My Dark Word
5 05 - SexyBack
Notas iniciais
A única vantagem de não ter um carro é que no ônibus, a cominho do trabalho, posso colocar os fones de ouvido no iPad enquanto ele está guardado em segurança dentro da minha bolsa e ouvir todas as músicas maravilhosas que Quinn gravou para mim. Quando chego ao escritório, estou com o sorriso mais idiota estampado no rosto.
Biff me olha, vira-se, e olha novamente.
– Bom dia, Rach. Você está... radiante. – Sua observação me irrita. Que coisa mais inapropriada!
– Bom dia, Biff. Dormi bem, obrigada.
Sua testa se enruga.
– Você pode dar uma lida nisto aqui para mim e preparar os relatórios até a hora do almoço, por favor? – Ele me entrega quatro manuscritos. Ao ver minha expressão de espanto, acrescenta: — Só os primeiros capítulos.
– Claro. – Sorrio de alívio, e ele abre um largo sorriso em troca.
Ligo o computador para começar a trabalhar enquanto termino de comer uma banana e de tomar meu café com leite. Vejo que recebi um e-mail de Quinn.
De: Quinn Fabray
Assunto: Me ajude...
10 de junho de 2011 08:05
Para: Rachel Berry
Espero que você tenha tomado café da manhã.
Senti sua falta ontem à noite.
Quinn Fabray
CEO, Fabray Enterprises Holdings, Inc.
De: Rachel Berry
Assunto: Livros velhos...
10 de junho de 2011 08:33
Para: Quinn Fabray
Estou comendo uma banana enquanto escrevo. Não tomo café da manhã há alguns dias, então já é um avanço. Adorei o app da Biblioteca Britânica. Comecei a reler Robinson Crusoé... e, é claro, amo você.
Agora me deixe em paz, estou tentando trabalhar.
Rachel Berry
Assistente de Biff Mcintosh, Editor, SIP.
De: Quinn Fabray
Assunto: Você só comeu isso?
10 de junho de 2011 08:36
Para: Rachel Berry
É melhor se esforçar mais. Vai precisar de energia para implorar.
Quinn Fabray
CEO, Fabray Enterprises Holdings, Inc.
De: Rachel Berry
Assunto: Praga
10 de junho de 2011 08:39
Para: Quinn Fabray
Srta. Fabray, estou tentando exercer meu ganha-pão, e é você que vai implorar.
Rachel Berry
Assistente de Biff Mcintosh, Editor, SIP.
De: Quinn Fabray
Assunto: Manda ver!
10 de junho de 2011 08:36
Para: Rachel Berry
Ora, Srta. Berry, eu adoro um desafio...
Quinn Fabray
CEO, Fabray Enterprises Holdings, Inc.
Sorrio para a tela feito uma idiota. Mas preciso ler esses capítulos para Biff e escrever relatórios sobre todos eles. Coloco os manuscritos em cima da mesa e começo.
Na hora do almoço, vou até a cantina para comer um sanduíche de pastrami e ouvir a seleção de músicas em meu iPad. Primeiro, Ntin Sawhney, uma faixa de wolrd music chamada ‘’Homelands’’ – é boa. O Srta. Fabray tem um gosto eclético para música. Volto até minha mesa ouvindo uma música clássica, ‘’Fantasia sobre um tema de Thomas Tallis’’, de Vaugh Williams. Hum, ela tem senso de humor, e eu a adoro por isso. Será que esse sorriso estúpido algum dia vai sair do meu rosto?
A tarde se arrasta. Decido, em um momento de descuido, escrever um e-mail para Quinn.
De: Rachel Berry
Assunto: Entediada...
10 de junho de 2011 16:05
Para: Quinn Fabray
Não tenho nada para fazer.
Como você está?
O que está fazendo?
Rachel Berry
Assistente de Biff Mcintosh, Editor, SIP.
De: Quinn Fabray
Assunto: Algo para fazer
10 de junho de 2011 16:15
Para: Rachel Berry
Você deveria ter vindo trabalhar para mim.
Certamente teria algo para fazer agora.
Tenho certeza de que seria melhor aproveitada.
Na verdade, posso pensar em diversas formas de aproveitá-la...
Estou fazendo minhas fusões e aquisições de sempre.
É tudo muito tedioso.
Seus e-mails na Sip são monitorados.
Quinn Fabray
Uma CEO destraída , Fabray Enterprises Holdings, Inc.
Ai, merda. Eu não tinha ideia. Como ela sabe disso? Faço uma cara feia para tela e rapidamente verifico os e-mails trocados por nós, deletando-os.
Biff chaga à minha mesa pontualmente às cincos e meia. Como é sexta-feira, ele está de calça jeans e camisa preta.
– E ai, vamos tomar um drinque, Rach? Em geral a gente dá uma passada rápido no bar do outro lado da rua.
– A gente? – pergunto, esperançosa.
– É, a maior parte do pessoal vai... Você vem?
Por alguma estranha razão que não quero aliviar atentamente, sou tomada por uma sensação de alívio.
– Claro. Como se chama o bar?
– Anos Cinquenta.
– Você está brincando?
– Não. Tem algum significado especial para você? – Ele me olha confuso.
– Não, desculpe. Encontro vocês lá.
– O que você gostaria de beber?
– Uma cerveja, por favor.
– Legal.
Vou até o banheiro e mando um e-mail para Quinn do meu BlackBerry.
De: Rachel Berry
Assunto: Vai combinar direitinho com você
10 de junho de 2011 17:36
Para: Quinn Fabray
Estamos indo para um bar chamado Anos Cinquenta.
A quantidade de piadas que eu poderia fazer sobre isso é interminável.
Estou ansiosa para encontrá-la lá, Srta. Fabray.
Bj,
R.
De: Quinn Fabray
Assunto: Riscos
10 de junho de 2011 17:38
Para: Rachel Berry
Fazer piada é uma coisa muito, muito perigosa.
Quinn Fabray
CEO, Fabray Enterprises Holdings, Inc.
De: Rachel Berry
Assunto: Riscos?
10 de junho de 2011 17:40
Para: Quinn Fabray
O que quer dizer com isso?
De: Quinn Fabray
Assunto: Apenas...
10 de junho de 2011 17:42
Para: Rachel Berry
É apenas uma observação, Srta. Berry.
Vejo você em breve.
Até mais, baby.
Quinn Fabray
CEO, Fabray Enterprises Holdings, Inc.
Confiro meu reflexo no espelho. Que diferença um dia pode fazer. Minhas bochechas estão coradas, meus olhos, radiantes. É o efeito Quinn Fabray. Uma simples troca de e-mails com ela faz isso com qualquer garota. Sorrio para o espelho e ajeito a camisa azul-clara – a que Puck comprou para mim. Também estou usando minha calça jeans favorita hoje.
A maioria das mulheres no escritório usa calça jeans ou saias leves. Vou precisar investir em uma ou duas saias soltinhas. Talvez faça isso este fim de semana e desconte o cheque que Quinn me deu por Wanda, o fusca.
Assim que saio do prédio, ouço chamarem meu nome:
– Srta. Berry?
Viro-me e vejo uma jovem pálida se aproximar de mim cautelosamente. Parece um fantasma: tão branca e tão estranhamente vazia.
– Srta. Rachel Berry? – repete ela, e suas feições permanecem estáticas embora esteja falando.
– Sim?
Ela para, encarando-me a cerca de três metros na calçada. Olho para ela, paralisada. Quem é? O que ela quer?
– Posso ajudar? – pergunto. Como ela sabe meu nome?
– Não... Eu só queria ver você. – Sua voz é estranhamente sedosa.
Como eu, ela e magra, mas tem os cabelos loiros com a pele clara. Seus olhos não transmitem nenhum resquício de vida. Seu belo rosto está lívido e marcado pela tristeza.
– Desculpe, estou em desvantagem – digo, tentando ignorar o formigamento que corre por minha coluna numa espécie de alerta.
Olhando de perto, ela parece estranha, descabelada e descuidada. Suas roupas estão largas, inclusive o casaco de marca que usa sobre elas.
Ela ri, produzindo um som estranho e dissonante que só faz alimentar a minha sanidade.
– O que você tem que eu não tenho? – pergunta, com tristeza.
A ansiedade se transforma em medo.
– Sinto muito, quem é você?
– Eu? Eu não sou ninguém. – Ela levanta o braço e passa a mão pelo cabelo, e, a medida que faz isso, a manga de seu casaco sobe, revelando um curativo sujo em volta do pulso.
Puta Merda.
– Tenha um bom dia, Srta. Berry. – Ela se vira e caminha pela rua, e continuo imóvel no meio da calçada. Eu a observo enquanto sua frágil silhueta desaparece de vista, perdida entre as pessoas que saem do escritório.
O que foi isso?
Confusa, atravesso a rua na direção do bar, tentando assimilar o que acabou de acontecer, mas meu inconsciente ergue sua cara feia e grita comigo: Ela tem algo a ver com a Quinn.
O bar Anos Cinquentas é um ambiente fechado e impessoal, com flâmulas e cartazes de beisebol pendurados na parede. Biff está junto ao balcão com Aprill, Spencer, o outro editor, dois caras do setor financeiro e Tina, da recepção.
– Oi, Rachel! – Biff me entrega uma garrafa de Budweiser.
– Saúde... obrigada – murmuro, ainda abalada pelo encontro com a Garota-Fantasma.
– Saúde – brindamos, e ele continua conversando com Aprill.
Tina sorri para mim com gentileza.
– Então, como foi sua primeira semana? – pergunta ela.
– Foi boa, obrigada. Todo mundo é muito gentil.
– Você parece muito mais feliz hoje.
– É sexta-feira – respondo rapidamente. – Então, o que vai fazer neste fim de semana?
MINHA JÁ COSTUMEIRA tática de distração funciona, e estou a salvo. Descubro que Tina tem seis irmãos e que vai passar o fim de semana com a família, em Tacoma. Ela fica bastante animada com a conversa, e me dou conta de que não converso assim com uma mulher da minha idade desde que Santana foi para Barbados. Tirando Quinn, claro. Mas com ela as conversas são sempre mais intensas.
Distraída, imagino como Santana deve estar agora... e Britt. Preciso me lembrar de perguntar a Quinn se teve noticias delas. Ah, e Blaine, o irmão de Santana, volta na próxima terça-feira, e vai ficar no nosso apartamento. Acho que Quinn não vai gostar muito disso. Assim, meu encontro com a estranha Garota-Fantasma vai desaparecendo de meus pensamentos.
Durante minha conversa com Tina, Aprill me passa outra cerveja.
– Obrigada. – Sorrio para ela.
É muito fácil conversar com Tina, ela gosta de falar, e, antes que eu perceba, estou na terceira cerveja, cortesia de um dos caras do financeiro.
Quando Apriil e Spencer vão embora, Biff se aproxima de mim e de Tina. Cadê a Quinn? Um dos caras do financeiro puxa Tina para uma conversa.
– E então, Rach, acha que foi uma boa ideia vir trabalhar com a gente? – A voz de Biff é suave, e ele está um pouco perto demais. Mas já notei que tem uma tendência a fazer isso com todo mundo, até mesmo no escritório.
– Foi uma boa semana, Biff, obrigada. Sim, acho que tomei a decisão certa.
– Você é uma menina muito inteligente, Rach. Você vai longe.
– Obrigada – murmuro enrubescida, sem saber o que dizer.
– Você mora longe?
– Em Pike Market.
– Não fica muito longe de onde eu moro. – Sorrindo, ele se aproxima ainda mais e se recosta contra o bar, bloqueando minha saída com eficiência. – Vai fazer alguma coisa neste fim de semana?
– Bem... hum...
Eu a sinto antes de vê-la. É como se todo o meu corpo estivesse inteiramente antenado para sua presença: relaxo e me inflamo ao mesmo tempo, uma estranha dualidade interna, e sinto aquela eletricidade peculiar pulsando dentro de mim.
Quinn passa o braço em torno de meus ombros em uma demonstração de afeto aparentemente casual, mas sei o que significa. É um sinal de posse, e, na atual situação, é muito bem-vinda. Ela beija meu cabelo com ternura.
– Oi, baby – murmura.
Não posso evitar a sensação de alivio, segurança e empolgação que o braço dela ao meu redor transmite. Ela me puxa para junto de si, e eu a vejo encarar Biff com sua expressão impassível. Voltando a atenção para mim, ela me lança um breve sorriso torto seguido de um beijo rápido. Está usando um terninho cor de vinho, calça preta e uma camisa branca aberta. Ela está deliciosa.
Biff se afasta, desconfortável.
– Biff, esta é Quinn – murmuro, quase me desculpando. Mas por que a necessidade de pedir desculpas?. – Quinn, Biff.
– Sou a namorada – diz Quinn com um pequeno e frio sorriso que não chega a alcançar seus olhos enquanto aperta a mão de Biff.
Olho de relance para Biff, que está avaliando a bela exemplar de que está diante de si.
– Sou o chefe – responde Biff com arrogância. – Na verdade, Rach mencionou uma ex-namorada.
Ai, merda. Você realmente não está a fim de jogar este jogo com Quinn.
– Bem, deixei de ser ex – responde Quinn calmamente. – E ai, Rach, vamos? Está na hora.
– Por favor, fique e tome uma bebida com a gente – convida Biff.
Eu não acho que seja uma boa ideia. Por que essa situação é tão desconfortável? Olho para Tina que, obviamente, está observando boquiaberta, em uma franca apreciação carnal por Quinn. Quando vou parar de me preocupar com o efeito que ela tem sobre outras mulheres.
– Já temos planos – responde Quinn com seu sorriso enigmático.
Temos? E um frisson de antecipação percorre meu corpo.
– Outro dia, quem sabe – acrescenta ela. – Vamos – diz enquanto segura minha mão.
– Vejo vocês na segunda. – Sorrio para Biff, Tina e os dois caras do financeiro, esforçando-me para ignorar a expressão de insatisfação de Biff ao seguir Quinn para fora do bar.
Puck está ao volante do Audi, esperando.
– Por que eu fiquei com a impressão de que aquilo foi um concurso de quem leva a dama para casa? – pergunto a Quinn depois que ela abre a porta do carro para mim.
– Por que foi – murmura ela, lançando-me um sorriso enigmático e fechando a minha porta.
– Oi, Puck – digo, e nossos olhos se encontram no retrovisor.
– Srta. Berry – responde Puck com um sorriso caloroso.
Quinn senta-se ao meu lado, segura minha mão e, delicadamente, beija meus dedos.
– Oi – diz baixinho.
Minhas bochechas ficam cor-de-rosa só de saber que Puck pode nos ouvir, mas sinto-me grata de que ele não possa ver o olhar escaldante, de esquentar a calcinha, que Quinn está me lançando. Preciso de todo o meu autocontrole para não pular em cima dela ali mesmo, no banco de trás do carro.
Ah, o banco de trás do carro... hum.
– Oi – suspiro, a boca seca.
– O que você gostaria de fazer esta noite?
– Você disse que já tínhamos planos.
– Ah, eu sei o que eu quero fazer, Rachel. Estou perguntando o que você quer fazer.
Sorrio para ela, radiante.
– Entendi – diz ela com um sorriso perverso. – Então... vai implorar. Você quer implorar na minha casa ou na sua? – Ela inclina a cabeça para o lado e abre seu sorriso sensual para mim.
– Acho que você está sendo muito presunçosa, Srta. Fabray. Mas, só para variar, dessa vez a gente podia ir para a minha casa. – Mordo o lábio deliberadamente, e as feições dela se fecham.
– Puck, para o apartamento da Srta. Berry, por favor.
– Sim, senhora – responde Puck, e dá a partida no carro.
– E então, como foi o seu dia? – pergunta ela.
– Bom. E o seu?
– Bom, obrigada.
Seu sorriso absurdamente largo reflete o meu, e ela beija minha mão mais uma vez.
– Você está linda – diz.
– Você também está linda.
– O seu chefe, Biff Mclntosh, ele é bom no faz?
Uau! Isso é que mudança brusca de assunto! Franzo a testa.
– Por quê? Isso não tem nada haver com o seu concurso de quem leva a dama, tem?
Quinn ri.
– Aquele homem quer entrar na sua calcinha, Rachel – diz ela secamente.
Fico rubra, boquiaberta, e olho nervosa para Puck.
– Bem, ele pode querer o que bem entender... por que estamos tendo essa conversa? Você sabe que não tenho o menor interesse nele. Ele é só meu chefe.
– Este é o ponto. Ele quer o que é meu. Preciso saber se ele é bom no trabalho dele.
– Acho que sim. – Dou de ombros. A onde ela está querendo chegar com isso?
– Bem, é melhor ele deixar você em paz, ou vai acabar no olho da rua.
– Ah, Quinn, do que você está falando? Ele não fez nada de errado... – Por enquanto. Ele só fica perto demais quando fala comigo.
– Qualquer movimento dele, conte para mim. Isso se chama torpeza moral da mais baixa. Ou assédio sexual.
– Foi apenas uma cerveja depois do trabalho.
– Estou falando sério. Um movimento, e ele está na rua.
– Você não tem esse poder! – Francamente! E, antes que eu possa revirar os olhos para ela, a ficha cai com a velocidade de um relâmpago. – Ou tem?
Quinn me lança seu sorriso enigmático.
– Você está comprando a editora – sussurro horrorizada.
Seu sorriso se desfaz em resposta ao pânico em minha voz.
– Não exatamente – diz ela.
– Você já comprou. A SIP. Já comprou.
Ela pisca para mim, cautelosa.
– Talvez.
– Comprou ou não?
– Comprei.
Que inferno!
– Por quê? – pergunto, chocada. Ah, não, isso é demais.
– Porque eu posso, Rachel. Preciso de você em segurança.
– Mas você disse que não iria interferir na minha carreira!
– E não vou.
Puxo a minha mão de volta.
– Quinn... – As palavras me escapam.
– Você está brava comigo?
– Estou. Claro que estou brava com você – explodo. – Quer dizer, que tipo de executiva responsável toma decisões com base na pessoa que ela está comendo no momento? – Fico branca e uma vez mais olho nervosa para Puck, que está nos ignorando estoicamente.
Merda. Que hora para o filtro cérebro-boca falhar.
Quinn abre a boca e então a fecha novamente, fazendo uma cara feia para mim. Eu a encaro de volta. Enquanto nos enfrentamos, a atmosfera no carro mergulha de cálida com toques de doce reconciliação para gélida e repleta de palavras não ditas e possíveis recriminações.
Felizmente, a desconfortável viagem não dura muito tempo, e Puck encosta o carro diante do meu prédio. Saio às pressas, sem esperar que ninguém abra a porta para mim, e ouço Quinn murmurar para Puck:
– Acho que é melhor você esperar aqui.
Eu a sinto de pé atrás de mim, bem perto, enquanto me esforço para encontrar as chaves da porta da frente na bolsa.
– Rachel – diz ela com calma, como se eu fosse um animal selvagem encurralado.
Suspiro e me viro para encará-la. Estou com tanta raiva que ela chega a ser palpável, uma entidade das trevas que ameaça me sufocar.
– Primeiro, já faz tempo, tempo demais, aliás, que não como você. E segundo, eu queria entrar no mercado editorial. Das quatro editoras de Seattle, a SIP é a mais rentável, mas está no seu limite e vai acabar ficando estagnada. Ela precisa se diversificar.
Eu a encaro friamente. Seu olhar é intenso, ameaçador até, mas sensual como o diabo. Eu poderia me perder em sua profundeza de aço.
– Então você é minha chefe agora – rebato.
– Tecnicamente, eu sou a chefe do chefe do seu chefe.
– E, tecnicamente, isso é uma torpeza moral das mais baixas, o fato de eu estar fodendo com a chefe do chefe do meu chefe.
– No momento, você está discutindo com ela. – Quinn faz uma cara feia.
– Isso porque ela é uma idiota – exclamo.
Quinn recua, atordoada. Ai. Merda. Será que fui longe demais?
– Idiota? – murmura ela, as feições adquirindo uma expressão divertida. Porra! Estou morrendo de raiva de você, não me faça rir!
– Isso mesmo. – Luto para manter meu olhar de indignação moral.
– Idiota? – pergunta Quinn novamente. Desta vez, seus lábios se contorcem num sorriso reprimido.
– Não me faça rir quando estou com raiva de você! – grito.
E ela sorri, um sorriso deslumbrante, cheio de dentes, uma modelo de perfeição, e eu não consigo evitar. Sorrio, também e, então, caio na gargalhada. Como eu poderia não ser afetada pela alegria presente naquele sorriso?
– Só porque estou com esse sorriso idiota na cara não significa que eu não esteja morrendo de raiva de você – murmuro ofegante, tentando suprimir minha risada infantil de líder de torcida. Embora eu nunca tenha sido uma líder de torcida, o pensamento amargo atravessa minha mente.
Ela se inclina, e eu acho que vai me beijar, mas não faz. Enfia o rosto em meu cabelo e inspira profundamente.
– Como sempre, Srta. Berry, você é surpreendente. – Ela volta o corpo para trás, para me encarar, os olhos brilhando cheios de humor – E então, vai me convidar para entrar ou vou ficar de castigo por exercer o meu direito democrático, como cidadã norte-americana, empreendedora e consumidora, de comprar o que eu bem entender?
– Você falou com o Dr. Evans sobre isso?
Ela ri.
– Você vai me deixar entrar ou não, Rachel?
Tenta lançar um olhar relutante – morder o lábio ajuda -, mas estou sorrindo quando abro a porta. Quinn se vira e acena para Puck, e o Audi dá partida.
É ESTRANHO TER Quinn Fabray em meu apartamento. O lugar parece pequeno demais para ela.
Ainda estou brava – a perseguição dela não tem limites -, e acabo me dando conta de que é por isso que ela sabia que meu e-mail na SIP era monitorado. Ela provavelmente sabe mais sobre a SIP do que eu. É um pensamento desagradável.
O que posso fazer? Por que ela tem essa necessidade de me manter em segurança? Já sou – pelo menos um pouco – adulta, pelo amor de Deus. O que posso fazer para tranquilizá-la?
Observo seu rosto enquanto ela caminha de um lado para outro na sala, feito uma predadora enjaulada, e minha raiva desaparece. Vê-la em meu território depois de achar que tínhamos terminados é reconfortante. Mais do que reconfortante, eu a amo, e meu coração se enche com uma euforia nervosa e inebriante. Ela olha ao redor, avaliando o ambiente.
– Apartamento bacana – diz.
– Os pais de Santana compraram para ela.
Ela acena distraidamente com a cabeça, e seus olhos ousados recaem sobre mim.
– E então... quer uma bebida? – murmuro, enrubescendo.
– Não, obrigada, Rachel. – Seu olhar escurece.
Por que estou tão nervosa?
– O que você gostaria de fazer, Rachel? – pergunta ela suavemente, caminhando em minha direção, toda selvagem e sensual. – Eu sei o que eu quero fazer – acrescenta, em voz baixa.
Recuo até bater contra a bancada de concreto da cozinha.
– Ainda estou brava com você.
– Eu sei. – Ela abre um sorriso torto de desculpas, e eu me derreto... Bem, talvez não tão brava assim.
– Gostaria de comer alguma coisa? – pergunto.
– Sim. Você – murmura ela, assentindo lentamente com a cabeça. Todo o meu corpo se enrijece da cintura para baixo. Sou seduzida até por sua voz, mas aquele olhar, aquele olhar faminto de quem quer me devorar agora... meu Deus.
Ela está de pé na minha frente, mas sem encostar em mim, olhando meus olhos e me banhando no calor que irradia de seu corpo. Sinto-me sufocada, agitada, e minhas pernas parecem gelatina à medida que o desejo sombrio toma conta de mim. Eu quero essa mulher.
– Você já comeu hoje? – pergunta ela.
– Um sanduíche no almoço – sussurro. Não quero falar de comida.
– Você precisa comer. – Ela estreita os olhos.
– Eu realmente não estou com fome... de comida.
– E você está com fome de quê, Srta. Berry?
– Acho que você sabe, Srta. Fabray.
Ela abaixa a cabeça, e de novo acho que vai me beijar, mas não faz.
– Quer que eu beije você, Rachel? – sussurra baixinho no meu ouvido.
– Sim – murmuro.
– Onde?
– Em todos os lugares.
– Você vai ter que ser um pouco mais especifica do que isso. Eu já avisei que não vou tocar até que implore e me diga o que fazer.
Estou perdida, ela não está jogando limpo.
– Por favor – peço.
– Por favor, o quê?
– Toque em mim.
– Onde?
Ela está tão tentadora perto, seu perfume é inebriante. Eu levanto as mãos, e ela recua de imediato.
– Não, não – ela me repreende, os olhos de repente arregalados e alarmados.
– O quê? – Não... volte.
– Não. – Ela balança a cabeça.
– Nem um pouco? – Não consigo evitar o desejo em minha voz.
Ela me olha, hesitante, e eu me sinto encorajada por essa hesitação. Dou um passo na direção dela, e ela recua, erguendo as mãos em defesa, mas sorrindo.
– Espere, Rach. – É um alerta, e ela passa a mão pelo cabelo, exasperada.
– Às vezes você não se importa – observo, melancolia. – Talvez eu devesse pegar uma caneta, aí poderíamos mapear as áreas proibidas.
Ela ergue uma sobrancelha.
– Isso não é má ideia. Onde fica o seu quarto?
Indico com a cabeça. Será que ela está deliberadamente mudando de assunto?
– Você está tomando as medicações?
Ah, merda.
Sua expressão se desfaz ao ver minha reação.
– Não – falo, num gemido.
– Certo – diz ela, e seus lábios se comprimem numa linha fina. – Venha, vamos comer alguma coisa.
– Achei que estávamos indo para a cama! Eu quero ir para a cama com você.
– Eu sei, baby. – Ela sorri e, de repente, vem em minha direção, pega meus pulsos e me puxa para junto de si de forma que seu corpo pressiona o meu. – Você precisa comer e eu também – murmura, os ardentes olhos me encarando. – Além do mais... a expectativa é o segredo da sedução e, neste instante, estou muito interessada em adiar a gratificação.
Hum, desde quando?
– Você já me seduziu e eu quero a minha gratificação agora. Eu imploro, por favor – minha voz parece um gemido.
Ela sorri para mim com ternura.
– Vamos comer. Você está muito magra. – Ela beija minha testa e me solta.
É um jogo, parte de algum plano maligno. Faço uma cara feia.
– Ainda estou com raiva porque você comprou a SIP, e, agora, estou com raiva porque você está me fazendo esperar – resmungo.
– Você é muito ansiosa, não é? Mas vai se sentir melhor depois de uma boa refeição.
– Eu sei o que vai fazer com que eu me sinta melhor.
– Rachel Berry, estou chocada. – Seu tom é um tanto debochado.
– Pare de me provocar. Você não joga limpo.
Ela sufoca o riso, mordendo o lábio inferior. Simplesmente adorável... uma Quinn brincalhona divertindo-se com a minha libido.
Se pelo menos as minhas habilidades de sedução fossem melhores, eu saberia o que fazer, mas não poder tocá-la realmente dificulta as coisas.
Minha deusa interior estreita os olhos, pensativa. Precisamos trabalhar essa questão.
Enquanto Quinn e eu nos encaramos – eu, toda alvoroçada e cheia de desejo; ela, descontraída e divertindo-se às minhas custas -, percebo que não tenho comida em casa.
– Eu poderia cozinhar alguma coisa para nós, só que vamos ter que ir ao mercado.
– Ao mercado?
– Comprar comida.
– Você não tem comida em casa? – Sua expressão se enrijece.
Nego com a cabeça. Merda, ela parece muito irritada.
– Vamos às compras, então – diz com firmeza ao se virar em direção à porta, abrindo-a para mim.
– QUANDO FOI a última vez em que esteve em um supermercado?
Quinn parece deslocada, mas ela me segue, obediente, segurando uma cesta de compras.
– Não me lembro.
– É a Srta. Jones quem faz as compras?
– Acho que Puck a ajuda. Não sei bem.
– Você gosta de frango xadrez? É rápido de fazer.
– É uma boa ideia – Quinn sorri, sem dúvida imaginando meu verdadeiro motivo para querer uma refeição rápida.
– Eles trabalham com você há muito tempo?
– Puck, há quatro anos, acho. A Srta. Jones também deve ter o mesmo tempo. Por que você não tem comida em casa?
– Você sabe o porquê – murmuro, enrubescendo.
– Foi você quem me deixou – resmunga ela, em desaprovação.
– Eu sei – respondo em voz baixa, não querendo ser lembrada disso.
Chegamos ao caixa e, em silêncio, esperamos na fila.
Se eu não tivesse ido embora, ela teria oferecido a alternativa do relacionamento baunilha?, pergunto-me inutilmente.
– Você tem alguma coisa para beber? – Ela me traz de volta ao presente.
– Cerveja... Acho.
– Vou pegar um vinho.
Ah, Deus. Não sei que tipo de vinho pode-se comprar num Supermercado Ernie. Quinn volta de mãos vazias e com uma cara de nojo.
– Tem uma boa loja de bebidas aqui ao lado – digo depressa.
– Vou ver o que eles têm.
Talvez devêssemos ir logo para casa dela, assim não teríamos esse aborrecimento todo. Eu a observo deixar o supermercado, determinada e com uma elegância natural. Duas mulheres na entrada param para observá-la. Ah, sim, contemplem a minha Cinquenta Tons, penso, desanimada.
Quero lembrar dela na minha cama, mas ela está bancando a difícil. Talvez eu devesse fazer o mesmo. Minha deusa interior concorda freneticamente. E ali, na fila, estabelecemos um plano. Hum...
QUINN LEVA as sacolas de compras até o apartamento. Ela as está carregando desde que saímos do mercado. E parece estranha. Não tem nada da aparência habitual da CEO.
– Você perece tão... doméstica.
– Ninguém nunca me acusou disso antes – responde secamente.
Ela coloca as sacolas na bancada da cozinha. Tiro as compras das bolsas; ela pega uma garrafa de vinho branco e procura um saca-rolhas.
– Este lugar ainda é novo para mim. Acho que o abridor está naquela gaveta ali. – Aponto com o queixo.
Isso parece tão... normal. Duas pessoas se conhecendo, preparando uma refeição. No entanto, é tão estranho. O medo que sempre senti na presença dela passou. Já fizemos tanta coisa juntas, eu coro só de pensar, e ainda assim, mal a conheço.
– Em que você está pensando? – Quinn interrompe meu devaneio enquanto tira seu blazer e coloca sobre o sofá.
– Em quão pouco conheço você.
Seus olhos se suavizam.
– Você me conhece melhor do que qualquer pessoa.
– Não acho que isso seja verdade. – A Mrs. Robinson surge em meus pensamentos sem ser chamada, uma visão nada bem-vinda.
– Mas é, Rachel. Sou uma pessoa muito, muito reservada.
Ela me entrega uma taça de vinho branco.
– Saúde – diz.
– Saúde – respondo e tomo um gole enquanto ela guarda a garrafa na geladeira.
– Posso ajudar com isso? – pergunta.
– Não, está tudo bem... pode se sentar.
– Eu queria ajudar. – Sua expressão é sincera.
– Você pode cortar os legumes.
– Não sei cozinhar – diz ela, observando com desconfiança a faca que passo para ela.
– Imagino que você não precise. – Coloco uma tábua e uns pimentões vermelhos na frente dela. Ela fica olhando, confusa. – Você nunca cortou um legume antes?
– Não.
Sorrio para ela.
– Está rindo de mim?
– Parece que há uma coisa que eu sei fazer e você não. Cá entre nós, Quinn, acho que se trata de uma primeira vez. Aqui, deixe-me mostrar.
Encosto o corpo no dela, e ela recua. Minha deusa interior ergue o olhar e fica atenta.
– Assim. – Fatio o pimentão, tomando o cuidado de remover as sementes.
– Perece bastante simples.
– Você não vai achar muito difícil – murmuro, com ironia.
Ela me olhar impassível por um momento e depois se volta para sua tarefa; eu preparo o frango picado. Ela começa a fatiar com cuidado, bem devagar. Ai, meu Deus, desse jeito vai levar a noite toda.
Lavo minhas mãos e vou procurar a panela, o óleo e outros ingredientes dos quais preciso, roçando repetidas vezes o corpo no dela – meu quadril, meu braço, minhas costas, minhas mãos. Pequenos toques, aparentemente inocentes. E ela fica paralisada a cada vez que faço isso.
– Eu sei o que está tentando fazer, Rachel – murmura ela, sombria, ainda fatiando o primeiro pimentão.
– Acho que as pessoas chamam de cozinhar – digo, piscando os olhos. Pego outra faca e me junto a ela diante da tábua para cortar o alho, a cebolinha e as ervilhas, esbarrando continuamente nela.
– Você é muito boa nisso – resmunga ela ao começar a fatiar o segundo pimentão.
– Fatiar legumes? – Pisco. – Anos de prática. – E esbarro nela com o quadril. Quinn fica paralisada mais uma vez.
– Se você fizer isso mais uma vez, Rachel, eu vou trepar com você no chão dessa cozinha.
Uau. Está funcionando.
– Você vai ter que implorar primeiro.
– É um desafio?
– Talvez.
Ela descansa a faca sobre a mesa e caminha lentamente na minha direção, seus olhos em chamas. Inclina-se para longe de mim e desliga o gás do fogão. O óleo na panela silencia quase imediatamente.
– Acho que vamos comer mais tarde – diz ela. – Coloque o frango na geladeira.
Taí uma frase que eu jamais imaginei ouvir de Quinn Fabray, e só ela poderia fazê-la soar sensual. Muito sensual, aliás. Pego a vasilha com o frango picadinho e, trêmula, coloco um prato sobre ela e a guardo na geladeira. Quando me viro ela está junto a mim.
– Então, vai implorar? – sussurro, fitando corajosamente seus olhos sombrios.
– Não, Rachel. – Ela balança a cabeça. – Nada de implorar. – Sua voz é suave, sedutora.
E ficamos ali, encarando-nos, deliciando-nos com a visão da outra, sem dizer nada, apenas olhando, a atmosfera ao nosso redor quase estalando de tão carregada. Mordo meu lábio à medida que o desejo que sinto por essa mulher maravilhosa se apodera de mim à força, esquentando meu sangue, oprimindo minha respiração, acumulando-se na região da cintura. Vejo minhas reações refletidas na postura dela, em seus olhos.
Num instante, ela me agarra pelo quadril e me puxa para junto de si, minhas mãos seguram seu cabelo, e sua boca busca por mim. Ela me empurra contra a geladeira, ouço o barulho abafado de garrafas e frascos protestando, sua língua encontra a minha no caminho. Solto um gemido dentro de sua boca, e uma de suas mãos segura o meu cabelo, puxando minha cabeça para trás enquanto trocamos um beijo selvagem.
– O que você quer, Rachel?
– Você – sussurro.
– Onde?
– Cama.
Quinn se solta do nosso abraço, me pega nos braços e me carrega depressa e aparentemente sem qualquer esforço até o quarto. Ela me coloca de pé ao lado da cama e se inclina para acender o abajur na mesa da cabeceira. Dá uma olhada rápida em volta e fecha as cortinas cor de creme.
– E agora? – diz em voz baixa.
– Faço amor comigo.
– Como?
Caramba.
– Você tem que me dizer, baby.
Puta merda.
– Tire minha roupa. – Já estou ofegante.
Ela sorri e pega na abertura da minha camisa com o indicador, puxando-me em direção a ela.
– Boa menina – murmura e, sem tirar os olhos ardentes dos meus, lentamente começa a desabotoar minha camisa.
Com cuidado, apoio minhas mãos em seus braços para manter o equilíbrio. Ela não reclama. Os braços são uma área segura. Quando termina com os botões, ela puxa minha camisa por sobre meus ombros, e eu tiro as mãos dos braços dela para deixar minha camisa cair no chão. Ela se estica na direção do cós de minha calça jeans, abre o botão e puxa o zíper para baixo.
– Diga o que você quer, Rachel. – Seus olhos estão em chamas; os lábios, entreabertos, a respiração ofegante.
– Beije-me daqui até aqui – sussurro, arrastando o dedo a partir da base da orelha até o pescoço.
Ela tira o meu cabelo do caminho e se curva sobre mim, deixando beijos suaves ao longo do percurso de meu dedo, e depois faz o caminho de volta.
– A calça jeans e a calcinha – murmuro, e ela sorri junto do meu pescoço antes de se ajoelhar diante de mim.
Ah, eu me sinto tão poderosa. Com os polegares enfiados por dentro do cós, ela desce delicadamente a calça junto com a calcinha ao longo de minhas pernas. Eu dou um passo para fora dos sapatos e das roupas, de forma que fico só de sutiã. Ela para e olha para cima em expectativa, mas não se levanta.
– E agora, Rachel?
– Beije-me – sussurro.
– Onde?
– Você sabe onde.
– Onde?
Hum, ela está bancando a durona. Envergonhada, aponto rapidamente para o local onde minhas coxas se encontram, e ela sorri com malícia. Fecho os olhos, mortificada, mas, ao mesmo tempo, muito excitada.
– Ah, com prazer. – Ela ri.
Ela me beija e brinca com a língua experiente que inspira prazer. Solto um gemido e enfio as mãos em seu cabelo. Ela não para, a língua circulando o meu clitóris, deixando-me louca, de novo e de novo, indo e voltando. Ahhh... quanto tempo... faz? Ah...
– Quinn, por favor – imploro. Não quero gozar de pé. Não tenho força para isso.
– Por favor, o quê, Rachel?
– Faça amor comigo.
– Estou fazendo – murmura ela, soprando em mim suavemente.
– Não. Quero você dentro de mim.
– Você tem certeza?
– Por favor.
Ela continua com sua tortura doce e deliciosa. Solto um gemido alto.
– Quinn... por favor.
Ela se levanta e me olha, os lábios brilhando com a prova da minha excitação. Que tesão.
– E então? – diz ela.
– E então, o quê? – pergunto ofegante, olhando para ela tomada de um desejo frenético.
– Ainda estou vestida.
Eu a encaro, confusa.
Tirar a roupa dela? Sim, eu posso fazer isso. Pego sua camisa e ela recua.
– Não – adverte. Merda, ela quer dizer a calça.
Hum, isso me dá uma ideia. Minha deusa interior fica animada, e eu caio de joelhos diante dela. Um tanto desajeitada e com as mãos tremendo, abro a calça e a puxo para baixo, junto com sua calcinha, ela está completamente nua na parte de baixo. Uau.
Ergo o olhar para ela através dos cílios, e ela está olhando para mim com... o quê? Apreensão? Espanto? Surpresa?
Ela sai da calça, e eu começo a deslizar minha mão estimulando ela com meus dedos, para frente e para trás do jeito em que ela me ensinou. Ela geme, seu corpo se enrijece, a respiração sibila por entre dentes cerrados. Com muito cuidado, eu começo a chupar ela com força. Hum, ela tem um gosto bom.
– Ah, Rach... ei, devagar.
Ela segura minha cabeça com ternura, e eu enfio minha língua mais fundo ao mesmo tempo pressionando meus lábios tão firme quanto posso, sugando com força.
– Caralho –sussurra ela.
Ah, que som gostoso, sensual e inspirador. Então eu repito mais fundo e passando a língua em sua entrada lentamente. Hum... Eu me sinto como Afrodite.
– Rach, chega. Pare.
Faço de novo. Ande, Fabray, implore. E mais uma vez.
– Rache, você já provou o quanto é boa – murmura ela entre dentes. – Eu não quero gozar na sua boca.
Repito ainda mais uma vez, e ela se abaixa, me agarrando pelos ombros, me coloca de pé e me joga na cama. Está ofegante como eu.
– Tire o sutiã – ela ordena.
Eu me sento e obedeço.
– Deite. Quero ver você.
Eu me deito, olhando para ela. Eu a quero tanto. Ela me encara e passa a língua nos lábios.
– Você é uma bela visão, Rachel Berry.
Ela se inclina sobre a cama e lentamente sobe em mim, beijando-me. Beija cada um dos meus seios e brinca com os mamilos, um de cada vez, eu gemo e me contorço embaixo dela, mais ela não para.
Não pare... Pare. Quero você.
– Quinn, Por favor.
– Por favor, o quê? – murmura ela entre os meus seios.
– Quero seus dedos dentro de mim.
– Agora?
– Por favor.
Olhando para mim, ela abre minhas pernas, sem tirar os olhos dos meus, sinto seus dedos descendo lentamente sobre meus seios, barriga até chegar por onde mais eu preciso dela. Ela introduz dois dedos dentro de mim num ritmo deliciosamente lento.
Fecho os olhos, saboreando a plenitude, a sensação extraordinária que seus dedos causam em mim, minha pélvis se inclinando institivamente buscando por mais. Ela sai e, muito lentamente, entra de novo mais dessa vez com três dedos. Gemo alto.
Meus dedos correm até seu cabelo sedoso e rebelde, e, muito lentamente, ela continua a movimentar seus dedos para dentro e para fora.
– Mais rápido, Quinn, mais rápido... por favor.
Ela me olha vitoriosa e me beija com força, e então começa a movimentar de verdade – puta merda, um ritmo implacável... ah — , e eu sei que não vai demorar muito. Ela estabelece uma cadência acelerada. Fico ainda mais excitada, as pernas rígidas embaixo dela.
– Goze, baby – suspira. – Goze para mim.
Suas palavras são uma perdição, e, magnificamente, as ideias entorpecidas, eu explodo em um milhão de pedaços ao redor dela, e ela me acompanha gritando o meu nome.
– Rachel! Ah, Rachel!
Ela põe sua cabeça entre minhas pernas para sugar o meu gozo. Sinto que se ela continuar eu não irei aguentar. Mas ela volta e fica com a cabeça sobre a minha me tomando os lábios num beijo lento e suave, sinto meu gosto através de sua boca.
Realmente tivemos um baunilha?
Ela cai em cima de mim, a cabeça enterrada em meu pescoço.
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