My Dark Word

13 12 - Rock You Like A Hurricane


Notas iniciais
CHEGUEEEEI!!! AAAAEEEE Sei que falei que ia postar ontem.. but resolvi atualizar hoje. Amanhã estarei ocupada e sem tempo( sim.. em pleno domingo) Nesse capítulo teremos um pouco de Pov da Srta. Fabray... Espero que gostem!! Enjoy, Kids!!!

POV QUINN

Se você me dissesse há um mês que eu estaria aqui no meu barco com um anjo como este, eu nunca teria acreditado. No entanto, aqui estou eu, completamente saciada, totalmente apaixonada por Rachel, que está dormindo em meus braços, no meu catamarã que batizamos muito apaixonadamente.

Eu me inclino sobre ela e deixo uma trilha de beijos a partir do canto dos olhos até o canto dos lábios.

– Baby, Cooper estará de volta em breve — eu digo enquanto seus olhos meio adormecidos piscam abertos para encontrar os meus.

– Hmm... — é tudo o que ela pode dizer, ainda cansada. Eu dei-lhe um bom treino. Meu barco balança na água preguiçosamente, refletindo o nosso humor e a luz dançando acima da água é refletida sobre o teto da cabine, através das pequenas vigias.

– Eu realmente gostaria de ficar aqui deitada com você a tarde toda, baby, mas Cooper vai precisar de uma mão com o bote. — Rachel sorri preguiçosamente; seu sorriso um convite, amor, visão do paraíso, tudo ao mesmo tempo. — Rach, você está tão bonita agora, toda bagunçada e sexy. Faz-me querer você mais, — eu digo. Mas, Cooper é esperado logo, e eu não quero entretê-lo com os sons da minha namorada no meio do êxtase. Levanto-me da cama enquanto Rachel rola sobre sua frente, ainda admirando a vista.

– Você mesmo não é tão ruim assim, capitã — diz ela estalando seus lábios em admiração. Você está me matando aqui! Eu não posso pular de volta para a cama agora. Mas, eu ando pela cabine de forma eficiente e me visto. Sento-me na cama ao lado de Rachel, e calço os sapatos.

– Capitã, hein?- eu digo secamente, — Bem, eu sou o senhora deste navio.

Ela olha para mim com respeito, admiração e inclina a cabeça para o lado.

– Você é a senhorita do meu coração, Srta. Fabray, — ela sussurra.

Ainda é difícil para mim acreditar que esta bela criatura, esta menina inocente, poderia me amar. Eu balanço minha cabeça e curvo-me para beijá-la.

– Eu vou estar no convés. Há uma ducha no banheiro, se você quiser. Você precisa de alguma coisa? Uma bebida? — Pergunto olhando-a cuidadosamente. Ela tem aquele sorriso bobo no rosto, que está apenas ficando maior a cada minuto.

– O quê? — Eu pergunto, imaginando o que está acontecendo nessa bela cabeça.

– Você — ela responde enigmaticamente.

– O que há comigo?

– Quem é você e o que você fez com a Quinn Fabray? — ela pergunta. Nunca muito longe, baby, nunca muito longe. Aquela Quinn está sempre sob a superfície, na parte superior, infundido em mim. Eu só posso lhe dar um sorriso triste.

– Ela não está muito longe, baby — eu respondo suavemente, desamparada. Eu balanço minha cabeça para dissipar os pensamentos.

– Você vai vê-a em breve,- eu sorrio aliviando o clima, — Especialmente se você não se levantar. — Então eu chego até suas duas esferas redondas de nádegas deliciosas expostas, e dou uma palmada em seu traseiro com muita força, minha mão deixando uma impressão da palma, na cor rosa, em ambos as bochechas. Rachel grita surpresa, mas começa a rir forte.

– Você tinha me preocupado,- diz ela.

– Tinha?- Eu digo, a minha testa tomando a forma da letra V. Ela me confunde muito com todos os seus sinais mistos. Como você me quer, Rach? Dominante ou amorosa, baunilha ou kinky?

– Você emite alguns sinais mistos, Rachel. Como é que uma mulher deve manter-se? — Pergunto. refletindo a minha confusão enquanto eu me inclino e a beijo.

– Laters, baby,- eu digo sorrindo, e me levanto e saio para encontrar Cooper que deve estar agora de volta a bordo. Quando eu volto ao convés, eu o vejo acabando de puxar o bote de borracha e prendendo-o. Ele me dá um aceno, cumprimentando, enquanto ele continua seu trabalho.

– Cooper, assim que estiver pronto, podemos partir de volta para Seattle.

– Sim, senhorita,- diz ele em seu usual comportamento jovial. Sou sobressaltado pelo toque do meu Blackberry. Eu costumo tê-lo vibrando. É Puck. Espero que não seja um problema. Eu não quero estragar o meu grande dia com más notícias. Eu me preparo para qualquer coisa, e atendo o telefone.

– Fabray

– Senhora, nós terminamos uma busca minuciosa em todo o apartamento, e todas as entradas. Descobrimos por onde Ashley entrou no apartamento,”- diz ele sombriamente.

– Por onde? — Eu digo com os dentes cerrados.

– Pela escada de incêndio, senhora. Mas nós já estamos com tudo seguro.- Então, Rachel não estava sonhando; Ashley estava no apartamento, ao pé da cama, olhando para ela, tentando decidir o que fazer com ela. Tento afastar os pensamentos sombrios do que poderia ter acontecido. Mas, isso é progresso. O apartamento está seguro agora.

– Ótimas notícias...

– Eu não tinha certeza se ela tinha chaves do prédio, mas nós suspeitamos que ela tinha, pois todas as evidências apontavam que ela teria uma chave do local com ela. Então, nós mudamos todas as fechaduras.

– Ótimo.

– Você ainda está fora velejando, senhora?

– Sim...

– Uhm... Mais uma coisa. Acreditamos que Ashley ainda estava escondida no prédio quando você e a Srta. Berry saíram. — Esse pouco de informação me põe desconfortável.

– Sério? — Eu digo com os dentes cerrados.

– Sim, senhora. Acreditamos que ela ainda estava escondida na escada de incêndio.

– Na escada de incêndio? — Eu pergunto. Olhei para a varanda, e eu não vi ninguém, mas estava muito escuro lá fora, e pelo que Rachel disse, ela estava usando uma roupa preta.

– A escada de incêndio não é como nos outros edifícios, senhora. É um tipo em curva, e se ela se abaixasse o suficiente, dado o seu tamanho, e o fato de que ela estava incógnita, ela teria se escondido completamente. Eu verifiquei isto com o Ryder. Apesar de seu tamanho, ele poderia se esconder muito bem, senhora.

– Eu entendo...

Sinto o olhar de Rachel em mim, e virando-me encontro-a me observando. Eu caminho até ela sem pressa, e puxo-a em meus braços, beijando-lhe o cabelo.

– Desde que o edifício, bem como a cobertura estejam seguros, você estará voltando para o Escala, senhora?

– Sim, esta noite. E o hotel? — Eu respondo.

– Eu tomei a liberdade de fazer check-out depois que fizemos uma varredura no The Grace, senhora. Eu já recolhi seus pertences e da Srta. Berry. Você pode voltar para casa diretamente, senhora — diz ele.

– Ótimo, — eu digo e termino a chamada.

Cooper tendo preparado o barco, nós sentimos os motores disparando.

– Hora de voltar, — eu digo a Rachel enquanto eu a beijo depois de um dos melhores dias da minha vida, e seguro sua mão e coloco o colete salva-vidas, e prendo-o com um sorriso.

POV RACHEL

O sol está baixo no céu atrás de nós enquanto percorremos o caminho de volta para a marina, e eu reflito sobre esta tarde maravilhosa. Sob a tutela cuidadosa e paciente de Quinn, já guardei a vela grande, uma vela de proa e uma bujarrona, e também aprendi a dar um nó direto, um nó volta do fiel e um nó catau.

Seus lábios estavam trêmulos durante toda a lição.

– Talvez eu amarre você um dia – murmuro, mal- humorada.

Sua boca se contorce com humor.

– Você vai ter que me pegar primeiro, Srta. Berry.

Suas palavras me fazem lembrar dela me perseguindo por todo o apartamento, e emoção e o desfecho terrível. Faço uma cara feia e estremeço. Depois disso, eu a deixo.

Será que a deixaria de novo, agora que ela admitiu que me ama? Olho bem dentro de seus olhos. Será que poderia deixa-la de novo, se ela me fizesse algo terrível? Eu seria capaz de traí-la desse jeito? Não. Acho que não.

Ela dá uma volta mais completa comigo pelo barco, explicando todos os projetos e técnicas inovadoras, e os matérias de alta qualidade usados para construí-lo. Lembro-me da entrevista na primeira vez em que nos encontramos: desde então percebi sua paixão por barcos. Eu pensava que seu amor era só pelo navios oceânicos que sua empresa constrói – e não por catamarãs elegantes e sensuais também.

E, claro, ela faz amor comigo, carinhosamente e sem presa. Balanço a cabeça, lembrando do meu corpo contorcido e ardendo de desejo sob suas mãos experientes. Ela é uma amante excepcional, tenho certeza – embora, é claro, eu não tenha parâmetros de comparação. Mas Sant teria se cabado mais se sexo fosse sempre assim. Não é muito do feito dela poupar detalhes.

Porém, por quanto tempo isso vai ser suficiente para ela? Simplesmente não sei, o pensamento é desconcertante.

E então, ela se senta, e eu fico no circulo de segurança de seus braços pelo que parecem horas, num silêncio confortável e companheiro, enquanto The Judy desliza, aproximando-se cada vez mais de Settle. Estou ao timão, Quinn aconselha, fazendo um ou outro ajuste.

– Velejar tem uma poesia tão antiga quanto o mundo – murmura ela no meu ouvido.

– Parece uma citação. – Sinto seu sorriso

– E é. Antonie de Saint- Exupéry.

– Ah....

POV QUINN

No momento em que voltamos para a marina, é a hora de ouro, (N.T. luz mágica, é o período do dia em que a luz do sol ganha tons alaranjados e sombras mais acentuadas) a minha mão cobrindo a de Rachel, nós nos orientamos para a marina. Os raios de sol ainda estão brilhando no oeste, no horizonte sobre o Pacífico. Mas as luzes da cidade e os barcos na marina estão agora refletidos sobre as águas escuras, criando fosforescência com luzes cintilantes. Quando eu volto com o The Judy para o deque, um grupo de espectadores se reúne no cais. Naturalmente, este é um belo barco para olhar, o que me faz orgulhosa. Uma vez que eu estou no meu espaço designado, de forma segura, Cooper salta para o deque, e prende o barco numa amarração.

É agridoce que a viagem acabou, mas, eu nunca vou esquecer.

– De volta, — murmuro melancolicamente.

– Obrigada,- sussurra Rachel grata e tímida, tudo ao mesmo tempo. — Essa foi uma tarde perfeita, — diz ela me fazendo sorrir.

Eu amei essa experiência, e eu realmente gostaria que ela viesse comigo, de preferência sozinha, o que significa que ela precisa aprender a velejar.

– Eu também penso assim, — eu digo pensativo. — Talvez possamos matriculá-la em uma escola de vela, dessa forma apenas nós duas podemos ir velejar por alguns dias, — eu digo. Meu pensamento ilumina Rachel imediatamente.

– Eu adoraria isso! Podemos batizar o quarto de novo e de novo, — diz ela, tornando-me excitada e desejosa. Eu me inclino e a beijo logo abaixo da orelha.

– Hmm... Eu estou ansiosa por isto, Rachel, — eu sussurro em voz rouca de luxúria.

Eu puxo Rachel fora de seus pensamentos sujos — eu sei, porque eu os coloquei lá, e a levo para a terra.

– Venha, o apartamento está seguro. Podemos voltar, — eu digo.

– E as nossas coisas no hotel? — Ela pergunta.

– Puck já as recolheu. Não temos necessidade de fazer nada.

Rachel olha para mim, questionando.

– Hoje cedo, depois que ele fez uma varredura no The Judy com sua equipe.

– Será que aquele pobre homem nunca dorme? — Pergunta Rachel com preocupação. Por que ela está preocupada com ele?

– Ele dorme, — eu respondo para ela embaraçado. — Ele está apenas fazendo seu trabalho, Rachel, no que ele é muito bom. Noah é um verdadeiro achado.

– Noah?

– Sim, Noah Puckerman

– Ah, sim!!

Rachel sorri carinhosamente depois de ouvir o nome completo de Puck.

– Você gosta de Puck, — afirmo, percebendo, olhando para ela, o ciúme subindo em mim.

– Eu suponho que eu gosto, — diz ela, e sua resposta faz meu coração parar por um segundo. Será que ela gosta dele... muito? Eu franzo a testa, o ciúme subindo em mim. Esta é a minha mulher! E ela gosta de Puck! Oh, não! Não! Meu rosto desaba.

– Eu não me sinto atraída por ele, se é que é por isso que você está franzindo a testa. Pare! — Ela me repreende. Eu fico olhando para ela sem piscar tentando avaliar sua expressão. Eu me preocupo... Eu me preocupo que ela vai parar de me amar.

– Eu acho que Puck cuida de você muito bem. É por isso que eu gosto dele. Ele parece gentil, confiável e leal. Ele tem um apelo avuncular para mim,” explica ela.(N.T. “Avuncular” — Como um tio, segundo o dicionário)

– Avuncular? — Eu pergunto. Como assim?

– Sim.

– Ok, avuncular, — eu digo. Eu posso viver com isso. Por um minuto pensei que estava indo despedir o meu melhor cara da segurança. Eu dou um suspiro de alívio, e isso faz Rachel rir alto.

– Oh, Quinn, cresça, pelo amor de Deus, — ela me repreende. Ela realmente me repreende!

Minha boca cai aberta, em estado de choque, completamente descarrilhado por sua reação. Eu mereci. Eu sei. É só que... os dados estão lançados quando se trata de Rachel. Eu sinto ciúmes, protetora... super protetora, vigilante, possessiva, imatura... e essas são apenas algumas das emoções que sinto quando Rachel está envolvida. Eu sou nova nisso!

– Estou tentando, — eu respondo suavemente. Eu realmente estou. É só que, não apenas estou completamente fodida, mas eu estou amando, o que é uma exaustiva combinação. Seu rosto suaviza.

– Isto você está. Muito, — diz ela, e revira os olhos para mim, sempre tentando, sempre empurrando, tudo contra a minha fodida natureza. Eu sorrio.

– Que lembranças você evoca quando você revira os olhos para mim, Rachel, — eu digo.

Para minha surpresa absoluta, ela responde.

– Bem, Srta. Fabray, se você realmente se comportar, talvez possamos reviver algumas dessas lembranças — E sua resposta puxa as cordas do meu coração, tornando-me excitado, querendo ela desse jeito, na verdade minhas mãos começam a ‘ter espasmos’.

Eu mal posso manter o sorriso fora do meu rosto.

– Realmente, Srta. Berry. O que te faz pensar que eu quero revivê-los? — Eu a questiono. Ela me dá um sorriso.

– Oh, eu não sei. Provavelmente pela maneira como seus olhos se iluminaram como uma árvore de Natal, quando eu disse isso, — ela diz friamente.

– Você já me conhece tão bem, baby.

– Eu gostaria de conhecê-la melhor,” ela responde, me fazendo querê-la mais neste momento.

– E eu a você, Rachel.

Copper vem para a doca para nos ver sair. Eu aperto sua mão, e agradeço-lhe.

– É sempre um prazer, Srta. Fabray, adeus. Muito prazer, Rach, — diz ele apertando sua mão.

Rachel cora, tímida, provavelmente pensando que Cooper tem uma idéia muito clara do que estávamos fazendo. Tenho certeza de que ele sabia disso e é claro que é ótimo para mim que todo mundo saiba a quem Rachel pertence.

– Ótimo dia Cooper, e muito obrigado, — ela responde para o que Cooper sorri e pisca para ela. Rachel cora ainda mais. Eu pego a mão da minha namorada e ando pelo passeio da marina.

– De onde é o Cooper? — Ela pergunta curiosa.

– Da Irlanda, ou melhor, da Irlanda do Norte.

– Ele é um amigo seu? — Ela pergunta e eu considero essa questão. Eu não tenho amigos, mas ele é uma das pessoas que poderiam ser contabilizadas como tal.

– Cooper trabalha para mim, e ele ajudou na construção do The Judy, — eu respondo não completamente sabendo se ele era meu amigo.

– Você tem muitos amigos? — Ela pergunta.

É complicado. Eu tenho dificuldade para confiar nas pessoas, e sou incapaz de cultivar esse tipo de relacionamento, e não tenho qualquer interesse em fazê-lo. A única que eu considero um amigo é Charlize. O pensamento me faz franzir a testa.

– Não, não realmente. Fazendo o que eu faço... — Eu digo, deixando o pensamento pendurado lá. — Eu não cultivo amizades. — Minha posição nos negócios, minhas predileções, sendo sempre o ‘top dog’... as razões são infinitas. — Há apenas... — há apenas Charlize, mas eu não digo isso.

– Você está com fome?- Pergunto como forma de mudar o tópico.

– Morrendo, — ela responde. Isso é música para os meus ouvidos.

– Ótimo! Vamos comer onde deixei o carro. Vamos lá!

Eu a levo a um pequeno restaurante italiano chamado Bee. É um pequeno bistrô italiano com boa comida. A anfitriã nos conduz para uma cabine, e eu peço Frascati, que é prontamente entregue. É um vinho muito suave, e aveludado, espumante saboroso; desce suavemente. Rachel está estudando o cardápio como se os segredos do universo estivessem escritos nele. Ela realmente deve estar com fome! Eu não posso me controlar, continuo olhando para ela. Quando ela sente a intensidade do meu olhar, ela levanta os olhos.

– O quê? — Ela pergunta.

– Você está linda, Rachel. O ar livre combina com você. — Mesmo os elogios a embaraçam.

– Eu me sinto bastante queimada pelo vento para dizer a verdade. Mas eu tive uma bela tarde. Na verdade, foi perfeita. Obrigada, — diz ela. Saber que eu fiz Rachel feliz hoje aquece meu coração, me faz feliz, realizada.

– O prazer foi meu, — é tudo que eu posso sussurrar.

– Posso te perguntar uma coisa?

– É claro, qualquer coisa, Rachel. Você sabe disso, — eu respondo, e inclinando a cabeça para o lado, eu dou toda a minha atenção para ela.

– Você não parece ter muitos amigos. Por que isso?

Eu não acho que eu fiz um esforço especial para fazer amigos. Eu não pensei sobre isso, eu tinha ficado ocupado com as empresas, ou com os meus outros relacionamentos contratuais.

– Eu lhe disse, eu realmente não tenho tempo. Eu tenho, claro, sócios de negócios, mas isso não é o mesmo que a amizade, eu suponho. Eu tenho minha família, que está acima disso — além de Charlize.

Rachel, eu noto, convenientemente ignora o nome de Charlize, e de certa forma seu ciúme me faz feliz. Isso significa que ela também é proprietária em relação a mim.

– Você não tem nenhum amigo homem da sua idade com quem você possa sair e desabafar?- ela pergunta. Ela me conhece melhor do que isso. Não tenho nenhum desejo em vestir-me com camisas de futebol combinando e rostos pintados, para consumir cerveja barata e gritar palavrões para a equipe adversária. Isso apenas não sou eu.

– Você sabe como eu gosto de deixar sair o meu vapor, Rach, — eu digo, enquanto eu lhe dou um sorriso malicioso. — Na maior parte, eu passei o meu tempo no trabalho, construindo minha empresa." Eu tive que saltar um monte de coisas que meus pares achavam normais. Isso é tudo que eu faço, exceto navegar e voar ocasionalmente.

Ela sonda ainda: — Nem mesmo quando você estava na faculdade?

– Não na verdade. Não precisava.

– Só Charlize, então? — Ela pergunta com desgosto como se ela acabasse de engolir um besouro parecendo particularmente desagradável. Eu balanço a cabeça, confirmando com cautela.

– Deve ser solitário, — ela responde desesperada.

Ok, já estamos nesta conversa há tempo suficiente. E especialmente quando Charlize é mencionada algumas vezes, eu sei que seu prazer vai embora, e eu gostaria de continuar mantendo um bom tempo, possivelmente durante a noite.

– O que você gostaria de comer? — Pergunto, e o assunto está encerrado. Ela me diz que ela decidiu sobre risoto. Mas seu humor mudou, e ela está em outro lugar. Porra! Eu sabia! Sempre que Charlize surge, lá se vai o seu bom humor! Ela não está mais falante, e ela tem aquele olhar ‘Rachel-check-out-virá-mais-tarde', seu olhar está bloqueado em seus dedos atados.

– Rachel, o que está errado? Por favor, me diga, — eu imploro, a preocupação apertando minha voz. Fico ansiosa quando ela está assim. Como se ela fosse decidir contra nós a qualquer momento. É tão fodidamente sinistro!

Ela olha para mim com cautela.

– Rach, me diga, — eu digo com fervor. Não me assuste assim! É Charlize? Ela é notícia velha! Meu coração está em minha garganta, pronto para saltar do navio a qualquer minuto.

Ela toma uma respiração profunda. Oh Deus! É ruim!

– Estou muito preocupada que isso não é o suficiente para você... para desabafar. — Por que você está me torturando assim, Rach? Eu estou fazendo tudo que posso para fazê-la feliz. Querendo mais com ela... fazendo mais, e ainda assim ela duvida de mim a cada momento.

– Eu lhe dei qualquer indicação de que isso não é o suficiente para mim?

– Não.

– Então por que você acha isso? — Sempre fala isso...

– Eu sei o que você gosta. Particularmente do que você, — diz ela tomando um fôlego, olhando nos meus olhos. Ela acrescenta em voz mais baixa, capaz de trazer para fora tudo o que ela quer dizer... — Do que você... necessita.

O que ela acha que eu preciso? Do que eu poderia possivelmente precisar mais do que eu preciso dela? Será que ela percebe como ela me tortura quando ela diz isso? Eu fecho meus olhos e sinto uma dor de cabeça se aproximando e esfrego minha cabeça.

– O que eu tenho que fazer?- Eu pergunto, em voz muito baixa. Por favor, diga-me, para que eu faça isso, para apagar todas as suas dúvidas!

– Não, você me entendeu mal, Quinn. Você tem sido completamente incrível, e embora eu saiba que têm sido apenas alguns dias, eu temo que estou forçando você a ser alguém que não é,- diz ela preocupada, engolindo.

– Ainda sou eu, Rach. Completamente, em todos os meus cinquenta tons de fodido. Eu percebo que eu tenho que lutar contra a vontade de estar controlando, mas você precisa entender que esta é a minha natureza, e foi assim que eu lidei com a minha vida. E sim, eu espero que você se comporte de certa maneira, e, claro, quando você não faz — eu digo olhando para ela, — É tanto refrescante quanto desafiador. Mas ainda faço o que eu gosto de fazer. Você me deixou bater em você depois do seu lance escandaloso ontem, — eu digo, percebendo que ela encontrou certo equilíbrio, fazendo o que ela quer, mas, em seguida, inteligentemente, ela apazigua as minhas necessidades, de tal forma que eu não posso desejar, possivelmente, algo ou alguma outra pessoa. Ela é tão viciante como o ar que eu respiro. Se ela fosse uma determinada marca de droga, eu só preciso dela em meus baixos, e eu saberia que ela seria para o meu detrimento. Mas, ela é como o ar que eu respiro. Eu preciso dela cada segundo de cada dia e cada noite para viver, para sobreviver e prosperar. Ela é a minha segurança, e ela quase sempre se esquece disso. Você pode afastar-se de uma droga, mas da vida? Eu não posso fazer isso.

– Eu gosto de puni-la. Eu não acho que este desejo acabará um dia, mas estou tentando e, é preciso ser dito, não é tão difícil quanto eu pensava que seria, — eu digo.

Rachel cora, desta vez com o desejo, lembrando o que fizemos no meu quarto.

– Eu não me importo, — ela sussurra, como se todo o restaurante estivesse ouvindo.

– Eu sei,- eu digo, lembrando o quanto de esforço me custou para levá-la lá para dentro, depois que minha irmã roubou-a duas vezes.

– Nem eu, mas, Rachel, eu quero dizer a você que isto tudo é novo para mim. Todas essas experiências... De fato, os últimos dias têm sido os melhores da minha vida, sempre. Eu não quero mudar nada, — eu digo com fervor, querendo que ela acredite.

Rachel ilumina-se com a minha declaração.

– Eles têm sido os melhores da minha vida também, Quinn. Sem exceções, — ela declara, fazendo-me sorrir largamente.

Em seguida, ela devolve a bola para mim.

– Mas, você não quer me levar para a sua sala de jogos? — Meu rosto desaba, o sangue foge do meu rosto, eu fico ansiosa. Eu não a quero lá dentro. Eu não posso! Ela me deixou, e eu não posso lidar com o que eu me tornei naquela sala. Eu não posso fazer isso!

– Não, eu não, — eu digo com firmeza.

Ela me choca mais uma vez com sua pergunta seguinte:

– Por que não? — Ela está quase me repreendendo.

Como ela podia ser tão pouco perspicaz? Eu era a a única naquela sala, quando ela me deixou?

– A última vez em que estivemos naquela sala, você me deixou, — digo com tristeza, revivendo o momento. Eu não posso lidar com essa experiência novamente. Meu coração e minha alma foram arrancados de mim. — Eu vou definitivamente fugir de qualquer coisa que possa me fazer me sentir daquele jeito de novo. Eu nunca experimentei tal devastação na minha vida, eu sou incapaz de expressá-la em palavras. Eu nunca mais quero me sentir assim novamente, Rach. Eu já lhe disse como eu me sinto sobre você, — eu digo disposto a fazê-la entender o que amá-la significa para mim.

– Mas, Quinn, é muito injusto com você. Eu sinto que isto não pode ser muito relaxante para você... você sabe, estar constantemente sentindo-se preocupada em relação a como me sinto. Eu sei que você fez muitas mudanças por mim, e eu sinto... — ela suspira, — Sinto que deveria pelo menos retribuir de alguma forma. Eu não sei, talvez, experimentar alguns jogos de cenas, — diz ela ficando completamente vermelha diante de mim.

– Você retribui Rach, e mais do que você sabe. Por favor, baby, por favor, não se sinta assim, — eu digo com o medo rastejando em meus olhos. Lembro-me que quando ela me deixou, seu principal medo era que ela nunca seria o suficiente, ou que não seria compatível. Eu não quero que ela pense dessa forma. Eu não posso lidar com isso.

– Baby, foi apenas um único fim de semana, — eu digo completamente alarmada. — Você precisa nos dar algum tempo. Eu pensei muito sobre nós na semana passada quando você partiu, — eu digo engolindo; achando difícil dizer as palavras. — Precisamos de tempo. Você precisa confiar em mim, e eu preciso confiar em você. Talvez com o tempo possamos tentar, mas eu gosto de como você está agora, como estamos juntos. Eu gosto de ver você tão feliz, e relaxada e despreocupada, e saber que eu tenho algo a ver com isso, — eu digo parando, lembrando que o fotógrafo a colocou à vontade naquelas fotos. Eu estava com ciúmes então. Eu queria ser a pessoa que lhe dava os sorrisos, os sorrisos fáceis, e relaxados, o olhar feliz, o contentamento em seu rosto.

– Eu nunca... — Eu digo incapaz de terminar a frase. Eu não posso explicar isso a ela. Exasperado eu corro meus dedos pelo meu cabelo. Eu não posso nem pensar em alguém fazendo-a feliz, mesmo que hipoteticamente. Se ela partir de novo, me deixar, eu não tenho nada... nada de valor; o pensamento é insuportável!

– Temos que andar antes de correr, — eu digo sorrindo, lembrando Sam.

– O que é tão engraçado? — Ela pergunta intrigada.

– Oh, é o Sam. Ele diz isso o tempo todo, e eu estou surpresa que eu o estou citando.

– Um Samnismo, — diz ela sorrindo me fazendo rir.

– Sim, exatamente, — eu respondo.

Quando a nossa comida é servida, eu me lembro como eu estou com fome.

– Você sabe onde fica a melhor comida italiana?

– Em Seattle? Eu não sei, — diz ela.

– Não, quero dizer em qualquer lugar do mundo. A melhor comida italiana é perto de Positano, na Itália, num lugar chamado Donna Rosa. É uma pequena cidade chamada Montepertuso. Mas a comida é refinada e requintada, incrivelmente fresca e completamente deliciosa. Tem os melhores vinhos italianos, e há pequenas salas de jantar e um terraço, se você quiser comer lá, e completamente elegante, — eu digo, e Rachel olha para mim com adoração, completamente cativada por aquilo que eu tenho a dizer.

Em nosso caminho para o Escala, penso no dia que tivemos. Foi um dia incrivelmente perfeito. Eu amei cada minuto dele. Eva Cassidy está cantando ao fundo, no caminho de volta, e eu estou perdida em pensamentos.

Preocupa-me que ela ache que o que temos pode não ser suficiente. O que temos é o que eu preciso! Será que ela sabe que eu faria qualquer coisa para mantê-la na minha vida? O maior castigo que alguém pudesse inventar para mim seria separá-la de mim. Seria o meu tormento. Seria como um rato meio morto por um gato — onde não há salvação. Uma existência condenada... Quando ela não estava comigo, eu estava cercado por sua imagem, em toda parte. Para onde quer que eu olhasse, eu a veria. Eu pensei que eu ia enlouquecer! E aqui está ela sentada inocentemente, aquela que detém o poder de meu céu e meu inferno pessoal. Ela acha que ela não é suficiente para mim, que ela pode não ser suficiente algum dia. Ninguém nunca foi suficiente para mim, como se eu tivesse um rancor contra o universo, nada era bom o suficiente. Nada foi suficiente! Eu tinha essa vontade de sempre seguir em frente, sempre progredir, sempre a próxima coisa, sempre querendo e nunca estando satisfeito! Que tortura que tinha sido. Eu mantive a fraude. Eu nunca percebi que eu estava procurando o meu ajuste de contas apenas por... existir!

Mas quando eu conheci Rachel, tudo abrandou, mudou e meus olhos focaram nela apenas. Alguém sabe como é torturante buscar algo e não saber o que é? E que visão celestial é finalmente encontrá-lo? O mundo não foi o suficiente para preencher essa lacuna em mim. Nada era suficiente. E ainda assim ela entrou na minha vida, e a lacuna foi preenchida, e agora eu quero dar-lhe o mundo.

Quando eu chego mais perto do Escala a tensão aperta e se irradia através dos meus poros. Meus olhos dardejam ao redor para ver se Ashley está por perto, em algum lugar. Não estou nervosa por mim. Estou nervosa pelo perigo que Ashley está criando para Rachel. Estou preocupada que os meus medos mais profundos se tornem realidade. Perder Rachel de uma maneira que eu nunca poderei recuperá-la. Eu entro na garagem do Escala enquanto minha boca se torna uma linha sombria. Eu vejo Ryder patrulhando e que o Audi violado já foi removido. Ryder duplica sua velocidade e vem e abre a porta de Rachel, logo depois que eu estaciono ao lado da minha SUV.

Rachel cumprimenta Ryder.

– Srta. Berry,” diz ele balançando a cabeça, — Srta. Fabray.

– Nenhum sinal? — Eu tento perguntar discretamente.

– Não, senhora, — é sua resposta.

Eu rapidamente vou para o lado de Rachel, e agarro-lhe a mão e a levo para os elevadores em dupla velocidade. Saber que Ashley estava aqui, junto ao pé da minha cama, possivelmente com uma arma na mão, tentando decidir se devia ou não atirar na única mulher que eu já amei, está me matando por dentro. Assim que eu ponho os pés no elevador, eu viro para Rachel.

– Você não está autorizada a sair daqui sozinha. Você entende? — Eu digo impertinentemente.

– Tudo bem, — diz ela, e quando eu esperava que ela franzisse a testa ou discutisse, ela sorri.

– O que é tão engraçado? — Pergunto divertida.

– Você, — ela responde ainda sorrindo.

– Eu? Srta. Berry? Por que eu sou tão engraçada? — Pergunto amuando.

– Não fique amuada, — ela repreende.

– Por que não? — Pergunto, questionando ainda mais divertida

.

– Porque, — diz ela lentamente, — Seu beicinho tem em mim o mesmo efeito que eu tenho em você quando eu faço isso, — diz ela, e morde o lábio.

– Sério? — Pergunto fazendo beicinho novamente. Ela, não só tem a chave para o meu coração, mas também para a minha libido! Eu não posso evitar, apenas me inclino e a beijo castamente. Mas Rachel tem outras idéias. Seus dedos se enrolam em meu cabelo, e ela me puxa forte para ela! Este único ponto de contato não é suficiente, e eu me vejo agarrando-a e empurrando-a contra as paredes do elevador, enquanto minhas mãos seguram e envolvem seu rosto, puxando-a para mim, tentando fundir-me com ela. Nossas línguas empurram violentamente uma contra a outra. Os lábios se moldam, chupando, um no outro! Nossas respirações se misturam, a paixão é ressuscitada, e a ansiedade está subindo ao telhado! Eu quero fodê-la aqui para declarar que estamos vivos e juntos e que ela é minha, e eu sou dela!

Muito cedo a porra da porta do elevador ding aberta, quando chegamos ao meu apartamento de cobertura. Minhas mãos ainda estão em seu rosto, e os meus lábios ainda estão nos dela, meus quadris prendendo-a na parede, se eu não soubesse que Puck está discretamente de pé do outro lado do saguão de entrada, eu foderia ela aqui mesmo!

– Whoa! — Murmuro ofegante em sua boca.

– Whoa! — Ela reflete meus sentimentos.

Meus lábios ainda nos dela, eu a olho.

– O que você faz comigo, Rach, — eu digo, mal sendo capaz de me afastar dela, enquanto eu rastreio seu lábio inferior com o polegar. Puck discretamente se afasta da linha de visão.

Rachel se aproxima e beija o canto da minha boca, e sussurra.

– O que você faz comigo, Quinn, — sussurra. Eu tenho que tê-la e tê-la em breve. Eu pego sua mão, mal me segurando.

– Venha, — eu ordeno, e o desejo está percorrendo meu corpo.

– Boa noite, Puck,- digo finalmente, reconhecendo-o.

– Srta. Fabray, Srta. Berry,” diz ele cordialmente.

– Eu era a Sra. Puckerman ontem, — Rachel deixa escapar sorrindo, fazendo com que o meu chefe de segurança core de todos os tipos de cor que eu ainda não o tinha visto ter.

– Soa bem, Srta. Berry, — diz ele.

– Eu pensei assim, também, — diz ela de volta para ele, e a raiva sobe em mim. Ela sabe como porra eu fico com ciúmes! Por que diabos ela está fazendo isso? Ela é a porra da minha mulher! Por que ela está flertando com o meu segurança?

Minhas mãos apertam automaticamente em torno de Rachel e eu fecho a cara.

– Se vocês dois já terminaram, eu gostaria de uma reunião de avaliação, — eu encaro Puck. Sei que Rachel não tem um filtro cérebro boca a maior parte do tempo. Mas, espero mais da minha segurança. Puck se encolhe sob meu olhar. Vejo Rachel murmurar um ‘’Desculpa’’ para Puck.

– Eu estarei com você em breve. Eu só quero uma palavra com a Srta. Berry, — eu digo, e envio Puck para o seu escritório.

Eu arrasto Rachel pela mão para o meu quarto e fecho a porta, a tensão sexual e o ciúme irradiando-se por todos os meus poros e folículos do meu corpo.

– Não flerte com os funcionários, Rachel! — Eu a repreendo. Ela abre a boca para dizer alguma coisa inteligente. Eu olho para ela desafiante. Ela fecha a boca. Depois tendo decidido o que ela vai dizer:

– Eu não estava flertando. Eu estava sendo simpática. Há uma grande diferença, — diz ela com petulância.

– Não seja simpática com os funcionários nem flerte com eles. Eu não gosto disso! — Seu rosto cai, as feições despreocupadas perdidas. Ela baixa a cabeça, e olha para seus dedos. Ela está me matando!

– Sinto muito, — ela murmura. Eu me curvo e levanto seu queixo para cima, levantando seu rosto, fazendo-a encontrar os meus olhos.

– Você sabe como eu sou ciumenta, — eu sussurro. Eu quero que ela saiba. Perdê-la de qualquer forma é o meu maior medo. Eu não aguento mais!

– Você não tem nenhuma razão para ter ciúmes, Quinn. Você me possui de corpo e alma, — ela responde.

Eu gostaria de saber com certeza. Como eu poderia possuir seu corpo e alma? Como? Como ela poderia me amar tanto assim? Minha mente não pode abarcar isto. Eu me inclino e a beijo, ainda sentindo-me desconfortável, ainda incapaz de compreender se ela me ama tanto quanto ela diz que ama, e se ela pode continuar a me amar, apesar de toda a minha fodida merda!

– Eu não vou demorar. Sinta-se em casa, — eu digo, ainda de mau humor, ainda com ciúmes, ainda me recuperando do medo da possibilidade de perdê-la.

Eu ando para o escritório de Puck ou a 'sala da situação' como eu a apelidei.

– Puck, eu não quero que você retorne o flirt de Rachel, — digo sem rodeios. Ele cora.

– Perdão, senhora?

– Rachel às vezes pode ser excessivamente simpática. Faz parte da sua natureza. Se ela fizer isso, corte o mal pela raiz. Cortês profissional é o comportamento que eu estou procurando. Não a mime.

Ele cora um pouco mais. Eu mudo o tópico.

POV RACHEL

Por que diabo ela teria ciúme de Puck? Balanço a cabeça em descrença.

Pelo relógio da mesa de cabeceira, vejo que já passa das oitos. Decido separar minhas roupas para o dia de trabalho, amanhã. Subo até meu quarto no segundo andar e abro as portas do closet. Está vazio. Todas as roupas sumiram. Ah, não! Quinn me levou a sério e devolveu tudo. Merda.

Meu inconsciente me encara. Você e sua boca grande.

Por que ela me levou a sério? O conselho de minha mãe volta para me assombrar: ‘’As mulheres como Quinn são criaturas literais’’. Faço beicinho, olhando o espaço vazio. Havia roupas lindas, o vestido prata que usei na festa, por exemplo.

Caminho desconsolada pelo quarto. Espere um momento... o que é que está acontecendo? O iPad sumiu. Cadê o meu Mac? Ah, não. A primeira coisa que me vem à cabeça é que Ashley pode ter roubado tudo.

Desço correndo até o quarto de Quinn. E na mesinha de cabeceira estão meu Mac, meu iPad e minha mochila. Está tudo aqui.

Abro a porta do closet. Minhas roupas estão ali – todas elas -, junto com as de Quinn. Quando isso aconteceu? Por que ela nunca me avisa antes de fazer essas coisas?

Eu me viro, e ela está parada, junto à porta.

– AH, eles conseguiram fazer a mudança – murmura, distraída.

– O que houve? – pergunto. Ela tem uma expressão desagradável no rosto.

– Puck acha que Ashley entrou pela escada de emergência. Ela devia ter uma chave. Todas as fechaduras foram trocadas. A equipe de Puck fez uma busca em todos os cômodos do apartamento. Ela não está aqui. – Ela faz uma pausa e passa a mão pelo cabelo. – Queria saber onde está. Mas ela conseguiu fugir de todas as nossas tentativas de encontrá-la, quando tudo de que precisa é ajuda. – Ela franze a testa, e meu ressentimento anterior desaparece. Envolvo-a em meus braços. Abraçando-me de volta, ela beija meu cabelo.

– O que você vai fazer quando encontrá-la? – pergunto.

– Dr. Sam conhece um lugar.

– E o marido?

– Ele lavou as mãos. – o tom de Quinn é amargo. – A família dela é de Connecticut. Acho que ela está completamente sozinha.

– Isso é triste.

– Tudo bem se todas as suas coisas ficarem aqui? Quero dividir o quarto com você – murmura ela.

Uau, mudança rápida de direção.

– Tudo bem.

– Quero que você durma comigo. Não tenho pesadelos quando estamos juntas.

– Você tem pesadelos?

– Tenho.

Aperto-a mais em meu braço. Mais bagagem. Meu coração se comprime por ela.

– Eu estava só separando minha roupa para o trabalho amanhã – murmuro.

– Trabalho! – exclama Quinn como se fosse um palavrão e me solta, me encarando.

– Sim, trabalho – respondo confusa com sua reação.

Ela me olha com total incompreensão.

– Mas Ashley... ela está solta por aí – ela faz uma pausa. – Não quero que você vá para o trabalho.

O quê?

– Isso é ridículo, Quinn. Eu tenho que ir trabalhar.

– Não, você não tem.

– Eu tenho um emprego novo, do qual gosto. Claro que tenho que ir trabalhar. – O que ela quer dizer?

– Não, você não tem – repete ela, enfaticamente.

– Você acha que eu vou ficar fazendo nada enquanto você sai por aí sendo a Mestre do Universo?

– Para falar a verdade... acho.

Ah, Cinquenta, Cinquenta, Cinquenta... dai-me forças.

– Quinn, eu preciso trabalhar.

– Não, você não precisa.

– Sim. Eu. Preciso – Falo bem devagar, como se ela fosse uma criança.

– Não é seguro. – ela faz cara feia para mim.

– Quinn... Eu preciso trabalhar para viver, e vou ficar bem.

– Não, você não precisa trabalhar para viver... E como você sabe que vai ficar bem? – Ela está quase gritando.

O que ela quer dizer? Que vai me sustentar? Ah, isso já é mais que ridículo. A gente se conhece há quê... umas cinco semanas?

Ela está com raiva agora, seus olhos verdes tempestuosos e ligeiros, mas não estou nem aí.

– Pelo amor de Deus, Quinn, Ashley estava aqui, ao pé da sua cama, e ela não me fez mal nenhum, e sim, eu preciso trabalhar. Não quero ficar em divida com você. E tenho que pagar o empréstimo da faculdade.

Ela pressiona a boca numa linha sombria, e eu coloco as mãos no quadril. Não vou abrir mão disso. Quem ela pensa que é?

– Não quero que você vá trabalhar.

– Isso não depende de você, Quinn. Não é uma decisão que você possa tomar.

Ela corre os dedos pelo cabelo e me encara. Os segundos passam, minutos até, enquanto fitamos uma a outra.

– Ryder vai com você.

– Quinn, não precisa disso. Você está sendo irracional.

– Irracional? – rosna ela. – Ou ele vai com você ou eu vou ser realmente irracional e vou prender você aqui.

Ela não faria isso, faria?

– Como, exatamente?

– Ah, eu dou o meu jeito, Rachel. Não me force.

– Certo! – cedo, erguendo as mãos para acalmá-la.

Puta merda... Minha Cinquenta Tons está de volta com todas as forças.

Ficamos ali, fazendo cara feia uma para a outra.

– Tudo bem, Ryder pode vir comigo se isso fizer você se sentir melhor – aceito, revirando os olhos.

Quinn estreita os dela e dá um passo ameaçador em minha direção. Imediatamente, dou um passo para trás. Ela para e respira fundo, fechando os olhos e correndo as mãos pelo cabelo. Ah, não. Ela está realmente furiosa.

– Quer dar uma volta pelo apartamento?

Uma volta? Você está brincando comigo?

– Tudo bem – murmuro com cautela. Mais uma mudança de direção... A Srta. Inconstante está de volta. Ela me estende a mão, e quando eu a seguro, ela aperta a minha com carinho.

– Não queria assustar você.

– Você não me assustou. Eu estava me preparando para correr – brinco.

– Correr? – Quinn arregala os olhos.

– É brincadeira! – Caramba.

Ela me leva para fora do closet, e eu preciso de um tempo para me acalmar. A adrenalina ainda está correndo por meu corpo. Uma briga com Quinn nunca deve ser encarada levianamente.

Ela faz um tour comigo pelo apartamento, mostrando os diferentes cômodos. Além do quarto de jogos e dos três quartos extras do andar de cima, fico boba ao descobrir que Puck e a Sra. Jones têm uma ala só para eles, com cozinha, uma sala de estar espaçosa e um quarto para cada um. A Sra. Jones ainda não voltou da visita à irmã, que vive em Portland.

No primeiro andar, o cômodo que me chama a atenção é o que fica em frente ao escritório dela: uma sala com tv de plasma enorme e vários videogames. É aconchegante.

– Então você tem um Xbox? – Sorrio.

– Tenho, mas sou uma porcaria. Britt sempre ganha. Foi engraçado quando você pensou que este era o meu quarto de jogos. – Ela sorri para mim, seu acesso de raiva já esquecido. Graças a Deus ela está recuperando o bom humor.

– Que bom que você me acha engraçada, Srta. Fabray – respondo, arrogante.

– Você é, Srta. Berry, quando não está sendo irritante, claro.

– Normalmente sou irritante quando você é irracional.

– Eu? Irracional?

– É, Srta. Fabray. Irracional poderia ser seu nome do meio.

– Não tenho nome do meio.

– Então Irracional funciona direitinho.

– Acho que é uma questão de opinião, Srta. Berry.

– Gostaria de ouvir a opinião do Dr. Sam.

Quinn sorri.

– Pensei que Quinn fosse seu nome do meio.

– Não. Sobrenome. Lucy Quinn Fabray.

– Mas você não usa.

– Não gosto de Lucy. Venha. – ordena ela.

Saio com ela da sala de Tv, atravessamos a sala de estar e o corredor principal, passando pela despensa e por uma adega impressionante, até chegarmos ao escritório grande e bem equipado de Puck. Ele fica de pé assim que entramos, A sala é espaçosa o suficiente para uma mesa de reuniões com seis lugares. Acima de uma escrivaninha, há uma parede cheia de monitores. Não tinha ideia de que o apartamento tinha circuito interno de segurança. Aparentemente, ele controla a varanda, a escada, o elevador de serviço e o saguão.

– Oi, Puck. Estou só mostrando o apartamento a Rachel.

Puck faz que sim com a cabeça, mas não sorri. Eu me pergunto se ela também levou uma bronca, e por que ainda está trabalhando. Quando sorrio para ele, ele acena com a cabeça educadamente. Quinn segura minha mão mais uma vez e me leva até a biblioteca.

– E, claro, você já esteve aqui. – Quinn abre a porta e eu dou uma olhada para o feltro verde da mesa de bilhar.

– Vamos jogar? – pergunto.

– Está bem. – Quinn sorri, surpresa. – Você já jogou antes?

– Algumas vezes – minto, e ela estreita os olhos, inclinando a cabeça.

– Você é uma péssima mentirosa, Rachel. Ou você nunca jogou antes ou...

– Com medo de um pouco de competição? – Passo a língua de leve pelos lábios.

– EU? Com medo de uma menininha como você – Quinn zomba bem-humorada.

– Faça sua aposta, Srta. Fabray.

– Você é assim tão confiante, Srta. Berry? – Ela sorri, divertida e incrédula ao mesmo tempo. – O que você quer apostar?

– Se eu ganhar, você me leva de novo para o quarto de jogos.

Ela me olha como se não tivesse entendido o que eu acabei de dizer.

– E se eu ganhar? – pergunta ela expressando todo seu choque.

– Aí a escolha é sua.

Ela contorce a boca ao pensar numa resposta.

– Fechado. – Sorrio. – Quer jogar bilhar, sinuca ou bilhar francês?

– Bilhar, por favor. Não conheço os outros.

De um armário embaixo de uma das estantes de livros, Quinn pega um estojo grande de couro. Dentro dela, as bolas de bilhar estão arrumadas sobre o forro de veludo. Com destreza, ela as coloca no triangulo sobre o feltro. Acho que nunca joguei bilhar numa mesa tão grande antes. Quinn me passa um taco e um pouco de giz.

– Quer estourar? – pergunta ela com polidez fingida. Está se divertindo, acha que vai ganhar.

– Tudo bem. – Passo o giz na ponta do taco e sopro o excesso, olhando Quinn através dos cílios, e seus olhos escurecem.

Acerto a bola branca com uma tacada rápida e direta, atingindo-a no centro do triângulo com tanta força que a bola listrada gira e mergulha na caçapa superior direita. Além de espalhar todas as bolas restantes.

– Fico com as listradas – digo inocentemente, lançando um sorriso tímido para Quinn, que contorce a boca, divertindo-se.

– Como quiser – diz ela, educadamente.

Continuo, matando as próximas três bolas numa rápida sucessão. Por dentro, estou dando pulinhos. Nesse momento, sou muito grata a Finn por ter me ensinado a jogar, e a jogar bem. Quinn assiste impassível, sem entregar nada, mas sua animação parece ter esmorecido. Erro a listrada verde por um fio.

– Sabe, Rachel, eu poderia passar o dia inteiro aqui assistindo você se inclinar e se esticar em cima dessa mesa – diz ela, com um tom de apreciação.

Fico vermelha. Ainda bem que estou de calça jeans. Ela sorri. Está tentando me desconcentrar, o filha da mãe. Ela tira o suéter creme e o joga no encosto de uma cadeira, sorrindo para mim ao caminhar até a mesa para sua primeira tacada.

Ela se inclina sobre a mesa. Minha boca fica seca. Hum, entendi o que ela quer dizer. Quinn, numa calça apertada e numa camiseta branca, flexionando o corpo, desse jeito... é algo a se admirar. Quase perco a linha de raciocínio. Ela enfia quatro bolas rápidas, antes de cometer uma falta, matando a branca.

– Um erro básico, Srta. Fabray – provoco.

– Ah, Srta. Berry – ela sorri -, sou apenas uma simples mortal. Sua vez, creio. – Ela aponta para a mesa.

– Você não está tentando perder, está?

– Ah, não. Pelo prêmio que tenho em mente, Rachel, quero ganhar. – Ela encolhe os ombros casualmente. – Mas, de qualquer forma, eu sempre quero ganhar.

Estreito os olhos para ela. Bom, vamos lá... Que bom que estou usando a blusa azul, que tem um belo decote. Caminho ao redor da mesa, abaixando-me a cada oportunidade disponível, oferecendo a Quinn uma boa visão da minha bunda e do meu decote sempre que posso. Também sei jogar esse jogo. Lanço uma olhada para ela.

– Sei o que você está fazendo – sussurra ela, os olhos sombrios.

Inclino a cabeça para um lado, coquete, acaricio de leve o taco, e correndo minha mão para cima e para baixo bem devagar.

– Hum... Estou apenas tentando decidir onde vai ser minha próxima tacada – murmura, distraída.

Debruçando-me sobre a mesa, acerto listrada laranja, armando uma jogada melhor. Então, posiciono-me bem na frente de Quinn e me apoio na mesa. Preparo minha próxima tacada, inclinando-se bem sobre a mesa. Ouço Quinn inspirar fundo, e ,claro, erro a tacada. Merda.

Ela se aproxima por trás de mim enquanto ainda estou debruçada sobre a mesa e coloca a mão em minha bunda... Hum.

– Você está tentando me provocar, Srta. Berry? – E dá um tapa com força na minha bunda.

Inspiro bruscamente.

– Estou – murmuro, por que é verdade.

– Cuidado com o que deseja, baby.

Passo a mão no ponto em que ela me bateu enquanto ela caminha até a outro lado da mesa e se inclina para dar a tacada. Ela mata a bola vermelha na caçapa esquerda. Em seguida, tenta acertar a amarela, no canto superior, mas erra. Abro um sorriso.

– Quarto vermelho, aí vamos nós — ameaço.

Ela apenas ergue uma sobrancelha e faz um gesto para eu prosseguir. Mato a listrada verde com facilidade e, por algum golpe de sorte, encaçapo a laranja, a última das bolas listradas.

– Você tem que cantar a bola — murmura Quinn, e é como se ela estivesse falando de outra coisa, algo sombrio e devasso.

– Acima e à esquerda.

Miro na preta, acerto a bola, mas ela não cai. Bate longe da caçapa. Droga.

Quinn abre um sorriso perverso ao se debruçar sobre a mesa e mata suas duas últimas bolas com facilidade. Estou praticamente ofegante, observando-a, seu corpo alongando-se sobre a mesa. Ela fica de pé e passa o giz no taco, os olhos ardendo nos meus.

– Se eu ganhar...

Ah, sim?

– Vou lhe dar umas palmadas e comer você em cima dessa mesa.

Puta merda. Cada músculo abaixo do meu umbigo se contrai de tensão.

– Acima, à direita — murmura ela, mirando na preta e se curvando para dar a tacada.

Notas finais
Desculpe-me se tiver algum erro... Então.. oq acharam? Até semana que vem Kids!!