, pulsando entre nós, atraindo-nos uma para outra.

– Meu Deus... – arquejo, deleitando-me na intensidade dessa atração visceral e primitiva.

– Também posso sentir – diz ela, o olhar soturno e intenso.

O desejo se concentra, sombrio e mortal, em minha virilha. Ela aperta minha mão, roça meus dedos com o polegar, e, dentro de mim os músculos se enrijecem deliciosamente.

Como ela ainda consegue causar esse afeito em mim?

– Por favor, Rachel, não morda o lábio – sussurra.

Levanto o olhar para ela, soltando o lábio. Eu a quero. Aqui, agora, o elevador. Como poderia evitar?

– Você sabe como me deixa quando faz isso – murmura.

Ah, então ainda posso afetá-la. Minha deusa interior desperta de sua letargia de cinco dias.

De repente, as portas se abrem, quebrando o feitiço, e estamos no topo do edifício. Está ventando, e, apesar do casaco preto, sinto frio. Quinn passa o braço em volta de mim, puxando-me para junto dela, e caminhamos apressadamente até Charlie Tango, que está no centro do heliporto, as hélices girando lentamente.

Um homem alto, louro, de queixo quadrado e usando um terno escuro salta do helicóptero, abaixa-se e corre em nossa direção. Ele troca um aperto de mão com Quinn, e grita por sobre o ruído do motor.

– Tudo pronto, senhora. Ele é todo seu!

– Já fez todas as verificações?

– Sim, senhora.

– Você pode pegá-lo lá pelas oito e meia?

– Sim, senhora.

– Puck está esperando por você lá embaixo.

– Obrigado, Srta. Fabray. Tenha um bom voo até Portland. Senhorita – ele me cumprimenta.

Sem soltar minha mão, Quinn acena, abaixa-se e me leva até a porta do helicóptero. Uma vez lá dentro, ela prendeu meu cinto, apertando bem as tiras, e lança um olhar cúmplice, além de seu sorriso misterioso.

– Isso deve mantê-la segura – murmura. – Tenho que admitir que gosto de ver você presa assim. Não toque em nada.

Fico profundamente vermelha, e ela corre o indicador ao longo de minha bochecha antes de me entregar os fones de ouvido. Eu também queria tocar você, mas você, mas você não deixaria. Faço uma cara feia para ela. Além do mais, ela apertou tanto as tiras que mal posso me mover.

Ela se levanta e afivela o próprio cinto, em seguida, começa a executar as checagens de segurança. É tão competente. Isso é muito sedutor. Ela coloca os fones de ouvido e liga um interruptor, os motores se aceleram, ensurdecendo-me.

Ela se vira para mim:

– Pronta? – sua voz ecoa pelos fones.

– Pronta.

Ela abre seu sorriso de menina. Nossa, há quanto tempo não vejo esse sorriso.

– Torre, aqui é Charlie Tango Gof-Gof Echo Hotel, pronto para decolagem destino Portland, via Aeroporto Internacional de Portland. Por favor, confirme câmbio.

O controlador de tráfego aéreo responde, emitindo instruções numa voz distante.

– Aqui é a torre; Charlie Tango está liberado.

Quinn vira dois botões, segura o manche, e o helicóptero sobe lenta e suavemente pelo céu de fim de tarde. Seattle e meu estômago ficam lá em baixo; há tanto para ver.

– Nós já perseguimos o amanhecer, Rachel, agora vamos atrás do crepúsculo – sua voz me vem pelos fones de ouvido. Viro-me para ela, boquiaberta.

O que significa? Como ela consegue dizer as coisas mais românticas? Ela sorri, e não consigo não lhe retribuir um sorriso tímido.

– E, com o sol da tarde, há mais para ser visto desta vez – diz.

Na última vez voamos, Seattle estava escuro, mas, esta noite, a vista é espetacular, realmente extraordinária. Estamos em meio aos prédios mais altos, subindo cada vez mais.

– Ali fica o Escala. – Ela aponta um edifício. – Ali é o Boeing, e, lá atrás, dá pra ver o Space Needle.

Viro a cabeça.

– Nunca fui lá.

– Eu levo você, a gente podia comer lá.

– Quinn, nós terminamos.

– Eu sei. Mas ainda posso levar você lá e alimentar você. – Ela me encara.

Balanço a cabeça e decido não contradizê-la.

– É muito bonito aqui, obrigada.

– Impressionante, não é?

– É impressionante que você possa fazer isso.

– Elogios vindos de você, Srta. Berry? Sou uma mulher de muitos talentos.

– Tenho total consciência disso, Srta. Fabray.

Ela se vira e sorri para mim. Pela primeira vez em cinco dias, relaxo um pouco. Talvez isso não vá ser tão ruim.

– Como vai o novo emprego?

– Bem, obrigada. É interessante.

– E como é o seu chefe?

– Ah, ela é legal. – Como poderia dizer a Quinn que Biff me deixa desconfortável? Quinn me encara.

– Qual é o problema?- pergunta ela.

– Fora o óbvio, nada.

– O óbvio?

– Ah, Quinn, às vezes você é realmente muita estúpida.

– Estúpida? Eu? Não sei se gosto do seu tom, Srta. Berry.

– Bem, problema seu.

– Senti saudade do seu atrevimento. – Seus lábios se contorcem num sorriso.

Suspiro, e minha vontade é gritar bem alto: Eu senti saudade de você por inteira, e não apenas do seu atrevimento! Mas fico calada, olhando pelas janelas de vidro de Charlie Tango ao seguirmos em direção ao Sul. O crepúsculo está à nossa direita, o Sol está baixo no horizonte, enorme, flamejante e laranja; e, mais uma vez, eu sou Ícaro, voando perto demais dele.

O ENTARDECER NOS segue desde Sattle, e o céu está tomado de tons de rosa e azul-marinho, perfeitamente entrelaçados de um jeito que só a Mãe Natureza sabe fazer. A noite está clara e nítida, as luzes de Portland brilham acolhendo-nos à medida que Quinn pousa o helicóptero. Estamos no topo do estranho prédio de tijolos marrons do qual saímos há menos de três semanas.

Meu Deus, faz pouco tão pouco tempo. No entanto, sinto como se conhecesse Quinn a vida toda. Ela aperta vários botões, desligando os motores de Charlie Tango, até que tudo o que eu ouço é o som de minha própria respiração nos fones de ouvido. Hum. Por um instante, isso me faz lembrar da experiência Thomas Tallis. Fico pálida. Realmente, não quero pensar nisso agora.

Quinn solta seu cinto e se inclina para abrir o meu.

– Fez boa viagem, Srta. Berry? – pergunta ela, a voz suave, os olhos reluzindo.

– Sim, obrigada, Srta. Fabray – respondo, educada.

– Bem, vamos lá ver as fotos daquele garoto. – Ela me estende a mão e, apoiando-me nela, desço do Charlie Tango.

Um homem de barba e cabelo grisalho caminha até nós, com um largo sorriso no rosto. Eu o reconheço como o mesmo senhor da última vez em que estivemos aqui.

– Joe – Quinn sorri e solta minha mão para apertar a de Joe calorosamente.

– Tome conta dele Stephan. Ele vai chegar lá pelas oito ou nove.

– Certo, Srta. Berry, Senhorita – diz ele, acenando para mim. – Seu carro está esperando lá em baixo. Ah, e o elevador está quebrado, vão ter que usar a escada.

– Obrigada, Joe.

Quinn pega minha mão, e seguimos até a escada de emergência.

– Usando esses saltos, sorte sua serem só três andares – resmunga ela, em desaprovação.

É sério?

– Não gostou das botas?

– Gostei muito, Rachel. – Seu olhar escurece. Acho que vai dizer mais alguma coisa, mas ela para. – Vamos com calma. Não quero que você caia e quebre o pescoço.

NOS SENTAMOS EM silêncio no carro, enquanto o motorista nos leva até a galeria. Minha ansiedade voltou com força total, e percebo que o tempo passado dentro de Charlie Tango foi o olho do furacão. Quinn está quieta e taciturna... apreensiva até; nosso bom humor de poucos instantes atrás se dissipou. Tem tanta coisa que quero dizer, mas a viagem é muito curta. Pensativa, Quinn olha para fora da janela.

– Finn é só um amigo – murmuro.

Quinn vira-se para mim, os olhos escuros e cautelosos não deixam transparecer nada. Sua boca – ah, essa boca é uma distração que eu não queria ter agora. Eu fico me lembrando dela em mim, em todos os lugares. Minha pele fica quente. Ela se ajeita em seu assento e franze a testa.

– Esses lindos olhos estão grandes demais no seu rosto, Rachel. Por favor, prometa-me que você vai comer.

– Prometo que vou comer, Quinn – respondo automaticamente, sem convicção.

– Estou falando sério.

– Ah, é? – Não consigo o tom de desdém em minha voz.

Sério, a audácia dessa menina, essa mulher que durante os últimos dias me fez passar por um inferno. Não, não foi isso. Fui eu que me fiz passar por um inferno. Não. Foi ela. Balanço a cabeça, confusa.

– Não quero brigar com você, Rachel. Quero você de volta, e quero você saudável – diz ela.

– Mas nada mudou.

Você ainda é a mulher com cinquenta tons.

– Chegamos. Na volta a gente conversa.

O carro para na frente da galeria, a Quinn desce, deixando-me muda. Ela abre a porta para mim, e solto do carro.

– Por que você faz isso? – minha voz sai mais alta do que eu esperava.

– Isso o quê? – pergunta Quinn, surpresa.

– Você fala uma coisa dessas e depois para.

– Rachel, nós chegamos. No lugar em que você queria estar. Agora nós vamos entrar, e depois conversamos. Eu realmente não quero fazer uma cena no meio da rua.

Olho ao redor. Ela está certa. É público demais. Aperto os lábios enquanto ela olha para mim.

– Certo – resmungo, de mau humor.

Segurando minha mão, ela me conduz para dentro do prédio. Estamos em um armazém reformado; paredes de tijolo, piso de madeira escura, teto branco e encanamento branco. É moderno e arejado, e várias pessoas caminham ao longo da galeria, bebendo vinho e admirando o trabalho de Finn. Por um momento, meus problemas se dissipam e me dou conta de que Finn realizou um sonho.

Parabéns, cara!

– Boa noite e bem-vindos à exposição de Finn Hudson.

Somos recebidas por uma jovem vestida de preto, o cabelo castanho muito curto, batom vermelho e grandes brincos de argola. Ela me olha de relance, então encara Quinn por muito mais tempo do que o estritamente necessário, depois volta a olhar para mim, piscando, e suas faces ficam de um vermelho-vivo.

Franzo a testa. Ela é minha. Ou era. Tento não fazer cara feia para ela. Assim que seu olhar me focaliza de novo, ela pisca uma vez.

– Ah, Rach, é você. Nós também vamos querer a sua opinião a respeito disso tudo. – Sorrindo, ela me entrega um folheto e me conduz em direção a uma mesa com bebidas e aperitivos.

– Você a conhece? – Quinn franze a testa intrigada.

Nego com a cabeça, igualmente intrigada.

Ela dá de ombros, distraída.

– O que você quer beber?

– Vinho branco, obrigada.

Ela franze a testa, mas fica quieta e caminha até o bar.

– RACH!

Abrindo caminho entre as pessoas, Finn vem em minha direção.

Caramba! Ele está de terno. Está bonito, além de radiante. Abraça-me com força. E faço tudo o que posso para não irromper em lágrimas. Meu amigo, meu único amigo agora que Santana não está aqui. Meus olhos se enchem d’água.

– Rach, que bom que você veio – sussurra ele em meu ouvido. Em seguida faz uma pausa e me segura à distância de um braço, examinando-me.

– O que foi?

– Ei, você esta bem? Você parece, não sei, estranha. Meu deus, Rach, você emagreceu?

Pisco com força, para espantar as lágrimas. Merda, Finn também.

– Estou bem, Finn. Estou tão feliz por você. Parabéns pela exposição – minha voz oscila à medida que percebo a preocupação em seu rosto tão familiar, mas tenho que segurar a onda.

– Como você chegou aqui? – pergunta ele.

– Quinn me trouxe – digo, apreensiva de repente.

– Ah. – Ah expressão em seu rosto desmorona, e ele me solta. – Cadê ela? – Seu olhar escurece.

– Foi buscar as bebidas.

Aponto na direção de Quinn com a cabeça e vejo que está conversando com alguém na fila. Ela se vira e nossos olhos se cruzam. E, naquele breve instante, fico paralisada, encarando a mulher absurdamente linda que me olha de volta com alguma emoção insondável. Seu olhar é quente e me queima por dentro, e ficamos ali, perdidas por um momento, olhando uma para outra.

Deus meu... Essa mulher maravilhosa me quer de volta, e, lá no fundo, dentro de mim, uma alegria gostosa lentamente desabrocha como uma flor no amanhecer.

– Rach! – Finn me distrai, e sou arrastada de volta para o presente. – Estou muito feliz que você tenha vindo. Mas, ouça, preciso avisar...

De repente, a Srta. Cabelinho Curto e Batom Vermelho o interrompe.

– Finn, a jornalista de Portland Printz chegou. Vamos lá? – Ela me dá um sorriso educado.

– É o máximo ou não é? Ah , a fama! – Ele sorri, e seu sorrio de volta. Ele está tão feliz. – Falo com você mais tarde, Rach. – Ele beija minha bochecha, e eu o vejo caminhar na direção de uma jovem de pé ao lado de um fotógrafo alto e magro.

As fotografias de Finn estão por toda a parte, e, em alguns casos, ampliadas em telas enormes. Umas em preto e branco, outras a cores. Muitas das paisagens transmitem uma beleza etérea. Uma delas é a foto do entardecer no lago de Vancouver, as nuvens cor-de-rosa se refletem no espelho d’água. Por alguns segundos, sou transportada para a paz e a tranquilidade da imagem. É impressionante.

Quinn se junta a mim, e me entrega a taça de vinho branco.

– Presta?- minha voz soa mais normal.

Ela me olha intrigada.

– O vinho.

– Não. Raramente presta neste tipo de evento. O garoto é bom, não é? – Quinn está admirando a foto do lago.

– Por que outro motivo você ache que pedi a ele para fotografar você? – Não consigo esconder o orgulho em minha voz. Seus olhos deslizam impassíveis da fotografia para mim.

– Quinn Fabray? – O fotógrafo do Portland Printz aproxima-se de Quinn. – Posso tirar uma foto da, senhorita?

– Claro. – Quinn disfarça o mau humor. Dou um passo para trás, mas ela segura minha mão e me puxa para junto de si. O fotógrafo olha para nós duas e não consegue esconder a surpresa.

– Obrigado, Srta. Fabray. – Ele tira duas foto. – Senhorita...? – pergunta.

– Rachel Berry – respondo.

– Procurei por foto suas com outras mulheres, e não existe nenhuma. É por isso que Santana achava que você era assexuada.

Quinn contrai a boca num sorriso.

– Isso explica a pergunta indecorosa. Não, eu não saio com qualquer uma, Rachel, só com você. Mas você sabe disso. – Seus olhos ardem de sinceridade.

– Então, você nunca saiu com as suas... – olho nervosa ao redor, para me certificar de que ninguém pode nos ouvir – submissas?

– Às vezes. Mas nunca para um encontro. Para fazer compras, você sabe. – Ela dá de ombros, olhos fixos nos meus.

Ah, então é tudo estrito ao quarto de jogos – o Quarto Vermelho da Dor – e ao apartamento dela. Não sei o que pensar a respeito disso.

– Só você, Rachel – sussurra ela.

Eu coro e encaro meus próprios dedos. À sua maneira, ela se importa comigo.

– Seu amigo parece mais um cara de paisagens do que retratos. Vamos dar uma olhada. – Ela estende a mão, e eu a seguro.

Caminhamos diante de mais algumas fotos, e percebo um casal acenando para mim, com um largo sorriso de quem acaba de me conhecer. Deve ser porque estou com a Quinn. Um rapaz, no entanto, encara-me descaradamente. Que estranho.

Entramos na sala seguinte, e eu entendo o porquê dos olhares esquisitos. Na parede oposta a nós vejo sete retratos enormes. MEUS.

Encaro as imagens, estupefata, o sangue fugindo do meu rosto. Lá estou: fazendo beicinho, rindo, fazendo cara feia, séria, compenetrada. Tudo em super close-up, tudo em preto e branco.

Puta merda! Lembro-me de Finn brincando com a câmera em algumas das vezes em que me visitou e quando trabalhei com ele como motorista e assistente de fotografia. Ele tirou umas fotos rápidas, ou assim eu pensava. Não estes retratos reveladores.

Quinn está paralisada observando as imagens, uma de cada vez.

– Parece que não sou a única – resmunga, enigmática, a boca franzindo-se rispidamente.

Acho que está com raiva.

– Com licença – diz ela, encarando-me por um momento com seu olhar escurecido e reluzente. Ela se vira e segue até a recepção.

Qual é o problema agora? Hipnotizada, eu a observo conversando animadamente com a Srta. Cabelinho e Batom Vermelho. Ela abre a carteira e puxa o cartão de crédito.

Merda. Deve ter comprado um dos quadros.

– Oi? Você é a musa. Estas fotos estão fantásticas.

Levo um susto ao ser abordada por um rapaz com uma mecha de cabelo louro e brilhoso. Sinto um toque em meu cotovelo e percebo que Quinn está de volta.

– Você é uma mulher de sorte – diz o Sr. Cabelinho louro para Quinn, que lhe devolve um olhar gelado.

– Sou mesma – resmunga ela, sorrindo, ao me puxar para um canto.

– Você acabou de comprar uma das fotos?

– Uma das fotos? – bufa ela, sem tirar os olhos das imagens.

– Você comprou mais de uma?

Ela revira os olhos.

– Comprei todas, Rachel. Não quero estranho nenhum cobiçando você na privacidade de sua casa.

Minha primeira reação é rir.

– E você prefere que seja você? – zombo.

Ela me encara, surpreendida por minha ousadia, acho, mas contento o riso.

– Para falar a verdade, sim.

– Pervertida – gesticulo com a boca para ela e mordo o lábio inferior para conter um sorriso.

Ela fica boquiaberta, e, agora, seu divertimento é óbvio. Então, acaricia o queixo, pensativa.

– Aí está algo que não posso negar, Rachel. – Ela balança a cabeça, e seu olhar se suaviza com um toque de humor.

– Eu poderia desenvolver mais o assunto, mas assinei um termo de confidencialidade.

Ela suspira, olhando para mim, e seu olhar escurece.

– As coisas que eu gostaria de fazer com essa sua boca atrevida... – murmura.

Suspiro, sei muito bem o que ela quer dizer.

– Que grosseria! – Tento parecer chocada, e consigo. Será que ela não tem limites.?

Ela ri para mim, divertindo-se, e, em seguida, franze a testa.

– Você parece muito descontraída nessas fotografias, Rachel. Normalmente não vejo você assim.

Fico vermelha e olho minhas mãos. Ela inclina minha cabeça para cima, e eu inspiro profundamente ao sentir o contato de seus longos dedos.

– Queria que você se sentisse descontraída desse jeito quando está comigo – sussurra. Toda resquício de humor se foi.

Dentro de mim aquela sensação de alegria se agita novamente. Como pode? Temos tantos problemas.

– Você precisa para de me intimidar, se é isso que quer – rebato.

– E você precisa aprender a se comunicar e a me dizer como se sente – revida ela, os olhos brilhando.

Respiro fundo.

– Quinn, você queria que eu fosse uma das suas submissas. É ai que está o problema. Na própria definição de submissa, que você chegou até a me mandar por e-mail uma vez – faço uma pausa, tentando lembrar as palavras exatas -, acho que os sinônimos eram, abre aspas: dócil, agradável, passiva, dominável, paciente, amável, inofensiva, subjugada. Eu não podia olhar para você. Não podia falar, a menos que você me desse a permissão. O que você esperava? – resmungo para ela.

Ela pisca e franze ainda mais a testa à medida que continuo.

– É muito confuso estar com você. Você não aceita que eu a desafie, mas gosta do meu atrevimento. Você quer obediência, exceto quando não quer, para que possa me punir. Eu simplesmente não sei como me portar quando estou com você.

Ela aperta os olhos.

– Boa resposta, como sempre, Srta. Berry – sua voz está gélita. – Venha, vamos comer.

– Mas nós chegamos há meia hora.

– Você já viu as fotos e já falou com seu amiguinho.

– O nome dele é Finn.

– Você já falou com Finn, o sujeito que, na última vez em que o vi, estava tentando enfiar a língua em sua boca hesitante enquanto você caía de bêbada e passava mal – rosna ela.

– Ele nunca me bateu – revido.

Quinn fecha a cara para mim, a fúria emanando de cada poro.

– Golpe baixo, Rachel – sussurra, ameaçadoramente.

Fico pálida, Quinn passa as mãos pelo cabelo, arrepiando-se de raiva mal contida. Fito seus olhos.

– Vou levar você para comer alguma coisa. Você está preste a desaparecer na minha frente. Ande, vá se despedir daquele garoto.

– Por favor, não podemos ficar um pouco mais?

– Não. Vá se despedir dele. Agora.

Eu a encaro, o sangue fervendo. Maldita Sra. Maníaca por Controle. Raiva é bom. Raiva é melhor do que lágrimas.

Afasto os olhos dela e dou uma olhada ao redor, à procura de Finn. Ele está conversando com um grupo de moças. Saio pisando duro, aproximando-me dele e afastando-me da minha Cinquenta Tons. Só porque me trouxe aqui, sou obrigada a fazer o que ela quer? Quem ela pensa que é?

As meninas estão atentas a cada palavra de Finn. Uma delas se assusta ao me ver. Sem dúvida, ela me reconheceu dos retratos.

– Finn.

– Rach. Com licença, meninas. – Ele sorri para elas e passa o braço ao meu redor. De certa forma, acho engraçado: Finn dando uma de galã, impressionando as mulheres.

– Você parece brava – diz ele.

– Tenho que ir – murmuro, obstinada.

– Mas você acabou de chegar.

– Eu sei, mas Quinn precisa voltar. As fotos estão lindas, Finn. Você é muito talentoso.

Ele sorri.

– Foi muito bom ver você.

Finn vira meu corpo e me aperta num longo abraço, de forma que consigo ver Quinn do outro lado da galaria. Está de cara feia, e percebo que é porque estou nos braços de Finn. Então, num movimento bastante calculado, passo as mãos ao redor de sua nuca. Acho que Quinn está preste a ter um ataque. Seu olhar torna-se tenebroso, e, lentamente caminha até nós.

– Obrigada por me avisar sobre os meus retratos – murmuro.

– Merda. Foi mal, Rach. Eu devia ter avisado. Você gostou?

– Hum.. não sei – respondo com sinceridade, momentaneamente desconcertada pela pergunta.

– Bem, foram todos vendidos, então alguém gostou. Não é legal? Você é praticamente uma modelo. – Ele me aperta ainda mais à medida que Quinn chaga, de cara feia, embora, por sorte, Finn não possa vê-la.

Ele me solta.

– Vê se não desaparece, Rach. Ah, Srta. Fabray, boa noite.

– Sr. Hudson, muito impressionante – Quinn soa friamente educada. – Uma pena que nós precisemos voltar para Seattle. Rachel? – ela salienta sutilmente o nós enquanto pega na minha mão.

– Tchau, Finn. Parabéns de novo. – Dou-lhe um beijo rápido na bochecha, e, antes que eu perceba, Quinn me arrasta para fora do prédio. Sei que ela está fervendo de raiva silenciosa, mas eu também estou.

Ela olha rapidamente para um lado e para o outro da rua, então vira para a esquerda e, de repente, puxa-me para um beco, empurrando-me com força contra a parede. Segura meu rosto entre as mãos, forçando-me a encara seus determinados olhos em chamas.

Eu suspiro, sua boca investe rapidamente contra a minha. Está me beijando, violentamente. Nossos dentes se batem por um instante, em seguida, sua língua está dentro de minha boca.

O desejo explode dentro de mim feito fogos de artifício, e eu a beijo de volta com o mesmo fervo, passando as mãos por seu cabelo, puxando-o com força. Ela geme, um som baixo e sexy que vem do fundo de sua garganta e reverbera em mim. As mãos dela movem-se por meu corpo até o alto de minha coxa, os dedos cravando a minha carne através do vestido ameixa.

Derramo toda a angústia e todo o sofrimento dos últimos dias nesse beijo, atando-a a mim, até que me dou conta – no meio daquele momento de paixão cega – que ela está fazendo o mesmo, ela sente o mesmo que eu.

Quinn interrompe o beijo, ofegante. Seus olhos estão inundados de desejo, o que desperta o já aquecido sangue que corre pelo meu corpo. Minha boca está entreaberta, e tento levar um pouco de ar para os pulmões.

– Você. É. Minha – rosna, enfatizando cada palavra. Ela se afasta de mim e se agacha, mantendo as mãos nos joelhos como se estivesse acabado de correr uma maratona. – Pelo amor de Deus, Rach.

Eu me recosto contra a parede, ofegante, tentando controlar a desordem que toma conta do meu corpo, tentando encontrar meu ponto de equilíbrio de novo.

– Sinto muito – sussurro assim que recupero o fôlego.

– Acho bom. Eu sei o que você estava fazendo. Você quer aquele fotógrafo, Rachel? Ele obviamente sente algo por você.

Nego com a cabeça, culpada.

– Não. Ele é só um amigo.

– Passei toda minha vida adulta tentando evitar emoções extremas. Mas você... você desperta sentimentos em mim que me são completamente desconhecidos. É muito... – ela franze a testa, procurando a palavra certa. – Perturbador.

Ela se levanta.

– Eu gosto de controle, Rach, mas com você isso... – seu olhar é intenso – desaparece... – Ela acena vagamente com a mão, passa os dedos pelo cabelo e respiro fundo.

Por fim, ela segura a minha mão.

– Venha, nós precisamos conversar, e você precisa comer.

Notas finais
Reviews??? Lembrando que se a fic for excluída pelo nyah.. continuarei postando pelo fic.net : https://www.fanfiction.net/s/10310050/30/My-Dark-Word